Dinossauros no Ceará

Informação recebida de Hebert Bruno Campos.
Nota: ainda não tive o prazer de ler o livro.

dinossauros no ceará71.jpg“SINOPSE
A Bacia Sedimentar do Araripe (Cretáceo Inferior) do Nordeste do Brasil possui uma importante fauna de arcossauros, que inclui aves, crocodiliformes, dinossauros e pterossauros. Atualmente são mais de 30 espécies conhecidas, distribuídas nas formações Crato e Santana (Aptiano-Albiano).
O livro inicia-se com o prefácio do Dr. Eberhard Frey, do Museu Nacional de História Natural de Karlsruhe, Alemanha – um dos mais reconhecidos pesquisadores da fauna de arcossauros da Bacia do Araripe. Segue com a apresentação do autor sobre alguns episódios de sua trajetória na Paleontologia do Araripe. DINOSSAUROS NO CEARÁ é ricamente ilustrado e com informações científicas a respeito dos fósseis de dinossauros, crocodiliformes, aves e pterossauros presentes nas rochas cretáceas das Bacias Crato e Santana do Nordeste brasileiro. Um livro essencial, organizado em 15 capítulos, com citações e lista de referências.
Nesse volume são apresentadas informações produzidas e coletadas ao longo de minhas pesquisas. É um livro acessível a todos os públicos, portanto, não o defino unicamente como “acadêmico” ou “para leigos”. É uma coletânea de conhecimento sobre o que a Paleontologia de Vertebrados produziu sobre esse grupo de animais do interior do Nordeste do Brasil, com comparação aos parentes relacionados encontrados em rochas sedimentares de outras regiões do planeta Terra.”

Ciência e os Media (com um dinossauro pelo meio)

cranio620.jpgO caso é simples (parecia).
Um titanossauro, que é um dinossauro saurópode e como eu (não) me canso de explicar em palestras e visitas “aqueles de cauda e pescoço compridos, herbívoros e quadrúpedes, os maiores entre os maiores…”, foi descoberto no Brasil.
Até aqui nada de extraordinariamente interessante.
O cozinhado mediático começa a apurar quando os paleontólogos afirmam, e ilustram, que este titanossauro apresenta um crânio muito bem conservado, facto que é muito raro neste grupo de saurópodes.
Mesmo raro.
Já babaria se a história não tivesse algo de emblemático dos tempos que correm nas relações entre media e cientistas.
Explico.
Até ser publicado numa revista científica, uma nova espécie de dinossauro está sujeita a um embargo noticioso, aparecendo ao mundo depois de ter visto a luz dos juízes científicos que avaliam a sua importância.
asdear.jpgNo caso deste novo dinossauro, o Tapuisaurus macedoi, o processo foi invertido – o jornal O Estado de São Paulo publicou a notícia (e uma foto, que também ilustra este post) mesmo antes de se saber em que revista iria ser publicada a sua história paleontológica.
Este “sacrilégio” resultou de conversas informais entre os paleontólogos Hussam Zaher e Alberto Carvalho e o jornalista Herton Escobar, tendo este último assegurado seguir os habituais procedimentos: publicar no jornal apenas depois de a publicação científica ter visto a luza do dia e o nome científico ter sido validado.
Mas, ainda falta perceber porquê, a notícia apareceu num canal televisivo brasileiro. E despoletou a publicação pelo jornal, que não queria perder o “furo” noticioso.
sdfgsdf.jpgDepois vieram inúmeros mails públicos para o grupo de discussão de paleontologia de vertebrados, onde recolhi e acompanhei este “drama”, tentando explicar todo o imbróglio.
Resumindo a situação em que nos encontramos:
– os paleontólogos, em geral, e os que trabalham com saurópodes, em particular como é o meu caso, estão a salivar literalmente pelo publicação da descrição científica;
– os investigadores brasileiros devem estar a rezar para que a revista científica, sabe-se agora que será a PLoS One, não cancele a sua publicação, e algo danados com o jornalista;
– o jornalista deverá estar a rezar para que a história acabe bem caso contrário as suas fontes não o contactarão no futuro.
Enfim, uma história paleontológica, com muitos milhões de anos mas que revela também os dramas actuais das relações ciência e media…
Referências:
DINOSAUR Mailing List

Notícia de O Estado de São Paulo

Imagens:
O Estado de São Paulo
e daqui
Update 16/09/2010:
Entrevista de Alberto Carvalho.

The Edges of the World

POST CONVIDADO DE CATARINA AMORIM
fonte-escultura (Large).JPG“The Edges of the World” é um universo fluido de algo quase reconhecível mas nunca percebido que escapa constantemente à nossa percepção apesar dos traços definitivos de vida. Feita de nylon e cor e longos túneis translúcidos a instalação de Ernesto Neto estende-se como um polvo ao nosso redor ou, tal Jonas e baleia, engole-nos inteiros enquanto se espalha pelo andar de cima da Hayward Gallery em Londres, tentáculos em cada um dos três terraços do espaço.
Boca talvez (Large).JPGA exposição, daquele que é um dos maiores artistas contemporâneos brasileiros, está até dia 5 de Setembro no Southbank Centre e vale a pena ver se passarem pela cidade.
Ernesto Neto representou o Brasil na Bienal de Veneza em 2001 e é conhecido pelas suas esculturas biomórficas, peças abstractas de formas orgânicas que evocam organismos vivos que não reconhecemos mas que sabemos deveríamos identificar. Ao contrário da maioria da arte – intocável, afastada e muitas vezes de conteúdo inacessível – as peças de Neto pedem (as tabuletas confirmam) para ser pisadas, acariciadas e cheiradas (camomila e alfazema na Hayward) sendo esta interacção e os visitantes per se parte essencial da obra. Esta é uma arte centrada no próprio corpo e vem do movimento brasileiro “Neoconcreto” que aparece no fim dos anos 50 (também em resposta à ditadura brasileira?) buscando um abandono da geometria fixa e cores simples associados com a arte abstracta da época em prol da expressão da complexidade humana numa nova plástica de arte que exige uma proximidade física ao espaço da exposição.
Estranho (Large).JPGNa Hayward, Neto criou corredores labirínticos de nylon amarelo e verde com bolsas de ervas aromáticas onde a mão tem que passar e escadas de um material semelhante a madeira aparentemente demasiado frágil para o nosso peso mas que indiferente nos pede para subirmos. Uma vez em cima entramos noutro mundo separado do anterior por mais nylon e cor excepto pela abertura à volta da estrutura por onde subimos. Ai somos invadidos por um sentimento de vertigem (eu pelo menos) mas é demasiado tarde e estamos já perdidos na paisagem alien. Num dos terraços da galeria há também uma escultura-fonte onde se pode tomar banho, não exactamente à “la dolce vita” já que necessita de marcação antecipada (chamando 0844 847 9910) numa concessão às normas inglesas de saúde e segurança (…) e onde, quando fui, duas miúdas se banhavam com ar de férias de biquíni e toalha. Há muito mais mas a minha parte favorita (como as fotos mostram) foram mesmo os labirintos translúcidos que à vez perdem e escondem e revelam todos os outros visitantes que caminham ao teu lado separados pela estrutura num exercício de cores e cheiros. Alguns descalçados com medo de a danificar. A experiência é imersiva, tomando totalmente conta dos sentidos se nos abrirmos a isso mas é também divertida e cheia de surpresas.
Escadas para outro mundo (Large).jpgEu fui num dia cheio de sol com jogos de luz e sombra por todo lado, à tarde, escapando-me farta de rescrever o projecto da minha bolsa e gostei imenso.
Hayward gallery, Southbank Centre até dia 5 de Setembro parte do festival que comemora o Brasil.
Imagens: Catarina Amorim

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