Experiência ALPHA do CERN mede a carga do anti-hidrogênio

Original em inglês porCian O’Luanaigh em 3 Jun 2014: CERN’s ALPHA experiment measures charge of antihydrogen.

Detalhe da experiência ALPHA: Inserção da Armadilha Penning do ALPHA trap no criostato que contém os magnetos confinadores do anti-hidrogênio (Imagem: Niels Madsen)

Em um artigo publicado hoje na Nature Communications, a experiência ALPHA no Desacelerado Antipróton (Antiproton Decelerator = AD) relata a medição da carga elétrica de átomos de anti-hidrogênio, que revelou ser a mesma compatível com zero até a oitava casa decimal. Embora esse resultado não seja surpresa alguma, uma vez que os átomos de hidrogênio são eletricamente neutros, esta é a primeira vez que a carga de um anti-átomo foi medida com uma precisão tão alta.

“Esta foi a primeira vez que fomos capazes de estudas o anti-hidrogênio com alguma precisão”, relata o porta-voz da ALPHA, Jeffrey Hangst. “Estamos otimistas quanto ao fato de que a técnica de confinamento do ALPHA permitirá vários desses vislumbres no futuro. Aguardamos pelo reinício do programa AD em agosto, de forma poder continuar a estudar o anti-hidrogênio com uma precisão cada vez maior”.

As antipartículas deveriam ser idênticas às partículas de matéria, exceto pelo sinal da carga elétrica. Assim é que o átomo de hidrogênio é composto de um próton com carga +1 e um elétron com carga -1, o átomo de anti-hidrogênio consiste de um antipróton com carga -1 e um posítron com carga +1. Entretanto, também sabemos que matéria e antimatéria não opostos exatos – a natureza parece ter uma preferência de 1 contra 10 bilhões pela matéria sobre a antimatéria, o que torna importante medir as propriedades de matéria e antimatéria com grande precisão: o objetivo principal dos experimentos do AD do CERN. O ALPHA consegue isto por meio de um complexo sistema de confinamento de partículas que permite a produção e armazenagem de átomos de anti-hidrogênio por períodos suficientemente longos para estudá-los em detalhe. A compreensão da assimetria entre matéria e antimatéria é um dos maiores desafios da física atual. Qualquer diferença detectável entre matéria e antimatéria poderia ajudar a resolver o mistério e abrir uma janela para uma nova física.

Para medir a carga do  anti-hidrogênio, a experiência ALPHA estudou as trajetórias dos átomos de anti-hidrogênio na presença de um campo elétrico. Se os átomos de anti-hidrogênio tivessem uma carga elétrica, o campo os desviaria, enquanto que átomos neutros não seriam afetados. O resultado, baseado em 386 eventos registrados, dá uma carga elétrica para o anti-hidrogênio de (-1.3±1.1±0.4) × 10-8, sendo os números “±” representativos das incertezas estatísticas e sistemáticas das medições.

Com o reinício da cadeia de aceleradores do CERN a caminho, o programa de pesquisa de antimatéria do laboratório também será reiniciado. Experimentos que incluem o ALPHA-2, uma versão melhorada da experiência ALPHA, vão colher dados, juntamente com as experiências ATRAP e ASACUSA, assim como o “novato” AEGIS que vai medir a influência da gravidade sobre o anti-hidrogênio.

Artigo na Nature Communications: “An experimental limit on the charge of antihydrogen

Que raio de Deus é esse?

Uma curiosa coincidência me tirou da toca, hoje. De um lado, o acinte praticado pelos corruptos do Distrito Federal, orando em agradecimento por uma rapinagem bem sucedida. O assunto é bem esmiuçado no post Da Religião como símbolo político do Hermenauta (via itens compartilhados da Lucia Malla).

Como se fora de encomenda, o EurekAlert traz uma notícia – com o sugestivo título “As inferências dos crentes sobre as intenções de Deus são incrivelmente egocêntricas” – sobre o resultado de um estudo, publicado hoje em  Proceedings of the National Academy of Sciences, liderado por Nicholas Epley, professor de ciências do comportamento na Escola Booth de Administração da Universidade de Chicago, que também é assunto do Not Exactly Rocket Science, do Scibling Ed Yong, com o título “Criando Deus segundo a própria imagem”.

Em resumo, o estudo revela que as pessoas tendem a acreditar que Deus pensa como elas. Ou, posto de uma forma menos eufemística, que as pessoas acreditam que Deus tem que perguntar para elas como gerir o universo. Não é de estranhar, portanto, que o tema “Deus” cause tantas discussões e desavenças…

Last, but not least, uma outra notícia no EurekAlert coloca a pergunta: “Existe um gene do placebo?”, sobre os estudos de Matthias Breidert e Karl Hofbauer, publicados em Deutsches Ärzteblatt International, onde se discute uma predisposição genética dos pacientes mais suscetíveis ao Efeito-Placebo (eles afirmam que as variáveis são tantas que nada se pode afirmar, com segurança…) (um muggle-gene?…)

Bom… Se Dawkins pode postular um “gene egoísta”, eu posso postular um “gene estúpido”.

Crédulo do jeito que eu sou, não consigo imaginar um Criador para um universo do tamanho deste que aí está, que se envolva com o sucesso ou insucesso de indivíduos, notadamente quando esse Super-Ser supostamente impõe um código de ética com 10 cláusulas-pétreas (e uma 11ª implícita: “Jamais sejais apanhados violando qualquer uma das anteriores”) que “servem para os outros, não para mim”…

No entanto, a esmagadora maioria daqueles que se dizem religiosos pensa exatamente assim. O tal “Deus” é o fiador de toda a sorte de cretinice, safadeza, preconceito, violência gratuita, discriminação… enfim, de todo procedimento escandalosamente anti-social por parte daqueles que dizem se preocupar com o futuro da humanidade.

Eu cá não consigo conciliar essa contradição. Talvez porque eu seja portador do “gene estúpido”… mas a impressão que eu tenho é exatamente o contrário.

 



Novo tema de discussão para o “Roda de Ciência”

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Clique no logo para ir ao “Roda de Ciência”


Ditatorialmente eu outorguei um novo tema para o mês de setembro para o Roda de Ciência: Os políticos e as ciências.

O tema deriva de uma sugestão do Osame Kinouchi para discutir a aparente incompatibilidade da profissão religiosa da pré-candidata à presidência, Marina Silva, e o oficial secularismo professado pela Constituição.

A idéia é expandir um pouco mais o tema, deixando de focar apenas em uma pessoa, e discutir como e se é possível abrir as cabeças dos políticos-legisladores para que o desenvolvimento científico não seja podado por preconceitos e miopias tão ao gosto do eleitorado.

Como sempre, todos estão convidados a dar suas opiniões a respeito: meus companheiros do ScienceBlogs – Brasil, todos os blogueiros e, principalmente, os leitores.


Cala a boca, rábula!

Notícia fartamente divulgada pela imprensa dá conta de que o Minsitério Público está “chamando na chincha” a Força Aérea Brasileira. Por exemplo, esta notícia de “O Globo”: MP instaura inquérito para apurar falha da FAB para deter avião jogado em shopping de Goiânia.

Por que não cromam as orelhas ou penduram uma melancia no pescoço, se o caso é apenas aparecer na mídia e fingir que estão trabalhando?

Queriam o que??? Que um caça da FAB abatesse o aviãozinho (com uma criança a bordo)? Ou que os pilotos da FAB pusessem a mão para fora do avião e tomassem os controles do tresloucado sujeito?

Por que não interpelam também o Exército? Afinal, existe um Grupo de Artilharia Antiaérea naquela região…

Se dependesse do MP e do Judiciário, iam fazer o que?… Mandar os pilotos da FAB entregarem uma intimação judicial (que ficaria pronta em uns três dias…) para que o sequestrador pousasse o avião e se apresentasse em juízo?

Passa fora, rábula!

Coisinhas que nem todo o mundo sabe sobre Evolução

Enquanto os ScienceBlogs – Brasil não são oficialmente inaugurados (e a ponta dos dedos coça por “privação de digitação” 🙂 ), aí vai uma notícia interessante, colhida no

Ludwig-Maximilians-Universität München

A Lei do Mais Fraco

(Link para a fonte)

Não somente os mais aptos prevalecerão

A extinção de espécies é uma conseqüência de sua inabilidade em se adaptar a novas condições ambientes e, também, de sua competição com outras espécies. Ao lado da seleção e do aparecimento de novas espécies, a possibilidade de adaptação é também uma das forças motrizes por trás da evolução. De acordo com a interpretação conhecida desde Darwin, esses processos aumentam a “aptidão” da espécie como um todo, uma vez que, entre duas espécies competidoras, somente a mais apta sobreviveria. Agora os pequisadores da LMU fizeram uma simulação do progresso de uma competição cíclica entre três espécies. Isso significa que cada participante é superior a uma das outras espécies, mas perde para uma terceira participante na interação. “Nesse tipo de concorrência cíclica, a espécie mais fraca se sai vencedora quase que sem excessão”, relata o Professor Erwin Frey, que liderou o estudo. “As duas espécies mais fortes, por outro lado, acabam morrendo, como experiências com bactérias já demonstraram. Nossos resultados não são somente uma grande surpresa: eles são importantes para nossa compreensão da evolução de ecossistemas e o desenvolvimento de novas estratégias para a proteção de espécies”.

Ecossistemas são compostos de um grande número de espécies diferentes que interagem e competem entre si por recursos escassos. Esta competição entre espécies, por sua vez, afeta a probabilidade de que um indivíduo possa se reproduzir e sobreviver — uma questão de vida ou morte. Todos esses processos são também altamente probabilísticos e levam a flutuações que, ao fim e ao cabo, levam à extinção de espécies. Sabemos que até 50 espécies se extinguem na Terra a cada dia, sendo essa taxa elevada atribuível à influência humana.

Mesmo assim, o fenômeno da extinção de espécies, por si só, não pode ser igualmente evitado — e é um fenômeno ainda pobremente entendido. Dessa forma, ecologistas e biofísicos teóricos procuram com afinco pesquisar as condições e os mecanismos que afetam a biodiversidade na Terra. A dominância cíclica é uma constelação de espécies que competem entre si particularmente interessante. Significa que cada participante é superior a um parceiro de interação, mas perde para um terceiro. Nos ecossistemas, isso seria representado por três sub-populações — em um modelo simplificado — que exerceria a dominância em turnos. Na verdade, foram identificadas comunidades de sub-populações que seguem tais regras em vários ecossistemas, de invertebrados em recifes de coral, a lagartos da serra costeira da Califórnia.

Essa interação cíclica também é chamada popularmente de interação tipo “pedra-papel-tesoura”. Há a pedra que quebra a tesoura, que corta o papel, que, por sua vez, embrulha a pedra. Em conjunto, esses relacionamentos não hierarquizados formam um movimento cíclico. “O jogo pode auxiliar a descrever a diversidade das espécies”, explica Frey. “O pano de fundo é um ramo da matemática chamado Teoria dos Jogos e, neste caso Teoria do Jogo Evolucionista. Ela auxilia a analisar sistemas que envolvem vários atores cujas interações são similares àquelas dos jogos de salão”.

Empregando a Teoria dos Jogos, se pode também estudar o desnvolvimento coletivo das populações. Em seu estudo, os cientistas que trabalharam com Frey desenvolveram elaboradas simulações em computador, a fim de calcular as probabilidades de sobrevivência de cada espécie em competições cíclicas. Os jogos começavam com as três espécies coexistindo no sistema e continuava até que duas espécies se extinguissem, ficando apenas a terceira espécie como sobrevivente. “O que verificamos foi que, nas grandes populações, a espécie mais fraca — com uma probabilidade muito alta — se saia vencedora”, declara Frey.

Essa “lei do mais fraco” se manteve verdadeira até quando a diferença entre as espécies competidoras era pequena. “Para nós, o resultado foi totalmente inesperado”, relata Frey. “Porém ele demonstra, mais uma vez, que o acaso desempenha um papel importante na dinâmica de um ecossistema. Coincidentemente, em experiências realizadas há um par de anos atrás em colônias de bactérias, para estudar a competição cíclica, sempre aconteceu um resultado claro: a mais fraca das três espécies emergia vitoriosa da competição”.

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O projeto foi apoiado pelo centro de excelência “Nanoinitiative Munich (NIM)”, do qual o Professor Erwin Frey é um dos principais investigadores.

Nova mudança de endereço

Como todos os Blogs do Lablogratórios, este aqui também vai se mudar para seu novo endereço no “Condomínio de Luxo ScienceBlogs – Brasil”.
Por enquanto, ainda sem posts novos… (mas os anteriores já estão migrando). E, é claro, ainda faltam todos os ajustes. Mas, se você quiser uma prévia, vá para http://scienceblogs.com.br/chivononpo.

Uma geladeira mais eficiente


National Institute of Standards and Technology (NIST)

Uma solução magnéticamente atraente para problemas de refrigeração

IMAGEM: Quando um gás é comprimido (2), ele se aquece, mas se ele for resfriado e deixado se expadir (3), sua temperatura cai muito abaixo da inicial (4); este é o princípio usado para manter seu refrigerador gelado.

Clique aqui para ver o original.

O sistema de resfriamento, com aquele desagradável zumbido e devorador de energia elétrica, de seu refrigerador pode ficar em breve bem menor, mais silencioso e mais econômico, graças a uma exótica liga metálica descoberta por uma colaboração internacional que trabalha com o Centro de Pesquisas sobre Nêutrons (Center for Neutron Research =NCNR) do National Institute of Standards and Technology (NIST).

A liga pode vir a se mostrar como o material longamente procurado que permitirá o resfriamento magnético, em lugar do sistema de compressão de gases que é usado na refrigeração doméstica e nos sistemas de ar-condicionado. A técnica de resfriamento magnético, embora seja usada há décadas na ciência e na indústria, ainda não era usada na refrigeração doméstica por causa dos obstáculos técnicos e ambientais — porém a colaboração do NIST pode os ter suplantado.

O resfriamento magnético depende de materiais chamados magneto-calóricos que se aquecem quando expostos a um poderoso campo magnético. Depois que eles se resfriam, irradiando o calor, o campo magnético é removido e sua temperatura cai novamente, desta vez dramaticamente. Este efeito pode ser usado em um ciclo de refrigeração clássico e os cientistas conseguiram alcançar temperaturas próximas do zero absoluto desta forma. Dois fatores têm mantido a refrigeração magnética fora do mercado de consumo: a maioria dos magneto-calóricos que funcionam à temperatura ambiente precisam do raro e proibitivamente caro metal gadolínio e de arsênico, uma toxina letal.

No entanto, os refrigeradores convencionais a gás comprimido também têm suas limitações. Eles comumente usam hidro-fluor-carbonetos (HFC), gases de efeito-estufa que podem contribuir para mudanças climáticas se escaparem para a atmosfera. Além disso, está cada vez mais difícil melhorar o desempenho do sistema de refrigeração tradicional. “A eficiência do ciclo de gás está quase que totalmente maximizada”, declara Jeff Lynn do NCNR. “A idéia é substituir esse ciclo por outra coisa”.

IMAGEM: Um material magneto-calórico se aquece quando magnetizado (b); se for resfriado e, então, desmagnetizado c), sua temperatura cairá dramaticamente (d). Os cientistas do NIST podem ter encontrado uma maneira de usar magneto-calóricos em seu refrigerador.Clique aqui para ver o original.

A liga descoberta pela equipe — uma mistura de manganês, ferro, fósforo e germânio — não só é o primeiro magneto-calórico que funciona à temperatura ambiente e que não contém nem gadolínio, nem arsênico — o que a torna mais segura e mais barata — como também tem propriedades magneto-calóricas tão fortes que um sistema com base nela pode competir com a compressão de gás em matéria de eficiência.

Trabalhando em conjunto com (e inspirada por) os cientistas visitantes da Universidade Tecnológica de Beijing, a equipe usou o equipamento de difração de nêutrons do NIST para analisar a nova liga. Eles descobriram que, quando exposta a um campo magnético, a estrutura cristalina do novo material se modifica completamente, o que explica seu excepcional desempenho.

“A compreensão de como fazer a sintonia-fina desta modificação pode nos permitir tornar a eficiência da liga ainda maior”, diz o cristalógrafo Qing Huang do NIST. “Ainda estamos mexendo na composição e, se conseguirmos que ela se magnetize de maneira uniforme, poderemos ser capazes de aumentar mais ainda a eficiência”.

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Os membros da colaboração incluem os cientistas do NIST, da Universidade Tecnológica de Beijing, Universidade de Princeton e da Universidade McGill. As verbas para o projeto foram fornecidas pelo NIST.

* D. Liu, M. Yue, J. Zhang, T.M. McQueen, J.W. Lynn, X. Wang, Y. Chen, J. Li, R.J. Cava, X. Liu, Z. Altounian e Q. Huang. “Origin and tuning of the magnetocaloric effect for the magnetic refrigerant MnFe(P1-xGex)” em Physical Review B. Vol. 79, 014435 (2009)

O que sua mãe fez, quando era jovem, pode ter um efeito em sua memória

Três notícias do EurekAlert deste 4 de fevereiro divulgam o mesmo estudo, realizado pelo Centro Médico da Universidade Rush e a Escola de Medicina da Universidade Tufts. A da Universidade Rush é menos sóbria e tem o título que eu usei no post. Outra é da Universidade Tufts, com o título, igualmente sugestivo, “Você sabe o que sua mãe fez durante a juventude?” A terceira é da Sociedade de Neurociência e tem o título: “A experiência da mãe tem impacto sobre a memória da prole”. Vamos à tradução da notícia da Rush:

Rush University Medical Center

(Chicago) – Um novo estudo, realizado por pesquisadores do Centro Médico da Universidade Rush e da Escola de Medicina da Universidade Tufts, usando ratas, indica que a memória de uma criança e a severidade dos problemas de aprendizado podem ser afetadas pelo que sua mãe fez, durante a juventude.

As descobertas desse estudo serão publicadas na edição de 4 de fevereirio de The Journal of Neuroscience.

Pesquisadores de neurociência estudaram as funções cerebrais de ratas pré-adolescentes que tinham um defeito geneticamente criado na memória. Quando essas ratas jovens eram submetidas a um ambiente enriquecido — o que significa a exposição a objetos estimulantes, interação social estimulada e exercício voluntário por duas semanas — o defeito de memória, causado pela inibição da formação das proteínas Ras-GRF1 e Ras-GRF2, foi revertido.

Após poucos meses, as mesmas ratas foram fertilizadas e pariram crias que tinham a mesma mutação genética. No entanto, as crias não demonstravam indícios de um defeito na memória, embora as crias nunca tenham sido expostas a um ambiente enriquecido como suas mães.

Pesquisadores anteriores em modelos de ratos tinham mostrado que a exposição precoce a um ambiente enriquecido, durante a gravidez, também poderia afetar positivamente as crias.

“O que é único nesse estudo é que fornecemos um ambiente enriquecido durante a pré-adolescência, meses antes que as ratas ficassem prenhas, ainda assim o efeito alcançou a geração seguinte”, declarou Dean Hartley, PhD, pesquisador de neurociência no Centro Médico da Universidade Rush e co-investigador no estudo. “As crias tinham uma memória melhor, mesmo sem um ambiente enriquecido”.

“Nós conseguimos demonstrar que o enriquecimento do ambiente durante a juventude tem capacidades adicionais dramáticas”, disse Hartley. “Ele pode melhorar a memória de futuras crias de ratas enriquecidas na juventude”.

Afim de provar que a memória melhorada das crias não era o resultado de melhor alimentação pelas mães enriquecidas quando jovens, um grupo de crias foi criado por mão adotivas não-enriquecidas. Mesmo as crias criadas pelas mães não-enriquecidas mantiveram a memória melhorada.

“Este exemplo de ‘herança de características adquiridas’ foi proposto, pela primeira vez, por Jean- Baptiste Lamarck no início do século XIX. No entanto, é incompatível com a genética Mendeliana clássica, que estabelece que herdamos qualidades de nossos pais através de seqüências específicas de DNA  que eles herdaram de seus pais. Atualmente nos referimos a esse tipo de herança como epigenética, que envolve mudanças na estrutura do DNA e dos cromossomos nos quais reside o DNA que são transmitidos às crias, induzidas pelo ambiente”, explica Larry Feig, PhD, professor de bioquímica da Escola de Medicina da Universidade Tufts.

Pesquisas anteriores mostraram que uma breve exposição a um ambiente enriquecido, tanto em ratos normais como em portadores de deficiência de memória, destrava um mecanismo de controle bioquímico, de outra forma latente, que estimula um processo celular em células nervosas chamado “potenciação de longo prazo (long-term potentiation = LTP). Acredita-se que a LTP esteja envolvida no aprendizado e na memória. Este melhoramento foi detectado em ratos pré-adolescentes, porém não em ratos adultos, o que reflete a maior plasticidade do cérebro dos jovens.

“Este é o primeiro estudo a demonstrar a herança de uma mudança em um sistema de sinalização que promove a LTP e a melhoria da formação da memória, e que defitos causados por uma mutação genética podem ser revertidos pelas condições a que a mãe é exposta durante sua juventude”, declara Hartley.

O fenômeno descrito nesse estudo indica que o enriquecimento do ambiente da juventude afeta a LTP na geração seguinte. No entanto, o estudo mostra que o efeito não se repete em gerações subseqüentes porque o efeito do ambiente enriquecido se desgasta mais rapidamente nas crias.

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O Centro Médico da Universidade Rush é um centro médico acadêmico que engloba mais de 600 leitos assistidos (inclusive o Hospital para Crianças Rush), o Centro de Saúde Johnston R. Bowman e a Universidade Rush. A Universidade Rush, com mais de 1.730 estudantes, é uma das primeiras escolas de medicina do Meio-Oeste dos EUA e uma das melhores escolas de enfermagem do país. A Universidade Rush também oferece programas de pós-graduação em ciências de saúde associadas e nas ciências básicas. A Rush é famosa por reunir os cuidados clínicos com a pesquisa, de forma a estudar os grandes problemas de saúde, inclusive artrite e outras desordens ortopédicas, câncer, doenças cardíacas, doenças mentais, desordens neurológicas e doenças associadas com o envelhecimento.


Ok, biólogos! A palvra está com vocês!
(Bem no bicentenário de Darwin!… 😀 Parece coisa de encomenda!… 😉 )

Sobre o que você deseja/teme blogar em 2009?

Espalhando o “meme”: Eu desejo poder blogar sobre reais avanços das ciências, sobre como conseguimos vencer a crise econômica e como isso foi feito de maneira a diminuir o impacto das ações humanas sobre o meio ambiente.

O que eu temo blogar é sobre como não conseguimos nos livrar da crise econômica e o impacto negativo que isso vai ter sobre as pesquisas científicas, sobre essa palhaçada de fundamentalismo religioso pseudo-científico vs. fundamentalismo ateu pseudo-científico (os cientistas empregariam melhor seu tempo em pesquisa e não em bater boca com quem não quer ouvir, e os religiosos fariam melhor em fazer o que suas religiões pregam: criar a harmonia entre as pessoas, em lugar de querer que as coisas se encaixem em pseudo “revelações divinas”), e, principalmente, que o LHC apresentou um novo defeito e só em 2010…

Ah!… Sim… E eu chamo “meme” de “egrégora”…

A “Síndrome de Pôncio Pilatos”


Association for Psychological Science

Limpeza pode comprometer julgamento moral

Da  próxima vez que você tiver que tomar uma decisão difícil sobre algum aspecto moral, pense duas vezes em refletir sobre o assunto enquanto toma um banho

Uma nova pesquisa, publicada em Psychological Science, uma publicação da Association for Psychological Science, descobriu que a noção física de limpeza reduz seriamente a severidade de julgamentos morais, o que mostra que a intuição, mais do que o raciocínio lógico, pode influenciar nossa percepção sobre o que é “certo” e o que é “errado”. A pesquisadora chefe, Simone Schnal, explica a relevância das descobertas para o dia-a-dia: “Quando fazemos um julgamento moral, nós acreditamos estar tomando uma decisão consciente e racional, porém esta pesquisa mostra que nós somos subconscientemente influenciados pelo quanto nos sentimos “limpos” ou “puros”.

“Por exemplo, na situação de um membro de um juri, ou na de um eleitor — se o membro do juri tiver lavado suas mãos antes de dar seu veredito, ele pode julgar um crime com menos severidade.”

“Da mesma forma, se pode ser mais tolerante com algum pequeno ‘deslize’ político, se, antes de votar, se realizar uma ação que faça a pessoa se sentir ‘limpa’ antes de votar”.

A pesquisa foi realizada através de duas experiências com estudantes universitários. No primeiro, eles tinham que completar uma frase misturada, usando 40 conjuntos de 4 palavras cada. Sublinhando três palavras quaisquer, se formaria uma frase. Para criar a condição neutra, os conjuntos continham 40 conjuntos de palavras neutras, porém para criar a condição de “limpeza”, metade dos conjuntos continha palavras tais como “puro, lavado, limpo, imaculado e impecável”. Os participantes foram, então, chamados a avaliar uma série de dilemas morais, tais como guardar o dinheiro encontrado em uma carteira perdida, incluir dados falsos em um currículo e matar um sobrevivente mortalmente ferido de uma queda de avião para evitar a inanição.

Na segunda experiência, os estudantes tinham que assistir um filme curto “repulsivo”, antes de avaliar os mesmos dilemas morais. No entanto, metade do grupo tinha que lavar as mãos antes.

As descobertas de ambas as experiências demonstraram que aqueles que tinham sido submetidos a sentimentos cognitivos de “limpeza”, eram menos severos em seus julgamentos morais do que suas contrapartes.

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Para maiores informações, por favor contatar: Simone Schnall ([email protected])


O tradutor ia tecer alguns comentários, mas achou melhor calar a boca, por enquanto… (sim, eu acabei de tomar um banho 😉 )

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