PATAGÓNIA


“Existem dois motivos para se ir para a Patagónia: a curiosidade ou o lucro.”
George Gaylord Simpson, 1930

Dado que aos paleontólogos o lucro, esse que resulta de um acumular de bens materiais lhes parece estar vedado, somente a curiosidade parece guiar e conduzir a sítios tão inóspitos e inacessíveis como a Patagónia.
Parece que terá sido também a curiosidade, durante a sua famosa viagem no HMS Beagle, a caminho das Galápagos, que terá levado Darwin, em Dezembro de 1833 a desembarcar em terras da Patagónia. Desembarcou em Puerto Deseado, tendo registado no seu diário comentários sobre a natureza do passado geológico desta região.
Darwin concluiu que conchas fósseis que recolheu só poderiam ser encontradas dado, num passado remoto, aquelas paragens terem sido um fundo marinho. As suas observações sobre geomorfologia, geologia do Quaternário e glaciologia da Patagónia e da Terra do Fogo terão provavelmente contribuído para o desenvolvimento da sua teoria evolutiva.
O Museu Nacional de História Natural/Universidade de Lisboa irá participar numa expedição paleontológica na província patagónica de Neuquén durante os meses de Abril e Maio. Será a primeira expedição paleontológica à Patagónia que conatrá com portugueses.
Esta província tem contribuído pelo aumento do conhecimento paleontológico da vida no Mesozóico. Giganotosaurus carolinii, o maior dos dinossáurios carnívoros, foi descoberto em El Chocón, em 1993 por uma equipa de paleontólogos da Universidad Nacional del Comahue e do Museo “Carmen Funes” de Plaza Huincul. Para se ter uma ideia do tamanho gigantesco deste carnívoro, o seu crâneo mede aproximadamente 1,80 metros comprimento, enquanto que o comprimento total do animal se estima em 16 metros.
Os dinossáurios carnívoros mais primitivos que se conhecem – Eoraptor e Herrerasaurus – foram igualmente descobertos na Patagónia. Apresentam características anatómicas que permitem aos paleontógos integrá-los no grupo dos “Senhores do Mesozóico”; foram escavados no oeste da Argentina (formação Ischigualasto) com idade do Triásico superior, cerca de 230 milhões de anos.
Em 1997 foram descobertos ovos com embriões de saurópodes (grupo de dinossáurios de pescoço e cauda compridos) numa jazida designada Auca Mahuevo. Associados aos ovos fossilizados (com mais de 80 milhões de anos) foi possível reconhecer e mapear diversas estruturas identificadas como ninhos. Desta forma confirmou-se que estes dinossáurios apresentavam uma organização social muito complexa, onde existiriam colónias semelhantes às das aves.
Entre os recordes patagónicos conta-se o maior dinossáurio que se conhece e recebeu o nome de Argentinosaurus. Este enorme animal tinha cerca de 40 metros de comprimento podendo atingir as 100 toneladas de peso.
As faunas fósseis argentinas e em especial as da Patagónia, para além das suas particularidades, permitem também aos paleontólogos tentar perceber se existiam as mesmas faunas nos actuais continentes sul-americano, africano e australiano.
Durante grande parte do mesozóico, aqueles continentes encontravam-se unidos numa enorme massa continental a que se dava o nome de Gonduana.
Desta forma, a existência de grupos de dinossáurios semelhantes em continentes actualmente afastados permitem que se perceba como e quando os continentes estavam unidos.
A Patagónia é assim um território ainda inexplorado e que exerce um fascínio enorme no imaginário de grande maioria das pessoas e como se viu com um importante e grande passado geológico.
(Publicado no jornal O Primeiro de Janeiro a 15/04/2005)

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