O nível do Oceano Índico está subindo…


[ Traduzido de: Indian Ocean Sea-Level Rise Threatens Coastal Areas ]

A elevação é particularmente maior ao longo das áreas costeiras do Golfo de Bengala e do Mar da Arábia, assim como no Sri Lanka, Sumatra e Java

Image of earth showing sea levels which are rising unevenly,
threatening coastal areas and islands.

O nível das águas do Oceano Índico está subindo de maneira desigual e ameaçando áreas costeiras e ilhas.
Crédito e imagem ampliada

14 de julho de 2010

Um novo estudo conclui que o nivel das águas do Oceano Índico está subindo de maneira desigual e ameaçando os moradores de áreas costeiras e ilhas densamente povoadas.

O estudo, conduzido por cientistas da Universidade do Colorado em Boulder e do Cento Nacional de Pesquisas Atmosféricas (National Center for
Atmospheric Research = NCAR) em Boulder, Colorado, descobriu que a elevação no nivel do mar é, pelo menos em parte, um resultado de mudanças climáticas.

A elevação do nivel dos mares é particularmente maior ao longo das áreas costeiras do Golfo de Bengala e no Mar da Arábia, assim como em torno das ilhas de Sri Lanka, Sumatra e Java, segundo os autores.

Essa elevação – que pode agravar as inundações causadas pelas Monções em Bangladesh e na India – podem ter impactos subsequentes tanto no clima regional, como no global.

O principal agente nesse processo é a bacia de aquecimento Indo-Pacífica, uma enorme área com o formato de uma banheira, que se estende por uma enorme parte dos oceanos tropicais da costa Leste da África até a Linha Internacional da Data no Pacífico.

A bacia de aquecimento sofreu um aumento de temperatura da ordem de 0,5 grau Celsius nos últimos 50 anos, principalmente por causa da geração de gases de efeito estufa pela atividade humana.

“Os resultados por nós obtidos neste estudo, implicam que, se os efeitos do aquecimento antropogênico na bacia de aquecimento Indo-Pacífica predominarem sobre a variação natural, ilhas oceânicas tais como o Arquipélago Mascarenhas, as costas da Indonésia, Sumatra e o Oceano Índico Setentrional vão sofrer uma elevação dos niveis das águas dos mares maior do que a média global”, afirma o cientista Weiqing Han da Universidade do Colorado e autor principal de um artigo publicado na edição desta semana de Nature Geoscience.

Enquanto que várias áreas da região do Oceano Índico estejam passando por uma elevação do nivel das águas do mar, essas mesmas águas estão baixando em outras áreas. O estudo indica que os mares nas Ilhas Seychelles e em Zanzibar, ao largo da costa da Tanzania tem a maior queda no nivel dos mares.

“Os padrões globais dos niveis dos mares não são geograficamente uniformes”, explica o cientista Gerald Meehl da NACAR, co-autor do artigo. “A elevação do nivel do mar em algumas áreas guarda correlação com a queda do nivel em outras áreas”.

As verbas para essa pesquisa vieram da Fundação Nacional de Ciências (NSF), patrocinadora da NCAR, assim como do Departamento de Energia e da NASA.

Segundo Eric Itsweire, diretor do programa de oceanogafia física da NSF, “Esse trabalho é um passo à frente na direção da obtenção de melhores estimativas nas mudanças dos niveis das águas dos mares em uma das regiões mais populosas do mundo. A quantificação do equilíbrio entre aquecimento e águas, assim como das mudanças em larga escala das circulações atmosféricas, na bacia de aquecimento Indo-Pacífica, através do uso de observações e modelos numéricos, é algo crucial para a compreensão das sutis mudanças nos niveis dos mares que acontecem nessa região”.

Os padrões de mudanças nos niveis das águas dos mares são ditadas por dois padrões primários de ventos atmosféricos, conhecidos como a Circulação (ou Célula) de Hadley e a Célula de Walker.

A Célula de Hadley sobre o Oceano Índico é dominada pelas correntes de ar que se formam sobre águas tropicais altamente aquecidas, próximas da linha do Equador, e que seguem na direção dos polos em grandes altitudes, de onde mergulham para o oceano na região sub-tropical, fazendo com que o ar flua de volta ao Equador.

A Célula de Walker do Oceano Índico faz com que o ar suba e flua na direção do Oeste nas grandes altitudes, mergulhe para a superfície e flua na direção Leste, no sentido da bacia de aquecimento Indo-Pacífica.

“A intensificação combinada das Células de Hadley e de Walker formam um distinto padrão de ventos de superfície que ditam padrões específicos dos níveis dos mares”, afirma Han.

Em seu artigo, os autores afirmam que “nossos novos reultados demonstram que mudanças nas circulações atmosféricas e oceânicas, causadas pela ação humana, sobre a região do Oceano Índico – que não haviam sido anteriormente estudadas – são a causa principal da variabilidade regional dos niveis dos mares”.

Map of earth showing the Indo-Pacific warm pool.

A bacia de aquecimento Indo-Pacífica se estende por quase metade do globo.
Crédito e imagem ampliada

O estudo indica que, para antecipar mudanças em escala global nos niveis dos mares, os pesquisadores tambem precisam conhecer os detalhes específicos das mudanças regionais nos niveis dos mares.

“É importante que compreendamos as mudanças regionais nos niveis dos mares que terão efeitos sobre as regiões costeiras e insulares”, afirma o cientista da NCAR Aixue Hu.

A equipe de pesquisadores se valeu de vários modelos sofisticados de oceanos e climas, inclusive o Parallel Ocean Program  – o componente oceânico do largamente empregado Community Climate System Model, financidado pela NCAR e pelo Departamento de Energia dos EUA (DOE).

Alem disso, a equipe empregou um modelo oceânico ditado por ventos no referido estudo.

Han ainda especula que os complexos padrões de circulação no Oceano Índico podem também afetar os regimes de precipitações, forçando uma quantidade maior de ar atmosférico sobre a superfície das regiões sub-tropicais do Oceano Índico do que o normal.

“Isso pode favorecer um enfraquecimento da convecção atmosférica nos sub-tópicos, o que pode aumentar a precipitação de chuvas nas regiões tropicais ocidentais do Oceano Índico e causar secas na região equatorial oriental do Oceano Índico, inclusive a África Oriental”, diz Han.


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Discussão - 12 comentários

  1. HPLC disse:

    Esse é um assunto preocupante!

  2. Bentes disse:

    Eu, revoltado? Mais uma vez v.sa. peca nas suas observações e inverte os fatos. O revoltado foi v.sa.! Infelizmente somente fui ler outros comentários seus após ter entrado aqui.
    Você leva demasiado a sério o fato de ser soldado, nem precisa acentuar – mas aprendeu no manual errado – pois soldados também são educados e sabem responder quando contrariados nas suas opiniões. Sou de família militar e sei disso muito bem.
    Não tenho sabedoria iniciática para derramar sr João Carlos, mesmo porque jamais faria isso nesse espaço exíguo e de pessoa deseducada, somente inventei de comentar. Pior ainda, voltei à cena. Ufa, arrependimento!
    Ah, esses copistas que pensam que ciência é isso que fazem na internet!
    Até nunca mais!

  3. João Carlos disse:

    Oh!… Quanta revolta!… Não, irmão, eu não ia perguntar o que você veio fazer aqui; eu já tinha percebido…
    Derramar um pouco de sua sabedoria iniciática sobre esses obtusos “copistas da internet”. Só que o “avestruz” aqui gosta de falar de coisas novas e devidamente comprovadas por experimentos. Não tenho a menor paciência com “revelações” fundamentadas em “achismos”.
    Quanto ao epíteto “soldado”, sou sim e com muita honra!

  4. Bentes disse:

    Soldadinho vibrador, e grosso! Você precisa largar seus alfarrábios de ciência e viver uma vida mais real. As verdades não estão somente nos livrinhos científicos, chatos pra dedéu. Vá ler, vá pesquisar outras coisas; veja quantos intelectuais cem vezes mais atentos e capazes que você estão alertando e se preparando para os acontecimentos que a ciência é incapaz de dominar ou explicar. E tem nisso gente pacas da ciência, não teóricos como você, mas pesquisadores de fato!
    Deixe de ser um mero copista. Se não acredita na manipulação de grande parte da ciência por uma oligarquia mundial é porque simplesmente não sabe nada, problema seu. Está agindo pior que avestruz, pois não deseja ver embora possa.
    Está se doendo por que soldado? Aliás, esse site de ciências é um circo dos horrores, uma pasmeira só. Os assuntos estão acabando e tá todo mundo tratando de suas vidas e vêm aqui somente repetir e repetir, colar e colar. Não notou isso ainda compadre? Tá soninho mesmo. Ah, claro, não quer largar o brinquedinho!
    E antes que sua perspicácia me pergunte por que vim aqui, digo com sinceridade: pura besteira, perda de tempo por não ter o que fazer. Mas já me enchi com esses sábios copistas da internet, pesquisadores wikipedianos.

  5. João Carlos disse:

    Bentes,
    “farsa do aquecimento global” é seu nariz!… E que raios você quer dizer com “…os terremotos por falhas naturais geológicas, os tsunamis que ninguém na verdade sabe quando e porque acontecem…”?
    Sabe-se como acontece, porque acontece, mas “quando” ainda está longe do conhecimento atual. Isso é muito diferente de não saber coisa alguma, ou pretender ter as respostas por uma suposta “inspiração divina”.
    “Poderosos da ciência”, diz você. Que “poder” é esse que não consegue forçar os governos a fazerem o que tem que fazer?…
    Apoiados pelos “poderosos” – não da ciência, mas da economia – são os negacionistas das mudanças climáticas.
    E as “organizações que dominam o mundo empresarial” quando muito tem o domínio da tecnologia que você parece confundir com ciência.

  6. Bentes disse:

    Discordo.
    A ciência manipulada vem jogando uma nuvem de fumaça sobre as verdadeiras causas dos acontecimentos. O que ela explica são fenômenos naturais decorrentes da farsa do aquecimento global, de emissões de CO2, de todas formas discutíveis, inclusive pelo oposto com que governos manobram e nada resolvem, os terremotos por falhas naturais geológicas, os tsunamis que ninguém na verdade sabe quando e porque acontecem, etc, etc., coisas mais do que batidas.
    Lançar a culpa sobre empresários e políticos é justamente tudo o que os poderosos da ciência precisam, pois quem domina a ciência são organizações que dominam o mundo empresarial.
    Incoerência? Não, estrategia. Pois nunca os empresários e governantes desse eixo vicioso pagarão a conta.
    Conspiração? Aposto 100 contra um. Tal como as profecias dizem a verdade – embora as datas não tenham ainda sido 100% ajustadas segundo as interpretações. Mas tá na cara que é pra daqui a pouco, pois a própria ciência está sendo utilizada na construção de inúmeros e fantásticos “bunkers all over the world” tanto para o caso de uma guerra nuclear, como para uma catástrofe universal sem precedentes. E por quem? Os governantes e políticos naturalmente.
    Acredite quem quiser, quem não quiser continue apostando 100% na honestidade dos homens da ciência.

  7. João Carlos disse:

    Francamente, não sou nenhum expert em Nostradamus e acho as Centúrias uma algaravia sem sentido.
    Mas a previsão está profundamente errada ao dizer que “a ciência não fará caso…” Se alguém tem dado o alarme sobre mudanças climáticas, esses são justamente os cientistas.
    Os “homens de negócios” e os políticos é que vem negando sistematicamente os fatos.

  8. – Nostradamus Centúrias 4-30; 1-17: “A ciência não fará caso da predição e dessa imprudência faltarão provisões à humanidade; haverá penúria e a Terra ficará árida, ocorrendo ainda grandes dilúvios” http://www.shoptiffanysilver.com/

  9. Bentes disse:

    Perfeito.
    Como adendo em tempos passados:
    – Hermes Trimegisto: “Na hora dos tempos, a Terra não terá mais equilíbrio; o ar entorpecerá e os astros serão perturbados em seus cursos”.
    – Isaias XXIV; v.20 “Pelo balanço será agitada a Terra como um embriagado e será (a)tirada como a tenda de uma noite, e cairá e não tornará a levantar-se”.
    – Isaias: “E sobre todo o monte alto e sobre todo o outeiro elevado haverá arroios de água corrente no dia da mortandade de muitos, quando caírem as torres (!)”.
    – João, Apocalipse XXI; 1 “E vi um novo céu e uma nova Terra”.
    – Lucas XXI; 25: “E haverá sinais no Sol e na Lua e nas estrelas e na Terra consternação das gentes pela confusão em que as porá os bramidos do mar e das ondas”.
    E em tempos mais recentes:
    – Nostradamus em carta a Henrique II: “Quando os tempos chegarem, após um eclipse do Sol, ocorrerá o mais pétreo e terrível verão”.
    – Nostradamus Centúrias 4-30; 1-17: “A ciência não fará caso da predição e dessa imprudência faltarão provisões à humanidade; haverá penúria e a Terra ficará árida, ocorrendo ainda grandes dilúvios”
    Resta-nos saber, ou aceitar, se os tempos atuais seriam apocalípticos, compatíveis ou não com os conceitos da ciência. Os conspiracionistas a meu ver já estão quilômetros adiante, e demonstram isso na construção de bunkers em alguns países – fato este real e palpável – além de estar tomando outras providências concretas contra a humanidade e a favor deles. E os teóricos acadêmicos e seus seguidores continuarão em inércia cética?

  10. João Carlos disse:

    Gostei da ressalva: “Em se confirmando cientificamente essa constatação”. Mas veja que é muito fácil interpretar algo como “a Deusa Gaia subitamente se porá de pé”, tanto como um recrudescimento da atividade tectônica, como por um súbito surto de vulcanismo e até como uma verticalização do eixo da Terra…

  11. Bentes disse:

    Recentemente, coisa de uma semana atrás, li na internet que os cientistas constataram que o degelo das calotas polares, as invasões de mares em continentes e indicíos de afastamentos de placas tectônicas, coincidem com as descobertas de que o eixo da Terra vem se verticalizando alguns centímetros por ano, portando mudando sua posição anterior de mais ou menos 23 graus em relação à eclíptica.
    Em se confirmando cientificamente essa constatação, comprovaremos as antigas profecias dos pobres e visionários esotéricos de que o eixo da Terra viria se verticalizar e acontecimentos inusitados e catastróficos se sucederiam pelo planeta em tempo relativamente curto.
    Acho que os céticos não vão gostar nenhum pouco em saber disso.

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