Neutrinos mais rápidos do que a luz?

Tem havido muito frisson sobre um resultado de medições dos neutrinos emitidos pelo Large Hadron Collider (LHC) – o Grande Colisor de Hárdrons, o maior acelerador de partículas já construído – do CERN e detectados no Laboratori Nazionali del Gran Sasso (LNGS) do Instituto Nazionale di Fisica Nucleare (Itália).

Segundo os dados obtidos no LNGS – publicados aqui no ariXiv – os neutrinos oriundos do LHC estão chegando aos sensores do LNGS mais rápido do que se fossem fótons (isso se os fótons pudessem atravessar a Terra, do mesmo modo que os neutrinos o fazem).

Um dos pilares da física – a Teoria da Relatividade (de Einstein) – postula que nada pode viajar mais rápido do que a velocidade da luz no vácuo (o termo “c”, na famosa equação E = mc²) e os fótons (as partículas fundamentais da Força Eletromagnética(EM) e a luz visível é apenas uma estreita faixa da radiação EM) só conseguem esta proeza porque não tem massa.

Ora, supõe-se que os neutrinos tenham uma massa – muito pequena, é certo, mas tem – o que tornaria impossível que eles viajassem, mesmo no vácuo – e, para eles, a Terra e o vácuo são praticamente a mesma coisa – a uma velocidade sequer igual a “c”, quanto mais a uma velocidade superior.

Então, alguma coisa certamente está errada!

Ou temos (mais provável) algum erro desconhecido nas leituras, ou temos que refinar o arcabouço da física teórica para acomodar um novo fenômeno. (Mas, seja como for, dificilmente estaremos próximos de uma “viagem no tempo”, como sugeria um subtítulo de manchete do habitualmente sóbrio The Guardian).

Para dar as notícias de uma fonte menos bombástica, apresento a tradução da notícia divulgada no Inside Science News Service, da Associação Americana de Física.

 


 

Photobucket

Físicos relatam indícios de uma partícula mais rápida do que a luz

Mas adiem a revolução: os resultados precisam ser confirmados e podem não alterar radicalmente a física.

23 de setembro de 2011

Por Ben P. Stein
Inside Science News Service

OPERA Info GRAPHIC

Imagem ampliada. Crédito: Colaboração OPERA

 

(ISNS) – No que pode vir a representar a maior descoberta em física do século até agora, caso confirmada, pesquisadores anunciaram terem medido partículas se deslocando a uma velocidade superior à da luz, o que – ao menos até agora – era considerado o limite máximo de velocidade para qualquer coisa no universo.

Pesquisadores do projeto OPERA (Oscillation Project with Emulsion-tRacking Apparatus) apresentaram seus resultados na última sexta em um seminário no CERN, o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (a sigla é em francês), em seguida à publicação antecipada de um relatório no site arXiv (vide link acima)

Porém os pesquisadores do OPERA são os primeiros a enfatizar que é cedo demais para especular sobre possíveis implicações. Embora a colaboração OPERA tenha realizado uma análise compreensiva de suas medições, os pesquisadores reconhecem a possibilidade de haver um erro que passou despercebido, ou mesmo que tenha uma causa ainda desconhecida, que pode ter causado um desvio nos resultados. Eles declaram que estão apresentando seus resultados à comunidade da física de forma a que outros possam verificar esses resultados e tentem duplicar suas experiências.

O OPERA mediu o tempo de trânsito de partículas conhecidas como neutrinos em seu deslocamento de aproximadamente 732 km entre o acelerador do CERN na Suíça e o Laboratório do Gran Sasso na Itália. Ao medir o instante de chegada de mais de 15.000 neutrinos no Gran Sasso, eles descobriram de maneira inesperada que as partículas chegavam 60 nanossegundos (bilionésimos de segundo) mais rápido do que a luz teria chegado. Isso representa uma velocidade 0,002% mais rápida do que a luz que viaja a cerca de 300.000km/seg.

“É algo bem simples; é uma medição clássica”, declarou Dario Autiero do Instituto de Física Nuclear em Lyon e membro da equipe OPERA, durante o seminário da sexta-feira.

Para determinar a velocidade, a equipe dividiu a distância percorrida pelos neutrinos pelo tempo que eles levaram para completar sua viagem de mão unica. A equipe computou uma precisão geral do tempo de percurso dentro de 10 nanossegundos. Eles dispunham de um sistema de medição de tempo sofisticado que recebia sinais de satélites GP`S, os quais, por sua vez, contam com relógios atômicos.

As partículas que sacodem o mundo da física

Através de suas medições, a equipe OPERA conhecia a distância do percurso de 732 km com uma precisão de ± 20 cm, aproximadamente. Em sua viagem, os neutrinos atravessas quase que unicamente rocha sólida. No Gran Sasso eles se encontravam com um detector que consiste de vários “tijolos” de filme fotográfico dentro de folhas de chumbo. Uma pequena fração de neutrinos interagia com os alvos, produzindo fótons, os quais eram observados com foto-detectores sensíveis.

“Não importa o quão bom seja a experiência, eu vou continuar cético até que seja confirmado por outra experiência independente, porque se trata de um resultado muito revolucionário”, declarou V. Alan Kostelecky, um físico teórico da Universidade de Indiana. “Afirmações extraordinárias requerem provas extraordinárias. Elas precisam de comparações cruzadas, verificações cruzadas e experiências independentes. Eu ficaria muito feliz se [uma partícula mais rápida do que a luz] fosse encontrada. Eu realmente quero ter certeza de que o efeito existe e só vou ficar convencido se ele for detectado de diversas maneiras”.

Os neutrinos acrescentam outra camada de mistérios

Os neutrinos são uma das partículas mais comuns no universo, porém também são das mais difíceis de detectar. Eles são invisíveis e raramente interagem com o resto da matéria. Foram previstos pelo físico Wolfgang Pauli em 1930 como explicação para onde ia a “energia faltante” em reações nucleares e foram finalmente detectados em experiências com feixes de partículas subatômicas em 1956 nos Estados Unidos por Frederick Reines e Clyde Cowan. São conhecidos três tipos de neutrinos: de elétron, de múon e de taon. Sabe-se que eles transportam até 99% da energia quando uma estrela explode.

“A velocidade dos neutrinos nunca foi bem caracterizada”, argumenta Alan Chodos da Sociedade Americana de Física, que, juntamente com Kostelecky e Avi Hauser, então na Universidade Yale, publicaram uma série de artigos teóricos que começou em 1985, apresentando a hipótese dos neutrinos serem “táquions” – ou seja: partículas que se movem acima da velocidade da luz.

Uma estrela supernova que explodiu em 1987 ofereceu pistas em potencial para a velocidade dos neutrinos. Ela emitiu um jato de neutrinos de elétron que chegaram à Terra antes da luz da explosão, mas Chodos pondera que outros efeitos, tais como a luz ter ficado cativa dentro da estrela que explodiu, poderia explicar essa diferença. Os neutrinos – menos sociáveis – podem ter passado de passagem [enquanto a luz ficava presa]. No entanto, a análise da supernova descobriu que a velocidade dos neutrinos estava próxima da velocidade da luz em uma parte por bilhão – um resultado 50 vezes menos significativo do que o que está sendo relatado atualmente e que era consistente com uma velocidade não superior à da luz.

Mais recentemente, a experiência MINOS (Main Injector Neutrino Oscillation Search) nos Estados Unidos relatou em 2007 indícios de deslocamentos mais rápidos do que a luz para neutrinos de muon; no entanto a qualidade dos dados estatísticos não era do mesmo nível dos resultados do OPERA.

Durante o seminário de sexta-feira, as perguntas mais frequentes de outros cientistas na audiência eram se a equipe OPERA tinha re-verificado a distência exata entre o CERN e o Gran Sasso, e se eles tinham levado totalmente em conta efeitos tais como o efeito de maré e Autiero respondeu que eles haviam realizado várias medições independentes das distâncias.

As notícias sobre “uma revolução na física” podem ser grandemente exageradas

Caso confirmada sua existência,  partículas mais rápidas do que a luz poderão causar, no mínimo, uma revisão da física moderna que se apoia em uma fundação que inclui a velocidade da luz como limite cósmico de velocidade. Embora o conceito de velocidades ainda mais altas abra as portas para toda uma pletora de questões possivelmente complicadas, uma partícula mais rápida que a luz não destrói as noções correntes de causa e efeito. Quando mais não seja, observou Chodos, se ocorre apenas com neutrinos, estes não tem um efeito notável em nossa vida diária.

A violação da causalidade, acrescenta Kostelecky, requer que a observação de uma cadeia de eventos em um referencial seja invertido em um segundo referencial e isso não ocorre necessariamente se os neutrinos tiverem interações especiais com o meio por onde passam. De acordo com Kostelecky, uma classe de teorias, conhecida como Extensões do Modelo Padrão, permite a existência de partículas mais rápidas que a luz, as quais incluiriam novos fenômenos, mas não precisariam que as leis conhecidas da física fossem radicalmente re-escritas.


Ben P. Stein é o gerente editorial de Inside Science

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Discussão - 23 comentários

  1. João Carlos disse:

    Se você está se referindo ao fato do céu não ser totalmente iluminado, tanto de dia, como de noite, eu sugiro ver este link: Paradoxo de Olbers.
    Quanto à formação dos diversos elementos, a partir do Hidrogênio, sugiro este: Nucleossíntese Estelar.

  2. VAL disse:

    Se ao olharmos para o universo vemos a escuridão, como explicar a velocidade da luz como ser insuperável e maior de todas, não devíamos ver ela la o clarão da insuperável majestade, temos um colisor de hádrons mais temos a energia pra acelerar partículas alem da luz, e detectores pra isto temos, vocês sabem realmente como criar o hidrogênio e hélio e depois ouro, que tipo de cientistas são vocês

  3. João Carlos disse:

    Sim, a luz das estrelas (e galáxias) distantes chega à Terra com a mesma velocidade. O Efeito Doppler alonga (ou encurta, como observado no caso da galáxia de Andrômeda) o comprimento de onda da luz, em função da velocidade relativa de afastamento (ou aproximação, como no caso de Adrômeda) da fonte e da Terra. Mas a velocidade dos fótons é “c”, independente do comprimento de onda.

    Eu já conhecia a argumentação apresentada no site citado, mas, infelizmente, em minha opinião, ela demonstra mais desconhecimento sobre o real significado dos efeitos relativísticos do que realmente propõe algo novo.

  4. Zé Carlos disse:

    Salve João Carlos. De fato, apesar dos paradoxos, muitos indícios estão presentes. Não obstante, ainda não localizei um indício forte que a velocidade da luz é constante independente do referencial inercial. Considerando que isso seja verdade, intriga-me muito a constatação da existência do efeito doppler vindo das luzes das estrelas, haja vista que as ondas eletromagnéticas supostamente estariam chegando até nós com a mesma velocidade “c”. Haveria alguma explicação plausível?
    .
    Por outro lado, já há alguns anos, foi desenvolvida por um brasileiro, fora dos meios acadêmicos, uma teoria alicerçada nos princípios newtonianos, que explica mais que satisfatoriamente vários “efeitos relativísticos”, como, por exemplo, as irregularidades das órbitas de alguns planetas do sistema solar ou a correção do tempo nos relógios do GPS, haja vista que a velocidade das ondas eletromagnéticas não é corrigida (é sempre “c” independente da velocidade do satélite). Parece-me que há uma forte resistência dos meios acadêmicos em debater essa teoria, muito embora não tenha localizado nenhum artigo consistente que a rebateu. Para quem não conhece, a teoria está exposta no site http://www.deducoeslogicas.com.
    .
    Atenciosamente, em 26/1/2012

  5. João Carlos disse:

    Caso fique comprovado que os fótons tem massa, todo o Modelo Padrão e – por que não dizer?… – toda a física atual devem ser devidamente descartados.

    Por que eu acho que isso não vai acontecer?… Porque temos inúmeros indícios de que o Modelo Padrão e a Relatividade Geral estão corretos e apenas este dado experimental (cuja exatidão ainda é discutível) contraria o “geralmente aceito” na física.

  6. Zé Carlos disse:

    Salve Senhores. Sem desmerecer os brilhantes méritos do Dr. A. Einstein (efeito fotoelétrico, E = mc2, etc.), creio que ele abusou ao postular que a velocidade da luz independe do movimento da fonte geradora. Se fizermos a mesma experiência (imaginária) que o Dr. Einstein formulou para desencadear a Teoria da Relatividade (a luz no trem de Maria), considerando, no entanto, que a velocidade da luz DEPENDE do movimento da fonte e/ou do observador (conforme as leis do movimento previstas por Sir Isaac Newton), fatalmente encontraremos a mesma transformada de Lorentz, com uma pequena diferença de interpretação, porém substancial: não há contração do espaço ou dilatação do tempo. O que variará será a velocidade da luz, que será acrescida (vetorialmente) da velocidade da fonte geradora da luz. Conforme minhas pesquisas bibliográficas, não fiquei convencido que as experiências já realizadas confirmaram cabalmente que a velocidade da luz é sempre constante independente do referencial inercial, mesmo porque, pelo que me consta, todas as experiências foram feitas no referencial inercial da Terra. Uma vez que a velocidade da luz não vem sendo corrigida (com o movimento da fonte e/ou do observador), a correção do tempo faz-se necessária para os efeitos práticos, principalmente quanto ao GPS. Ocorre que se voltarmos nossa atenção para o velho e bom Newton, não iremos nos deparar com os paradoxos da Teoria da Relatividade e os resultados serão os mesmos. Outro ponto de interesse é que, conforme a teoria vigente, da dualidade onda-partícula do fóton, pode-se pensar que o fóton é uma partícula e há quem professe que como tal tem massa [1,7353 x 10 (-35) Kg]. Se for comprovado, e sendo o neutrino uma partícula menor que o fóton, e presumivelmente mais leve, nada mais natural que a velocidade da luz seja ultrapassada, conforme as fórmulas de Sir Isaac Newton. Respeitosamente, em 24/1/2012.

  7. Neutrinos versus Fótons

    Os neutrinos de Gran Sasso chegaram 60 nanosegundos antes dos sinais de rádio (fótons).

    Os neutrinos da Supernova 1987A chegaram 3 horas depois de observada a explosão da estrela.

    Não sabemos se os neutrinos, durante a explosão da SN1987a, partiram na velocidade da luz.

    Muito bem, digamos que os neutrinos são mais velozes que a luz no vácuo e que isso aconteceu na explosão da SN1987A. Como compatibilizar essa aparente contradição?

    Supernovas estão nos confins do universo. Supernovas acompanham a expansão cósmica, em velocidade acelerada.

    Se uma supernova distancia-se da Terra, supõe-se que durante a explosão há emissão de neutrinos para todas as direções.

    Os neutrinos que vieram em direção à Terra, tiveram sua velocidade subtraída da velocidade de distanciamento cósmico da SN1987A. Os fótons partiram na velocidade da luz. Por isso, chegaram a Terra três horas antes.

    Essa é uma possibilidade interessantíssima, pois poderá permitir cálculos das distâncias de supernovas mais precisos que o atual sistema de análise por desvio para o vermelho e brilho relativo.

  8. Grato, João Carlos.

    Concordo que a sentença “basicamente eles anularam a teoria da relatividade” é um exagero de quem busca “puxar brasa para sua sardinha”.

    As coincidências dos números não devem ser desprezadas. Um cientista do CERN afirmou que seria impossível entender o que aconteceu em Gran Sasso, se aplicássemos velhas teorias.

    Talvez a física teria de ser modificada e esses números poderiam ser expressos assim:

    (2,433 / 39) * ms * ms = 62 nanosegundos

    Um colega de um site estrangeiro fez um comentário interessante:

    “As usually, your physical conclusions are wrong because system of units is wrong, i.e. the final result cannot be any time interval whatsoever.

    However, this 0,062 is close to 1/Phi (Phi is so called “golden number”)

    Phi = (1 + sqrt(5))/2 ~= 1.6180339…

    and THAT would be VERY interesting, indeed.

    Blessings”

    Como se pode ver, esse esporte é muito estimulante!

  9. João Carlos disse:

    Pela complexidade dos cálculos, isso tornaria o GPS funcionalmente inviável. Mas essas compensações [relativísticas] não são foram feitas. No entanto, o sistema é gerenciado para funcionar, apesar de não utilizar nenhuma correção relativista após o lançamento.

    ELES BASICAMENTE ANIQUILARAM A TEORIA DA RELATIVIDADE.

    Os últimos resultados não estão de acordo com as expectativas relativistas. Para acomodar os resultados, os Partidários Einstenianos argumentam que, se você olhar as coisas de um quadro de referência diferente, tudo ainda funcionará bem.

    Não é nada disso! Essa “relevante variação da velocidade desses artefatos em relação a um observador em qualquer ponto da terra” simplesmente não existe. Os cálculos de posição são feitos a partir dos dados de no mínimo 4 satélites do sistema GPS e a posição calculada tem um erro de cerca de 14 nanossegundos, inerente ao sistema.

    Procurar coincidências em números é um esporte antigo…

    Para começo de conversa, é bom não esquecer que o campo gravitacional da terra não é, nem de longe, perfeitamente esférico. Quando mais não fosse, as influências das marés também existem no espaço. Portanto, a velocidade orbital dos satélites não é uniforme (isso, sem considerar eventuais perturbações causadas por objetos naturais ou artificiais que passem próximos às trajetórias dos satélites).

    Afirmar que o sistema GPS “basicamente aniquilou a Teoria da Relatividade”, é mais do que um exagero; é um disparate.

  10. ESTRANHA COINCIDÊNCIA

    “Números e pessoas, quando torturados, confessam qualquer coisa”.

    Por trás da busca por uma explicação dos neutrinos apressadinhos, há a esperança entre filófosos e físicos dissidentes de que a Teoria da Relatividade caia por terra.

    Este conflito é antigo. Transcrevo abaixo, o resumo de um artigo, perdido na rede, que exemplifica a situação.

    Van Flandern e o GPS

    Nos anos 1990, ele [Van Flandern] trabalhou como consultor especial para o Sistema de Posicionamento Global (GPS), um conjunto de satélites cujos relógios atômicos permitem aos observadores em solo terrestre determinarem sua posição numa precisão de aproximadamente 30 centímetros. Os relatórios Van Flandern surgiram antes do lançamento dos satélites GPS e provocaram uma intrigante polêmica.

    A Relatividade Especial dava aos partidários de Einstein razões para duvidarem se tudo ia funcionar. De fato, os GPS funcionaram muito bem.

    (…)

    Relógios móveis andam mais devagar, em resumo, por que nesta condição seus mecanismos ficam mais lentos. São apenas relógios. Isso não quer dizer que o tempo fica mais lento

    [Comentário: Da mesma maneira que o tempo não pára quando um relógio quebra].

    Todas as experiências que supostamente confirmam a Relatividade Especial são feitas em laboratórios terrestres, nos quais cada partícula ou relógio atômico sofrem a ação da gravidade da Terra, e portanto, a qual pode desacelerar esses relógios.

    [Comentário: Considerar também o giro dessas naves em relação à Terra, que podem ser somados ou subraídos assimetricamente aos giros das órbitas dos átomos desses relógios atômicos embarcados].

    Ambas as teorias, Einsteniana ou de Campo Gravitacional Terrestre [de Van Fladern], produzirão os mesmos resultados. Até agora.

    Voltemos ao problema do GPS – Sistema de Posicionalmento Global. Na altitude em que se encontram, os relógios dos satélites GPS adiantam aproximadamente 46 milisegundos ao dia em relação aos relógios terrestres, pois o campo gravitacional à 20.000 km da Terra [altura média da órbita dos satélites GPS] é muito menor.

    Os relógios orbitais também cruzam por esse campo gravitacional numa velocidade média de três quilômetros por segundo (3.000 m/s), por conta de suas velocidades orbitais. Por tal razão, um tique-taque desses relógios são 7 milisegundos mais lentos que os relógios terrestres.

    Para compensar esses dois efeitos, os engenheiros do sistema GPS regularam esses relógios, antes do lançamento, para atrasarem a marcha à razão de 39 milissegundos ao dia. Esse procedimento fez com que o “tique-taque” dos relógios orbitais batessem em perfeito sincronismo com os relógios terrestres e o sistema funcionou.

    Com o GPS, observadores terrestres podem localizar-se com alto grau de precisão. Entretanto, pela Teoria Einsteniana, era esperado que, em função do movimento dos relógios orbitais, e da relevante variação da velocidade desses artefatos em relação a um observador em qualquer ponto da terra, esperava-se que seria necessário correções relativistas constantes na frequência (tique-taques) dos relógios.

    Pela complexidade dos cálculos, isso tornaria o GPS funcionalmente inviável. Mas essas compensações [relativísticas] não são foram feitas. No entanto, o sistema é gerenciado para funcionar, apesar de não utilizar nenhuma correção relativista após o lançamento.

    ELES BASICAMENTE ANIQUILARAM A TEORIA DA RELATIVIDADE.

    Os últimos resultados não estão de acordo com as expectativas relativistas. Para acomodar os resultados, os Partidários Einstenianos argumentam que, se você olhar as coisas de um quadro de referência diferente, tudo ainda funcionará bem.

    Mas eles têm de fazer o equivalente, do mesmo ponto de observação, e isso não é convincente.

    Todo esse preâmbulo se fez necessário para demonstrar uma estranha relação matemática descoberta ao acaso:

    Para compensar esses dois efeitos, os engenheiros do sistema GPS regularam esses relógios, antes do lançamento, para atrasarem a marcha à razão de 39 milissegundos ao dia. Esse procedimento fez com que o “tique-taque” dos relógios orbitais batessem em perfeito sincronismo com os relógios terrestres e o sistema funcionou.

    Se tomarmos o tempo aproximado da viagem dos neutrinos entre Genebra e Suiça, temos:

    730 000 m / 300 000 000 = 2,433 milisegundos

    Se relacionarmos esse tempo à correção não-relativista de Van Flandern, temos:

    2,433 / 39 = 0,062393 ms/ms = 62 nanosegundos ???

    Isso parece uma anedota sem graça, mas dá o que pensar…

  11. Pois é, João Carlos

    Os prótons (átomos de hidrogênio sem elétrons) “relacionam-se” com o campo eletromagnético de um acelerador de partículas. Como esse campo viaja à velocidade da luz, não há como a partícula ultrapassar esse limite.

    Os neutrinos ficam fora dessa condição pois não são sensíveis a campos elétricos ou magnéticos.

    Mas, de acordo com a física contemporânea, um corpo enfrenta o mesmo limite da velocidade da luz com o meio pelo qual percorre.

    Logo, quando em movimento, esta partícula relaciona-se com o campo gravitacional, que pode não comportar-se exatamente da mesma maneira que o campo elétrico ou magnético.

    Para alguns físicos, a inércia é uma propriedade que está relacionada entre uma partícula e o éter. As trocas de energia ocorrem entre o eter e um corpo. E vice-versa.

    Para outros, o eter é o nome moderno da curvatura espaço-tempo.

    Durma com um barulho desses…

  12. João Carlos disse:

    Confesso que não entendi como a “natureza do movimento de uma partícula” pode ser “elétrico”. O movimento é um fenômeno intrinsecamente mecânico e dependente de um referencial de inércia. O fato de fótons se moverem à velocidade máxima decorre unicamente dessas partículas não terem massa (inercial).

  13. Afinal, o que é movimento?

    O ano de 2011 será lembrado pelas sacudidas que a física vem enfrentando nesse período, notadamente no caso dos neutrinos apressadinhos.

    Fora poucas exceções, a comunidade científica “está em cima do muro”. Poucos falam em apostas de 10 dólares, outros falam em comer as próprias cuecas. Vamos precisar de paciência até a chegada do veredicto sobre esse incidente.

    Neutrinos bateram a velocidade da luz? Se confirmada a proeza, que suprema energia levou essas partículas a uma velocidade proibida?

    Aceleradores de partículas são incapazes de levar um objeto acima da “velocidade de onda luminosa”, produzida dentro de seus túneis. Mas uma partícula pode chocar-se frontalmente com outra, vindas de aceleradores opostos.

    Nesse caso, e, de acordo com Newton, as velocidades entre as partículas poderia dobrar. Teríamos do dobro da velocidade da luz entre as partículas, umas em relação às outras.

    Einstein diz que isso é impossível. A somatória entre as velocidades-limites de duas partículas, vindas de uma mesma direção e sentidos opostos continuará sendo a mesma velocidade-limite da luz. As partículas simplesmente aumentam a massa.

    A questão-chave continua aberta: o que é movimento?

    Movimento é energia cinética?

    Mas o que é energia cinética? Uma manifestação mecânica ou elétrica?

    Se a natureza do movimento de uma partícula é elétrica, então não há como essa entidade superar a velocidade da luz.

    Se a natureza do movimento de é mecânica, por que uma partícula não pode superar a velocidade da luz?

  14. Se, de fato, os neutrinos ganharam velocidade, estes dependeriam de uma diferença de potencial energético para empurrá-los.
    A única força disponível, após a saída do acelerador é a gravidade.
    Mas a equipe de geodésia deve ter trabalhado duro para que a altura do laboratório suiço fosse exatamente a mesma do laboratório italiano.
    Mas isso não é tudo. Recentemente, a ESA publicou um trabalho baseado nas leituras do satélite GOCE. As anomalias gravitacionais da Terra são enormes. O laboratório de Gran Sasso fica abaixo de uma montanha de mais de 10.000 pés. O laboratório da Suiça fica em torno de 1000 pés ao nível do mar. A montanha de Gran Sasso pode ter atraído os neutrinos.

  15. João Carlos disse:

    Realmente é difícil compreender que a velocidade média de uma partícula possa ser maior do que c, sem que – em algum momento – a velocidade instantânea o seja…

    Eu já tinha ouvido falar de aplicar leis da física à economia… Mas aplicar cálculos típicos da economia à física… realmente inovador!

  16. A relavidade admite velocidades superluminais médias

    B. Allés

    Ao contrario do que a maioria acredita, as medições de velocidade (dos neutrinos) pode ser maior que c, a velocidade da luz no vácuo, sem contradizer a teoria de Einstein…

    (…)

    “Seguimos para mostrar que, embora a velocidade instantânea de uma partícula não pode ser maior do que c, a relatividade consente que a velocidade média da mesma partícula pode muito bem exceder c. O aspecto interessante e atraente do declaração acima é que o que a colaboração da OPERA tem medido é precisamente a velocidade média neutrino.”

    Entendeu?

    Eu não. Quem entende a Teoria da Relatividade?

    O artigo completo (em inglês) está no enlace, abaixo:

    http://arxiv.org/PS_cache/arxiv/pdf/1111/1111.0805v1.pdf

  17. O colega Policarpo afirma:
    “Assim é a Terra que se desloca no espaço com a velocidade de pelo menos 7km/s (na linha norte/sul que vai da Suíça até a Itália. Assim os não são os neutrinos que chegam mais rápido na Itália, mas a Itália que de fato se aproxima dos neutrinos enquanto eles estão viajando pelo interior da Terra…”

    Jonas comenta:

    Se assim for, basta fazer um teste à noite, quando a posição do “canhão” e “alvo” se invertem. Dessa maneira deve ocorrer uma redução da velocidade neutrínica em torno de 7 km/s.

  18. João Carlos disse:

    Pelo que eu entendi, você está se referindo ao arrasto do referencial (“frame dragging”). Pode ser isso, mas é bem mais provável que seja um erro sistêmico introduzido na determinação do momento de criação dos neutrinos no LHC.
    Por outro lado, a informação não pode ser mais rápida do que a luz… nem que fosse levada por táquions.

  19. Policarpo disse:

    Os neutrinos parecem estar viajando mais rápido que a luz pois os relógios sincronizados utilizados no experimento geram um sistema no qual a informação de tempo se propaga mais rápido que a luz. Neste tipo de sistema a luz (ou mesmo os neutrinos) podem ser utilizados para medir a velocidade com a qual a Terra se desloca no espaço. Isto gera um erro sistemático sobre o resultado obtido para a velocidade dos neutrinos.
    Assim é a Terra que se desloca no espaço com a velocidade de pelo menos 7km/s (na linha norte/sul que vai da Suíça até a Itália. Assim os não são os neutrinos que chegam mais rápido na Itália, mas a Itália que de fato se aproxima dos neutrinos enquanto eles estão viajando pelo interior da Terra…
    Vejam a explicação completa em: http://www.atomlig.com.br/poli/Neutrinos-PT.pdf

  20. Boa matéria (ou onda?) !
    É cedo para falar em revolução. Se o experimento europeu não contem erros, como explicar que uma partícula pode viajar acima da velocidade da luz no vácuo e nada mudar na física?
    Até onde entendo, nem toda a energia do mundo seria capaz de fazer uma partícula viajar acima de C…

  21. Joao, acho que preciso fazer um reparo. Nao eh verdade que se os neutrinos tiverem velocidade 0,002% maior que c isso nao desmente Eistein e signifique apenas um refinamento da Teoria da Relatividade.
    Precisamos distinguir entre resultados empiricos e conceitos teoricos. A relatividade de Eistein, ao quebrar o conceito de tempo e espaco absoluto de Newton, nao apenas corrige Newton e Galileu, mas sim implica numa visao filosofica e conceitual totalmente diferente. Isso eh bem discutido no livro “A Estrutura das Revolucoes Cientificas” de Thomas Kuhn. Dizer o contrario seria como dizer que Copernico eh uma correcao ou refino dos calculos de Ptolomeu. OK, na navegacao, o modelo geocentrico de Ptolomeu ainda pode ser usado com grande precisao na pratica, mas existe uma diferenca fundamental, conceitual, entre geocentrismo e heliocentrismo, e isso nada tem a ver com o fato de que ambos fazem predicoes praticamente identicas para quase todos os fenomenos observaveis na epoca de Copernico.
    Da mesma forma, se a velocidade limite dos neutrinos for c’ diferente de c, entao temos que mudar a trasnformacao de Lorentz para a mecanica, usando c’ em ves de c. Mas dai, as equacoes de Maxwell nao ficam invariantes pela trasnformacao de Lorentz, e a teoria da relatividade cai por terra.
    Uma coisa que eu nao vi o pessoal discutir eh o seguinte: qual eh a precisao que temos nas medidas da velocidade limite de particulas massivas (vamos chamar essa velocidade limite de C, nao necessariamente igual a c da luz). Ou seja, se C = 1,000002 c, como ‘e o caso dos experimentos com neutrinos do OPERA, temos realmente evidencia dos aceleradores de particulas de que de que o fator de Lorentz a ser usado nos calculos para a construcao dos aceleradores etc eh RAIZ(1 – (v/c)^ 2) ou poderia ser RAIZ(1-(v/C)^2) ? Alguem tem referencias sobre a determinacao de C via aceleracao de particulas em vez de se usar o valor de c no vacuo fator gamma de Lorentz? Hummm, eu sei que o fiting nas predicoes da Relatividade nao sao tao simples assim ou tao precisas…

    Ah sim, estou organizando um bolao (contribuicao de R$ 100) sobre se temos fisica nova no OPERA ou se é tudo fruto de erro sistematico, Entre no post abaixo e faça sua aposta!

    http://semciencia.haaan.com/?p=1116

  22. João Carlos disse:

    Salve, Emanuel!
    Realmente o pessoal do OPERA confia bastante na precisão de suas leituras, mas o assunto não se esgota aí. O Sean Carrol logo achou uma possível origem para um erro, origem essa muito bem discutida pelo Ethan Siegel no post Are we fooling ourselves with faster-than-light neutrinos?
    Eu adoraria ter certeza de que realmente algo novo foi descoberto, mas estou bastante cético…
    E, sim!… Caso confirmada, a descoberta não “desmente” Einstein, do mesmo modo que este não “desmentiu” Galileu ou Newton: apenas refinou a compreensão dos fenômenos.

  23. Emanuel disse:

    Oi João. No dia que saiu o trabalho no arxiv eu fui lá ler. O negócio é meio complexo mas eles passam 80% do trabalho discutindo todas as fontes de erro e/ou incerteza nas medidas. A mim parece bem feito. Além disso, foi uma ação coordenada com diversos meios de comunicação. Eu não acho que eles dariam a cara a tapa assim se não tivessem conferido e reconferido os resultados incontáveis vezes. Eu estou mais tendencioso a acreditar que a teoria vai precisar de revisão… E, de verdade? Isso não muda muito né? 106 anos depois da Relatividade de Einstein, nosso dia-a-dia continua sendo primordialmente dominado por Galileu. Se uma nova teoria vier, longe de invalidar Einstein, vai torná-lo mais completo, tal qual este extendeu Galileu. Abraços e desculpe o longuíssimo comentário.

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