O quão firme é o rastro de carbono do concreto?


[ How Solid Is Concrete’s Carbon Footprint? ]

O concreto pode absorver mais dióxido de carbono do que era estimado

Illustration showing that concrete absorbs carbon dioxide over time reducing carbon footprint.

O concreto absorve dióxido de carbono com o tempo, de forma que seu rastro de carbono pode ser menor do que se pensava.
Crédito e imagem ampliada

18 de maio de 2009

Muitos cientistas atualmente pensam que ao menos 5% do rastro de carbono da humanidade venha da indústria de concreto, tanto pela energia usada, como pela emissão de dióxido de carbono (CO2) como subproduto da fabricação de cimen­to, um dos principais componentes do concreto.

Entretanto, vários estudos mostram que pequenas quantidades de CO2 são re­absorvidas pelo concreto, posteriormente, até décadas depois do concreto ser colocado, quando os elementos do material se combinam com o CO2 para formar calcita.

Um estudo que será publicado na edição de junho de 2009 de Journal of Environmental Engineering, sugere que a reabsorção pode ir além da formação de calcita, aumentando a quantidade total de CO2 removido da atmosfera, dimi­nuindo o rastro de carbono geral do concreto.

Embora de modo preliminar, a pesquisa da professora de engenharia civil e ambiental Liv Haselbach da Universidade do Estado de Washington reenfatiza descobertas observadas inicialmente a quase meio século – que compostos químicos com base me carbono podem se formar no concreto, além da calcita – agora sob a luz dos correntes esforços para mitigar o aquecimento global.

“Mesmo que esses compostos químicos neutralizem apenas 5% do subproduto de CO2
da fabricação de cimento, em escala global os números são signi­fi­cativos”, argumenta Haselbach. “Concreto é o material de construção mais em­pre­gado em todo o mundo”.

Os pesquisadores sabem há décadas que o concreto absorve CO2 para formar calcita  (carbonato de cálcio, CaCO3)
durante sua vida e até mais, se o concre­to for reciclado para novas construções – e, porque o concreto é algo permeá­vel, esse efeito se estende além das superfícies expostas.

Embora tais mudanças possam ser uma preocupação com relação à armação do concreto, onde uma mudança no nível de acidez pode danificar o metal ao longo das décadas, o CaCO3 é, na verdade, mais denso do que alguns materiais que ele substitui e pode aumentar a resistência.

Várias amostras de pavimentos de concreto no laboratório de Liv Haselbach.
Crédito e imagem ampliada

A análise cuidadosa de Haselbach em amostras de con­creto parece mostrar que outros compostos, além da cal­cita, podem estar se formando. Embora esses compostos continuem não identificados, ela está otimista acerca de seu potencial.

“Compreender a complexa química da absorção de dióxido de carbono no concreto pode nos auxiliar a desenvolver métodos para acelerar esse processo em materiais tais como o concreto reciclado ou pavimentação. Talvez isso possa nos ajudar a conseguir um rastro de carbono próximo do zero, ao menos para as reações químicas, ao longo do ciclo de vida de tais produtos”.

Isso é o que move o atual trabalho de Haselbach, finan­ciado pela NSF, no qual ela atualmente está procurando avaliar o rastro de carbono do ciclo de vida de várias apli­ca­ções de concreto, novas e tradicionais, e procurando maneiras para melhorá-las.

Bruce Hamilton, diretor do programa de sustentabilidade ambiental da NSF, acrescenta:  “Este trabalho é parte do elenco de estudos financiados pela NSF nessa área vital. Pesquisas relacionadas com mudanças climáticas são uma prioridade”.


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Discussão - 1 comentário

  1. Paula disse:

    Alguém mais acha que se gabar por 5% de reabsorção é o cúmulo?

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