The Edges of the World

POST CONVIDADO DE CATARINA AMORIM
fonte-escultura (Large).JPG“The Edges of the World” é um universo fluido de algo quase reconhecível mas nunca percebido que escapa constantemente à nossa percepção apesar dos traços definitivos de vida. Feita de nylon e cor e longos túneis translúcidos a instalação de Ernesto Neto estende-se como um polvo ao nosso redor ou, tal Jonas e baleia, engole-nos inteiros enquanto se espalha pelo andar de cima da Hayward Gallery em Londres, tentáculos em cada um dos três terraços do espaço.
Boca talvez (Large).JPGA exposição, daquele que é um dos maiores artistas contemporâneos brasileiros, está até dia 5 de Setembro no Southbank Centre e vale a pena ver se passarem pela cidade.
Ernesto Neto representou o Brasil na Bienal de Veneza em 2001 e é conhecido pelas suas esculturas biomórficas, peças abstractas de formas orgânicas que evocam organismos vivos que não reconhecemos mas que sabemos deveríamos identificar. Ao contrário da maioria da arte – intocável, afastada e muitas vezes de conteúdo inacessível – as peças de Neto pedem (as tabuletas confirmam) para ser pisadas, acariciadas e cheiradas (camomila e alfazema na Hayward) sendo esta interacção e os visitantes per se parte essencial da obra. Esta é uma arte centrada no próprio corpo e vem do movimento brasileiro “Neoconcreto” que aparece no fim dos anos 50 (também em resposta à ditadura brasileira?) buscando um abandono da geometria fixa e cores simples associados com a arte abstracta da época em prol da expressão da complexidade humana numa nova plástica de arte que exige uma proximidade física ao espaço da exposição.
Estranho (Large).JPGNa Hayward, Neto criou corredores labirínticos de nylon amarelo e verde com bolsas de ervas aromáticas onde a mão tem que passar e escadas de um material semelhante a madeira aparentemente demasiado frágil para o nosso peso mas que indiferente nos pede para subirmos. Uma vez em cima entramos noutro mundo separado do anterior por mais nylon e cor excepto pela abertura à volta da estrutura por onde subimos. Ai somos invadidos por um sentimento de vertigem (eu pelo menos) mas é demasiado tarde e estamos já perdidos na paisagem alien. Num dos terraços da galeria há também uma escultura-fonte onde se pode tomar banho, não exactamente à “la dolce vita” já que necessita de marcação antecipada (chamando 0844 847 9910) numa concessão às normas inglesas de saúde e segurança (…) e onde, quando fui, duas miúdas se banhavam com ar de férias de biquíni e toalha. Há muito mais mas a minha parte favorita (como as fotos mostram) foram mesmo os labirintos translúcidos que à vez perdem e escondem e revelam todos os outros visitantes que caminham ao teu lado separados pela estrutura num exercício de cores e cheiros. Alguns descalçados com medo de a danificar. A experiência é imersiva, tomando totalmente conta dos sentidos se nos abrirmos a isso mas é também divertida e cheia de surpresas.
Escadas para outro mundo (Large).jpgEu fui num dia cheio de sol com jogos de luz e sombra por todo lado, à tarde, escapando-me farta de rescrever o projecto da minha bolsa e gostei imenso.
Hayward gallery, Southbank Centre até dia 5 de Setembro parte do festival que comemora o Brasil.
Imagens: Catarina Amorim

Vou a Castelo Branco.

Ciclo palestras (Large).jpgA convite do Geopark Naturtejo, e no âmbito da Semana Europeia de Geoparques 2010 e da Dino.Expo “Dinossáurios Invadem o Geopark”, vou proferir a palestra “Dinossauros: Novas Técnicas, Velhos Mitos”, no dia 22 de Maio, pelas 15h30, no Dino.Expo/Núcleo Empresarial de Castelo Branco.
Apareçam, quanto mais não seja para verem a “Exposição de Dinossauros, considerada a maior do mundo”.

LEONARDO DA VINCI EM LISBOA

A exposição “Leonardo da Vinci – O Génio” vai estar em Lisboa, no espaço do antigo Picadeiro do Colégio dos Nobres, nos Museus da Politécnica, onde vai ser inaugurada dia 13 de Março.
Esta exposição, que contém dezenas de modelos em tamanho real, construídos a partir de desenhos de da Vinci, a par de outras peças inspiradas na vida e obra do pintor, abrirá ao público dia 14 de Março, para só encerrar no dia 22 de Junho.
Paralelamente à mostra, que permanecerá aberta sete dias na semana, das 10h00 às 20h00, haverá actividades pedagógicas para os mais novos.
Um ciclo de conferências decorrerá em simultâneo, no anfiteatro 2 da Fundação Calouste Gulbenkian.

A exposição “Leonardo da Vinci – o Génio”, que é patrocinada pelo Millennium BCP e promovida pela Grafinvest, esteve anteriormente patente no Palácio de Cristal, no Porto, sendo agora trazida a Lisboa pelo Museu de Ciência da Universidade de Lisboa.”

Mais informação aqui

Informação recebida do

Gabinete de Comunicação e Imagem
Museus da Politécnica

“Monstros Marinhos” e rigor científico

“Não perca esta oportunidade de conhecer répteis marinhos ancestrais e as mais recentes teorias sobre as causas que terão provocado a sua extinção!
A exposição está dividida em quatro cenários distintos que apresentam a Terra, em
termos geológicos, enquanto planeta em constante mudança e os seus mecanismos de evolução.”

Decidi efectuar esta análise a esta exposição após uma visita informal durante a qual constatei variados erros/omissões/incorrecções científicas.
A análise e revisão feitas estão sistematizadas em seguida.
A exposição é constituída por diversos painéis com breve descrição de criaturas marinhas – a maioria extinta – de grande tamanho: o principal critério unificador.
Não existem fósseis ou réplicas dos exemplares apresentados, apesar de estes serem, na sua maioria, unicamente conhecidos pelo registo fóssil.
Uma das ideias mais promissoras e com “valor de mercado” é a intitulada Cultura Pop – Percepções Culturais e a sua relação com conceitos científicos, neste caso num contexto de criaturas marinhas.
Este conceito, apesar de promissor, não foi suficientemente aproveitado, sendo a sua abordagem limitada a um painel em que é referida, introdutoriamente, a influência daquelas criaturas no imaginário colectivo.
De realçar a excelente qualidade gráfica das ilustrações, sempre com escala humana, que muito contribuem para o aspecto geral, agradável e apelativo.

Revisão/Análise científica

Descrevo seguidamente, de forma que não pretende ser exaustiva, algumas das várias incorrecções/omissões/falhas científicas detectadas, documentadas por fotos.
Critérios pouco uniformes na designação científica dos exemplares, por exemplo: nomes de grupos genéricos (“Notossauro”, “Ictiossauro”) misturados com espécies, uma vezes identificadas (Thalassomedon haningtoni) outras vezes não, apenas pelo género (Dakosaurus, Henodus, Platypterigius).
– Na parte final (em termos do movimento do público) é apresentada num painel representativo, de forma resumida e cronológica, a história, quer geológica, quer biológica, da Terra. Este painel poderia explorar os intervalos temporais relativos de cada uma das fases da História da Terra, ou seja, cada um dos sub-painéis poderia ter um tamanho proporcional à sua amplitude temporal.
– Estando os períodos temporalmente mais próximos do presente antropomorficamente sobreavaliados, poderia ter-se feito um destaque, com painel isolado, revelando pormenores biológicos/geológicos destes períodos.
“primeiros tetrapódios” – deveria ser primeiros tetrápodes ou Tetrapoda
“Pangea” e “Pangeia” – utilizados de forma não coerente: deveria ter-se utilizado Pangeia.
– Thalassomedon haningtoni, assim designada em inglês, surge como Thalassomedon hanington em português, o que dá a sensação de que o nome da espécie se altera do português para inglês.
“Plioceno” em vez de Pliocénico – todas as referências deveriam ser Pliocénico (período geológico entre os 5.3 e 1.8 milhões de anos).
“Paleoceno” em vez de Paleocénico – todas as referências deveriam ser Paleocénico (período geológico entre os 65 e 55 milhões de anos).
“Triássico” em vez de Triásico – todas as referências deveriam ser Triásico (período geológico entre os 251 e 200 milhões de anos).
“Carbonífero” em vez de Carbónico – todas as referências deveriam ser Carbónico (período geológico entre os 359 e 299 milhões de anos).
Dunkleosteus, mencionado como primeiro animal com reprodução sexuada e com comportamento canibal.
Em relação ao facto de ser canibal, faltaria acrescentar a informação de que este comportamento foi inferido a partir de marcas de mandíbulas encontradas num crâneo de Dunkleosteus. Uma vez que este animal seria o maior predador da época, os paleontólogos deduziram que só outro elemento daquela espécie poderia ter infligido tal marca – faltaria adicionar, de forma breve, esta inferência paleontológica.
No que diz respeito à afirmação de que seria o primeiro animal com reprodução sexuada, qualquer pessoa com um mínimo de formação biológica sabe que esta afirmação carece de qualquer sentido. Quereriam os autores referir-se a primeiros animais com dimorfismo sexual?
Uma das ilustrações Dunkleosteus tem como texto de suporte “…comia tudo o que via.” Esta afirmação, apesar de talvez apelativa, parece-me exagerada do ponto de vista biológico, podendo cair facilmente na especulação não-científica.
Eric leptocleidus– esta espécie não existe, tendo sido confundido o nome informal “Eric” dado a um exemplar do género Leptocleidus, descoberto na Austrália.

“Período Câmbrico”
“…maioritariamente organismos marinhos” – toda a vida existente neste período da Terra era exclusivamente marinha, uma vez que a “invasão” terrestre só aconteceu muito mais tarde.
– A frase, geradora de confusão, é contradita pelo cartaz “Ordovícico”, onde se afirma “vida apenas nos mares…” (ver comentários a esta afirmação em “Período Ordovícico”)
“Trilobites – fósseis indicadores” – é verdade, mas falta referir de que é que são indicadores – de idade geológica, de ambiente ou de que outro tipo de informação.
“Myllokunmingia” – faltaria acrescentar o nome completo (Myllokunmingia fengjiaoa, a sua idade (530 milhões de anos) e a proveniência (China, província de Kunming)

“Período Ordovícico”
“…começa com clima não muito intenso e alta humidade” – a aparente falta de sentido desta frase somente pode ser justificada pela má tradução de “milder” para “não muito intenso”.
“vida apenas nos mares com, inicialmente, níveis muito altos” – níveis muito altos de quê?
– É representada uma trilobite designada por “Trilobite Gigante”, enquanto um escorpião-marinho já é apresentado como Megalograptus – faltaria a designação científica desta espécie.

“Período Triásico”
“…anfíbios labirintóides” – os anfíbios pertencentes ao grupo Labyrinthodontia têm como designação em português Labirintodontes. Para além disto, é referido que este grupo de anfíbios se extingue no final do Triásico: esta afirmação é incorrecta, uma vez que se conhece pelo menos uma espécie deste grupo – o Koolasuchus cleelandi, do Cretácico inferior da Austrália, prolongando-se, assim, o registo paleontológico dos Labirintodontes (cerca de 55 milhões de anos mais tarde do que referido).
“dinossauros dominam depois da extinção” – até ao final do Triásico, as faunas dominantes eram outros grupos, que não os dinossauros – por exemplo, os grupos Rhynchosauria, répteis herbívoros, os Aetosauria, também herbívoros, e os carnívoros Phytosauria, entre outra fauna.
– traduziu-se “ferns” por abetos, quando deveria ser fetos.
– é referido, no painel deste período, que teria surgido o primeiro tubarão, quando o primeiro representante conhecido do grupo dos tubarões, Doliodus problematicus, data do Devónico inferior (cerca de 200 milhões de anos mais cedo do que referido).

Conclusão
Esta exposição tem como ponto mais positivo apresentar o tema (raramente abordado no contexto de exposições em Portugal) do registo de vertebrados marinhos mesozóicos – leia-se fauna contemporânea dos dinossáurios mas mas não pertencendo a este grupo.
O ponto mais negativo é a deficiente revisão científica e tradução dos texto dos painéis.
Se se tivesse tido o mesmo cuidado na apresentação e descrição das espécies passadas como o que o Oceanário tem nas espécies presentes, esta exposição poderia constituir um marco idêntico aos das exposições que esta instituição tem levado a cabo no passado.
Faltou-lhe mais formação paleontológica…

P.S.- o Oceanário de Lisboa inaugurou, no passado dia 15 de Junho de 2007, a exposição “Monstros Marinhos”; este texto foi enviado ao Oceanário de Lisboa, a 10 de Julho de 2007, não tendo tido eu, até ao momento, qualquer resposta.

Imagens – links nas imagens

Da Tanzânia para Berlim – nova exposição de dinossáurios

O Museu de História Natural de Berlim reabriu a sua exposição de dinossáurios.
Para bem dos meus pecados, no mês que lá passei em 2006, grande parte do material de saurópodes estava desmontado, facilitando-me a digitalização e estudo de Brachiosaurus, Barosaurus, Plateosaurus e Dicraeosaurus.
A equipa canadiana que os remontou, trabalhava num enorme armazém (mesmo ao lado do arquivos da cinemateca alemã!!!) o que me obrigava a passar o tempo entre as caves do Museu e o dito armazém.

Agora já pode ser vista a fauna proveniente, sobretudo, das jazidas de Tendaguru, Tanzânia.
Foram os alemães nos anos 20 do séc. XX, em especial expedições lideradas por Janensch, os principais exploradores das jazidas da Tanzânia.”

a). – úmero de Brachiosaurus com Homo sapiens a servir de escala.

b) aspecto do armazém de remontagem; Brachiosaurus remontado (foto Der Spiegel)
Imagens – Luís Azevedo Rodrigues (duas primeiras)

Borboletas desde o tempo dos Dinos

Uma exposição no Museu Nacional de História Natural.
Para quem gosta de borboleteas. E de dinossáurios.
E de borboletas desde os tempos dos dinossáurios…

Mitos em NY


Uma nova exposição no AMNH.
E texto antigo da relação fósseis e mitos.
Ou vice-versa.
Para maiores detalhes o excelente livro de Adrienne MayorThe First Fossil Hunters: Paleontology in Greek and Roman Times (Princeton University Press 2000)”

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