Comunicação de Ciência | Congresso SciCom Pt 2015

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(Nova data-limite para submissão de resumos: 27 de Março de 2015)

O Congresso de Comunicação de Ciência SciCom Pt 2015, em Lagos, ambiciona ser um ponto de encontro de pessoas, mas também de projectos e percursos profissionais que envolvam a Comunicação de Ciência, à semelhança das edições anteriores, 2013 no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa e em 2014, na Universidade do Porto.
O Centro Ciência Viva de Lagos quando aceitou o desafio de organizar a edição do SciCom Pt 2015, CARTAZ SCICOM 03 2015 (Large)numa parceria com os outros dois Centros Ciência Viva no Algarve, Faro e Tavira, sentiu que estava a cumprir a sua missão principal – divulgar e promover a cultura científica e tecnológica para todos. Este congresso permite que outros actores como os Centros Ciência Viva mostrem o seu trabalho e os projetos em que estão envolvidos no âmbito da cultura científica.
Os dois primeiros dias do Congresso, 28 e 29 de Maio de 2015, serão dedicados à apresentação e discussão de trabalhos e/ou projectos em Comunicação de Ciência e à apresentação de palestras por parte de oradores convidados.

O Congresso contará com 4 oradores convidados e 6 workshops. O último dia, 30 de Maio, será dedicado à realização de cursos e workshops em diversas áreas, que permitam aos participantes no Congresso adquirirem e/ou desenvolverem competências específicas em diversas vertentes da Comunicação de Ciência, que incluem a comunicação oral, fontes de financiamento, ou a comunicação e literacia visuais.

HANS PETER PETERSOs Oradores Convidados são Hans Peter Peters (Research Center Jülich/Free University of Berlin) que apresentara a Comunicação: Motivations, Opportunities and Repercussions: Scientists as Public Communicators in a Complex Media World, que é o reflexo do seu trabalho de análise do papel dos cientistas como comunicadores mas também do relacionamento dos cientistas com os media e os jornalistas.

 

IANDo museu de Ciência irlandês Science Gallery Dublin, virá Ian Brunswick que falará desta instituição e sobretudo de uma das suas missões – a relação da Ciência com a Arte e a Comunicação Sparking Collisions Between Art and Science.

 

 

KAREN BULTITUDE1Karen Bultitude da University College London discutirá uma das questões mais negligenciadas em Comunicação de Ciência: a avaliação do impacto. Kate Bultitude será igualmente formadora num dos workshops no dia 30. O Orador Convidado que encerrará o Congresso será o Professor Carlos Fiohais da Universidade de Coimbra que apresentará uma Breve História da Luz, tema que lhe é caro tanto mais por ser Carlos Folhais 2015 o coordenador nacional do Ano Internacional da Luz.

Os Workshops contarão com especialistas em diversas áreas uma vez que a Comunicação de Ciência necessita de muitas e variadas valências.

 

VASCO TRIGO copyO jornalista Vasco Trigo ministrará o workshop Comunicação de Ciência com os Media: Do’s and Don’ts que permitirá aos participantes tomar contacto e ganhar experiência de uma entrevista televisiva.

 

 

 

Fernando Correifernando-correia-240x320-transp-softbordera, da Universidade de Aveiro, é um ilustrador científico que introduzirá algumas regras e técnicas de boa comunicação visual de Ciência no workshop Comunicação Científica Visual (Visualcia).

O Horizonte 2020: Preparação de propostas e processo de avaliação é o tema que será introduzido por Ricardo Miguéis, da Fundação para Ciência e Tecnologia, na sua formação, introduzindo boas práticas na preparação e submissão de candidaturas a este programa de financiamento.

Como praticar a Comunicação Oral de Ciência será o curso prático ministrado por Ana Sanchez e Joana Lobo Antunes, ambas do Instituto de Tecnologia Química e Biológica.

PAULO QUERIDO copyO também jornalista Paulo Querido ministrará a formação Comunicar na Sociedade em Rede sobre os desafios das redes sociais em Comunicação de Ciência. O painel formativo do Congresso SciCom Pt 2015 ficar completo com a já referida ação de Karen Bultitude em avaliação de Comunicação de Ciência.

 

 

Para além das dimensões referidas, o SciCom Pt 2015 será também um espaço de contacto in468023_532779736785568_1099825691_oformal entre profissionais e não-profissionais que de alguma forma estejam interessados e envolvidos na divulgação e envolvimento de todo o tipo de públicos na Ciência e Tecnologia. Existirão momentos informais de troca de experiências, demonstração de projectos, abordagens diversas para um cada vez maior envolvimento da Sociedade nos processos de tomada de conhecimento e de decisão que envolvam a Ciência.

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967165_532781303452078_1387797640_oO Congresso tem uma inscrição no valor de 40 euros para os dois primeiros dias a que acrescem 30 euros para os congressistas que desejem frequentar um dos seis workshops. A Comissão Organizadora do Congresso conta receber cerca de 200 congressistas no Centro Cultural de Lagos, num evento apoiado pela Agência Nacional para Promoção da Cultura Científica e Tecnológica/Ciência Viva e da Câmara de Lagos. O Congresso conta ainda com o apoio da CP que terá preços promocionais para as viagens de comboio de e para Lagos a partir de todo o país.

10398068_525151687590639_1163044237076079360_nA Comunicação de Ciência está neste momento numa fase muito dinâmica em Portugal, com várias instituições, particularmente as de investigação e universitárias, a reconhecerem o papel fundamental de difundirem, partilharem e envolverem os cidadãos não só no conhecimento científico e tecnológico mas também nos processos conducentes a esse mesmo conhecimentos e mesmo nas tomadas de decisão no que às políticas científicas diz respeito.

A Comunicação de Ciência actualmente não é apenas a partilha do prazer que a Ciência pode gerar mas sobretudo é o envolver de todos numa forma de ver o mundo e a nós próprios. Há uma outra dimensão para o que a Comunicação de Ciência pode trazer para a Sociedade pois a extensão de conhecimentos apesar de importante já não chega. Os comunicadores de Ciência devem assumir-se cada vez mais como mediadores entre os produtores de conhecimento, os decisores políticos e os cidadãos.

Disparidade e Biodiversidade em Dinossauros

Este texto foi escrito na sequência do contacto do jornalista Marco Túlio Pires da revista brasileira Veja, que pretendia um comentário meu ao artigo da Nature Communications “Dinosaur morphological diversity and the end-Cretaceous extinction”. (ver Abstract abaixo)
Este foi o texto que enviei e que foi parcialmente citado no artigo publicado na revista Veja on-line.

A questão fundamental que este artigo encerra é:
a) qual o estado ecológico de Dinosauria, ou seja, a sua biodiversidade, aquando da queda do meteorito há 65 milhões de anos, ou seja, estariam já as espécies de dinossauros do final do Cretácico em declínio no momento da queda do meteorito, tendo este apenas acelerado a sua extinção?
A questão não é nova, tendo sido analisada por muitos paleontólogos nas últimas décadas.
Este artigo é relevante pois analisa uma quantidade grande de grupos de dinossauros, aplicando uma série de metodologias de medição da disparidade morfológica que, para os autores deste estudo, é sinónimo de biodiversidade.
A metodologia utilizada por estes investigadores assenta na medição da variabilidade de formas anatómicas destes animais – disparidade morfológica, como indicador da biodiversidade de determinado grupo.

Neste perspectiva este estudo é inovador, deduzindo que alguns grupos de dinossauros estariam em melhor estado ecológico do que outros nos últimos 12 milhões de anos do Cretácico.
Assim, dinossauros carnívoros e herbívoros de porte pequeno a médio, como paquicefalossauros e anquilossauros, mantiveram a sua disparidade morfológica (biodiversidade) durante o final do Cretácico.
Pelo contrário, os autores do artigo verificaram que os grandes herbívoros como os hadrossaurídeos e ceratopsídeos estavam em declínio ao nível da sua disparidade morfológica nos últimos 12 milhões de anos do Mesozóico.
Há ainda o caso dos saurópodes, os maiores dinossauros, quadrúpedes e de cauda e pescoços compridos, que apresentam um aumento da sua biodiversidade antes mesmo da queda do meteorito. Os saurópodes pareciam estar destinados a um futuro brilhante não fosse a queda do meteorito…

A minha tese de doutoramento (Universidad Autónoma de Madrid, 2009) quantificou a disparidade morfológica dos ossos das patas de Sauropodomorpha, e outros grupos como terópodes, aves, pterossauros e morcegos, revelou que o aumento de tamanho neste grupo coincidia com um aumento na disparidade morfológica das patas destes animais.
Por outras palavras, quanto maiores forem os saurópodes, maior a disparidade morfológica do esqueleto apendicular destes animais.

Tenho utilizado a quantificação da disparidade morfológica, no caso dos ossos das patas, mas com objectivos distintos deste estudo. O meu interesse é perceber, por exemplo, porque é que e como é que alguns dinossauros mudaram o seu modo de locomoção de bípedes para quadrúpedes.

 

Apesar de importante, o artigo de Brusatte et al. não responde a algumas questões fundamentais, tais como:
– estavam os dinossauros em declínio no momento da queda do meteorito? Uns estavam, outros não, e outros nem por isso.
-qual o motivo da extinção diferencial no final do Cretácico, ou seja, porque o impacto do meteorito originou a extinção de umas espécies (por exemplo dinossauros e outros animais terrestres, mas também amonites, belemnites e outra fauna aquática) e não originou a extinção de outras (como mamíferos, aves, entre outras)?
– quais os resultados deste tipo de análise com aumento da amostra e com fauna de outros locais? Manter-se-iam os resultados? Os dados analisados são sobretudo, mas não exclusivamente, de formas norte-americanas embora também existam de outras áreas geográficas.

Em resumo: este artigo é importante porque quantifica a biodiversidade dos dinossauros do final do Cretácico, embora o seja mais por apontar um caminho para o futuro da investigação paleobiológica em dinossauros que é o da quantificação da disparidade morfológica como indicador da biodiversidade (neste caso a paleodiversidade).

A Extinção do final do Cretácico

Neste momento a teoria mais aceite para explicar a extinção dos dinossauros não-avianos (e de muitas outras espécies) é a queda de um objecto extra-terrestre.
Apesar de não conseguir explicar a extinção diferencial que se verificou no final do Cretácico, ou seja, por que é que umas espécies se extinguiram e outras não, a teoria do extinção por impacto, apresentada na década de 80 do século passado, está muito bem comprovada.
Como?
Sabe-se que o metal irídio é um metal de muito baixas concentrações na Terra. O que Walter Alvarez e colegas detetaram foi concentrações muito superiores ao normal em sedimentos do final do Cretácico.

O que significa isto?
Que um objeto, como um meteoro, que apresentam concentrações de irídio muito superiores às da Terra deveria ter chocado com o nosso planeta.
As provas deste choque, ou seja, as concentrações anómalas de irídio foram encontradas em vários pontos da Terra permitindo comprovar aquela impacto.
Outras provas da queda, como a cratera de impacto, demoraram mais tempo a serem encontradas. Um dos possíveis locais de queda e que sempre foi apontado foi a península do Iucatão, no México (Chicxulub). O que é certo é que 65 milhões de anos de erosão alteraram a forma inicial da cratera, tornando mais difícil a sua identificação.
Recentemente, alguns autores responsabilizaram a queda do asteróide Baptistina como a origem da mega-extinção que ocorreu há 65 milhões de anos, no final do Cretácico. Este ano, estudos da NASA descartaram esta hipótese uma vez que parte da fragmentação de Baptistina atingiu a Terra mais cedo, ou seja, há 80 milhões de anos.
Entre a comunidade científica existem outras teorias para justificar a extinção, embora menos aceites que a da queda de um objecto extra-terrestre. Alguns cientistas, apontam a ocorrência de actividade vulcânica de grande intensidade e que ao libertarem milhões de toneladas de gases poderão ter contribuído para o desaparecimento em massa de seres vivos. Esta hipótese não exclui a da queda de um meteorito e, provavelmente, a explicação da extinção do final do Cretácico será terá apenas uma causa mas a combinação de vários motivos – queda de meteorito, vulcanismo e outras.

Abstract do artigo de Brusatte et al.

“The extinction of non-avian dinosaurs 65 million years ago is a perpetual topic of fascination, and lasting debate has focused on whether dinosaur biodiversity was in decline before end-Cretaceous volcanism and bolide impact. Here we calculate the morphological disparity (anatomical variability) exhibited by seven major dinosaur subgroups during the latest Cretaceous, at both global and regional scales. Our results demonstrate both geographic and clade-specific heterogeneity. Large-bodied bulk-feeding herbivores (ceratopsids and hadrosauroids) and some North American taxa declined in disparity during the final two stages of the Cretaceous, whereas carnivorous dinosaurs, mid-sized herbivores, and some Asian taxa did not. Late Cretaceous dinosaur evolution, therefore, was complex: there was no universal biodiversity trend and the intensively studied North American record may reveal primarily local patterns. At least some dinosaur groups, however, did endure long-term declines in morphological variability before their extinction.”

Referências:

Stephen L. Brusatte, Richard J. Butler, Albert Prieto-Márquez & Mark A. Norell. 2012. Dinosaur morphological diversity and the end-Cretaceous extinction. Nature Communications 3, Article number: 80 doi:10.1038/ncomms1815.

Rodrigues, L.A. Sauropodomorpha (Dinosauria, Saurischia) appendicular skeleton disparity: theoretical morphology and Compositional Data Analysis. Universidad Autónoma de Madrid, Madrid – Spain, Supervised by Professor Angela Delgado Buscalioni and Co-supervised by Professor Jeffrey A. Wilson, University of Michigan, Ann Arbor. December 2009. ISBN 978-84-693-3839-1.

Imagens:
De Brusatte et al 2012 e de Rodrigues, L.A. 2009

Ciência Viva À Conversa – rádio e podcast

O programa de rádio na RUA (Rádio Universitária do Algarve) e podcasts que escrevo e apresento para os Centros Ciência Viva no Algarve.

O jornal Sul Informação também tem este programa disponível na sua página.

Feeds

Os primeiros onze programas e respectivos links:

19 abril | Répteis e Anfíbios, Vasco Cruz (CIBIO/U.Porto)

Sabia que existem em Portugal 45 espécies de répteis e anfíbios? E que pelo menos duas delas são venenosas?
Estes e outros detalhes da herpetologia em Portugal são explicados por Vasco Cruz do CIBIO da Universidade do Porto.
Este investigador explica a sua atividade de divulgação e conservação ambiental em répteis e anfíbios.

12 abril | Delminda Moura, geóloga da U.Alg. (2ª parte)

5 abril | Delminda Moura, geóloga da Universidade do Algarve

29 março | Páscoa Com Ciência

22 março | Educação + Financeira, Universidade de Aveiro

15 março | Associação ambiental A Rocha Parte II

8 março | Associação ambiental A Rocha

1 março | Ester Serrão e o seu grupo do CCMAR

23 Fev | O ser vivo mais antigo apresentado por Ester Serrão

16 Fev | Libélulas e Libelinhas

9 Fev | Carlos Fiolhais

Agradecimentos:

Ao Pedro Duarte, director de antena da RUA pela paciência que tem comigo na edição de som…

Cara de Livro


A ideia é simples, como a maioria das boas ideias.
Mas não tem nada de facilitismo ou de básico.
Duas portuguesas, a residir na Holanda, decidiram dar nova cara a livros já publicados.
Recriar capas, parece ser o lema, com fotos próprias.
Alguns exemplos estão aqui publicados.
O restante trabalho está no site – r e-cover project.

Declaração de Interesses:
Conheço pessoalmente as autoras; e gosto delas.

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…nos comentários.

Imagem – Stuart Gibson

Darwin, Entre a Terra e o Céu

Transcrevo o post do blog Medicina Evolutiva:

“No próximo dia 23 de Abril, pelas 15:30, no auditório da Câmara Municipal de Torres Vedras, irá realizar-se uma palestra com o Professor Doutor Carlos Marques da Silva, professor e paleontólogo do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciência da Universidade de Lisboa.

A palestra intitula-se “Darwin, Entre a Terra e o Céu” e faz parte do nosso projecto.

Este investigador inaugurou o ciclo de conferências “A Evolução de Darwin”, na fundação Calouste de Gulbenkian, e irá proferi-la a todos aqueles que estejam interessados.

Darwin faz parte da actualidade e comemora-se este ano o bicentenário do seu nascimento e os 150 anos da publicação da sua obra magna “A origem das Espécies “.”

Desígnios

Não que me fizesse muita diferença saber quem seria o novo Pedro, mas sentia já falta do polaco.

Continuava isolado pelas bandas patagónicas, a trabalhar sem telemóvel ou qualquer outro tipo de estímulo exterior.
Ele havia abalado de manhã para a povoação mais próxima, para comprar alimentos que traria ao final do dia. Sempre eram várias horas de condução em literal corta-mato.
Chegou à hora prevista, enquanto comíamos no final de mais um dia de trabalho de campo.
Enquanto o meu corpo ansiava pela encomenda de tabaco, a minha cabeça provocou-lhe a pergunta:
“Então, já temos novo Papa? E, por favor, não me digas que é o alemão…!”
Sim, já havia.
E sim, era o alemão.
Acendi um cigarro e agarrei-me ao mate.

Que havia eu de fazer com estes desígnios?
Continuar, ao fim de quatro anos

Imagens – Luís Azevedo Rodrigues

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Imagem – daqui

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Imagem – daqui

P.S.- excepcionalmente ao sábado.

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Desejos/legendas/angústias/observações/etc.

Nos comentários.

Imagem – daqui

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