Ciência vs Política (e Religião, é claro…)

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O tema deste mês versa sobre o relacionamento entre ciências e política, especialmente sobre a influência das religiões na política e, mais especificamente, sobre a celeuma levantada acerca das crenças “criacionistas” da Senadora Marina Silva e sua capacidade para exercer a Presidência da República. Para não deixar as coisas saírem da perspectiva, algumas considerações prévias são necessárias.

A primeira coisa a deixar bem claro é que, muito mais do que o pensamento religioso, o pensamento político é diametralmente oposto ao pensamento científico. A política – em sua forma mais elevada – é a arte de distribuir o desagrado entre todos, de forma a que todos se conformem com sacrifícios individuais em prol de um bem-maior comunitário. Em sua forma mais baixa, é a arte de fazer com que as pessoas acreditem que isso está acontecendo, enquanto uma minoria usufrui das benesses em detrimento da maioria. Em suma, uma arte de acomodar descontentamentos.

Ora, em ciência, não dá para “acomodar”: ou as coisas são, ou não são. Não dá para fazer a gravidade funcionar em sentido contrário e fazer com que a água vá morro acima, apenas para contentar os eleitores que moram no alto. Pi não passa a ser igual a 3 porque fica mais fácil calcular (para desespero dos preguiçosos mentais que “detestam matemática”). E um embrião não é um “ser humano” só porque é vivo (não importa o que esta ou aquela “Sagrada Escritura”, interpretada por este ou aquele personagem auto-intitulado como “infalível”, diga) – inclusive alguns desses viventes que passam muito além do estágio embrionário – a julgar pelo seu procedimento – também não se enquadram na minha definição de “ser humano”, mas, aí, é questão de opinião…

Por outro lado, analisando a suposta “laicidade” do Estado Brasileiro, constatamos que essa “laicidade” é uma falácia: no máximo, o que temos é um “ecumenismo”. “Deus” é uma “claúsula pétrea” da Constituição: vide os preâmbulos de todas as Constituições do Brasil; a atual reza assim (copiado daqui – o grifo é meu):

PREÂMBULO

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte
para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos
sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a
igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem
preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional,
com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a
seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

Portanto, não adianta discutir: no Brasil, Deus existe oficialmente. Cada um é livre para acreditar ou não, mas eu posso me valer juridicamente dos atributos divinos, uma vez que sua existência é implícita.

E, ainda citando a Constituição, temos que:

TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem
distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

………………….

VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo
assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a
proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

Ou seja: por mais idiota ou inverossímel que seja sua crença, ela tem que ser respeitada. O que constitui “respeito” a uma crença e até que ponto vai “o livre exercício dos cultos religiosos”, é uma fronteira sabiamente (ou velhacamente…) inexplorada pelos legisladores. Tanto que um determinado culto pode xingar à vontade outro e pedir a sua(s) divindade(s) que exterminem de modo cruel e doloroso os rivais – contanto que dentro de seu “local de culto” – mas não pode “tomar a ‘justiça divina’ nas próprias mãos”… Acomodação…

Mas, na outra mão, o que podemos ter?… Existiria algo tal como uma “ciência oficial de Estado”?… (Sem trocadilho…) Graças a Deus, não!… É da própria natureza das ciências evoluirem e até modificarem inteiramente seus paradigmas, à medida em que os conhecimentos desvendam os mistérios e, em muitas vezes, comprovam que aquilo que “todo o mundo sabia”, não era bem assim… E, como nas ciências não há lugar para “consensos” sem prova experimental (diversos “consensos” científicos ruiram e continuarão a ruir frente aos fatos experimentais), o jogo político não tem lugar no progresso da ciência.

Entretanto, é a política quem decide onde, como, quando e em que os recursos da sociedade vão ser empregados. E aí, leitor, não ganha quem tem “mais razão”: ganha quem consegue convencer o maior número de “votos”. E – pior – geralmente quando confrontadas com uma decisão entre uma verdade incoveniente e uma mentira agradável, a maioria das pessoas tende a escolher a mentira agradável.

Até os ateus-militantes: escolhem acreditar que é possível convencer a todos pela mera argumentação lógica… (um suicído político, a meu ver…)

Este post faz parte da discussão do Blog “Roda de Ciência”. Por favor, comentários só aqui.


Tema para o mês de julho/2009 do “Roda de Ciência”: Astronomia

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Venho convidar os colegas do ScienceBlogs Brasil, os demais bloguei­ros que acompanham o SBB e, mais importante, o leitor, para colaborar e acompanhar, postando e comentando, a nova discussão mensal do Meta-Blog “Roda de Ciência” (clique no logo ao lado).

O tema para este mês celebra o Ano Internacional da Astronomia e quaisquer matérias relacionadas à astronomia são bem vindas.


Afinal, por que Darwin ainda incomoda?

Por que será que a Evolução e a Seleção Natural ainda incomodam tanto e causam reações extremadas, notadamente entre as pessoas que se dizem religiosas? Na verdade não se vê tanta reação contra a Astronomia, contra a Geologia ou mesmo contra a Física, embora todos esses ramos da ciência contradigam frontalmente o “livro sagrado” das religiões originadas da judaica.

A Astronomia botou por terra um ponto fundamental do fundamentalismo: a Terra não é o centro do universo, nem sequer um ponto notável no mesmo.

A Geologia, por sua vez, desmente de maneira cabal a cronologia bíblica e não se vê qualquer “tour-de-force” como o “Intelligent Design” para contestar seus ensinamentos.

Há algo mais nas constatações de Darwin e seus sucessores que incomoda, e muito, as pessoas em geral e esse incômodo é que dá alento aos fundamentalistas religiosos para continuarem em sua cruzada contra a Evolução.

Me parece que a fonte disso tudo está em algo que o Darwinismo não contesta explicitamente, e que continua a ser presumido até mesmo por partidários ateus da Evolução: a idéia de que a espécie humana é “o ápice” da hierarquia dos seres vivos.

Eu não preciso recorrer a minhas crenças religiosas, nem à SETI, para constatar que essa idéia é totalmente infundada. Nada do que conhecemos pode ser usado como indício de que a espécie humana seja, realmente, a “última palavra” em matéria de evolução biológica. Quem estudasse a Terra no Período Jurássico, jamais apostaria em nossos ancestrais mamíferos contra os poderosos dinossauros. No entanto, os grandes répteis acabaram extintos — mercê de uma catástrofe natural que pode, perfeitamente, se repetir — e os mamíferos dominaram as terras. E, dentre as diversas espécies de mamíferos, uma só entre os primatas conseguiu prosperar (embora tenha sofrido a concorrência de seus “primos” Neanderthal) e, em lugar de se adaptar ao meio ambiente, foi capaz de transformá-lo em seu proveito.

Entretanto, os indícios de que essa transformação do meio ambiente e o crescimento numérico exagerado da espécie humana, estão levando a uma situação que põe a própria sobrevivência da maioria dos indivíduos em perigo, são cada vez mais alarmantes.

Animal gregário, o Homo Sapiens tem como base de sua prosperidade a vida em sociedade. E essa sociedade está — para não ser piegas — claramente aquém das necessidades da espécie para uma sobrevivência futura. Espécies bem menos “evoluídas” têm chances bem maiores de sobreviver a eventos de destruição em massa — e, ao que consta, pela primeira vez na história do planeta, uma espécie “dominante” pode ser a própria causadora de um evento dessa natureza.

A Biologia — em especial, a Genética — pode trazer novos dados para alimentar a parte realmente científica da questão “como a espécie humana pode evoluir para melhor”. Mas não pode servir como base para decisões de foro político e ético sobre a sociedade — afinal, quem decide o que é “melhor”?

Darwin ainda incomoda… Nem só porque contradiz a parte do “criado à imagem e semelhança de Deus”, mas porque enfraquece o pedestal de barro sobre o qual as pessoas teimam em se equilibrar, seja pela arrogância do ignorante, seja pela petulância dos que “têm um olho em terra de cegos”.

Se Darwin nos livrou do “Criador” bíblico, fonte de subsistência de sacerdotes e de limitação para a ciência, a Seleção Natural não se aplica plenamente para a espécie humana, uma vez que essa possui uma capacidade inédita em não só se adaptar ao ambiente, como também de modificá-lo em proveito próprio.

E sempre resta a questão: o que pode surgir depois do ser humano?

(Este post faz parte da discussão de março do “Roda de Ciências”. Por favor, comentários aqui)

O que seria “uma novidade revolucionária” na ciência?

Uma pergunta difícil… A Astronomia está, praticamente, redesenhando o “Universo Conhecível” e ele parece ser muito mais estranho e “populoso” do que se pensava. Até anteontem a Relatividade Geral tinha as soluções para o comportamento das galáxias, suas estrelas e seus planetas… De repente (bom… não foi tão “de repente”, assim…), se chega à conclusão de que não está faltando só a tal “matéria escura”: mais da metade do universo deve ser constituído de algo mais misterioso ainda — a tal “energia escura”.

Enquanto isso, aqui na Terra, o LHC foi um fiasco comparável à passagem do Cometa de Halley… “O maior instrumento científico jamais construído” (e isso me lembra o quase-fiasco do Telescópio Hubble) pifou, ainda na fase de preparação…

No campo da nanotecnologia as coisas vão a pleno vapor. O Carbeno parece ser o meta-material dos sonhos dos nano-engenheiros. Quando (e se) puder ser fabricado em escala industrial, o leque de aplicações parece ser quase ilimitado. Já os computadores quânticos continuam na fase do “sonho meu”… A spintrônica parece ainda confinada aos ambientes banhados em hélio líquido.

Na área da biologia, os segredos contidos nos genes vão caindo, um a um, e a evolução da vida na Terra cada vez mais faz sentido (particularmente apropriado no ano em que se comemora o bicentenário do nascimento de Darwin — embora o fundamentalismo religioso continue insistindo em exercitar seu jus esperneandi).

E a melhor notícia parece estar vindo da maior potência mundial: a equipe científica escolhida pelo futuro presidente americano é composta por Cientistas (com direito ao “C” maiúsculo). E é aí que eu vou dar um polimento na minha bola de cristal e proferir um vaticínio sobre onde eu espero que a ciência apresente algo realmente revolucionário…

E, para gáudio do Osame, a idéia vem da Ficção Científica — mais exatamente do penúltimo livro de meu autor favorito: Robert Anson Heinlein, “Friday”. Como sempre, Heinlein “adivinha” algo que aparece como uma mera peça cenográfica no enredo, tal como foi o caso dos braços articulados mecânicos (os “Waldos”) e os colchões de água…

Pegando uma tangente, a nomeação de Steven Chu para Secretário de Energia do novo governo americano me parece a peça que faltava no quebra-cabeças. Senão, vejamos… Qual é o principal problema que a ciência tem que resolver, e bem depressa? A questão da energia, certo?… Não dá para continuar gastando a fábula de energia que a civilização precisa, só na base do consumo dos combustíveis fósseis. Se o padrão de geração de energia continuar como está, ficamos espremidos entre mudanças climáticas catastóficas, uma acidificação dos oceanos, mares, lagos, rios e até meras pocinhas d’água e a pura e simples exaustão total dos ditos combustíveis fósseis. A saída mais imediata, os biocombustíveis, são um mero tapa-buraco: as terras agricultáveis e os recursos hídricos também são finitos e, na verdade, estão bem próximos da exaustão, também. O que resta são fontes de energia ou perigosas — como as usinas nucleares — ou razoavelmente imprevisíveis — como a solar e a eólica.

O maior problema não é tanto do “como gerar” essa energia: é como armazenar os excessos para proporcionar um suprimento constante. Dizendo de outro modo, energia solar, durante o dia, é abundante. O problema é fazer essa energia solar se transformar em eletricidade à noite. Em suma: precisamos de baterias melhores e mais eficazes.

E é aí que entra o tal gadget que Heinlein apresenta em “Friday”: as “Shipstones” — baterias de rendimento próximo de “perfeito”. No momento, algo totalmente fora da realidade… porém o Departamento de Energia já está dedicando verbas para a pesquisa de melhoramentos na tecnologia das baterias. Certamente, não vão ser o resultado dos esforços de um “inventor de porão” (como na novela de Heinlein), mas eu levo fé em equipes de pesquisa multidisciplinares. E tenho a impressão de que a solução vai ter muito a ver com a biologia, notadamente com o modo de armazenamento de energia pelas plantas — algo como uma “bateria orgânica”.

Então?… Suficientemente “revolucionário”?… 😀

(Este post é parte da discussão do Roda de Ciência. Comentários aqui, por favor).

Ciência e Ficção Científica (segundo o Instituto Americano de Física)

Inside Science News Service

22 de outubro de 2008
OS “CARAS DA CIÊNCIA” DA SÉRIE “FRINGE” FALAM MAIS DE CIÊNCIA MESMO DO QUE DE FICÇÃO CIENTÍFICA
Por  Emilie Lorditch
Contribuidor do ISNS

COLLEGE PARK, Maryland (21 de outubro de 2008) — Algumas  vezes os fatos científicos são ainda mais estranhos do que a ficção científica… Como os “caras da ciência” da nova série de  thriller de ficção científica da FOX, “FRINGE” (literalmente: “fímbria”), Rob Chiappetta e Glen Whitman,  sabem melhor do qualquer um.

A série “FRINGE” levam os espectadores em viagens fantásticas se valendo de ciências que tradicionalmente ficam na “fímbria” da ciência tradicional, coisas como “controle da mente” e “teletransporte”.  Porém, com toda a pesquisa que anda sendo realizada nesses campos, muitas das idéias para os roteiros da série são, na verdade, arrancadas de jornais e revistas de ciência.

“Nós começamos procurando por idéias a partir dos títulos de uma revista científica ou da notícia do estabelecimento de um novo fundo de pesquisas, e pensamos: qual seria o próximo passo ou até onde podemos esticar as fronteiras?”, explicou Whitman.  “Por exemplo, no terceiro episódio, um dos personagens estava recebendo mensagens telepáticas em seu cérebro e, na segunda feira, antes do episódio ir ao ar, nós vimos um artigo no website da CNN que explicava  como o Exército dos EUA estava desenvolvendo um capacete que usava ondas cerebrais para auxiliar a comunicação entre os soldados”.

Whitman e Chiappetta são “consultores de media”, não cientistas, e, embora eles já tenham sido consultores de várias séries de TV, eles observam que suas habilidades vêm da curiosidade e da pesquisa em publicações científicas e na imprensa popular, não de uma formação formal.  Chiappetta é formado em Direito pela Universidade do Texas e Whitman é PhD em economia  pela Universidade de Nova York.

“Ambos já fomos consultores para Roberto Orci [um dos co-criadores da série “FRINGE]” em vários projetos ao longo desses anos, da série “Alias”, passando por “Transformers”, até “Star Trek” ” , disse Whitman . “Para a série “FRINGE”, como parte de nossa estratégia para conseguir o emprego na série,  nós criamos um arquivo artigos de ciência e tecnologia que pensamos que poderiam inspirar bons roteiros. Quando fomos empregados, o arquivo contava com várias centenas de artigos e nós nos tínhamos tornado familiarizados com os recentes desenvolvimentos no mundo da ciência. O papel de “caras da ciência” sobrou naturalmente para nós”.

Com uma série que muda a cada semana, os dois nunca sabem o que terão que aprender a seguir.   “Em uma semana nós estávamos debruçados sobre as publicações e procurando tudo sobre neurociência e, na próxima, estávamos aprendendo tudo sobre hormônios”, relatou Chiappetta. “Temos que aprender um bocado e bem rápido, e grande parte da informação nem é usada, mas os roteiristas realmente apreciam nossas pesquisas, o que é bacana”.

“Várias vezes nós temos uma cena onde alguma coisa tem que acontecer e nós temos que bolar como isso poderia ser cientificamente explicado”, contou Whitman.  “Então, nós aparecemos com três idéias e os roteiristas escolhem”.

Até os roteiristas da série estão entusiasmados com a pesquisa científica.  “É claro que já tínhamos um certo interesse pelos tópicos da ciência para a série, mas, agora, os roteiristas realmente abraçaram o conceito da série”, contou Whitman.  “Agora, as mesas estão cobertas de exemplares de Wired, DiscoverSeed”.

Um dos roteiristas veio contar para a equipe sobre um cientista que estava usando células de cérebro de ratos para controlar um rato-robô por controle remoto. Embora a formação de Whitman tenha sido em economia, matemática e estatística, ele encontra uma forte afinidade com a neurociência.  “Glen sabe dizer qual parte do cérebro regula qual função”, disse Chiappetta.

Por sua vez, Chiappetta diz ter crescido lendo Nature, Science e National Geographic, e focalizou seu trabalho mais sobre tecnologia e telecomunicações. “Nós encontramos exemplos, todos os dias, onde as fímbrias da ciência que aparecem na série são discutidas”, disse ele.  “Como aquele físico do CERN no programa “60 Minutes” falando do Large Hadron Collider, e, quando perguntaram a ele qual poderia ser uma aplicação prática da pesquisa do LHC, ele respondeu que, talvez daqui a dez anos — teletransporte”.

Embora as idéias na série possam ir além da pesquisa científica corrente, essas idéias ainda têm que parecer plausíveis.  “Se ainda não aconteceu, ainda tem que ser razoável”, disse Chiappetta.  “Em tanto quanto a gente dê um pouco de explicação acerca da ciência e mostre a possibilidade”. “Nós conversamos muito acerca de ‘dar base sólida a uma idéia’ ”. declarou Whitman.  “Isso quer dizer aparecer com uma explicação real para a coisa”.

Um dos temas subjacentes da série é que a ciência pode ser empregada para o bem ou para o mal e que o cientista tem uma responsabilidade para com esse poder.  “A ciência é feita por pessoas e para pessoas; os cientistas lidam com problemas reais e aparecem com soluções reais”, argumenta Whitman.  “Nossa esperança é podermos trazer esta ciência marginal para o centro das atenções, pelo menos nas mentes do público em geral e fazê-los conversar sobre o assunto na hora do cafezinho”.

Chiappetta e Whitman ambos admitem que o trabalho é sempre empolgante.  “Nós descobrimos que podemos ter idéias grandes e malucas”, disse Whitman.  “Nós adoramos isso”.

Este texto é fornecido para a media pelo Inside Science News Service, que é apoiado pelo Instituto Americano de Física (American Institute of Physics), uma editora sem fins lucrativos de periódicos de ciência. Contatos: Jim Dawson, editor de notícias, em [email protected].

Ficção Científica e Divulgação das Ciências

Três dias antes de meu 7º aniversário uma notícia espantosa correu o mundo: a União Soviética tinha colocado um satélite artificial em órbita!… Em um mundo ainda sob os efeitos da perplexidade das armas atômicas e dos horrores da 2ª Guerra Mundial (e da recente Guerra da Coréia), havia um campo fértil para as lendas sobre “Discos Voadores” (o Projeto “Blue Book” estava, ainda, a plena carga) e começavam a surgir, na esteira de previsões sombrias de “1984”, os temores de que os “Cérebros Eletrônicos” (a versão em “estado-da-arte” do monstro de Frankenstein) pudessem “dominar o mundo” (embora não esclarecessem bem para que uma máquina “inteligente” iria se preocupar em dominar um mundo habitado por uma espécie tão idiota a ponto de deixar de instalar um interruptor “liga/desliga” em algo tão perigoso…)

Como os editores portugueses ainda tinham preferência e exclusividade na obtenção de “direitos de tradução para a lingua portuguesa”, o jeito que eu arrumei foi aprender a ler na lígua da família de minha mãe e tentar saber mais sobre os “Oceanos de Vênus” e a “Moribunda Civilização de Marte”…

Ainda era a época em que o Projeto “Bluebook” andava a pleno vapor e os “cinemas-poeiras” exibiam “trashes” como “Plan 9 from outer space”…

É de espantar que a Ficção Científica tenha tido uma influência tão grande na minha vida?…

Entretanto eu me confesso decepcionado em ter tido razão, quando respondi ao Osame, no post dele, que achava que “cientistas detestam sic-fi“. Os autores de Ficção Científica geralmente são cientistas, mas escrevem sob pseudônimos (existem as honrosas exceções tais como Sagan e Hoyle, mas esses tinham adquirido, antes, uma sólida reputação como pesquisadores, depois como divulgadores de “ciência séria” e só depois se aventuraram na sci-fi…)

E, é claro, como em todo gênero artístico, a Ficção Científica produz 99% de lixo para cada “obra prima”. O raio é que “Ficção Científica” virou um termo portemanteau, onde cabe desde um “futurismo” a lá Orwell (1984) e Huxley (Admirável Mundo Novo), até as mais palermas space operas (de boa qualidade, com a série Star Wars) e filmes trash, como Invasion of Body Snatchers.

E tudo se resume em um “não pode” que continua não podendo: viagens em velocidades superiores à da luz. (Lá se foram os “Impérios Galáticos” e a “Federação dos Planetas” da série Star Trek).

Os “Cérebros Eletrônicos” não metem mais medo em niguém e nem são mais chamdos de “computadores”: viraram coisinhas triviais que atendem por nomes prosáicos como “PC”, “Laptop”, “Ipod”, etc.

E até os tour-de-force dos imaginativos escritores que “inventavam” coisas “impossíveis” para a época, viraram lana caprina. Eu nem sei dizer se batizar o primeiro submarino atômico de “Nautilus” foi uma homenagem ou uma gozação com Jules Vernes. O fato é que você encontra nos EurekAlert da vida argumentações perfeitamente cientificamente embasadas que dizem que o “dispositivo Klingon de invisibilidade” não é absolutamente impossível com a atual tecnologia

Como supunha (meu “Guru”) Robert Heinlein, em breve a tecnologia iria tornar a sci-fi obsoleta. As inovações tecnológicas tornam o “impossível” de ontem no “corriqueiro” de hoje (no meio do século passado, uma das “modas” da sci-fi eram os “videofones” — ou “teletelas” de Orwell — coisa que qualquer celular pode fazer atualmente e qualquer um com uma webcam pode fazer há muito tempo…)

Uma coisa que nenhum escritor de sci-fi (que eu conheça) jamais poderia imaginar é o brutal desenvolvimento da nano-tecnologia: quem imaginaria que as “fullerenes” iriam se mostrar tão inúteis, mas um Carbeno iria revolucionar toda a nano-eletrônica?…

A Ficção Científica ficou relegada a uma “Ficção Histórica de um Futuro Possível” (Stand on Zanzibar e The Squares of the City, de John Brunner) e a mais prosáica “Aldeia Global” de McLuhan é mais atual do que nunca nos Orkut, Facebook e MSN da vida… Os “Jetsons” são tão prováveis quanto os “Flintstones”…

E a ciência se tornou tão “esotérica” com seus “genomas” e “quarks” (“saborosos” e “coloridos”) que se dissociou totalmente do dia-a-dia do Joe, the Plumber (nosso famoso Zé Ninguém). Simplesmente não dá para explicar a um secundarista uma “trama” que tenha como base as “quebras de simetria” derivadas de uma “quiralidade”. Restam as profundamente chatas especulações moralistas sobre “engenharia genética”, de resto antigas como Frankenstein de Shelley…

Será que a Ficção Científica ainda é capaz de estimular a imaginação de algum jovem e fazê-lo sonhar com “viajar para as estrelas e entrar em contato com raças alienígenas”?…

Ou será que os vetustos “rigores científicos” que levam os “cientistas sérios” a enaltecer o chatíssimo “Profeta Dawkins” estão matando, de uma vez, os sonhos de muita gente?

Eu já ando com sérias dúvidas se a Ficção Científica é um meio válido para promover a divulgação das ciências, porque o que empolga na Ficção é, exatamente, uma “momentânea aceitação do impossível” (assim como nos desenhos animados ninguém estranha um rato usando roupas e luvas que é amigo de um cachorro humanizado que usa chapéu, mas tem um cão de estimação)

(Este post faz parte da discussão do corrente mês do “Roda de Ciência. Por favor, comentários aqui.)

Novo tema para discussão do “Roda de Ciência”

Atenção pessoal! Já está no ar a enquete para a escolha do novo tema para discussão no Roda de Ciência. Aos leitores eu peço que sigam o link e votem (pode votar em mais de um assunto) e aos companheiros do “Roda de Ciência” que publiquem em seus Blogs chamadas como esta para a votação (que se encerra, tal como as eleições, no dia 5 de outubro).
Aos leitores e Blogueiros amigos, eu peço que deixem sugestões para temas de discussão. E os Blogueiros não participantes do “Roda de ciência”, se resolverem publicar um post sobre o tema escolhido, por favor me avisem, para que eu possa colocar um link, ou mesmo transcrever (sob permissão) o post.

Ciência e Tecnologia (e o “Lado Negro da Força”)

O tema do mês parece meio bombástico… Em primeiro lugar, sugere que existe um fosso separando a Tecnologia da Ciência, o que, nos dias atuais, é absurdo. Em segundo porque traz em seu bojo a oportunidade de discutir “ramos da pesquisa com potencial perigo social”. Ora, “perigos potenciais” qualquer receita de bolo apresenta, se você considerar a possibilidade de usar o sabor do bolo para mascarar um veneno…

A relação entre Ciência e Tecnologia me parece bem simples: desde que a espécie humana passou a fazer uso de instrumentos, a Ciência vem correndo atrás da tecnologia para explicar por que as coisas que funcionam, funcionam…

O primeiro “antropo” que fez uso de um extensor para arremessar sua lança ou pedra mais longe, provavelmente era incapaz de contar além de 20… Apenas ele observou que aqueles que tinham os braços mais compridos lançavam seus projetis mais longe, sem serem necessariamente os mais fortes. Experimentou e deu certo!… Igualmente, eu duvido muito que alguém tenha calculado o desenho de um bumerangue…

A ciência nasceu assim: pela observação de que um “princípio” que “funcionava” em uma certa aplicação prática, “funcionava” igualmente em outra; e, se “funcionava” em duas, fatalmente “funcionaria” em outras. Só que esses “princípios” se mostravam, cada vez mais, enganosos. “Funcionavam” muito bem em duas ou três aplicações, mas não em uma quarta onde, “intuitivamente”, tinha tudo para “funcionar”. E, nessa busca sobre o “porquê” de princípios, aparentemente perfeitamente compreensíveis, não funcionarem em situações específicas, foi necessário admitir que nossas observações eram limitadas.

Um exemplo que me ocorre, de pronto, é que, até hoje, chamamos de “geometria” (literalmente: “medição da Terra”) os cálculos sobre formas e relações entre distâncias e tempos, mas abandonamos o termo “Astrologia” (associado a supostas “influências dos astros” sobre coisas perfeitamente explicáveis por outros meios) e usamos o muito menos abrangente termo “Astronomia” para a Ciência que estuda os astros. Não deixa de ser um contra-senso chamar uma “cosmometria” de “geometria”, enquanto que se chama a ciência “séria” sobre os astros de mera “catalogação”. E a “explicação” de que é necessário diferenciar uma “ciência” de uma “pseuso-ciência” igualmente não me convence, porque o termo “geometria”, durante muito tempo (tempo demais…), se referia unicamente à “Geometia Euclideana” (ou “Plana”), mesmo quando se percebeu que ela era perfeitamente aplicável à construção de prédios, mas não valia um tostão furado para calcular a rota de um navio…

E sempre podemos nos perguntar: o que diferencia uma “ciência” de uma “pseudo-ciência”?… Será que se pode classificar a medicina como “ciência”? Os atuais conhecimentos sobre bioquímica estão causando grandes discussões sobre a validade “científica” da homeopatia (e eu sempre gostaria de perguntar aos “céticos militantes” se eles têm coragem de afirmar a quem sempre se tratou com homeopatia e “funcionou”, que essas pessoas sempre se curaram por “efeito placebo”?… Porque, se o “efeito placebo” é tão poderoso assim, as “curas milagrosas” dos curandeiros podem ser igualmente eficazes…). Mas quando tentam enfiar a acupuntura (uma prática que “funciona” milenarmente no Oriente) no mesmo saco, eu pergunto: até que ponto nossos conhecimentos de biofísica nos permitem afirmar qualquer coisa sobre o assunto — e até que ponto isso não passa de arrogância eurocentrista, devidamente patrocinada pela indústria farmacêutica, sobre a qual sabemos sobejamente que não prima pela ética científica?

Me parecem dois exemplos claros de casos onde a ciência ainda está correndo atrás de explicações para a tecnologia… (E — não sei por que — me vem à mente a Santa Inquisição obrigando Galileu a se desdizer, porque suas observações contrariavam as “Sagradas Escrituras”…)

Nesta época em que desmiolados que obtiveram uma “cultura de orelha de livro” ao trabalhar (sabe-se lá em que função…) em uma Instituição Científica qualquer, conseguem seus “cinco minutos de fama” ao ingressarem com uma petição em uma corte de primeira instância (e sem jurisdição alguma…) para tentar impedir o LHC de entrar em funcionamento — e uma grande mídia irresponsável espalha essa asneira aos quatro ventos — e o leigo interessado acompanha, escandalizado, a troca de “baixarias” entre os defensores das Teorias das Cordas e seus opositores, fica um bocado difícil emitir uma opinião desapaixonada sobre os rumos da ciência e da tecnologia. Como eu comentei (a respeito de outro assunto) no Blog da Isis, “ausência de provas” e “prova de ausência” são duas coisas completamente diferentes.

Não é esta ou aquela linha de pesquisa científica ou tecnológica que pode ser “potencialmente prejudicial à sociedade” (as barbaridades de Mengele foram úteis à medicina… mas alguém aceita o custo social delas?…). A pergunta correta é se a sociedade tem discernimento suficiente para ter a seu dispor o conhecimento científico e tecnológico já existente.

Os velhos alquimistas achavam que não… E, quando eu olho para as lambanças que Wall Street vem aprontando ultimamente, eu tendo a concordar com eles…

(Este post faz parte da discussão do “Roda de Ciência”. Por favor, comente aqui)

Novo tema de discussão para o “Roda de Ciência”

Salve, Pessoal!

Já está no ar a nova enquete para votação do tema de discussão para setembro/outubro do Blogue Coletivo “Roda de Ciência”. Todos estão convidados. Cique aqui e vote!

Sobre Desenvolvimento Sustentável

Sabem aquela história de um termo que a gente ouve tanto falar que nem pensa em saber o que quer exatamente dizer?… Para mim, “desenvolvimento sustentável” era um caso desses… E, é claro, eu corri à WikiPedia…

Lá, eu achei na página correspondente dois aspectos interessantes (o início e o fim da página, transcritos abaixo)

Desenvolvimento Sustentável, segundo a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) da Organização das Nações Unidas, é aquele que atende às necessidades presentes sem comprometer a possibilidade de que as gerações futuras satisfaçam as suas próprias necessidades.
(…)
A Declaração de Política de 2002 da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada em Joanesburgo, afirma que o Desenvolvimento Sustentável é construído sobre “três pilares interdependentes e mutuamente sustentadores” — desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental. Esse paradigma reconhece a complexidade e o interrelacionamento de questões críticas como pobreza, desperdício, degradação ambiental, decadência urbana, crescimento populacional, igualdade de gêneros, saúde, conflito e violência aos direitos humanos.
O PII (Projeto de Implementação Internacional) apresenta quatro elementos principais do Desenvolvimento Sustentável — sociedade, ambiente, economia e cultura.

Ambicioso demais, não?…

O grande problema é que todos os modelos conhecidos de “desenvolvimento econômico” sempre se pautaram pelo total desprezo a coisas tais como “proteção do meio ambiente” e, em todos os casos, o “desenvolvimento social” foi uma conseqüência do “desenvolvimento econômico”, não um de seus requisitos e sequer algo levado em consideração. Pode-se até afirmar que o “desenvolvimento econômico” dos países do primeiro mundo se deu às expensas do resto do mundo. Em suma: “desenvolvimento social” é um “luxo” que só países ricos podem se dar… E, mesmo esses, o conseguiram com enorme degradação do meio ambiente (e disso não escapam sequer os países “socialistas”).

É muito fácil para países fortemente industrializados defender a “preservação do meio ambiente” nos países do terceiro mundo (depois que degradaram seus próprios ambientes) e promover “vetos” a “produtos ecologicamente incorretos”. Para o peão que subsiste na beira da Floresta Amazônica, desmatar um pedaço e plantar soja é o meio mais eficaz e rápido de obter “desenvolvimento social”. E, quando os grandes interesses político-econômicos estão em jogo – como no caso do “salvador-da-pátria”, o “Agronegócio” – o meio ambiente que se dane!… A biodiversidade do Cerrado que desapareça, porque plantar soja é preciso, produzir cana é fundamental e bio-combustíveis são o “futuro da nação”… E a perspectiva de encher as prateleiras dos mercados do primeiro mundo com alimentos “Made in Brazil” (bem como faturar uma boa grana fornecendo para os programas assistenciais da ONU), promete um futuro sombrio para os demais ecossitemas – aí inclusos o Pantanal e a grande novidade do momento: A “Amazônia Azul” (que não tarda a se transformar em “Negra” de petróleo vazado…)

Por falar em petróleo, essa praga está por trás até do recente conflito da Ossétia do Sul, como está por trás das Guerras no Iraque e Afeganistão. E tem otário se regozijando do derretimento das Calotas de Gelo do Polo Norte, porque vai dar para prospectar mais petróleo… (Não é de hoje que eu falo no assunto).

Eu tendo a concordar com a Isis: o “desenvolvimento sustentável” é um “lema” muito bonito… Tal como “liberdade, igualdade e fraternidade” (mas vejam como o governo Sarkozy está tratando os “ilegais”… Uns são “mais iguais que os outros”…)

Em matéria de “letra de samba”, eu prefiro “Feitiço da Vila” de Noel Rosa… Deve ser porque eu sou um velho ranzinza e saudosista…

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