Endless Love Mozart


Endless Love Mozart,  Cocker-Spaniel Inglês, Azul-Ruão     (◊ 07-11-1993; †20-06-2006).
Adeus amigo!
(Por favor, sem comentários)

Um Texto de Carlos Castañeda

Relendo o primeiro (e, dizem, o único verdadeiro) livro de Carlos Castañeda, “A Erva do Diabo”, eu me deparei com um trecho particularmente interessante. O livro já é interessante por apresentar um estudante universitário, de origem sulamericana, tentando estudar o comportamento de um feiticeiro índio mexicano, enquanto o feiticeiro tenta transformar o universitário em um feiticeiro índio.
O trecho em questão, trata das dificuldades do aprendizado da magia. Mas, se transportarmos as idéias para qualquer tipo de conhecimento, elas permanecem surpreendentemente válidas. Eu tomei o cuidado de omitir uma série de passagens que nada acrescentam à idéia básica do texto (ou, dito de outra forma, eu tirei toda a baboseira com a qual o Castañeda “enche linguiça”).
Lá vai:

– “Quando um homem começa a aprender, ele nunca sabe muito claramente quais são seus objetivos. Seu propósito é falho; sua intenção, vaga. Espera recompensas que nunca se materializarão, pois não conhece nada das dificuldades da aprendizagem.”
“Devagar, ele começa a aprender… a princípio, pouco a pouco, e depois em porções grandes. E logo seus pensamentos entram em choque. O que aprende nunca é o que ele imaginava, de modo que começa a ter medo. Aprender nunca é o que se espera. Cada passo da aprendizagem é uma nova tarefa, e o medo que o homem sente começa a crescer impiedosamente, sem ceder. Seu propósito toma-se um campo de batalha.”
“E assim ele se depara com o primeiro de seus inimigos naturais: o medo! Um inimigo terrível, traiçoeiro, e difícil de vencer. Permanece oculto em todas as voltas do caminho, rondando, à espreita. E se o homem, apavorado com sua presença, foge, seu inimigo terá posto um fim à sua busca.”
(…)
– “E o que pode ele fazer para vencer o medo?”
– “A resposta é muito simples. Não deve fugir. Deve desafiar o medo, e, a despeito dele, deve dar o passo seguinte na aprendizagem, e o seguinte, e o seguinte. Deve ter medo, plenamente, e no entanto não deve parar. É esta a regra! E o momento chegará em que seu primeiro inimigo recua. O homem começa a se sentir seguro de si. Seu propósito toma-se mais forte. Aprender não é mais uma tarefa aterradora. Quando chega esse momento feliz, o homem pode dizer sem hesitar que derrotou seu primeiro inimigo natural.”
(…)
– “Uma vez que o homem venceu o medo, fica livre dele o resto da vida, porque, em vez do medo, ele adquiriu a clareza… uma clareza de espírito que apaga o medo. Então, o homem já conhece seus desejos; sabe como satisfazê-los. Pode antecipar os novos passos na aprendizagem e uma clareza viva cerca tudo. O homem sente que nada se lhe oculta.”
“E assim ele encontra seu segundo inimigo: a clareza! Essa clareza de espírito, que é tão difícil de obter, elimina o medo, mas também cega.”
“Obriga o homem a nunca duvidar de si. Dá-lhe a segurança de que ele pode fazer o que bem entender, pois ele vê tudo claramente. E ele é corajoso porque é claro; e não para diante de nada, porque é claro. Mas tudo isso é um engano; é como uma coisa incompleta. Se o homem sucumbir a esse poder de faz-de-conta, terá sucumbido a seu segundo inimigo e tateará com a aprendizagem. Vai precipitar-se quando devia ser paciente, ou vai ser paciente quando devia precipitar-se. E tateará com a aprendizagem até acabar incapaz de aprender qualquer coisa mais.”
(…)
– “Mas o que tem de fazer para não ser vencido?”
– “Tem de fazer o que fez com o medo: tem de desafiar sua clareza e usá-la só para ver, e esperar com paciência e medir com cuidado antes de dar novos passos; deve pensar, acima de tudo, que sua clareza é quase um erro. E virá um momento em que ele compreenderá que sua clareza era apenas um ponto diante de sua vista. E assim ele terá vencido seu segundo inimigo, e estará numa posição em que nada mais poderá prejudicá-lo. Isso não será um engano. Não será um ponto diante da vista. Será o verdadeiro poder.”
“Ele saberá a essa altura que o poder que vem buscando há tanto tempo é seu, por fim. Pode fazer o que quiser com ele. Seu aliado está às suas ordens. Seu desejo é ordem. Vê tudo o que está em volta. Mas também encontra seu terceiro inimigo: o poder!”
“O poder é o mais forte de todos os inimigos. E, naturalmente, a coisa mais fácil é ceder; afinal de contas, o homem é realmente invencível. Ele comanda; começa correndo riscos calculados e termina estabelecendo regras, porque é um senhor.”
“Um homem nesse estágio quase nem nota que seu terceiro inimigo se aproxima. E de repente, sem saber, certamente terá perdido a batalha. Seu inimigo o terá transformado num homem cruel e caprichoso.”
(…)
– “E como o homem pode vencer seu terceiro inimigo, Dom Juan?”
– “Também tem de desafiá-lo, propositadamente. Tem de vir a compreender que o poder que parece ter adquirido na verdade nunca é seu. Deve controlar-se em todas as ocasiões, tratando com cuidado e lealdade tudo o que aprendeu. Se conseguir ver que a clareza e o poder, sem controle, são piores do que os erros, ele chegará a um ponto em que tudo está controlado. Então, saberá quando e como usar seu poder. E assim terá derrotado seu terceiro inimigo.”
“O homem estará, então, no fim de sua jornada do saber, e quase sem perceber encontrará seu último inimigo: a velhice! Este inimigo é o mais cruel de todos, o único que ele não conseguirá derrotar completamente, mas apenas afastar.”
“É o momento em que o homem não tem mais receios, não tem mais impaciências de clareza de espírito… um momento em que todo o seu poder está controlado, mas também o momento em que ele sente um desejo irresistível de descansar. Se ele ceder completamente a seu desejo de se deitar e esquecer, se ele se afundar na fadiga, terá perdido a última batalha, e seu inimigo o reduzirá a uma criatura velha e débil. Seu desejo de se retirar dominará toda a sua clareza, seu poder e sabedoria.”
“Mas se o homem sacode sua fadiga e vive seu destino completamente, então poderá ser chamado de um homem de conhecimento, nem que seja no breve momento em que ele consegue lutar contra o seu último inimigo invencível. Esse momento de clareza, poder e conhecimento é o suficiente.”

Dá para mudar o disco?

Salve, Pessoal!
Uma das coisas mais chatas na minha vida é o fato de eu ser um militar reformado. Após cursar o Científico no Colégio Estadual André Maurois, acabei por parar na Marinha de Guerra, mais exatamente no Corpo de Fuzileiros Navais, no período mais exacerbado da Ditadura Militar, com direito a guerrilha no Araguaia e diversos amigos de escola “do outro lado”…
É… A Ditadura Militar foi uma merda e, para mim, as duas piores merdas que ela fez foram:
1 – Transformar todos os militares em “prepúcio” da nação. Tudo o que há de mau no Brasil “é culpa da Ditadura”, “é herança dos anos de chumbo” e outros chavões desgastados…
2 – Acostumou o povo brasileiro a ser irresponsável. Já que as eleições eram uma piada de mau gosto, os brasileiros se acostumaram a culpar um vago “eles” por sua própria incompetência e a só reivindicar “liberades”, se esquecendo que, a essas “liberdades”, correspondem muitas “responsabilidades”.
Eu só me pergunto: quando é que o brasileiro vai “ficar adulto”? Os “Porões da Ditadura” foram desmantelados ainda no governo Geisel. O “líder sindicalista perseguido”, acompanhado de seus “heróis da resistência”, estão no governo, hoje. E, para citar um autor insuspeito, a “nossa Pátria Mãe” continua “adormecida, sem perceber que” ainda é “subtraída em tenebrosas transações” (para quem não reconheceu: “Vai Passar”, Chico Buarque de Hollanda). Os “Napoleões Vendidos” podem ter desaparecido da cena (substituídos por outros “vendidos”), mas os “Barões Falidos e os Pigmeus do Boulevard” continuam desfilando com total desfaçatez.
A “esquerda libertária” se associou oportunisticamente com o que há de mais reacionário na direita e, quanto mais à esquerda, mais “lacaios do FMI” são. Esse epíteto era dirigido aos governos militares, até 1985…
Aí, quando um direitista como o Olavo de Carvalho acusa nossos “heróis da resistência” de terem ajudado o narcotráfico a se organizar, sempre aparece alguém para contestá-lo, nem que para isso tenha que lançar mão de disparates como invocar a “Convenção de Genebra” para acusar os “militares” (como se os Códigos Penais civil e militar não fossem suficientes), e como se, apenas por ser dito por um direitista, o fato não fosse verdade. Só falta dizerem que o José Dirceu e o Delúbio aprenderam a “fazer caixa 2″ com a Intendência do Exército…
Um cidadão compra uma passagem aérea e descobre que a TAM fez “overbooking” do vôo para Brasília. Quando ele começa a fazer um escarcéu, a TAM convence dois passageiros a deixar o vôo e ceder os lugares. Mas como o cidadão é, também, o Comandante do Exército, a imprensa faz uma celeuma sobre “a prepotência dos militares”. A prepotência da TAM não vende jornal… (pelo contrário: um anunciante deve ser respeitado a todo custo).
Enquanto isso, no Rio de Janeiro, um Quartel do Exército é atacado por bandidos (com toda a certeza, treinados pelo próprio quartel, já que sabiam exatamente quando atacar e onde estavam as armas). O Exército reage à altura e começa a ocupar favelas, em busca das armas surrupiadas. Qual é a reação dos leitores de “O Globo”? Uma esmagadora maioria responde que o Exército deve continuar a ocupar os morros e favelas, mesmo depois de achar (se achar…) as armas… Claro: tanque na porta de favelado é solução para tudo… Imagino a urticária que deve ter dado nos editores…
E, no contraponto das fanfarras que saudam a ida ao espaço do primeiro astronauta brasileiro, começa a aparecer uma gritaria sobre os custos dessa aventura (que “está em cartaz” há quase dez anos) e piadinhas sobre “preferia o astronauta dos quadrinhos do Maurício de Souza” e que o Coronel Pontes vai “plantar feijãozinho” no espaço… E aí eu pergunto: será que nenhuma instituição de pesquisa científica ou tecnológica no Brasil tinha um experimentozinho menos babaca para ser feito? Essa viagem está programada há anos; só agora vêm arguí-la de “inútil”? Ah!… mas é um Coronel que vai para o espaço…
Militar é mau e perverso, torturador de velhinhas e criancinhas, só serve mesmo para ocupar favela com tanque. No primeiro tiro de canhão que derem, vão dizer: “monstros!…”, “desalmados!…”, “mataram não sei quantos trabalhadores!…”
Porra! Está mais do que na hora da sociedade civil tomar vergonha na cara! Acabem logo com as Forças Armadas e quando, no dia seguinte, todo o mundo estiver falando castelhano, a Vila Isabel pode desfilar de novo, saudando a, finalmente concretizada, unificação da América Latina. Com Simón Bolívar e tudo…

Eu, positivamente, estou de saco cheio!

Salve, Pessoal!
Meu sumiço temporário tem um motivo: minha mãe morreu no dia 12 e até agora, eu ainda estou a braços com as milhares de providências administrativas que se tem que tomar. Desde os papa-defuntos que fazem qualquer coisa para extorquir seu dinheiro, passando pelos burocratas que exigem um monte de papéis (original e cópia autenticada), até simplesmente desmontar a casa dela e dar destino às milhares de tralhas que uma pessoa ajunta em 84 anos de vida.
Quem sabe, um dia desses, eu consigo parar e chorar adequadamente…
Enquanto isso, a política tem andado animada, com os corruptos conhecidos acusando os corruptos insuspeitos, meu reajuste salarial não sai, e, de repente, a gente descobre que a Scotland Yard veio tomar umas aulas com a ROTA sobre como “proteger” a população…
E um pit-boy, no Orkut, resolveu me aporrinhar o saco, porque eu mandei os “galinhas verdes” de plantão pararem de gritar histéricamente por uma nova intervenção militar no Brasil.
Ah, sim… Eu já ia me esquecendo: o Vasco só me dá alegrias!… (não ousem responder a isso, Daniel e Veri!).
Querem mais, ou já está de bom tamanho?…

Síndrome do Titanic

Salve, Gente! Deixa o Lula pra lá… (gente melhor do que eu, já escreveu o suficiente sobre a “mosca azul” que picou nosso Presidente).

Mais uma vez, eu encontrei um link interessante no BLOG do Daniel, sob o título “Are you being served?” (The Economist). Se você não sabe (ou tem preguiça de) ler em inglês, eu dou um breve resumo: a partir da análise da necessidade de reflorestar as nascentes que abastecem de água o Canal do Panamá, o articulista chega à brilhante conclusão que gastar dinheiro com restauração da natureza, é um investimento economicamente compensador! E discute diversos outros exemplos pelo mundo a fora. (“Abstract” mais abstrato do que esse, vai ser difícil encontrar…)

O ponto importante é que até os “Porcos Capitalistas” estão vendo o óbvio. Poluição, gasto desenfreado de recursos naturais não-renováveis, desmatamento indiscriminado, impermeabilização do solo (via super-conurbações), tudo isso tem efeitos economicamente indesejáveis e em prazos não tão longos assim. O que está assustando os nossos vizinhos do hemisfério Norte é que o processo está se acelerando! Afinal, durante séculos eles destruíram suas florestas, poluíram seus rios e lagos, extinguiram um sem-número de espécies animais, exauriram seus solos e lançaram toneladas de poluentes na atmosfera, e, aparentemente, nada aconteceu!

Mas, será isso verdade? Qualquer inglês que tenha conhecimento do custo da despoluição do Tâmisa, sabe que isso envolve catadupas de dinheiro e tecnologia de ponta. Exatamente o que, cá no hemisfério Sul, faz falta. O articulista do The Economist propõe (usando o exemplo do Canal do Panamá) que os capitalistas do Norte, cujos interesses sejam afetados pelas agressões à natureza no Sul, “façam uma vaquinha” para financiar esses projetos. Uma espécie de “pedágio ecológico”… Bom… Pode ser que, no caso específico do Canal do Panamá, seja fácil mostrar àqueles que se beneficiam da redução nos custos do transporte marítimo, que isso é um investimento com retorno garantido (afinal, fica muito mais caro usar a rota do Estreito de Magalhães…). E quanto aos assuntos menos evidentes? Como é que fica? E o tal Protocolo de Kioto? (se você duvida que alguém duvide, dê uma olhada na página JunkScience…)

Por outro lado, é muito fácil ficar jogando a culpa da degradação do meio-ambiente para cima do Norte rico e persistir em práticas agrícolas superadas, desperdício de recursos naturais (renováveis ou não) e em todas as práticas condenáveis que herdamos, junto com nossa cultura de colônia, dos modelos europeus de nossa cultura.

O que é que nós estamos, realmente, fazendo para preservar os recursos naturais de nosso país? A resposta aparece, de maneira eloquente, quando se olha para o Rio Paraíba do Sul!… Muita falação, muito discurso, muita Lei, muito Decreto, muito Grupo de Trabalho, e xongas de ação! A desculpa é a de sempre: falta dinheiro…

Estão pensando que o caso é novidade? Lêdo engano d’alma… Basta ler Monteiro Lobato (Urupês, Cidades Mortas, Idéias de Jeca Tatu…) e ver que, no início do século passado, algumas pessoas de visão menos estreita já enxergavam o problema! (“Muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são…”. Isso é de Macunaíma!)

Então, se falta dinheiro para meio-ambiente, educação, saúde pública, segurança pública, e infraestrutura de transportes (e não é por falta de arrecadação de impostos, que já os temos em demasia!), como é que temos dinheiro para enriquecer os Bancos? (Já imaginou: que beleza se fosse você quem dissesse ao Gerente do seu Banco o quanto você estaria disposto a pagar de juros por seu “cheque especial”? Pois é… A famosa “Taxa SELIC”, que o Banco Central anda mandando para os cornos da Lua, é exatamente isso!)

E é um partido que se intitula de “Partido dos Trabalhadores”, que está promovendo essa lambança!

Enquanto isso, nós, os cidadãos que elegemos esse governo, fazemos como os passageiros do Titanic: cada um por si, que os botes salva-vidas são poucos, enquanto que o governo faz a parte da orquestra do Titanic: toca musiquinhas bonitinhas, enquanto o navio vai a pique…
“Chi pó, non vó…”

Para começar…

Seja bem-vindo! Eu pensava em começar (atendendo aos pedidos insistentes do meu incontável número de leitores), com alguns cometários acerca dos efeitos desastrosos que o deslumbramento pelo poder causam nas pessoas (…é…eu ia dar uma desancada no atual Governo brasileiro…).

Mas, no BLOG do Daniel Doro Ferrante, eu encontrei uma matéria mais adequada ao propósito principal deste BLOG: um link para um site chamado do your best to a better world.

Praticamente qualquer pessoa que se encontre navegando pela Net, atualmente, vai sentir um certo complexo de culpa, por se enquadrar entre os poucos privilegiados do mundo. Aí é que eu começo a questionar a coisa… Eu não acredito que apelar para sentimentos de solidariedade, compaixão e amor-ao-próximo, sejam a abordagem correta para o problema das desigualdades sociais.

Eu me irrito com toda e qualquer forma de assistencialismo, seja uma esmola a um mendigo, seja um “Programa Fome Zero”, passando pelos “Médicos sem fronteiras” e outras ONGs. Entendam bem: eu não sou contrário à atuação dessas entidades assistenciais, nem as acho desnecessárias. Muito ao contrário! Minha irritação vem do fato delas serem necessárias! “Seu doutor uma esmola / para um pobre que é são / ou o mata de vergonha / ou vicia o cidadão”.

Como eu comentei no BLOG do Daniel, a verdadeira vergonha é que, nestes tempos atuais, com as tecnologias que estão aí, ainda haja tantas pessoas miseráveis. Se você reduz seres humanos a condições sub-humanas, é claro que eles vão se comportar mais animalmente. Daí, o instinto de “preservação da espécie” passa a se fundamentar em números: quanto mais filhos, maior a chance de alguns deles chegarem à idade reprodutiva, e assim por diante…

Qualquer argumento que tenha por base diferenças genéticas/raciais, culturais, geográficas, ou qualquer variação de “vontade divina”, “karma”, etc, pode ser usado como supositório por quem pretendia usá-lo, porque é falso! Os seres da espécie homo sapiens são muito mais parecidos entre si, geneticamente, do que quaisquer duas raças de cão doméstico! Se as condições de gestação, parto e primeira infância forem semelhantes, desafio qualquer um a encontrar qualquer diferença entre o potencial para educação de um somali, um sueco, um mulatinho brasileiro, um “chigro” jamaicano, ou qualquer vira-latas racial, oriundo de qualquer parte do mundo. Se o sujeito vai ou não desenvolver esse potencial, vai depender de uma série de fatores ambientais, culturais, sociais, etc, que não vêm ao caso!

Também não estou afirmando que “somos todos iguais”. Não somos e ainda bem que não somos! Somos todos diferentes, únicos, cada qual com suas (in)habilidades e potenciais natos, e as impressões digitais estão aí para demonstrar isso. Eu estou falando de oportunidades. Comparar Stephen Hawking com Ronaldinho não leva a lugar algum. Mas a maior benção da raça humana é exatamente essa diversidade.

Só que essa maravilhosa diversidade está sendo assassinada pela sub-humanização da maior parte da espécie homo sapiens, em nome do desperdício, da ganância, da arrogância e até por motivos religiosos!…

A ameaça imediata de aniquilação da humanidade por meio de um conflito termonuclear, no século passado, levou-nos a esquecer essa outra forma de veneno social. Mas aqueles que acharam que podiam ir dormir tranqüilos depois da queda do Muro de Berlim, podem acordar assustados novamente… Não porque um bin Laden da vida possa tacar um avião na sua cabeça, mas porque a “Aldeia Global” que Marshall MacLuhan falava na década de 1960, está aí. E ela se parece muito com a minha cidade do Rio de Janeiro: linda, marvilhosa, e cheia de favelas miseráveis, onde lobo come lobo e se olha, cheio de ressentimento, para o “asfalto” desmiolado, onde as crianças são criadas em jaulas (cujas grades são o Play-Ground do prédio, o Shopping Center, o colégio e o carro da família, sempre com os vidros fechados e portas trancadas).

O que é necessário para resolver esse estado de coisas, todo o mundo sabe. Mas, como diz o título deste BLOG, “chi vó, non pó…”


P.S: se eu quizesse uma ilustração, não encotrava uma melhor. Vide a notícia “Aprés le tsunami à Aceh, l’aide rongée para la corruption” (Le Figaro, 14/05/05)

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