A maioria dos cientistas concorda: as atividades humanas estão causando mudanças climáticas

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Poluição atmosférica. Imagem da WikiPedia Commons

De vez em quando, eu recebo de um amigo um daqueles emails que circulam anonimamente pela web denunciando “a farsa do aquecimento global”, sempre supostamente assinado por “um importante grupo de cientistas”, cheios de títulos de PhD para cima. Outros, me mandam links para a entrevista do Doutor Ricardo Augusto Felício no Programa do Jô. Sem contar os que acreditam piamente nos “estudos” financiados e divulgados pelo The Heartland Institute (financiado, por sua vez, por companhias “idôneas” como a Phllip Morris e as “sete irmãs“)

O bordão é sempre o mesmo: “não há um verdadeiro consenso de que estejam realmente acontecendo mudanças climáticas e, mesmo que estejam, não há consenso que elas sejam causadas pela atividade humana”.

Pois bem, pessoal!… Para desfazer esse engano que a mídia adora alimentar quando está sem assunto, um grupo de cientistas de verdade (da Austrália, do Canada, do Reino Unido, da Finlândia, dos Estados Unidos e da Alemanha) resolveu verificar tudo o que foi publicado – em termos de artigos científicos submetidos à revisão pelos pares (“peer reviewed”) – entre 1991 e 2011.

Uma das participantes desse grupo, a professora Sarah Green, catedrática de química da Universidade Tecnológica do Michigan, tornou públicas as contagens de artigos que afirmam e que negam que as mudanças climáticas não só estão em curso, como são resultado da ação humana.

“Modestos” 97% (faço questão de dizer por extenso: noventa e sete por cento) dos cientistas concordam que as mudanças climáticas estão em curso e são antropogênicas!

Entre outros comentários, Green disse: “Achei fascinante ver o conjunto de implicações das mudanças climáticas identificados nos extratos dos artigos — muito além daquilo que costumamos ouvir sobre o assunto. Nesses artigos, tudo foi examinado, o que inclui: a produção de chá no Sri Lanka, as listras das salamandras, desnutrição infantil, frequência de queda de raios, a distribuição da espécie de cactos opuntia (e de pinheiros, bosques de kelp, javalis selvagens, pinguins, peixes árticos, leishmaniose canina e diversas outras espécies), atividade mitocondrial de transporte de elétrons em mariscos, absorção de cobre por peixinhos dourados, nevascas de efeito-lago, a velocidade de rotação da Terra e a prevalência de raposas peladas na Islândia”.

Green diz também ter encontrado vários artigos que tratavam sobre a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

Os resultados dessa pesquisa estão no artigo publicado hoje em  Environmental Research Letters (Quantifying the consensus on anthropogenic global warming in the scientific literatureJohn Cook, Dana Nuccitelli, Sarah A Green, Mark Richardson, Bärbel Winkler, Rob Painting, Robert Way, Peter Jacobs e Andrew Skuce).

Então, quando alguém afirmar que não há consenso entre os cientistas sobre a existência de mudanças climáticas e que elas são causadas pela atividade humana, lembre-se que 97% (noventa e sete por cento) dos cientistas concordam; apenas 3% discordam… E esses 3% são o mesmo tipo de “cientista” que diz que cigarros não causam câncer (ou um eminente geógrafo e climatologista brasileiro).

(Via Eurekalert)

Energia eólica: limpa, mas nem tanto…

Traduzido de: Scientists Find Night-Warming Effect Over Large Wind Farms in Texas

As turbinas eólicas interagem com a camada limítrofe da atmosfera próxima à superfície

Uma fazenda de ventos no Texas.

Em várias partes do Texas as “fazendas de vento” são numerosas; os cientistas relatam novos resultados sobre seus efeitos.

Créditos e Imagem Ampliada

 

29 de abril de 2012

Grandes fazendas de ventos em certas áreas dos Estados Unidos parecem estar afetando as temperaturas de superfície locais, de acordo com um artigo publicado hoje em Nature Climate Change.

O estudo, liderado por Liming Zhou, um cientista atmosférico na State University of New York (SUNY) -Albany, fornece novos dados acerca dos possíveis efeitos das fazendas de ventos.

 

Map of Texas showing wind farm locations as of the year 2010.

Localizações de centros de fazendas de ventos no Texas, até o ano de 2010.
Créditos e imagem ampliada

Os resultados podem ser importantes para o desenvolvimento de estratégias eficientes de adaptação e gerenciamento, para assegurar a sustentabilidade a longo prazo da energia eólica.

“Este estudo indica que as temperaturas de superfície aumentaram nas vizinhanças das grandes fazendas de ventos no centro-oeste do Texas, especialmente durante as noites”, declara Anjuli Bamzai, diretor de  programa da Divisão de Ciências Atmosféricas e Geoespaciais da Fundação Nacional de Ciências (National Science Foundation = NSF), que financiou a pesquisa.

“As observações e análises se referem a um período de tempo relativamente curto, mas levantam importantes questões que merecem atenção, na medida em que nos dirigimos a uma era de rápido crescimento das fazendas de ventos em nossa busca por fontes alternativas de energia”.

Extensas pesquisas ligaram a produção de dióxido de carbono produzido pela queima de combustíveis fósseis com o aumento global das temperaturas.

 

Photo showing a wind-farm on the horizon in Lubbock County, Texas.

Fazendas de ventos pontilham o horizonte do condado de Lubbock County e outras áreas do Texas.
Créditos e imagem ampliada

Em consequência, muitas nações estão dando preferência a fontes mais limpas de energia renovável, tais como turbinas eólicas. A energia eólica para geração de energia elétrica não cria emissões, não usa água e é considerada “verde”.

“Precisamos compreender melhor o sistema através de observações para poder descrever e criar modelos dos complexos processos envolvidos, para prever como as fazendas de ventos podem afetar futuramente as temperaturas e o clima”, disse Zhou.

O número de estudos sobre os efeitos das fazendas de ventos sobre o tempo e o clima vem crescendo, empregando principalmente modelos numéricos, devido á ausência de observações sobre as fazendas de ventos.

 

Photo of a Texas wind ranch.

Um novo tipo de fazenda no Texas – uma fazenda de ventos.
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Uma vez que os modelos numéricos exigem grandes esforços de computação e apresentam incertezas na representação de tempo e clima locais, explicou Zhou, o sensoreamento remoto é provavelmente a maneira mais eficiente e eficaz para estudar os efeitos das fazendas de ventos em escalas espaciais e temporais maiores.

Para compreender o impacto potencial das fazendas de ventos nos tempo e clima locais, a equipe de Zhou  analisou as temperaturas de superfície medidas pelos satélites em torno das grandes fazendas de ventos do Texas ao longo do período de 2003 a 2011.

Os pesquisadores encontraram um efeito de aquecimento noturno nas áreas de fazendas de ventos da ordem de 0.72°C por década, ao longo do período de 9 anos de coleta de dados.

Uma vez que o padrão do aquecimento espelha a distribuição geográfica das turbinas eólicas, os cientistas atribuem esse aquecimento diretamente às fazendas de ventos.

 

Photo of a wind farm in the background and cacti in the foreground.

Uma fazenda de ventos no Texas partilha o espaço com cactos e outros habitantes do deserto.
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A medição anual da temperatura de superfície sobre as fazendas de ventos mostra uma tendência persistente de aquecimento de 2003 até 2011, consistente com o aumento do número de turbinas eólicas em funcionamento ao longo do período.

“Este efeito de aquecimento provavelmente é causado pelo rastro de turbulência das turbinas agindo como um ventilador para sugar para baixo o ar mais quente de altitudes maiores à noite”, explica Somnath Baidya Roy da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, um co-autor do artigo.

Embora o efeito de aquecimento relatado seja local e pequeno, comparado com a forte variação anual da temperatura de solo de fundo, os autores acreditam que este trabalho chama a atenção para uma importante questão científica que merece maiores investigações.

 

Graph showing night-time land surface temperature differences near wind farms.

Diferenças nas temperaturas noturnas da superfície , próximo a fazendas de ventos, entre 2010 e 2013.
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“A tendência de aquecimento estimada se aplica somente à região estudada e ao período do estudo, não devendo, portanto, ser interpolada para outras regiões de maneira global ou por períodos mais extensos”, esclarece Zhou. “Para uma dada fazenda de ventos, uma vez que não haja a instalação de novas turbinas eólicas, o efeito de aquecimento pode chegar a um patamar de estabilidade”.

O estudo representa um primeiro passo para a exploração de dados de satélites para quantificar os possíveis efeitos do desenvolvimento de grandes fazendas de ventos sobre o tempo e o clima, declara Chris Thorncroft da SUNY-Albany, um co-autor do artigo.

“Estamos expandindo esse enfoque para outras fazendas de ventos”, diz Thorncroft, “e criando modelos para compreender os processos e mecanismos físicos que regem as interações das turbinas eólicas e a camada atmosférica de fronteira próxima à superfície”.

Os outros autores do artigo são Lance Bosart da SUNY-Albany, Yuhong Tian da NOAA e Yuanlong Hu do Terra-Gen Power LLC em San Diego, Califórnia.

-NSF-

Em uma extinção global, para que a pressa?

 

 

Traduzido de Global Extinction: Gradual Doom as Bad as Abrupt

Na “Grande Extinção”, há 250 milhões de anos, o fim chegou devagar

 

Photo of Griesbach Creek in the Arctic.

A geologia do Arroio Griesbach no Ártico conta uma antiga história de extinção lenta.
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3 de fevereiro de 2012

A mais mortífera das extinções em massa de todas levou um longo tempo para matar 90% da vida marinha da Terra – e o fez por estágios – conforme um relatório recentemente publicado.

Isso mostra que extinções em massa não precisam ser eventos súbitos.

Thomas Algeo, um geólogo da Universidade de Cincinnati, e 13 colegas produziram uma análise em alta resolução da geologia de uma seção da fronteira Permiano-Triássica na Ilha Ellesmere no Ártico Canadense.

Sua análise, publicada na edição de 3 de fevereiro no Geological Society of America Bulletin, apresenta fortes indícios de que a maior extinção em massa da Terra ocorreu ao longo de centenas de milhares de anos.

Map showing paleogeography during the Permian-Triassic boundary 252 million years ago.

Paleogeografia durante a fronteira da extinção Permiano-Triássica, há 252 milhões de anos.
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Há cerca de 252 milhões de anos, no fim do período Permiano, a Terra tinha se transformado em um planeta quase sem vida. Cerca de 90% de todas as espécies vivas desapareceu, naquilo que os cientistas chamam de “A Grande Extinção”.

Algeo e seus colegas levaram a maior parte da última década investigando os indícios químicos encrustados nas rochas que se formaram durante essa maciça extinção.

O mundo revelado por esta pesquisa é uma paisagem devastada, sem vegetação e abrasada pela erosão por chuvas ácidas, enormes “zonas mortas” nos oceanos e um aquecimento de efeito estufa desenfreado que causou temperaturas escaldantes.

Os indícios colhidos por Algeo e seus colegas apontam para um intenso vulcanismo na Sibéria como um fator preponderante.

“Os cientistas relacionam esta extinção às erupções vulcânicas nos Trapps Siberianos¹ que provavelmente oafetaram primeiro a vida boreal com gases tóxicos e cinzas”, disse H. Richard Lane, diretor de programa na Divisão de Ciências da Terra na Fundação Nacional de Ciências (NSF) que financiou a pesquisa.

Photo showing the barren arctic landscape of Ellesmere Island.

A árida paisagem ártica da Ilha Ellesmere foi o local das pesquisas dos cientistas.
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Os Trapps Siberianos formam uma grande região de rochas vulcânicas na Sibéria. O grande evento eruptivo que formou os trapps, um dos maiores eventos de vulcanismo dos últimos 500 milhões de anos da história geológica da Terra, durou um milhão de anos e se estendeu pela fronteira Permiano-Triássica.

O termo “trapps” deriva da palavra sueca para “escada” – trappa ou trapp – e se refere às elevações em degraus que formam a paisagem da região.Uma vasta parte da Sibéria Ocidental revela depósitos vulcânicos com até 5 km de espessura que cobrem uma área equivalente ao Brasil. A lava fluiu por onde a vida já estava mais ameaçada, através de um grande depósito de carvão.

“A erupção liberou grande quantidade de metano quando queimou pelo carvão”, diz Algeo. “E o metano é 30 vezes mais eficaz como gás de efeito estufa do que o dióxido de carbono”.”Não temos certeza sobre quanto durou o efeito estufa, mas parece que foram de dezenas a centenas de milhares de anos”.

Grande parte dos indícios foi dissolvida no oceano e Algeo e seus colegas procuraram por eles no meio dos depósitos de fósseis marinhos.As investigações anteriores se focalizaram em depósitos criados pelo desaparecido Oceano de Tetis, um antepassado do Oceano Índico. Esses depósitos, particularmente no Sul da China, registram uma súbita extinção no fim do Permiano.

“Nos depósitos marinhos de águas rasas, a última extinção em massa do Permiano foi, em geral, abrupta”, explica Algeo. “Com base nessas observações, foi largamente inferido que a extinção foi um evento globalmente sincronizado”.

Platô Putorana, um Patrimônio da Humanidade da UNESCO, contem 500 milhões de anos de história

Foto do Platô Putorana, que contem 500 milhões de anos de história (Patrimônio da Humanidade – UNESCO).
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Estudos recentes estão começando a desafiar essa versão.Algeo e seus co-autores se focalizaram nas camadas de rochas do Fiord Blind de Oeste na Ilha Ellesmere no Ártico Canadense.Esse local, no fim do Permiano, ficava muito mais próximo dos vulcões siberianos do que o Sul da China.

As camadas da rocha sedimentar canadense tem 24 metros de espessura e atravessam a fronteira Permiano-Triássica, inclusive o horizonte da última extinção em massa do Permiano.Os investigadores examinaram como o tipo de rocha se modificou de baixo para cima, assim como a composição química das rochas e os fósseis nelas contidos.

 

Graph of Phanerozoic marine biodiversity plotting number of families versus geolgoic time.

A biodiversidade marinha mudou de maneira significativa em centenas de milhões de anos da história da Terra.
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Eles descobriram uma extinção total de espongiários silicosos ocorrida cerca de 100.000 anos antes da extinção em massa marinha observada nos sítios tetianos.O que parece ter acontecido, segundo Algeo e seus colegas, é que os efeitos do início da atividade vulcânica siberiana, tais como gases tóxicos e cinzas, ficaram confinados às latitudes do Norte.Somente depois que as erupções estavam em pleno curso é que os efeitos alcançaram as latitudes tropicais do Oceano de Tetis.

A pesquisa foi patrocinada pelo Conselho Canadense de Pesquisas em Ciências Naturais e Engenharia e pelo Programa de Exobiologia da NASA.Além da Algeo, os co-autores do estudo são: Charles Henderson, Universidade de Calgary; Brooks Ellwood, Universidade Estadual de Louisiana; Harry Rowe, Universidade do Texas em Arlington; Erika Elswick, Universidade de Indiana, Bloomington; Steven Bates e Timothy Lyons, Universidade da California, Riverside; James Hower, Universidade de Kentucky; Christina Smith e Barry Maynard, Universidade de Cincinnati; Lindsay Hays e Roger Summons, Massachusetts Institute of Technology; James Fulton, Woods Hole Oceanographic Institution; e Katherine Freeman, Universidade Estadual de Pennsylvania.


Nota do Tradutor:1 – Tenho visto por aí traduzirem do inglês “Siberian Traps” por “Armadilhas Siberianas”. Só que “Trapp” em geologia não tem nada a ver com “trap” = “armadilha”. O termo geológico deriva do sueco (e não do sânscrito, como consta na WikiPedia em português) e significa “em forma de degraus”). A “armadilha” real é para os tradutores… E só para deixar a ideia bem longe das “armadilhas”, eu inventei de dar um gênero masculino (associando a “os degraus”) ao termo “trapp”.

 

O jogo dos cacos de vidro

Traduzido de: Broken Glass Yields Clues to Climate Change

Copos comuns de vidro e as partículas de poeira atmosférica se quebram em padrões semelhantes

Satellite image of a 1992 dust storm over the Red Sea and Saudi Arabia with different sizes of dust.

Tamanho comparativo das partículas de poeira na atmosfera, de acordo com uma fotografia de um satélite de uma tempestade de poeira.
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27 de dezembro de 2010

Pistas para o clima futuro podem ser encontradas na forma com que um copo comum de vidro se espatifa.

Os resultados de um estudo, publicado nesta semana em Proceedings of the National Academy of Sciences, indicam que as microscópicas partículas de poeira podem se fragmentar em padrões semelhantes aos copos e outros objetos facilmente quebráveis.

A pesquisa, realizada pelo cientista Jasper Kok do Centro Nacinal de Pesquisas Atmosféricas (NCAR), indica que existem várias vezes a mais partículas de poeira em suspensão na atmosfera do que se acreditava antes, uma vez que a poeira, quando esfacelada, produz uma quantidade inesperadamente alta de grandes “cacos”.

A descoberta tem implicações na compreensão das futuras mudanças climáticas porque a poeira desempenha um papel importante no controle da quantidade de energia solar na atmosfera.

Dependendo de seu tamanho e outras características, algumas partículas refletem a energia do Sol, enquanto outras aprisionam a energia na forma de calor.

“Pequenas como são, os aglomerados de partículas de poeira nos solos se comportam quando sofrem um impacto da mesma forma que um copo de vidro caindo no chão da cozinha”, diz Kok. “Conhecer esse padrão pode nos auxiliar a construir um quadro mais claro sobre como vai se parecer nosso clima no futuro”.

O estudo pode também aumentar a precisão da previsão do tempo, especialmente nas regiões naturalmente poeirentas. As partículas de poeira afetam a formação de nuvens e a precipitação, assim como as temperaturas.

Photo showing blue, yellow and red colors of atmosphere.

O segredo da poeira na atmosfera e sua relação com o clima pode estar em copo comum de vidro.
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“Esta pesquisa fornece novas informações valiosas sobre a natureza e a distribuição da peira em aerossol na atmosfera”, declara Sarah Ruth, diretora de programa na Divisão de Ciências Atmosféricas e Geoespaciais da Fundação Nacional de Ciências (NSF) que financia o NCAR. “Os resultados podem levar a melhoramentos em nossa capacidade de modelar e predizer o tempo e o clima”.

A pesquisa de Kok se focalizou em um tipo de partícula em suspensão conhecida como poeira mineral. Essas partículas são emitidas usualmente quando grãos de areia são soprados de encontro ao solo, espatifando-se e enviando fragmentos pelo ar.

Os fragmentos podem ser “grandes” com até cerca de 50 microns de diâmetro, ou seja: um fio fino de cabelo humano.

As menores partículas, que são classificadas como argila e tem cerca de 2 microns de diâmetro, permanecem na atmosfera por cerca de uma semana, circulando grande parte do mundo e exercendo uma influência refrigerante, ao refletir o calor do Sol de volta para o espaço.

Partículas maiores, classificadas como silte, caem da atmosfera depois de poucos dias. Quanto maior a partícula, mais será sua tendência em causar um efeito de aquecimento na atmosfera. .

A pesquisa de Kok indica que a proporção de partículas de silte para as partículas de argila é de dois a oito vezes maior do que aquela usada nos modelos climáticos. Uma vez que os climatologistas calibram cuidadosamente os modelos para simular o verdadeiro número de partículas de argila na atmosfera, o artigo sugere que os modelos provavelmente incorporam um erro quando se trata de partículas de silte.

A maior parte dessas partículas maiores revolvem pela atmosfera no entorno de 2.000 km das regiões desérticas, de forma que ajustar sua quantidade nos modelos de computador deve gerar melhores projeções do clima futuro em regiões desérticas, tais como o Sudoeste dos Estados Unidos e a África do Norte.

Pesquisas adicionais serão necessárias para estabelecer se as temperaturas dessas regiões no futuro irão aumentar tanto ou mais do que o indicado pelos atuais modelos computacionais.

Os resultados do estudo também indicam que os ecossistemas marinhos, que sequestram carbono da atmosfera, podem estar recebendo uma quantidade muito maior de partículas de ferro em suspensão do que se estimava até agora.O ferro faz aumentar a atividade biológica, o que beneficia as cadeias alimentares dos oceanos, inclusive as plantas que absorvem carbono durante a fotossíntese.

Illustration showing Earth's energy budget and incoming solar radiation.

O equilíbrio energético da Terra e a radiação solar incidente são afetados pela poeira em suspensão na atmosfera.
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Além de influenciarem a quantidade de calor solar na atmosfera, as partículas de poeira também são depositadas na cobertura de neve das montahas, onde absorvem calor e aceleram o derretimento das neves. .

Faz muito tempo que os físicos sabem que certos objetos quebradiços, tais como vidros, rochas e até núcleos atômicos, se fragmentam em padrões previsíveis. Os fragmentos resultantes seguem certas faixas de tamanhos, com uma distribuição previsível de pedaços pequenos, médios e grandes. Os cientistas se referem a esses padrões como “invariância de escala” ou “auto-similaridade”.

Os físicos desenvolveram fórmulas matemáticas para os processos pelos quais as rachaduras se propagam de maneira previsível quando um objeto quebradiço se espatifa.

Kok teorizou que seria possível empregar essas fórmulas para estimar as faixas de tamanhos das partículas de poeira. Aplicando as fórmulas para padrões de ruptura de objetos quebradiços à medição dos solos, Kok estabeleceu a distribuição de faixas de tamanho das partículas de poeira emitidas.

Para sua surpresa, as fórmulas descreviam quase que exatamente as medições das partículas de poeira. .

“A ideia que todos esses objetos se espatifam da mesma forma é uma coisa bela, realmente”, diz Kok. “É a maneira da natureza de criar ordem a partir do caos”.


O nível do Oceano Índico está subindo…


[ Traduzido de: Indian Ocean Sea-Level Rise Threatens Coastal Areas ]

A elevação é particularmente maior ao longo das áreas costeiras do Golfo de Bengala e do Mar da Arábia, assim como no Sri Lanka, Sumatra e Java

Image of earth showing sea levels which are rising unevenly,<br />
threatening coastal areas and islands.

O nível das águas do Oceano Índico está subindo de maneira desigual e ameaçando áreas costeiras e ilhas.
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14 de julho de 2010

Um novo estudo conclui que o nivel das águas do Oceano Índico está subindo de maneira desigual e ameaçando os moradores de áreas costeiras e ilhas densamente povoadas.

O estudo, conduzido por cientistas da Universidade do Colorado em Boulder e do Cento Nacional de Pesquisas Atmosféricas (National Center for
Atmospheric Research = NCAR) em Boulder, Colorado, descobriu que a elevação no nivel do mar é, pelo menos em parte, um resultado de mudanças climáticas.

A elevação do nivel dos mares é particularmente maior ao longo das áreas costeiras do Golfo de Bengala e no Mar da Arábia, assim como em torno das ilhas de Sri Lanka, Sumatra e Java, segundo os autores.

Essa elevação – que pode agravar as inundações causadas pelas Monções em Bangladesh e na India – podem ter impactos subsequentes tanto no clima regional, como no global.

O principal agente nesse processo é a bacia de aquecimento Indo-Pacífica, uma enorme área com o formato de uma banheira, que se estende por uma enorme parte dos oceanos tropicais da costa Leste da África até a Linha Internacional da Data no Pacífico.

A bacia de aquecimento sofreu um aumento de temperatura da ordem de 0,5 grau Celsius nos últimos 50 anos, principalmente por causa da geração de gases de efeito estufa pela atividade humana.

“Os resultados por nós obtidos neste estudo, implicam que, se os efeitos do aquecimento antropogênico na bacia de aquecimento Indo-Pacífica predominarem sobre a variação natural, ilhas oceânicas tais como o Arquipélago Mascarenhas, as costas da Indonésia, Sumatra e o Oceano Índico Setentrional vão sofrer uma elevação dos niveis das águas dos mares maior do que a média global”, afirma o cientista Weiqing Han da Universidade do Colorado e autor principal de um artigo publicado na edição desta semana de Nature Geoscience.

Enquanto que várias áreas da região do Oceano Índico estejam passando por uma elevação do nivel das águas do mar, essas mesmas águas estão baixando em outras áreas. O estudo indica que os mares nas Ilhas Seychelles e em Zanzibar, ao largo da costa da Tanzania tem a maior queda no nivel dos mares.

“Os padrões globais dos niveis dos mares não são geograficamente uniformes”, explica o cientista Gerald Meehl da NACAR, co-autor do artigo. “A elevação do nivel do mar em algumas áreas guarda correlação com a queda do nivel em outras áreas”.

As verbas para essa pesquisa vieram da Fundação Nacional de Ciências (NSF), patrocinadora da NCAR, assim como do Departamento de Energia e da NASA.

Segundo Eric Itsweire, diretor do programa de oceanogafia física da NSF, “Esse trabalho é um passo à frente na direção da obtenção de melhores estimativas nas mudanças dos niveis das águas dos mares em uma das regiões mais populosas do mundo. A quantificação do equilíbrio entre aquecimento e águas, assim como das mudanças em larga escala das circulações atmosféricas, na bacia de aquecimento Indo-Pacífica, através do uso de observações e modelos numéricos, é algo crucial para a compreensão das sutis mudanças nos niveis dos mares que acontecem nessa região”.

Os padrões de mudanças nos niveis das águas dos mares são ditadas por dois padrões primários de ventos atmosféricos, conhecidos como a Circulação (ou Célula) de Hadley e a Célula de Walker.

A Célula de Hadley sobre o Oceano Índico é dominada pelas correntes de ar que se formam sobre águas tropicais altamente aquecidas, próximas da linha do Equador, e que seguem na direção dos polos em grandes altitudes, de onde mergulham para o oceano na região sub-tropical, fazendo com que o ar flua de volta ao Equador.

A Célula de Walker do Oceano Índico faz com que o ar suba e flua na direção do Oeste nas grandes altitudes, mergulhe para a superfície e flua na direção Leste, no sentido da bacia de aquecimento Indo-Pacífica.

“A intensificação combinada das Células de Hadley e de Walker formam um distinto padrão de ventos de superfície que ditam padrões específicos dos níveis dos mares”, afirma Han.

Em seu artigo, os autores afirmam que “nossos novos reultados demonstram que mudanças nas circulações atmosféricas e oceânicas, causadas pela ação humana, sobre a região do Oceano Índico – que não haviam sido anteriormente estudadas – são a causa principal da variabilidade regional dos niveis dos mares”.

Map of earth showing the Indo-Pacific warm pool.

A bacia de aquecimento Indo-Pacífica se estende por quase metade do globo.
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O estudo indica que, para antecipar mudanças em escala global nos niveis dos mares, os pesquisadores tambem precisam conhecer os detalhes específicos das mudanças regionais nos niveis dos mares.

“É importante que compreendamos as mudanças regionais nos niveis dos mares que terão efeitos sobre as regiões costeiras e insulares”, afirma o cientista da NCAR Aixue Hu.

A equipe de pesquisadores se valeu de vários modelos sofisticados de oceanos e climas, inclusive o Parallel Ocean Program  – o componente oceânico do largamente empregado Community Climate System Model, financidado pela NCAR e pelo Departamento de Energia dos EUA (DOE).

Alem disso, a equipe empregou um modelo oceânico ditado por ventos no referido estudo.

Han ainda especula que os complexos padrões de circulação no Oceano Índico podem também afetar os regimes de precipitações, forçando uma quantidade maior de ar atmosférico sobre a superfície das regiões sub-tropicais do Oceano Índico do que o normal.

“Isso pode favorecer um enfraquecimento da convecção atmosférica nos sub-tópicos, o que pode aumentar a precipitação de chuvas nas regiões tropicais ocidentais do Oceano Índico e causar secas na região equatorial oriental do Oceano Índico, inclusive a África Oriental”, diz Han.


Novidades sobre as extinções em massa

Extinção em massa de animais, não mudanças climáticas, causaram mudanças signifiativas nas comunidades de plantas

Pesquisadores financiados pela NSF investigam  a conexão entre o desaparecimento de certas comunidades de plantas e a extinção das espécies de grandes mamíferos na América do Norte durante o Pleistoceno Tardio

Photo of researchers collecting a sediment core from Silver Lake,<br />
Ohio.

Os pesquisadores coletando uma amostra de sedimentos no Silver Lake,
Ohio.
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por Marlene Cimons, National Science Foundation, [email protected]

26 de maio de 2010

Jack Williams é um ecologista de plantas do fundo da alma. Ele gosta de descobrir como e por que comunidades de plantas mudam com o tempo.

“Durante toda minha carreira eu estive muito interessado no problema das comunidades de plantas ‘sem análogo’, que são comunidades que existiram no passado, mas não são mais encontradas hoje”, diz Williams, que é professor  de geografia na Universidade do Wisconsin em Madison e um expert em climas e ecossistemas antigos. “Elas frequentemente são compostas de espécies ainda vivas, mas em combinações não encontradas no presente e pareceriam muito estranhas para um ecologistam moderno”.

Por exemplo, foram encontrados indícios da convivência de uma grande abundância de árvores coníferas, tais como espruces e lariços, junto com árvores decíduas (essas cujas folhas caem no outono, tais como freixos e carpinos) nos registros fósseis do Meio-Oeste superior que datam do fim da última era glacial. No entanto, hoje em dia, essas árvores vivem em áreas geográficas muito diferentes.

“Então, minha pergunta é simples: por que essas comunidades se formaram no passado e por que elas não existem mais hoje?”, diz Williams.

Recentemente, esses interesses ganharam uma nova dimensão para ele. Em novembro, Williams e seus colegas, inclusive a estudante de pós-graduação Jacquelyn Gill, divulgaram uma pesquisa sobre como a extinção dos grandes animais herbívoros do passado, tais como mamutes e mastodontes, afetou os ecossistemas quando esses enormes mamíferos entraram em declínio na América do Norte a cerca de 15.000 anos atrás.

Photo of researchers preparing a platform for collecting sediment<br />
cores from Silver Lake, Ohio.

Os pesquisadores preparam uma plataforma para a coleta de núcleos de sedimentos no Silver Lake, Ohio.
Créditos e imagem ampliada

No entanto, ao fazê-lo,  os pesquisadores também levantaram novas perguntas intrigantes sobre como esses animais podem ter morrido, para começo de conversa.

Para coletar dados, os pesquisadores escavaram aproximadamente uns 12 metros de sedimentos para analisar o polen, carvão e fungos de excrementos fossilizados debaixo do Lago Appleman no Estado de Indiana, um profundo curso d’água deixado para trás quando a última idade do gelo acabou, há cerca de 20.000 anos.

Para determinar a densidade populacional dos animais, os cientistas examinaram os níveis do fungo Sporormiella, comumente encontrado naos excrementos dos grandes herbívoros. Eles também mediram o pólen entranhado nas camadas de sedimentos para ter uma ideia do crescimento e da densidade das plantas, assim como examinaram o carvão para estabelecer quando ocorreram incêndios.

Eles descobriram que a morte dessas criaturas aparentemente disparou uma proliferação de árvores de folhas largas e, por fim, a acumulação de resíduos lenhosos que contribuiram para um dramático aumento nos incêndios. Os pesquisadores também encontraram indícios de que o declínio dos animais foi gradual, o que significa que eles não pereceram por causa de um evento súbito.

Somados, os indícios parecem eliminar algumas teorias populares sobre o que causou sua extinção em massa, inclusive o impacto de um meteoro ou cometa, uma “blitzkrieg” de caça por humanos, ou uma perda do habitat devida a mudanças climáticas.

“Nosso campo de trabalho no Lago Appleman era divertido, mas tinha seu quinhão de desafios”, lembra Williams.

A equipe de pesquisa colhia suas amostras de sedimentos por um processo chamado extração de núcleos. A extração de núcleos consistia em uma equipe de três pessoas, duas canoas e uma jangada de madeira apoiada em cima das canoas.

“Nosso tubo de coleta de núcleos tinha um metro de comprimento, de forma que recolhíamos a lama um metro de cada vez, empurrando cada vez mais fundo nos sedimentos do lago a cada mergulho”, descreve ele. “O enfiamento é feito à mão e nós tinhamos hastes de dois metros que íamos adicionando à medida em que enfiávamos cada vez mais fundo para dentro dos sedimentos. Quando chegávamos ao intervalo-alvo, nós abríamos o pistão que fica no fundo do tubo de coleta – e que impedia os sedimentos de encher o tubo enquanto empurrávamos ele até a profundidade desejada – e enfiávamos o tubo para dentro dos sedimentos”.

Em certo ponto, quando a equipe estava enfiando o tubo de coleta até a posição, “percebemos que tínhamos nos confundido com as profundidades e enfiado um metro mais fundo do que devíamos”, relembra Williams. “Isso significava que acabávamos de contaminar um metro de lama ainda não coletada com nosso tubo e que, ou reposicionávamos a jangada em outro ponto, ou desprezávamos esse metro e ficávamos com uma enorme lacuna em nesse núcleo em particular”.

Depois de uma pausa, ele prossegue: “Eu fiquei tão louco – nós tinhamos trabalhado nesse local o dia inteiro e todos estávamos cansados – que eu arranquei o meu boné e joguei no convés da jangada… Infelizmente, a jugular do boné se prendeu nos meus óculos e os jogou no lago. Eu fiquei vendo eles voarem, fazendo um suave ‘plunk’ quando mergulharam no lago. E é claro que eu não tinha óculos reserva. Nós mudamos a posição da jangada e colhemos um núcleo diferente. E Jacquelyn dirigiu o carro de volta a Madison”.

“Os pesquisadores daqui a milênios que procuraram informações sobre os humanos do século XXI e escavarem no mesmo sedimento do lago, vão pensar que o povo de nosso tempo era incrivelmente míope, quase cego, quando acharem meus óculos”, diz Williams.

Illustration showing mastodons grazing on black ash trees in a<br />
Pleistocene swamp.

A morte gradual dos grandes herbívoros, a cerca de 15.000 anos atrás, levou ao desaparecimento de certas plantas.
Créditos e imagem ampliada

A ideia para esse estudo surgiu quando Williams escreveu a seguinte passagem em um artigo em 2001: “O fim das associações de plantas sem análogos há 13.000 a 11.000 anos atrás, coincide com a extinção das espécies dos maiores mamíferos da America do Norte ocorrida no Pleistoceno Tardio… o que levanta a possibilidade de que um desses eventos e não o clima tenha sido o responsável pelo declínio e eventual desaparecimento das associações de plantas sem análogos”.

Williams  por muito tempo acreditou que o clima fosse o fator chave por trás das mudanças nas espécies de plantas e só queria verificar quais outros fatores poderiam estar atuando além do clima. Mas isso chamou a atenção de Gill e ela viu o potencial para um novo grande estudo.

Ela percebeu que os pesquisadores poderiam usar as abundâncias do fungo de excrementos Sporormiella nos sedimentos lacustres, em conjunção com os grãos de pólen fossilizados nos mesmos sedimentos lacustres, para estabelecer uma ligação entre as extinções e as mudanças na vegetação, conta Williams, “e lá fomos nós”.

Williams, 38, cresceu em San Francisco e se graduou em geologia no Oberlin College,  em 1993. Ele tirou mestrado e doutorado na Universidade Brown, tendo realizado pesquisas de pós-doutoramento na Universidade da California, no Centro Nacional de Análise e Síntese Ecológicas em Santa Barbara de 1999 a 2003, e no centro de pesquisas limnológicas da Universidade de Minnesota de 2003 a
2004, antes de ir para Madison.

“Meus pais eram doutores e médicos pesquisadores, de forma que eu jurei jamais ser médico quando crescesse, mas acabei me tornando um cientista”, diz ele. “Eu acho que as conversas deles à mesa de jantar tiveram uma influência sobre mim maior do que eu percebi”.


Nota do Tradutor: Antes que alguém venha perguntar, John W. (Jack) Williams é formado em geologia, mas é professor de geografia.

As águas do lago Tanganica estão mais quentes

Traduzido de: Unprecedented Warming in East Africa’s Lake Tanganyika


Registros mostram que as águas da superfície nunca estiveram tão quentes

Local fishermen troll the waters of Lake Tanganyika catching<br />
sardines.

Pesacadores locais singram as águas do Lago Tanganica para pescar sardinhas – por enquanto… 
Créditos e imagem ampliada

 

 

16 de maio de 2010

O Lago Tanganica, o segundo mais velho e segundo mais profundo lago do mundo, pode estar a caminho de dias piores.

 

Os geólogos descobriram que o lago da Grande Falha Africana passou por um aquecimento sem precedentes durante o século passado: a temperatura das águas de sua superfície são as mais altas já registradas.

Os cientistas declaram que esta descoberta é importante – na edição online de Nature Geoscience – porque o aquecimento das águas da superfície provavelmente afetarão a quantidade de peixes dos quais dependem os milhões de pessoas que vivem na região.

“Este resultado vem se somar aos dos outros lagos africanos, mostrando que as mudanças climáticas regionais terão um impacto significativo sobre os lagos e sobre as populações humanas que dependem  dos recursos desses lagos”, declara Paul Filmer, diretor de programa na Divisão de Ciências da Terra da Fundação Nacional de Ciências (NSF), que financiou a pesquisa.

 

The eastern shore of Lake Tanganyika, off Gombe, Tanzania.

Litoral Leste do Lago Tanganica, ao largo de Gombe, Tanzania.
Créditos e imagem ampliada

Os cientistas colheram amostras do leito do lago que contaram uma história de 1.500 anos sobre a temperatura da superfície do lago.

Os dados mostram que a superfície do lago – 26 C em 2003 – é a mais alta que o lago já teve em um milênio e meio.

A equipe também documentou que o Lago Tanganica passou pela maior mudança de temperatura no século XX. A mudança afetou seu ecossistema único, que depende dos nutrientes das profundezas para iniciar a cadeia alimentar da qual os peixes tiram seu sustento.

“Nossos dados mostram que há uma relação consistente entre a temperatura da superfície do lago e a produtividade da pesca”, declarou Jessica Tierney da Universidade Brown, a principal autora do artigo. “Quando o lago fica mais quente, a produtividade declina e acreditamos que isto afetará a pesca”.

As mostras foram coletadas em 2001 por Andrew Cohen, um geólogo da Universidade do Arizona, e em 2004 por James Russell, um geólogo da Universidade Brown.

O Lago Tanganica é circundado pelo Burundi, pela República Democrática do Congo, Tanzania e Zambia – quatro dos países mais pobres o mundo.

   
   

Cerca de 10 milhões de pessoas vivem ao redor do lago e dependem dele como fonte de água potável e alimento.

O pescado é um componente crucial em suas dietas e seu modo de vida: anualmente são tiradas até 200.000 toneladas de sardinhas e outras quatro espécies de peixes do Lago Tanganica.

O lago, um dos ecossistemas de água doce mais ricos do mundo, se divide em dois níveis. A maior parte das espécies animais vive nos 100 metros de cima, inclusive as valiosas sardinhas. Abaixo desse nível, as águas tem cada vez menos oxigênio e, em certas profundidades, nenhum oxigênio.

O lago depende dos ventos para misturar suas águas e enviar nutrientes das profundezas para a superfície. Esses nutrientes alimentam as algas, que são a base de toda a cadeia alimentar do lago.

Mas na medida em que o Lago Tanganica fica mais quente, a mistura das águas diminui; menos nutrientes sobem das profundezas. Um maior aquecimento da superfície aumenta a diferença  entre os dois níveis do lago; então são necessários mais ventos para misturar as águas  suficiente para que os nutrientes sejam levados à camada de cima.

Os dados dos pesquisadores mostram que durante os últimos 1.500 anos, os intervalos de aquecimento e resfriamento prolongados estão ligados com baixa e alta produção de algas, respectivamente, o que indica uma clara ligação entre as mudanças de temperatura e a produção biológica do lafo no passado.

O povo do centro-sul da África depende dos peixes do Lago Tanganica como uma fonte crucial de proteínas”, diz Cohen. “Estes recursos provavelmente estarão ameaça por este aquecimento sem precedentes e a perda na produtividade dele decorrente”.

Modelos de mudanças climáticas mostram uma tendência geral de aquecimento na região, o que levará a um aquecimento ainda maior das águas da superfície do Lago Tanganica.

 

Alguns pesquisadores acreditam que o declínio na quantidade de peixes do Lago Tanganica pode ser atribuído principalmente à pesca excessiva, e Tierney e Russell concordam que esta poe ser uma das razões.

No entanto, observam que o aquecimento do lago, junto com a menor mistura de nutrientes críticos, está exacerbando o declínio nas quantidades de peixes, se não for a principal causa.

Segundo Russel, “É quase impossível que não seja”.

Má notícia: o permafrost está derretendo




[Livremente traduzido daqui: Permafrost Could Be Climate's Ticking Time Bomb]

Pesquisadores realizam trabalho de campo para monitorar o derre­timento do permafrost no Alaska e obter novos dados acerca da liberação de carbono para a atmosfera

Photo of Gregory Lehn and Matt Knhosh talking with co-principal investigator Jim McClelland.

Os estudantes de doutorado Gregory Lehn e Matt Knhosh conversam com o co-responsável pela pesquisa Jim McClelland.
Crédito e imagem ampliada

5 de agosto de 2009

Por Amanda Morris, North­western University

O terreno da Encosta Norte do Alaska não é íngreme, no en­tan­to Andrew Jacobson ainda enfrenta dificuldades ao cami­nhar pela tundra esponjosa que é cheia de pedregulhos e enxa­mes de mosquitos.

Jacobson,
um professor de ciên­cias da Terra e Planetárias na Northwestern University,
extrai amostras de solo e água à pro­cu­ra de indícios acerca de uma das maiores bombas-relógio do aquecimento global que estão tiquetaqueando: o derretimento do permafrost.

O Permafrost,
ou terreno congelado, recobre aproximadamente entre 20 a 25% da superfície do hemisfério Norte e estima-se que contenha até 1.600 gigatons  de carbono, principalmente na forma de matéria
orgânica. (Um gigaton equivale a 1 bilhão de toneladas). Em comparação, a atmosfera contém, atualmente, cerca de 850 gigatons deste elemento na forma de dióxido de carbono.

Jacobson, cuja pesquisa é financiada pela Fundação Nacional de Ciências (NSF) e pela Fundação David & Lucile Packard, diz: “O permafrost tem historicamente servido como um reservatório de carbono, isolando grandes quantidades de carbono do chamado ‘ciclo de carbono’. Entretanto, o aquecimento global pode transformar o Ártico em uma nova fonte de carbono com a aceleração do ritmo de derretimento do permafrost. Isso teria, sem dúvida alguma, um efeito dramático no ciclo de carbono global”.

Jacobson diz que a principal preocupação é que o carbono do permafrost se oxide em dióxido de carbono, à medida em que o derretimento se acelerar, causando uma realimentação positiva para o aquecimento global. Um clima mais quente facilita uma maior liberação de carbono que, por sua vez, favorece mais aquecimento ainda, criando um círculo vicioso.

Assim, Jacobson e seus colegas coletam amostras das águas dos rios e de solo próximos à Estação de Pesquisa Ecológica de Logo Prazo de Toolik (da NSF) – a 250 km ao Norte do Círculo Ártico. A Rodovia Dalton – construída como via de suprimentos para o Sistema de Oleodutos Trans-Alaska – é a única via de acesso ao local.

Ele graceja: “O planejamento constitui uma grande parte de nossos dias – olhar os mapas, procurando saber onde ir e como chegar lá. O trabalho de campo é tipicamente o tempo todo problemas com veículos, estradas ruins e mau tempo. Uma coisa que você sempre pode apostar, é que cada expedição é uma aventura”.

Embora o primeiro passo lógico para criar um modelo do aquecimento global seja quantificar o fluxo de carbono, existem problemas complexos e não solucionados que envolvem o ciclo de carbono do Ártico, o que torna difícil a criação de modelos para esse elemento.

Jacobson e sua equipe usam uma abordagem complementar, analisando os isótopos que existem naturalmente de outros elementos, tais como cálcio e estrôncio, que rastreiam o derretimento do permafrost e, assim, fornecem dados acerca da liberação de carbono. Os dados iniciais mostram que os rios e o permafrost têm quantidades de isótopos de cálcio e estrôncio inteiramente distintas.

Quando o permafrost derrete durante o verão e escorre para os rios, estes mostram quantidades de cálcio e estrôncio que se aproximam mais daquelas do permafrost. Jacobson acredita que, em um mundo mais quente, a assinatura do
permafrost nos rios seja mais pronunciada por períodos mais longos.

Mudanças nas quantidades de isótopos nos rios podem se relacionar com mudanças no ritmo de liberação de carbono. Assim, as taxas de cálcio e estrôncio nos rios do Ártico podem servir como registro para o monitoramento do impacto do aquecimento sobre a estabilidade do permafrost e da liberação de dióxido de carbono.

“A meta básica é estabelecer uma linha de base contra a qual se possa comparar futuras mudanças”, diz Jacobson. “Daqui a muitos anos, poderemos comparar as mudanças reais às previsões dos modelos e melhorar nossa compreensão sobre como o sistema funciona”.

A estação de coleta de amostras dura um curto tempo quando o permafrost derrete na primavera, até que congele novamente no outono. O pessoal no campo coleta as amostras que são enviadas ao laboratório de Jacobson em Evanston no Illinois, onde ele realiza as análises fora da estação. Em 2007 ele recebeu fundos para a aquisição de um espectrômetro de ionização térmica multi-coletor para medir os isótopos de cálcio, estrôncio e outros elementos. A Universidade Nortwestern está, atualmente, construindo um avançadíssimo laboratório “livre de metal” que abrigará o instrumento e servirá para as pesquisas de Jacobson.


Mudanças climáticas: a natureza dá alertas antecipados






[ Traduzido daqui: Sudden Collapse in Ancient Biodiversity: Was Global Warming the Culprit? ]

Cientistas descobrem sinais de alerta antecipado emitidos por ecos­sistemas em risco

Photo of ancient fossil leaves.

Antigas folhas fósseis contam uma história sobre uma súbita perda de biodiversidade que pode acontecer novamente.
Crédito e imagem ampliada

18 de junho de 2009

Os cientistas desenterraram um contundente indício da ocorrência de um súbito colapso da biodiversidade entre as plantas na antiguidade. O achado de folhas fossilizadas com 200 milhões de anos de idade no Leste da Goenlândia conta essa saga, trazendo sua mensagem através dos tempos até o dia de hoje.

Os resultados da pesquisa aparecem na edição desta semana da Science.

Os pesquisadores ficaram surpresos em descobrir que um provável suspeito de ser o responsável pela perda de vida vegetal, era um pequeno aumento do gás de efeito estufa dióxido de carbono que fez com que a temperatura da Terra subisse.

O aquecimento global vem sendo por muito tempo considerado como o culpado por extinções – a surpresa reside em que muito menos dióxido de carbono na atmosfera pode ser necessário para levar um ecossistema além do ponto sem retorno do que se pensava antes.

“Os registros da história climática da antiguidade da Terra têm produzido des­cobertas espantosas que abalam as fundações de nossos conhecimento e com­preensão das mudanças climáticas nos tempos modernos”, diz H. Richard Lane, diretor de
programa na Divisão de Ciências da Terra da Fundação Nacional de Ciências (NSF), que financiou parcialmente a pesquisa.

Jennifer
McElwain do University College Dublin, autora principal do artigo, alerta que o dióxido de enxofre emitido por extensas erupções vulcânicas, pode ter tido também um papel na extinção das plantas.

“Nós não temos meios, atualmente, para detectar mudanças no dióxido de en­xofre no passado, de forma que é difícil avaliar se o dióxido de enxofre, além da elevação do dióxido de carbono, influenciou ou não esse padrão de extinção”, diz ela.

O intervalo de tempo em estudo, no limite entre os períodos Triássico e Jurás­sico, é conhecido há tempos pelas extinções de plantas e animais.

Até esta pesquisa, pensava-se que o ritmo das extinções tinha sido gradual, ocorrendo ao longo de milhões da anos.

Segundo os cientistas, tem sido notoriamente difícil esclarecer os detalhes acer­ca do ritmo da extinção através dos fósseis, porque os fósseis só podem dar ima­gens instantâneas ou vislumbres de organismos que uma vez existiram.

Cientistas recolhem fósseis na Groenlândia

Cientistas recolhem fósseis na Groenlândia
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Empregando uma técnica desenvolvida pelo cientista Peter Wagner do Museus de História Natural de Washington da Smithsonian
Institution
, os pesquisadores puderam detectar, pela primeira vez, sinais muito anteriores de que esses antigos ecossistemas já estavam se deteriorando – antes das plantas come­çarem a se extinguir.

O método revela os sinais de alerta antecipado de que um ecossistema está com problemas, em termos de risco de extinção.

Wagner explica: “As diferenças de abundâncias de espécies nos primeiros 20 me­tros dos penhascos [no Leste da Groenlândia] onde os fósseis foram cole­tados, são do tipo esperado. Mas os 10 metros finais apresentam perdas de di­versidade dramáticas que excedem em muito o que poderíamos atribuir a um erro na coleta: os ecossistemas tinham cada vez menos espécies”.

Acredita-se que, por volta de 2100, o nível do dióxido de carbono na atmosfera do planeta possa chegar até duas e meia vezes o nível atual.

McElwain diz: “Esse é o cenário da pior hipótese, mas é exatamente esse o nível [900 partes por milhão] em que detectamos a falência da biodiversidade na anti­guidade”.

“Precisamos prestar atenção aos sinais de alerta antecipado da deterioração dos ecossistemas atuais. Nós aprendemos com o passado que altos níveis de extinção de espécies – até 80% delas – podem ocorrer muito de repente, mas eles são precedidos por um longo intervalo de mudanças ecológicas”.

A maior parte dos ecossistemas modernos ainda não chegou ao ponto sem re­tor­no em resposta às mudanças climáticas, segundo os cientistas. Porém muitos já entraram em um período de mudança ecológica prolongada.

“Os sinais de aleta antecipado são ofuscantemente óbvios”, declara McElwain. “As maiores ameaças à manutenção dos atuais níveis de biodiversidade são as mudanças no uso da terra, tais como o desflorstamento. Porém até mudanças relativamente pequenas no dióxido de carbono e na temperatura podem ter consequências inesperadamente severas sobre a saúde dos ecossistemas”.

O artigo, “Fossil
Plant Relative Abundances Indicate Sudden Loss of Late Triassic
Biodiversity in East Greenland”, 
tem como co-autores McElwain, Wagner
e Stephen Hesselbo da Universidade de Oxford.


Quer esquentar as coisas?… Derreta o que está congelado.






[ Arctic Tundra May Contribute to Warmer World ]

Pesquisadores predizem que o derretimento do permafrost vai inten­sificar as mudanças climáticas

As areas with permafrost thaw and more old carbon is released, the carbon balance changes.

As áreas com permafrost derretem, mais carbono antigo é liberado e o equilíbrio do carbono muda.
Crédito e imagem ampliada

27 de maio de 2009


Um estudo publicado na edição de 28 de maio da Nature ajuda a definir a contri­buição potencial do derretimento do permafrost para o aumento das concen­trações atmosféricas de carbono, que já alcançaram níveis sem precedentes.

“Em um trabaho anterior nós estimamos que o derretimento geral do permafrost po­­de­ria liberar até entre 0,8 a 1,1 gigatons de carbono por ano”, diz Ted Schuur, um ecologista da Universidade da Flórida e autor principal do estudo. “Antes deste estudo, não sabíamos quão rápido o carbono poderia ser liberado do permafrost e como isso realimentaria as mudanças climáticas com o tempo”.

Uma grande quantidade de carbono orgânico na tundra fica armazenado no solo e permafrost. Esse depósito de carbono, depositado ao longo de milhares de anos, permanece trancado no chão permanentemente congelado. Nos últimos anos, essa área começou a derreter, permitindo o acesso a plantas e bactérias que podem tirar o carbono da terra e liberá-lo na atmosfera.

O ciclo do carbono.

O ciclo de carbono é a troca de carbono da biosfera para a geosfera, hidrosfera e atmosfera.
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É preciso uma melhor compreensão sobre a taxa de liberação de carbono para poder estimar a força da realimentação positiva (positive feedback) para as mudanças cli­máticas, uma provável consequência do derretimento do permafrost. Os cientistas usam o termo realimentação positiva para descrever o seguinte efeito bola-de-neve: um clima mais quente permite o derre­ti­mento do permafrost, liberando mais car­bono na atmosfera, o que, por sua vez, vai aumentar mais ainda a temperatura global.

De 2004 a 2006, Schuur e sua equipe usaram datação por radio-carbono, uma técnica tipicamente empregada para determinar a idade de artefatos, para rastreas o movimento de carbono orgânico “antigo”, acumulado dentro dos solos e do permafrost em um local do Alaska. A capacidade de distinguir o carbono antigo do novo, permitiu aos pesquisadores rastrear o atual metabolismo de carbono anitgo na área onde o derretimento do permafrost está aumentando.

Surpreendentemente, essa pesquisa revelou que, durante os estágios iniciais do derretimento do permafrost, aumentam o crescimento de plantas e a fotos­síntese, o que retira carbono da atmosfera. Esse aumento contrabalança o au­mento da emissão de carbono causado pelo derretimento. No entanto, um derretimento continuado eventualmente vai liberar mais carbono do que as plan­tas podem absorver, suplantando sua capacidade de compensação. Colocando isto em um contexto global, se a tempertatura média global continuar a subir, os cálculos atuais predizem que a realimentação positiva do derretimento do per­mafrost poderia adicionar anualmente à atmosfera tanto carbono quanto outra fonte significativa, a modificação do uso das terras.

Foto do sitio de pesquisa do permafrost no Alaska.

A datação por rádio-carbono foi usada para detectar a perda de carbono velho pelo solo neste sitio de pesquisa no Alaska.
Crédito e imagem ampliada

O sitio no Alaska onde Schuur e seus cole­gas realizaram sua pesquisa, foi monito­rado ao longo das duas últimas décadas, sendo que as medições da temperatura do permafrost começaram antes que o perma­frost começasse a derreter. Esse registro detalhado, junto com o estudo de Schuur do sistema de troca de carbono do ecos­sis­tema e da liberação do carbono antigo, fornecem um quadro abrangentes da dinâ­mica das trocas de carbono em resposta ao derretimento do permafrost.

Segundo Schuur, “Os registros existentes desse sitio são em uma escala de déca­das, o que quer dizer que podemos seguir mais acuradamente o lento ritmo das mudanças no sistema. No geral, esta pesquisa documenta as mudanças de lon­go prazo nas plantas e no solo que ocorrem com o derretimento do permafrost, o que nos dá uma base para fazer previsões de longo prazo acerca do equilíbrio de carbono do ecossistema com maior confiança”. 


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