Em busca da memória
Em busca da memória é mais do que uma busca pela memória. Kandel dedicou a carreira a entender as bases biológicas de como a mente armazena experiências e reage a elas – trabalho que além de solucionar um mistério científico pode ser o ponto de partida para novos tratamentos psiquiátricos.
Mas o livro também reúne as memórias do menino que mal teve tempo de brincar com o carrinho de controle remoto que ganhou ao fazer 9 anos porque a família precisou fugir do Holocausto. Apesar de doloroso, esse caminho levou ao homem que em 2000 ganhou o Prêmio Nobel por ajudar a fundar a nova ciência da mente. “Há agora um consenso na comunidade científica de que a biologia da mente será para o século XXI o que a biologia do gene foi para o século XX”, diz o autor.
Nos anos 1950, Kandel era um jovem apaixonado por psicanálise. Em vez de clinicar, descobriu uma paixão pela pesquisa científica. Uma paixão que não o afastou do interesse pelos meandros da mente. Na aplísia, um caramujo marinho, ele descobriu que as experiências vividas fisicamente mudam o cérebro.
E também desvendou como o ambiente interage com os genes e os neurônios para provocar aprendizados e comportamentos. Com isso, ele ajudou a desvendar a biologia molecular dos processos mentais mais simples. “Se você lembrar alguma coisa deste livro, será porque seu cérebro terá mudado um pouco quando você terminar de lê-lo”.
Recomendo! A Suzana Herculano-Houzel recentemente festejou cruzar com o Kandel no corredor. O livro é outra forma de encontrá-lo. E de aprender um monte sobre como a mente funciona.



Uma jornalista de ciência que desistiu de ser bióloga porque a curiosidade não cabe num assunto só e... um biólogo evoluindo para estados ainda indeterminados.
Discussão - 1 comentário
Carrinho de controle remoto no início do século passado?
Tá explicado então! Ele tem ligações alienígenas.