Dedicação materna

Foto 2-1.jpg

Os pseudoescorpiões nos ninhos de seda são fêmeas da espécie Paratemnoides nidificator, cada uma cuidando de seus ovos. Os filhotes nascem nessas câmaras e aos poucos adquirem independência, como cangurus ou chimpanzés – saem um pouco, dão umas voltas com a mãe de olho. Depois podem ir mais longe, e mais, até poderem caçar e, quem sabe, mudar de vizinhança.

Everton Tizo Pedroso, da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais, estudou esses bichos da graduação ao doutorado, sob orientação de Kleber Del Claro. Eles descobriram que esses aracnídeos – que se parecem com escorpiões pelas pinças mas não têm a cauda com ferrão – não só vivem numa tolerância social invejável mas também cuidam da prole com um cuidado incomum.

Foto 4.JPGAs mães fazem muito mais do que construir os ninhos: quando a coisa fica preta e não há o que comer, elas oferecem o próprio corpo aos filhotes, que devoram a mãe inteirinha em cerca de 40 minutos. Extremo mas enfim, mãe é mãe (há quem diga que esta história não é uma boa homenagem na semana do dia das mães, mas eu acho que é). Mas o resto da colônia também ajuda: forma um círculo em volta dos filhotes em caso de ameaça e deixam os pequenos comerem primeiro, quando conseguem uma bela presa. Na foto ao lado, os mais branquinhos são os filhotes comendo.

Minúsculos e discretos, a espécie já era conhecida mas ninguém tinha dado bola para ela. Até que Everton, um futuro biólogo com curiosidade exemplar, foi procurar um tema de pesquisa que desse pano pra manga. E não ficou à espera que o orientador encontrasse: saiu fuçando pela universidade até encontrar esses bichinhos que não conhecia, numa sibipiruna em frente ao departamento.

Tem mais, mas não conto tudo aqui. Se quiser saber, está na matéria que escrevi pra Pesquisa deste mês. Nos próximos dias devem entrar também no site da revista vídeos mostrando os pseudoescorpiões em ação (não consegui pôr aqui).

As fotos e vídeos são todos de autoria do Everton Tizo-Pedroso, que só conheci por e-mail mas já fiquei fã. Assim como do Kleber Del Claro, com quem tive uma interessantíssima conversa pelo telefone.

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Discussão - 2 comentários

  1. Thanuci Silva disse:

    Quando estudei a ordem Pseudoescorpiones, não tive tempo de conhecer melhor o grupo, mas me lembro perfeitamente da professora ressaltar o cuidado parental da mãe com os ovos.
    Infelizmente minha zoologia de invertebrados foi uma overdose de grupos, estudamos tantos que me lembro das peculiaridades de poucos.
    Everton teve uma grande oportunidade ao estudar essas belezinhas. Não só estudar, mas ter o prazer de acompanhar in vivo tudo o que acontece nesse pequeno mundo.
    Beijos

  2. Felipe Rocha disse:

    Realmente interessante esse post.
    Trabalho com intervenção na relação mãe filhote (ratos) no período neonatal e suas conseqüências na idade jovem e adulta destes animais. Em geral nos atemos a mamíferos quando o assunto é cuidado maternal, tendo em vista sua necessidade do cuidador para sobrevivência. É interessante ver modelos de cuidado maternal também em invertebrados.
    Adicionareio o blog de vocês na lista de blog a serem lidos, no meu blog. Convido-os a fazerem um visita. Escrevi recentemente um post sobre vínculo mãe filhote baseado em um trabalho recentemente publicado por um grupo norte-americano.
    Parabéns pela iniciativa.

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