Um bom copo de… urina
A Pesquisa de abril já está saindo do forno e ainda não pus aqui nenhum destaque do que andei fazendo para março.
E tem coisa legal: as bromélias de tanque, essas que acumulam água numa poça formada pelas folhas (ao lado, na foto de Lisa Chaer), conseguem aproveitar a ureia deixada pelas pererecas – que ali se abrigam e depositam ovos – como fonte de nitrogênio.
A ciência brasileira perde um de seus pioneiros
Morreu hoje o biólogo Crodowaldo Pavan, um pioneiro da genética no Brasil. Não o conheci e não tenho nada a adicionar ao que está sendo escrito por aí. O Reinaldo José Lopes fez um bom texto para o G1, contando como alguns pesquisadores veem a perda e a contribuição de Pavan.
Deixo aqui recomendada também uma entrevista que Pavan concedeu em 1998 a Ricardo Zorzetto, hoje meu chefe na revista Pesquisa.
A foto é da SBPC.
Corra e olhe o céu
Caminhar no escuro longe das luzes urbanas é uma experiência mágica. A imensidão escura com incontáveis pontos brilhantes de cores e tamanhos diversos (mas há quem os conte, por lazer ou profissão). São planetas, são estrelas que às vezes riscam o céu muito mais depressa do que um desprevenido consegue formular um desejo.
Um céu imenso que, nas noites mais escuras, chega a parecer um manto sólido que reduz uma pessoa à sua devida insignificância. Em certas situações, andando na escuridão completa, já tive a sensação de diminuir até quase desaparecer. Recomendo, de preferência depois de um reconhecimento de terreno que permita eliminar preocupações terrenas como a de cair num buraco ou pisar nalgum bicho noturno.
No entanto, o dia-a-dia urbano nos rouba o céu. Iluminação exagerada que rouba o negro do céu e ofusca as estrelas, poucas caminhadas noturnas, poucos jardins onde se possa deitar à noite e simplesmente olhar para o alto.
As 100 horas de astronomia buscam remediar um pouco disso. De hoje a domingo, uma série de atividades estimularão os passantes apressados a pararem para olhar o céu. Mais informações aqui. Veja também a coluna do astrofísico Augusto Damineli, da USP, no site da revista Pesquisa.
O menino Darwin
O escritório onde Darwin trabalhava tinha equipamentos modestos se comparados à parafernália de um laboratório atual. Microscópios de cobre, lupas, tubos de ensaio, livros. Mas a ferramenta mais importante não aparece na foto: a curiosidade.
Entre aulas e leituras, tenho a impressão de ter convivido longamente com Charles Darwin, e de quase conhecê-lo. Claro, o meu Darwin é com certeza diferente do das outras pessoas. É dele que falo aqui. Do menino de 10 anos que contava flores no jardim, como conto aqui, do jovem que se deslumbrou na viagem à América do Sul e do homem que se manteve maravilhado pela vida afora.



Uma jornalista de ciência que desistiu de ser bióloga porque a curiosidade não cabe num assunto só e... um biólogo evoluindo para estados ainda indeterminados.