Backpfeifengesicht

Há palavras que, por vezes, nos faltam.
Umas, por falta de ideias.
Outras, por falta de vontade ou engenho de realizar um trabalho minimamente competente.
Outras ainda, por lacunas da nossa língua materna.
E existem textos que combinam as três razões anteriores.
Hoje, o DN chamou-me a atenção com uma notícia sensacionalóide: “Aligatores ajudam a perceber dinossauros”.
Já havia retransmitido o título deste estudo pelo Twitter, dois dias atrás.
Pensei: “Bom, o palerma deve ter dourado a informação com a palavra dinossauro, embora não tenha nada que ver. Errado e frequente.”
Mas não.
O tetrápode grafante havia criado um novo mundo para a Paleontologia! O iluminado escriba continuou a sua tradução/recriação do artigo com a seguinte frase: “Investigadores estão a utilizar aligatores, uma espécie de crocodilo, para perceber como terão vivido os dinossauros há 540 milhões de anos…”
Meu caro: a sua tatemae é mais forte do que a sua literacia científica, uma vez que qualquer aluno do 7º ano de escolaridade sabe que os primeiros dinossáurios terão surgido há aproximadamente 230 milhões de anos.
Anseio por vislumbrar a sua backpfeifengesicht capaz de tão rico desenrascanço.

Glossário:
Backpfeifengesicht“, palavra alemã que significa “ter uma cara que merece um murro bem dado”.
Tatemae“, palavra japonesa que significa “o que se quer acreditar”.

Referência:
Tomasz Owerkowicz, Ruth M. Elsey and James W. Hicks. Atmospheric oxygen level affects growth trajectory, cardiopulmonary allometry and metabolic rate in the American alligator (Alligator mississippiensis). Journal of Experimental Biology 212, 1237-1247 (2009)
doi: 10.1242/jeb.023945

Imagem – daqui

BIOFORMAS

Imagens – daqui; daqui; daqui; daqui. (de cima para baixo e da esquerda para a direita, respectivamente)

Luso Paradoxos

Se temos um aeroporto com nome de vítima de acidente aéreo, por que não um corrupto condenado como administrador público?

Imagem – 365 MINUTOS

Uns e outros

Uns gastam mais do que podem, endividando filhos e netos: Dívida pública pode atingir 85,9% do PIB.

Outros poupam para netos e filhos: Economizando a riqueza do petróleo para gerações futuras

Os outros são a Noruega; nós, bem… nós somos bons a gastar.

Referências – nos links

Imagem – daqui

Rangelices

O sr. Rangel passou os últimos meses a massajar caminho para que lhe dessem um canal de TV.
Propagava o iluminado que um dia arrombou as portas da TSF, alarvidades subservientes como esta ou esta.
Sempre humilhando professores com epítetos como “hooligans” ou “pseudoprofessores”.
Mas não chegou.
Não lhe deram o brinquedo audiovisual.
Ultrajado pela fraca recompensa de tanta devoção canina, Rangel agora morde.
Rangelices.
A não seguir, por pessoas com um mínimo de espinha dorsal.

Imagem – daqui. Adaptado por Luís Azevedo Rodrigues

Dragões bebé

Imagens de juvenis de dragões-de-Komodo (Varanus komodoensis).
Algo mais sobre esta espécie em “Podcasts, modernices e erros”.

Baby Komodo Dragons
http://mediaservices.myspace.com/services/media/embed.aspx/m=52518561,t=1,mt=video

O Homem que não via a Esquerda

lobo_occipital (Large)José era um homem político.
Aparentemente normal, esbarrava à esquerda.
Esbarrava não será o termo apropriado: José atropelava a esquerda.
Via o que se passava.
O que se movia e evoluía à sua esquerda.
As necessidades e carências.
Mas não os reconhecia como seus, não os intuía, ainda que os visse.
Por isso mesmo, maltratava esse lado político ou, no mínimo, apenas o atropelava.
José sofria de uma deficiência no seu lobo occipital político direito.
Sofria de agnosia lateral.
A Educação. A Saúde. O Emprego.
Via-os.
Mas não os reconhecia como seus.
José sofria de agnosia política.
Agnosia lateral.
À esquerda.


Agnosia 1“A agnosia é uma perturbação pouco frequente que se caracteriza pelo facto de a pessoa poder ver e sentir os objectos, mas não os pode associar ao papel que habitualmente desempenham nem à sua função.
A
s pessoas afectadas por certas formas de agnosia não conseguem reconhecer rostos familiares nem objectos correntes, como uma colher ou um lápis, embora os possam ver e descrever. A agnosia é causada por um defeito nos lobos parietais e temporais do cérebro, que armazena a memória dos usos e a importância dos objectos conhecidos. Muitas vezes, a agnosia aparece subitamente depois de um traumatismo craniano ou de um icto. Algumas pessoas com agnosia melhoram ou recuperam de forma espontânea enquanto outras devem aprender a assumir a sua estranha incapacidade. Não existe um tratamento específico.”
daqui

“Rather, damage to the posterior parietal lobe produces agnosia, an inability to perceive objects through otherwise normally functioning sensory channels. The deficits with agnosia are complex, such as defects in spatial perception, visuomotor integration, and selective attention. The agnosias most commonly seen with lesions of the right posterior parietal visuocortex are among the most remarkable that can be seen in neurological patients. A particularly dramatic agnosia isastereognosis, an inability to recognize the form of objects through touch. This agnosia is commonly accompanied by a left-sided paralysis.”
Kandel et al. 2000, pp. 392-393

AgnosiaReferências:
“Seeing the World in Half-View” Scientific American, February 2009, Mind & Brain

http://www.sciam.com/article.cfm?id=seeing-the-world-in-half-view

Kandel ER, Schwartz JH, Jessell TM 2000. Principles of Neural Science, 4th ed. McGraw-Hill, New York.

Imagens:
1- daqui
2- Kandel et al. 2000, figura 20-12.
“The three drawings on the right were made from the models on the left by patients with unilateral visual neglect following lesion of the right posterior parietal cortex. (From Bloom and Lazerson 1988.)”
3- Kandel et al. 2000, figura 20-14. “The neglect of space on the left after injury to the right posterior parietal cortex may be remarkably selective. A patient may not be visually aware of all parts of an object but still able to recognize the object. Patients with neglect after a right hemisphere stroke were shown drawings in which the shape of an object is drawn in dots (or other tiny forms). The patient was then asked to mark with a pencil each dot. In the figure here the patient was able to report accurately each shape (rectangle, circle, letter E, letter H) but when required to mark each dot with a pencil she neglected the left half of each object. (Adapted from Marshall and Halligan 1995.)”

Complexos

It is an old maxim of mine that when you have excluded the impossible, whatever remains, however improbable, must be the truth.

Arthur Conan Doyle, 1858 – 1930

Se é certo que o Ciência Ao Natural não desfruta dos milhares de visitantes que recebem, por exemplo, A Educação do Meu Umbigo ou o De Rerum Natura, também é verdade que tem fiéis leitores, fruto mais do apoio que o jornal Público lhe presta do que pelo mérito da minha prosa.
Assim sendo, é fácil observar a procedência e parte dos gostos dos visitantes que frequentam o espaço de divulgação que é o Ciência Ao Natural. É uma actividade que me dá gosto: ver quem me visita, que artigos prefere, etc.
Na 2ª feira, dia 5 de Janeiro de 2009, publiquei um post intitulado “Currículo Cívico“, onde chamava a atenção para a inusitada clareza de análise de Medina Carreira. Apelava para que o vídeo de uma entrevista fosse visto, particularmente numa parte que Medina Carreira disserta sobre o estado da Educação em Portugal.
E que aquela entrevista deveria ser escutada por todos os portugueses.
Mesmo pelo Sr. Primeiro-Ministro.
Curioso é que, no dia seguinte, constatei ter sido visitado demoradamente, algumas das visitas com mais de uma hora, por utilizadores quer da Ceger – Centro de Gestão da Rede Informática do Governo, quer da DGIDC – Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular.

Se um post que tem como palavras-chave “Primeiro-Ministro”, “Educação” e “Medina Carreira” gera longas visitas dos referidos organismos governamentais, pergunto:
que tipo de visitantes institucionais terei quando rabiscar um post que tenha como palavras-chave “aloé vera”, “pirâmide” e “loucura”?

Imagens – daqui e daqui

Currículo cívico

Entrevista a Medina Carreira – SIC, 10 de Dezembro de 2008.

Esta entrevista deveria fazer parte do currículo cívico de qualquer português.
Mesmo o do sr. Primeiro-ministro.
Recomendo a visualização do vídeo aqui presente, em particular a partir dos 4’10”, sobre a Educação.
Todos os outros vídeos estão disponíveis aqui.

114”


…é o que tenho tentado fazer…ignorar os iniciais 114”.
E alegrar-me com os deliciosos remanescentes segundos.

Wilco

P.S. - e quem compõe e toca assim teve enxaquecas desde criança.

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