Observ@rte 2013

Um bocadinho de auto-promoção descarada.

Observ@rte 2013No próximo dia 23 de Março vou estar no Museu Nacional de Arte Antiga para participar no Observ@rte 2013encontro que “visa estabelecer pontes através de práticas pedagógicas e projetos inovadores, entre a Ciência, a Arte, o Conhecimento, a Escola e os Museus.”

A minha participação será feita na Mesa Redonda:

A Ciência na Arte e a Arte na Ciência | 15h00

Fábrica Centro Ciência Viva | Universidade de Aveiro | Dulce Ferreira 
Faculdade de Ciências da Universidade do Porto | João Carlos Paiva
Museu de Ciência | Universidade de Coimbra | Miguel Gomes
Centro Ciência Viva de Lagos | Luís Azevedo Rodrigues
Moderação | Clara Pinto Correia
124 (Medium) 123 (Medium)

Fórmula 1 ou Contas de Merceeiro?

Da leitura rápida dos jornais da manhã resultam três memórias, interligadas, ou talvez não.

Afirma primeiro Nuno Crato, em páginas do DN, que o país tem que ajustar orçamento do ministério da Educação às suas possibilidades. Do país, não dele.

Do que tenho visto, as talhadas de aprendiz de magarefe financeiro feitas na Educação impossibilitarão que algum dia se faça o que fez o engenheiro chefe da Red Bull (Fórmula 1): ter formação mais do que excelente e capacidade de resposta célere em situação de aperto.

O orçamento para a Educação, no país destes dias, apenas dará para fazer as contas como as da tabela do campeonato: duas equipas com os mesmos pontos apesar de o somatório dos resultados ser diferente.

Este orçamento para a Educação fará de nós merceeiros de contas erradas ao invés de engenheiros de Fórmula 1.

Imagens: da edição do Diário de Notícias de 27 de Novembro de 2012.

A Eminência Prada

jean-baptiste_Greuze_la_paresseuse_italienne.jpgA douta Fernanda Câncio deu-me a honra de me citar (parcialmente) a partir do Twitter, publicando a referência a abrir a sua coluna no jornal do Sr. Oliveira.
Conheci inicialmente a citada senhora por ser a namorada de um medíocre político. Posteriormente, soube dela por importantes comentários políticos, tais como a relevância dos fatos de Pacheco Pereira. Depois, chegou-me ao conhecimento pela defesa que fez do pagamento das viagens a Paris da deputada Inês de Medeiros.
Os seus afazeres jornalísticos impediram-na de verificar que, para além de doutorado em Paleontologia, sou de formação inicial professor de Biologia e Geologia, quiçá com mais anos de ensino que aqueles que a senhora passou nos bancos da escola. Ainda assim, a preparadíssima escriba apelidou-me depreciativamente de “Luís Azevedo Rodrigues (que se apresenta como paleontólogo)…”
Câncio, que se apresenta no Twitter não como jornalista mas como “etc. e tal”, transcreveu apenas um dos vários comentários que fiz, a saber:

“Os resultados do PISA 2009 são uma bofetada de luva branca dos professores na ministra que os maltratou. Aos enxovalhos, responderam com trabalho. A qualidade dos professores é a mesma, antes e depois.”

A senhora Câncio contemplou-me com a sua verve relativamente aos resultados do PISA, atribuindo-os totalmente aos bons serviços da ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues, agora na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD).
O que discuti no Twitter com a senhora foi que, apesar da imagem pública dos professores ter sido posta em causa pela ex-ministra da Educação, nunca os bons professores deixaram de exercer as suas funções de forma competente e profissional. Afinal, os bons professores trabalham em primeiro lugar para os seus alunos e só em segundo lugar para (ou apesar de) o Ministério da Educação.
A colunista Câncio esqueceu-se de referir, na sua apologia Mariana, que:
1 – não coloquei em causa as melhorias relativas dos resultados;
2 – se desconhecem quais as escolas analisadas pelo referido estudo, impossibilitando desta forma uma eventual validação socioeconómica dos resultados;
3 – a avaliação dos professores ainda não estava totalmente implementada no momento em que foram compilados os resultados para o PISA;
4 – se os bons resultados são fruto da aplicação do modelo de avaliação de professores proposto por Maria de Lurdes Rodrigues, baseado (ou copiado) num modelo de avaliação chileno, como é que os resultados dos alunos chilenos são inferiores aos dos alunos portugueses;
5 – que qualquer pessoa minimamente abonada de espírito sabe que efectivas melhorias nos resultados educativos, ou seja, um verdadeiro incremento nas capacidades dos alunos, se materializam vários anos após terem sido implementadas, impedindo assim a responsabilização de Maria de Lurdes Rodrigues. Para o melhor e para o pior, o efeito Lurdes Rodrigues só se contabilizará daqui a uns tempos.
Imbuída no espírito político vigente, em que uma vã imagem é mais forte que qualquer ideia, a senhora Câncio continua a sua missão de dourar toda e qualquer pílula deste governo.
Se a senhora Câncio:
– me tivesse perguntado se acho que a avaliação de professores é fundamental para o desempenho docente, ter-lhe-ia dito que sim;
– me tivesse perguntado se acho que a ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues foi uma boa ministra, ter-lhe-ia dito que não;
– me tivesse perguntado se o modelo avaliativo proposto pela ex-ministra era um bom modelo, ter-lhe-ia dito que não;
– me tivesse perguntado se fui avaliado na componente da avaliação que acho fundamental, a observação de aulas, ter-lhe-ia dito que sim.
Entre muitas outras perguntas que poderia ter feito, mas que não fez.
Apenas escreveu indolentemente, empurrada pela pressa de opinar sobre tudo e todos, que assim as avenças exigem, corroborando as suas opiniões escritas da mesma forma como deve escolher sapatos: para tapar o desencanto, por impulso compensatório ou apenas porque lhe apetece.
P.S. Aproveito para alvitrar que os pontos acima poderão ser utilizados livremente para um estudo, e possível tese patrocinada pela FLAD, por quem demonstra tamanho interesse pelas questões educativas.
Imagem – Jean-Baptiste Greuze – La paresseuse italienne, daqui

Embeiçamentos

01drawin.jpgNo meio de discussões esporádicas (graças a Deus…) que tenho no Twitter com os que designo de PS-boys, saliento a confusão que grassa naquelas cabeças.
Não me importaria um folículo se as ideias arreigadas naquelas vazias cabeças não fossem as mesmas do actual governo.
A questão passa pelo deslumbramento vigente pelas novas tecnologias, vulgo Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s).
Para os iluminados com quem discuto, o futuro do país passa, sem qualquer margem para dúvida, pela generalização massiva entre os jovens de Magalhães e outros derivados. Salientam, ainda, que as excelências desse novo mundo civilizacional só se farão sentir dentro de décadas.
Esta linha de raciocínio carece de sustento racional, revelando antes que estes senhores, e o governo por analogia de pensamento, confundem dois conceitos: Educação e TIC’s.
Enquanto a Educação poderá passar, com dificuldade é certo nos tempos que correm, sem as TIC’s, estas não servirão para nada sem uma formação educativa. Seguro como a gravidade.
Pensar e expressar o que se pensa é garante de que se poderá utilizar minimamente qualquer ferramenta tecnológica. Mais difícil, se não impossível, será quem não amestrou o seu raciocínio ou calcorreou os caminhos da expressão do seu intelecto, fazê-lo apenas com as TIC’s.
Reconheço vantagens nas tecnologia de informação e comunicação num contexto educativo, mas é um erro sobrepô-las às ferramentas básicas: ler, escrever e contar.
Esta inversão de prioridades é análoga à que vigorou há anos, onde o deslumbramento pelas auto-estradas asfaltou outras prioridades. Agora, temos o deslumbramento pelas novas tecnologias.
Ambos os embeiçamentos se esqueceram do essencial, ou seja, para quem se dirigem a Política e as políticas: para as pessoas.
Imagem – Pieter (the Elder) Bruegel “The Ass in the School” , 1556
Pen and Indian ink, 232 x 302 mm
Staatliche Museen, Berlin

A Bruxa, o Polvo e o Inglês

the_witch__by_m0thyyku.jpg
Devido a isto e a isto, mais do que abandonei o blog.
Antes de partir para Londres, algumas comichões que me têm andado a incomodar:
1 – depois de uma bruxa ter fascinado e ocupado a mente de muitos portugueses com as previsões sobre a selecção nacional no mundial de futebol, agora é vez de um polvo vaticinar sobre o mesmo assunto.
E que tal perguntarem também aos objectos de estudo destes senhores o que acham?
2 – na mesma linha de opiniões avalizadas, vem agora a senhora Maria de Lurdes Rodrigues publicar livro sobre a Escola Pública Portuguesa.
Sim, a mesma senhora que tanto fez para arruinar a instituição sobre a qual agora escreve, empurrando-a para o limbo do facilitismo e do descrédito, temperados com um ódio visceral aos professores.
A senhora que produziu uma tese sobre o papel social do Engenheiro foi recompensada pelo engenheiro com a presidência da FLAD (Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento).
Menos mal, já que assim se ganhou uma aluna de inglês.
Imagem: daqui

Horror ao Ensinar

Uma excelente visão sobre o que é e o que deveria ser a Escola, pelo Professor Carlos Fiolhais.
Alguns excertos que me pareceram muito relevantes.
Gostei particularmente da parte do horror a que o Ministério da Educação votou o verbo ensinar, de há anos a esta parte.
Revista Notícias Magazine, 14/03/2010
06ingres.jpg
” (…)
O que é que está mal? Está tudo mal?
Não, temos bons professores, que fazem, a maioria deles, por cumprir a sua obrigação profissional num ambiente que não é nada fácil.
Se me pergunta o que está mal, dou-lhe um exemplo: o Ministério da Educação é – vou usar uma palavra brutal para fazer jus à minha fama de crítico – um monstro.
É um aparelho criado pelo Estado, que está por todo o lado em demasia, retirando liberdade aos bons professores. Há regulamentos para tudo e mais alguma coisa, os programas não são bons, os livros têm de se ater aos programas, os horários são o que se sabe, há disciplinas que não são disciplinas nenhumas. Enfim, não tenho dúvidas de que é possível fazer melhor e que isso passa por uma menor intervenção do Estado. Será precisa toda aquela burocracia? Será preciso aquela linguagem em que se exprime o monstro e que eu e outras pessoas designamos por «eduquês»? Não se pode falar claro? A actual ministra domina bem o português, é uma boa escritora, não poderá pôr aquele Ministério a falar claro?
(…)
A máquina ministerial condiciona a criatividade de alunos e de professores?
Condiciona a criatividade dos professores, que são a chave do sucesso da escola. Diminuir o papel dos professores foi o pior que se podia ter feito. Portanto, tudo o que possamos fazer para valorizar este papel, para lhes dar importância e autoridade, é útil.
Há uma palavra que não se tem usado muito em Portugal e que se devia usar mais (o Ministério da Educação, então, foge dela como o diabo da cruz), que é ensinar. A escola é um sítio onde se ensina. Claro que também é um sítio onde se aprende, mas para aprender é preciso que se ensine. Quase tudo aquilo que sei foi porque alguém me ensinou. A partir de certa altura já fui capaz de aprender por mim próprio, mas devo muito à escola e aos meus professores. Porque é que os jovens de agora não hão-de poder dizer o mesmo? Estamos a desviar-nos do essencial e o essencial é preparar para a vida. Não estaremos a alienar os nossos jovens da capacidade de saber mais, de decidir, que não devia ser apenas de alguns, mas de todos?
Esse sistema é a razão pela qual Portugal não tem sido um país de Ciência?
A nossa educação científica é uma área em que podemos progredir. A ciência devia estar presente mais cedo na escola, e não se trata tanto de falar de ciência, mas mais de ver como ela se faz. A ciência devia estar presente no jardim-escola e no ensino básico. A palavra ciência quase não aparece nos programas, aparece uma coisa chamada «estudo do meio».
O que é isso? Um cientista é um estudioso do meio?
Percebo a ideia de que o meio não é só o meio material, é também o meio social. Muito bem, é evidente que vivemos num meio social, mas antes disso pisamos um planeta que nos puxa para baixo, respiramos ar, bebemos água, e é bom que no básico façamos experiências que nos permitam compreender o que é o planeta, o que é o ar, e o que é a água. A descoberta do mundo pela criança tem de começar por aí. A junta de freguesia e outras construções sociais, por muito importantes que sejam, vêm depois do ar e da água.”
Imagem:
Jean-Auguste-Dominique Ingres, “Roger Freeing Angelica”
daqui

Não me Chiles

squirrel.jpgO cerne do actual modelo de avaliação de professores, imposto pelo Ministério da Educação, assenta (ou foi plagiado, segundo alguns) de um modelo oriundo do Chile.
Segundo o jornal i, de 17 de Junho, a “coligação de centro-esquerda no Governo” selou um acordo eleitoral com os comunistas chilenos.
No próximo período eleitoral português será adoptado, pelo PS, mais um modelo chileno?
Imagem – daqui

Complexos

It is an old maxim of mine that when you have excluded the impossible, whatever remains, however improbable, must be the truth.

Arthur Conan Doyle, 1858 – 1930

Se é certo que o Ciência Ao Natural não desfruta dos milhares de visitantes que recebem, por exemplo, A Educação do Meu Umbigo ou o De Rerum Natura, também é verdade que tem fiéis leitores, fruto mais do apoio que o jornal Público lhe presta do que pelo mérito da minha prosa.
Assim sendo, é fácil observar a procedência e parte dos gostos dos visitantes que frequentam o espaço de divulgação que é o Ciência Ao Natural. É uma actividade que me dá gosto: ver quem me visita, que artigos prefere, etc.
Na 2ª feira, dia 5 de Janeiro de 2009, publiquei um post intitulado “Currículo Cívico“, onde chamava a atenção para a inusitada clareza de análise de Medina Carreira. Apelava para que o vídeo de uma entrevista fosse visto, particularmente numa parte que Medina Carreira disserta sobre o estado da Educação em Portugal.
E que aquela entrevista deveria ser escutada por todos os portugueses.
Mesmo pelo Sr. Primeiro-Ministro.
Curioso é que, no dia seguinte, constatei ter sido visitado demoradamente, algumas das visitas com mais de uma hora, por utilizadores quer da Ceger – Centro de Gestão da Rede Informática do Governo, quer da DGIDC – Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular.

Se um post que tem como palavras-chave “Primeiro-Ministro”, “Educação” e “Medina Carreira” gera longas visitas dos referidos organismos governamentais, pergunto:
que tipo de visitantes institucionais terei quando rabiscar um post que tenha como palavras-chave “aloé vera”, “pirâmide” e “loucura”?

Imagens – daqui e daqui

Currículo cívico

Entrevista a Medina Carreira – SIC, 10 de Dezembro de 2008.

Esta entrevista deveria fazer parte do currículo cívico de qualquer português.
Mesmo o do sr. Primeiro-ministro.
Recomendo a visualização do vídeo aqui presente, em particular a partir dos 4’10”, sobre a Educação.
Todos os outros vídeos estão disponíveis aqui.

Aos Professores meus


Retomo um post e, atrasado, dedico um post aos (meus) Professores…

Ao Professor Matos, que me obrigava a fazer cópias e ditados, enquanto nos falava de música clássica (que eu achava chata, mas também com 7 anos…) e de como iríamos gostar de a ouvir quando tivéssemos a idade dele; de como eram importantes as frases curtas; que a fazer algo, o deveríamos fazer bem feito; e, sobretudo, de tudo aquilo que ainda vou retirando das suas idas palavras da Escola Primária…

Ao Professor José Fernando Monteiro que me fez sonhar com mundos passados e longínquos – apesar de não ter “merecido” a maiúscula no professor, a merece mais do que outros catedráticos que por aí se pavoneiam de barriga inchada…),

A todos os professores, bons e menos bons, que me ensinaram algo, como colegas e mestres…

Voltei…após oito anos de pausa

Imagem – Nikos Economopoulos/Magnum Photos

Categorias

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM