Parada cardíaca no metrô
Na semana passada, o Instituto do Coração (Incor), da Universidade de São Paulo, tomou uma iniciativa legal em São Paulo. Visto que muitos acidentes cardiovasculares acontecem entre a multidão que se aglomera no metrô, esses usuários têm que saber o que fazer logo em seguida. Armaram então cercadinhos em algumas estações, onde fizeram sessões de treinamento com passantes interessados. Eu cheguei depois de começada uma sessão mas pude assistir de fora do cercadinho.
Eram umas 30 pessoas de todas as idades ajoelhadas sobre cobertores. Não em reza muçulmana, mas debruçadas sobre modelos de torsos humanos. Vamos às instruções para o que fazer quando uma pessoa tem uma parada cardíaca e cai inconsciente.
1. Sacuda levemente o ombro da pessoa, chamando 3 vezes: “senhor… senhor… senhor”. Três vezes. Se não houver resposta,
2. Selecione alguém entre a turba boquiaberta em torno, aponte para ela com firmeza para não deixar espaço para dúvidas e diga em alto e bom som: “você! Vá chamar um funcionário do metrô e peça para trazer o DEA!” (DEA é Desfibrilador Externo Automático, mas obviamente não há tempo para nomes compridos por extenso; e se estiver na rua e não no metrô, peça ao seu assistente involuntário que ligue para 193)
3. Começe a massagem cardíaca. Repare nas mãos do menino da foto, na estação Paraíso do metrô paulistano. Os dedos são trançados de maneira que as mãos estão empilhadas e a força vai toda na base da mão, aquela parte mais acolchoada perto do punho (eu prefiro dizer pulso, mas um médico uma vez me disse que era errado… pulso é a contagem de batimentos; e punho não é a mão fechada pra dar um soco. As coisas que a gente aprende…). Bombeie com trancos secos, mais ou menos um por segundo, bem no meio do peito. Lá no metrô o pessoal ia contando, todo mundo junto. Contavam até 70, 80 ou mais. Sem parar. Esqueça respiração boca-a-boca, esqueça pausas. Bombeie até a pessoa reagir ou até o socorro chegar.
É isso. Seja qual for o resultado, pelo menos você saberá que fez o possível.



Uma jornalista de ciência que desistiu de ser bióloga porque a curiosidade não cabe num assunto só e... um biólogo evoluindo para estados ainda indeterminados.
Discussão - 7 comentários
Bem legal essa postagem.
Vou indicá-la no meu blog.
Valeu por dividir conosco as informações.
; )
C.
ei chloe, obrigada pela visita e por passar adiante! mas você não deixou o linque do seu blogue…
Ois!
coisa de novata. : )
ainda estou meio atrapalhada, rs…
http://aspargoatomico.wordpress.com/
Obrigada!
; )
C.
Estranho isso.
Fiz auto-escola e o instrutor da teoria falou que não ensinavam mais massagem cardíaca para evitar que alguém bancasse o herói e fizesse algo errado, piorando a situação.
É adequado ensinar leigos em cursos de 10 minutos?
Oi Luís,
Claro que precisa de alguém mais entendido que eu pra responder a sua pergunta. mas vou chutar.
imagino que numa situação de auto-escola os caras estejam preocupados com uma situação de acidente. fazer massagem cardíaca num cara que capotou ou foi atropelado, e pode estar de pescoço quebrado ou com hemorragia interna, pode piorar muito a situação.
mas se alguém cai na tua frente e parece claro que não foi um traumatismo externo, manter o sangue circulando enquanto o socorro não chega tem poucas chances de causar danos.
alguém ajuda nesta resposta?
Deve ser desesperador preseniar uma situação dessas!
oi cayman, obrigada pela visita. volte sempre!!
deve ser desesperador, mas um pouco menos quando a gente sabe o que fazer, né?