Plástico no papo

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Milhares de filhotes de albatroz morrem recheados de plástico, todos os anos, no atol Midway.

O lugar é uma ilhota no oceano Pacífico, no meio do caminho entre nada e lugar nenhum, mais de 3 mil quilômetros do continente mais próximo. É um santuário de aves marinhas, que fazem ninhos ali e catam no meio do mar aquilo que parece comida. Assim, filhotes que nunca saíram do ninho morrem sufocados, intoxicados e de fome.

O fotógrafo Chris Jordan queria documentar a grande mancha de lixo do Pacífico, mas tinha um problema: segundo ele contou numa entrevista ao podcast da New York Review of Books, o lixo fica meio submerso e é por isso muito difícil de captar em imagens (lembrei de quando mencionei aqui esse problema do lixo no meio do mar e o Igor Santos pôs em dúvida a existência do tal continente de dejetos, já que não se vê no Google Earth).

Então ele achou essa solução: fotografar essas aves que teriam tudo para viver livres do lixo que geramos. Com cuidado documental, registrou as aves por inteiro, como se a pessoa parasse ao lado e olhasse pra baixo. E não tirou nada do lugar. Se por acaso esbarrasse nalgum pedacinho de plástico com o pé ou o tripé, desconsiderava aquela ave.

Tem mais fotos no blog da revista. Belas imagens pra fazer a gente pensar bem antes de jogar fora qualquer pedaço de plástico, que tem grandes chances de passar as próximas muitas décadas boiando pelas águas do mundo. Na melhor das hipóteses.

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Discussão - 8 comentários

  1. Tati Nahas disse:

    Impressionante, Maria!
    Muito boa ideia sua colocar uma das imagens e trazer o tema à tona!

  2. Chocante…. Plásticos alternativos, como os poli(hidroxi-alcanoatos), deveriam ser mais incentivados. E, lógico, um consumo mais moderado de forma geral. A imagem que você nos trouxe é daquelas que demora para sair da cabeça. Melhor seria se não saísse nunca…

  3. Claudia Chow disse:

    Poxa! O ser humano tem um dedinho podre pra algumas coisas, hein? É muito triste ver imagens assim e saber q é, sem a menor sombra de duvidas, culpa do ser humano.

  4. Maria Guimarães disse:

    ah, eu resumi! eu de fato fiquei encafifada quando você questionou, por isso adorei quando ouvi a tal entrevista. arrá, pensei. mas se você quiser explicar melhor, you have the floor (assim que se fala lá na cop 15, quando um chefe de estado vai fazer pronunciamento)

  5. Igor Santos disse:

    Como tudo na vida, essa discussão é mais semântica que qualquer outra coisa. Os envolvidos na discussão precisam primeiro concordar quanto ao sentido real do assunto.
    Existem evidências de que existe realmente uma quantidade imensa de lixo (e material orgânico de ocorrência natural) que acaba coalescendo em um certo ponto no pacífico e que seu tamanho é consideravelmente grande.
    Partindo daí, certas organizações, pelo motivo que for, seja ele ignorância ou simplesmente para chocar, afirmam que uma ilha se formou, o que não é verdade.
    Pode até existir uma ou outra aglomeração um pouco maior e que flutua sobre a água, mas nada comparável ao tamanho de uma cidade e que possa ser considerado “ilha”. Especialmente nada comparável ao tamanho do maior estado americano.
    Esse era o meu ponto.
    Ausência de provas não indica prova de ausência, mas nesse caso específico é um indício muito forte, pois é relativamente fácil conseguir uma foto daquele local, principalmente para organizações como o Greenpeace, que vive de fazer alarde e tem muito dinheiro.

  6. Maria Guimarães disse:

    o que me ficou da entrevista com o fotógrafo foi que existe sim o tal “continente” (não sei de que tamanho), mas a gente não vê do alto porque ele bóia um pouco submerso. é mentira, igor?

  7. Igor Santos disse:

    Aí já é pergunta de vestibular.

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