Ciência e engenharia dignas de um Oscar

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Tornar os filmes mais semelhantes à realidade não foi uma tarefa fácil para os indicados para o Oscar da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas em 20 de fevereiro

17 de fevereiro de 2010

Por Emilie Lorditch
Inside Science News Service

Sci Tech Awards Avatar

Imagem ampliada

Crédito e direitos

WASHINGTON (ISNS) — Quando as pessoas vêem um filme, elas sabem que o que estão vendo é uma ilusão – e fazer com que as imagens pareçam tão reais quanto possível pode ser uma tarefa difícil para qualquer equipe de produção de um filme.

Criar essas ilusões que parecem realísticas é o trabalho do elenco e da equipe do filme. Se assegurar que as cores pareçam as mesmas por todo o filme e reproduzir as mesmas luzes e sombras que as criadas pela iluminação natural, é somente um exemplo das realizações dos 15 cientistas e engenheiros que serão premiados durante a Cerimônia de Premiação do Oscar 2010, apresentada pela atriz Elizabeth
Banks no sábado 20 de fevereiro.

Manter as cores consistentes

Indicado para “melhor filme”, “Avatar” perderia sua capacidade de imergir a audiência no fantástico mundo de Pandora se a marca registrada da pele azul de Na’vi mudasse de tom a cada cena.

“As telas de computador têm uma composição de cores diferentes daquelas geradas em uma película; as cores que eu enxergo em um computador, nem sempre consigo reproduzí-las em filme e vice-versa”, explica Mark Wolforth, um engenheiro elétrico e biomédico que é um especialista em imagens da FilmLight Limited. “O Truelight é um sistema de gerenciamento de cores que mantém as cores iguais, seja na tela do computador, seja na tela do cinema”.

Antes mesmo que a primeira tomada do filme seja realizada, o sistema Truelight é usado para estabelecer como as câmeras e a iluminação do filme irão trabalhar em conjunto. A equipe é instruída a criar uma impressão do filme, usando suas câmeras e equipamentos de iluminação normais.

“Eles fazem a impressão e nos enviam junto com os dadosde ajustagem das câmeras e iluminação”, conta Wolforth. “Olhando a impressão do filme, nós damos à equipe instruções específicas das ajustagens que darão sempre as mesmas cores”.

Tornar o mundo de animação mais realístico

As cenas quase-reais do filme de animação “Up”, também indicado para “melhor filme”, prenderam a atenção tanto de crianças, como de adultos. A criação de um cômodo realístico sem o uso de um cenário ou iluminação reais apresentou um grande desafio para os cientistas e engenhieros da PIXAR.

A renderização por pontos é a forma pela qual cada um dos objetos em uma cena de animação é mapeado. Cada objeto é feito a partir de um grupo de pontos coloridos chamados de “nuvem de pontos” (“point cloud”) que mostram a posição e a cor de um objeto na cena. A mesma técnica está sendo agora empregada para conceitos como iluminação indireta e oclusão aumbiente.

“Iluminação indireta é quando uma superfície que está iluminada por uma fonte de luz, reflete essa luz sobre outras superfícies”, explica Christensen, engenheiro elétrico e cientista de computação especializado em gráficos computadorizados dos estúdios de animação PIXAR. “Um dos efeitos da iluminação indireta é o que chamamos de ‘vazamento de cor’; se tivermos um tapete vermelho próximo de uma parede branca, parte da luz que incide sobre o tapete será refletida na parede branca, dando a ela um tom rosado”.

Por outro lado, a oclusão ambiente tem a ver com as sombras.

“Pense nisso como uma sombra muito tênue como em um dia nublado sem luz solar direta”, explica Christensen. “A oclusão ambiente também faz com que rachaduras e rugas nas superfícies fiquem mais visíveis e escurece objetos próximos; esse é um efeito que é importante capturar para adicionar realismo em imagens geradas por computador”. 

Iluminando rostos

Seja o ator em cena real ou digital, capturara a maneira como a luz brilha em sua face é crucial para um cena.

“Existe um monte de tecnologias para capturar a forma e alguns até lhe dão um mapa da textura da face, mas o que é preciso e desejável é como ela reflete a luz”, diz Paul Debevec, Diretor Associado de Pesquisa Gráfica do Instituto de Tecnologias Criativas da Universidade do Sul da Califórnia em Marina del Ray. “Queremos saber como os modelos mudam, como suas faces refletem a luz, a cor e o brilho de sua pele, e saber onde sua pele cintila ou cria rugas quando eles sorriem”.

A LightStage captura um modelo de computador realístico da face humana. O ator fica sentado dentro de um arco de 32 luzes estroboscópicas que dão flashes sequenciados, enquanto as imagens são gravadas em vídeo de alta velocidade, o que resulta em centenas de imagens do rosto.

“Nós ficamos surpresos de descobrir que, algumas vezes, nossa versão digital do ator estava melhor iluminada e parecia mais realística do que as imagens tomadas ao vivo com um ator, de forma que o diretor escolhia usar nossa versão digital para cenas específicas”, disse Debevec.

O progresso nas ciências e na engenharia continuam a revolucionar nosso modo de vida, mas não nos esqueçamos que ele também revoluciona nosso entretenimento.


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Discussão - 2 comentários

  1. João Carlos disse:

    Realmente está mais para engenharia do que para ciência…. Quem sabe o autor não estava se referindo às “ciências das artes cênicas”?… (se economia é “ciência”…)

  2. Igor Santos disse:

    Não entendi que tipo de cientista são esses. Cientistas da computação?
    E essa técnica de iluminação indireta também é usada em áudio virtual, simulando vazamento em microfones diretos.
    Engenharia rulez! =¦¤þ

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