2012 – O último Carnaval?

Pode muito bem ser… Já que o negócio é aproveitar qualquer deixa para vaticinar um Apocalipse, um suposto “fim-do-mundo” com base em uma conta-de-chegar feita a partir de um calendário Maia, é tão bom quanto qualquer algaravia extraída de uma exegese de uma centúria de Nostradamus…

Então, a partir de agosto (mes sabidamente aziago), as oscilações das anomalias do campo magnético da Terra vão começar a se intensificar, acompanhadas de um recrudescimento na atividade tectônica, com amplo fornecimento de terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas. Afora os efeitos sobre as condições climáticas locais (que serão acompanhadas de intenso debate sobre se esses fenômenos são decorrentes das “mudanças climáticas” antropogênicas, ou, ao contrário: se as mudanças climáticas tidas como antropogências são uma mera manifestação das forças telúricas), o subito “endoidamento” das declinações magnéticas vai causar efeitos devastadores nas espécies que se pautam pela magnetosfera terrestre para suas migrações sazonais.

As grandes navegações serão muito menos afetadas, porque se pautam mais pelo Sistema de Posicionamento Global (GPS) do que pelas obsoletas bússolas (que os tradutores de programas “científicos” insistirão em chamar de “compassos”, enganados pelo falso-cognato), até que…

Com o campo magnético da Terra instável e enfraquecido, o Sol resolve fazer gracinha: uma inusitada Ejeção de Massa Coronal de proporções épicas é expelida bem na direção do terceiro planeta.

A chuva de parículas altamente energéticas encontra uma magnetosfera enfraquecida e provoca imediatamente um caos nas linhas de transmissão de energia elétrica, causando “apagões” em cascata, desligando usinas geradoras e colocando fora de combate toda a comunicação por fios, inclusive e principalmente a internet. Pior ainda: as redes de satélites de comunicações, GPS e outros monitoramentos (principalmente os satélites meteorológicos) literalmente “vão para o espaço”…

Sem redes de transmissão de eletricidade, sem comuinicações em tempo real, com a indústria pesada (o que inclui as refinarias de petróleo) fora de combate, as redes de transporte público funcionando precariamente (enquanto os estoques de combustível durarem), o mundo subitamente estará devolvido à tecnologia do início do século XX… mas com uma população de século XXI.

Ironicamente, as populações dos rincões mais atrasados do planeta serão as menos afetadas inicialmente. Os ianomâmis não vão sentir imediatamente os efeitos do caos em Wall Street e os habitantes do Sudão do Sul vão continuar morrendo como moscas por causa da fome e de condições sub-humanas de vida, mas nada vai ficar imediatamente “pior” para eles.

Por outro lado, as epidemias vão demorar mais a se transformar em pandemias, em face da quase paralisação do transporte aeronáutico (a essa altura, resumido aos voos militares). Mas os surtos locais vão ser bem mais graves, por conta da dificuldade do acesso a medicamentos e das restrições ao reforço das equipes de agentes da saúde locais.

Para culminar a desgraça, a rede NEAT foi uma das mais prejudicadas na nova atribuição de prioridades e, justamente agora, um asteróide rasante resolveu “rasar” demais e, apesar de ter sido detectado com alguma antecedência pelos telescópios em terra, seu ponto de impacto não pode ser calculado porque o tempo de computação necessário estava empenhado pela FEMA e o a realocação dos recursos ficou parada na Câmara dos Deputados dos EUA por conta de uma feroz oposição do Tea Party a qualquer iniciativa do governo, em um ano eleitoral.

O fato do meteorito ter atingido o Oriente Médio (causando, entre outras coisas, a destrução de Jerusalém) foi interpretado por muitos como “uma demonstração da cólera divina”, com as vertentes religiosas trocando acusações, insultos e atentados terroristas, por conta da “blasfêmia” alheia. No entando, os efeitos sísmicos do impacto causaram danos bem mais permanentes, notadamente nos campos petrolíferos da região (… realmente uma pena o que aconteceu com os arranha-céus de Dubai, mas fazer o que?…)

A coincidência do meteorito ter caido no dia 22 de dezembro de 2012 foi aclamada como a realização da “Profecia Maia” (apesar do suposto calendário Maia apontar o dia 21…), mas o fim-do-mundo não foi o que geralmente se esperava… Na verdade, o mundo não acabou (e precisava muito mais do que isso para realmente acabar com a Terra…): apenas a humanidade ficou em uma merda bem maior do que já estava.

Mas pensam que alguém se emendou?… Ledo engano d’alma!… As dicussões sobre a conservação do meio ambiente foram devidamente arquivadas por conta do “esforço de recuperação”, as preocupações com poluição descartadas em favor da “retomada da normalidade” e as mudanças climáticas foram de volta para a prateleira, com o argumento de que “em face das súbitas mudanças, há que recalcular tudo novamente” (tese adiantada pelo Heartland Institute e rapidamente encampada pelos cacos de midia remanescentes).

Mas 2012 não foi o último Carnaval: em 2013 minha escola, Acadêmicos do Salgueiro, saiu com o enredo: “Os Orixás salvaram a Bahia da urucubaca dos Maias”…

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Discussão - 4 comentários

  1. Karl disse:

    Excelente, João!

  2. Igor Santos disse:

    Melhor primeiro parágrafo de todos os tempos!

  3. […] Como se daria o caos apocalíptico e um ótimo tema de desfile de carnaval ficam por conta do João Carlos, no Chi vó, non pó. […]

  4. Claudio Zeus disse:

    Muito inteligente esta sua “tirada”. Mas eu ainda acho melhor “irmos pros búzios” pra confirmar porque em 2013 a Escola campeã pode ser a Acadêmicos do Cubango que ainda está no segundo grupo mas vai passar para o primeiro após a hecatombe por julgamento da LIESA de que faltará patrocínio para as demais devido à “caça ao mundo dos bichos” (Rssss)

    Forte abraço João Carlos!

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