Mais sobre Galinhas e Poluição, no “Por Dentro da Ciência” do IAP

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26 de novembro de 2008

Com o Aumento da Demanda por Avicultura Orgânica, Cientistas da área de Alimentos Começam Estudos de Segurança

Por Jim Dawson
ISNS

O dramático crescimento, na última década, na popularidade da avicultura orgânica — principalmente por perus e galinhas — estimulou os pesquisadores de várias universidades a iniciar um extenso estudo sobre a segurança na produção e nos processos de transporte dessas aves para os mercados. A pesquisa, financiada por um fundo de cerca de US$ 600.000, ao longo de três anos, não se baseou em qualquer problema conhecido na indústria de avicultura orgânica, porem na falta de dados acerca das práticas correntes, explicou o bacteriologista e cientista da área de segurança de alimentos da Universidade do Arkansas, Steven Ricke, chefe da equipe de pesquisas.

A meta da pesquisa, prossegue ele, é desenvolver o que é conhecido na indústrias de alimentos como um conjunto de “Boas Práticas de Agricultura” que assegurem a segurança da indústria orgânica.  Já que a avicultura natural e orgânica não emprega antibióticos ou outros medicamentos, acrescenta Ricke , uma conjunto de tais medidas é “mais importante ainda”.

A demanda por avicultura orgânica cresceu em 20% ou mais por ano, ao longo da última década, e promete continuar crescendo, embora a venda de aves orgânicas responda por apenas cerca de 2% de todo o mercado avícola, hoje, e continue no domínio de pequenas fazendas independentes e do pequeno agronegócio.

A avicultura orgânica e natural (também conhecida como “de quintal” ou “criada no pasto”)  é, atualmente, produzida e processada em instalações menores do que a avicultura “convencional” e isto é uma parte do atrativo para os consumidores. “Entretanto, a produção em pequena escala  usualmente não é integrada, o que permite um menor controle da qualidade do produto, o que inclui a segurança dos alimentos, do que nas indústrias de grande porte com produção integrada”, argumenta Ricke.  A produção integrada envolve todo um sistema que vai da incubação, crescimento e alimentação das galinhas,  e chega ao processamento e transporte dos produtos brutos e manufaturados.

O certificado de “orgânico” pelo governo federal [NT: dos EUA] exige que as aves sejam criadas sem antibióticos, alimentados com ração orgânica e que tenham acesso ao espaço aberto. A avicultura orgânica é caracteristicamente menor e muito mais cara do que avicultura em escala industrial (não-orgânica), porém s aves orgânicas e livres de antibióticos são criadas em condições mais naturais e são vistas por muitos como mais seguras para se comer.

Ricke é rápido em observar que não discute esse ponto de vista. “Eu não tenho qualquer preferência sobre um modo de produção ou outro”, declarou. “Eu estou abordando o caso de um ponto de vista estritamente científico”.  Ricke, diretor do Centro de Segurança de Alimentos da Universidade do Arkansas, Fayetteville, vai coordenar 13 especialistas em pesquisas, divididos em quatro equipes, que incluem cientistas da Universidade Texas A&M, Univesidade de West Virginia, das Universidades Cornell e Purdue, e um cientista do Centro Nacional para Tecnologia Apropriada, uma organização que desenvolve projetos de energia e alimentos sustenáveis a nível comunitário.

As equipes vão “analisar a complexa natureza dos problemas associados com a segurança alimentar na avicultura orgânica e natural”, explicou ele. Os especialistas em extensão agrícola envolvidos na pesquisa “têm estreito relacionamento com criadores e processadores a nível estadual e nacinal, bem como especialização em segurança alimentar e contam com especialistas em comunicação que são capazes de abordar essas questões complexas com os criadores, processadores e os distribuidores no atacado e varejo”.

O impacto da pesquisa pode ser “enorme”, declarou ele, “já que tem o potencial de atingir produtores em alta e baixa escalas, processadores, reguladores e acionistas que precisam de assistência na gerência da segurança alimentar”. Os resultados das pesquisas serão submetidas a revistas com revisão por pares, disse ele.


Este texto é fornecido para a media pelo Inside Science News Service, que é apoiado pelo Instituto Americano de Física (American Institute of Physics), uma editora sem fins lucrativos de periódicos de ciência. Contatos: Jim Dawson, editor de notícias, em [email protected].


Comentário do Tradutor:

Curioso!… 😯 Ainda ontem o mesmo serviço de notícias publicou uma nota sobre “dirigir de janelas abertas, atrás de um caminhão que transporta galinhas”… Aquela nota não dizia explicitamente, mas, ao se referir a “bactérias resistentes a antibióticos”, claramente não estava falando de “aves orgânicas”.

No dia seguinte, a AIP publica um boletim exclusivamente sobre os “riscos à saúde-pública” (embora a expressão não seja usada em ponto algum do texto… está tudo nas entrelinhas…) da avicultura natural.
Pode ser que a eleição do Barack Obama seja um indício de mudança de atitude na política americana… Mas as Associações Científicas continuam apresentando uma atitude lamentável… Eles sabem bem de onde vêm os grants que garantem seus empregos… (Já repararam que eu parei de me interessar pelo “Press-Pac” Semanal da ACS?… Aquilo não era “divulgação científica”: era propaganda barata… 😥 )

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