A onda do aborto

De repente só se fala de aborto. Abortamento, explicou o Karl. Tem outra ótima análise no Brontossauros, e o Osame também entrou no assunto aqui e aqui.

Eu andei muito mal-humorada com o tema. Não por considerá-lo irrelevante, mas por ser completamente inoportuno: numa eleição presidencial, serve apenas como embate moral. E como manobra de distração. A opinião de um presidente não tem o menor efeito sobre essa legislação. Infelizmente, as pessoas não parecem tão preocupadas com isso quando se trata de eleger deputados e senadores – que, esses sim, apitam sobre o assunto.

Mas me rendo, não por ter algo novo a dizer. Porque garimpando nos arquivos deste blogue achei dois textos que são pecinhas do debate. Um da Suzana Couto, autora do ciência e ideias que teve de se retirar por questões profissionais. Por isso está apenas na nossa casa antiga, um motivo a mais para trazê-lo para cá. E outro meu sobre aborto seletivo na Índia.

Reler os textos me deu vontade de aproveitar que o tema está em pauta para recolher mais opiniões.

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Discussão - 6 comentários

  1. Karl disse:

    Apesar de achar que esta não é a melhor época para se discutir o tema, sempre acho que discutir é melhor que não discutir.
    Muito bons os textos, hein? Cadê essa mulher que sumiu do blog?
    O aborto deve ser “acessível, seguro e raro”. É minha opinião.

  2. Maria Guimarães disse:

    karl, é verdade. por isso deixei a rabugice de lado e entrei na onda. e acabo de ler uma ótima coluna da maria rita kehl sobre isso – não se trata de defender a vida, mas de reprimir a vida sexual das mulheres: http://www.cartacapital.com.br/politica/repulsa-ao-sexo
    estou tentando trazer a suzana de volta: ao brasil e a este blogue.

  3. ana claudia disse:

    Pensei de repente que a polêmica em torno da questão do aborto está na escolha consciente, certo? Porque da enorme frequência de abortos espontâneos ninguém fala… soube que em alguns países (de clima temperado)é muito comum a mulher só divulgar uma gravidez depois de sair do terceiro mês, dada a frequência (novamente) de abortos espontâneos no primeiro trimestre. É o organismo(da mãe ou do embrião) quem decide se determinado feto “vingará” ou não. No caso dos abortos espontâneos, os fetos estão mal-formados, com desenvolvimento seriamente comprometido, e são explusos involuntariamente da mãe. E se o processo falha, se o corpo – por acaso – mantém esse feto? Outra parte do corpo – o cérebro – não poderia assumir esse papel de decisão?
    Eu havia lido esse texto da Suzana na época, não lembro se comentei lá, mas comento agora: texto emocionante!
    ana

  4. Goreth Dias disse:

    Na minha opinião,isso nao devia ser discultido em época de eleiçao.mais falando no aborto,o aborto é um crime contra a vida,só nao é quando os fetos estão mal-formados, com desenvolvimento seriamente comprometido ou comprometendo a saude da mae ou em caso de estrupo ai sim.mas fora isso aborto é falta de amor a propria vida.!

  5. Maria Guimarães disse:

    boa reflexão, ana claudia. afinal, o cérebro capaz de raciocínio complexo é justamente um recurso que adquirimos ao longo da evolução.

  6. Maria, eu não entendi sua posição no caso do aborto seletivo na India. Você condena esse tipo de aborto? Acha que é inevitável dado que seria Eurocentrismo combater o machismo da cultura Indiana? Acha que o aborto evita o infanticídio? Não ficou claro…
    Ontem vi uma estatística de que na China existem 130 homens para cada 100 mulheres, devido ao aborto seletivo.
    Imagino que, aqui no Brasil, não existiria aborto seletivo de meninas. Mas acho que existiria aborto seletivo de negros. O que você acha?

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