O google não prejudica a memória

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Google deixa memória mais preguiçosa” era a manchete que abria a página de saúde da Folha de S.Paulo na sexta passada. No mesmo dia, descobri que não é bem assim. “A Internet no fundo não é diferente da maneira como sempre fizemos as coisas”, disse a psicóloga Betsy Sparrow ao podcast da revista Science.

Betsy é professora no Departamento de Psicologia da Universidade Columbia, em Nova York, e a autora principal do estudo que foi publicado na própria Science da semana passada. Ela contou que a ideia surgiu enquanto via um filme em casa com o marido, e não conseguia lembrar o nome da atriz. Fácil: abriu a internet, pôs o nome do filme e achou a atriz. Bolou então a pesquisa, em que verificou que as pessoas retêm mais as informações que recebem quando sabem que não terão acesso a elas mais tarde. Se sabem que terão fontes de consulta, é mais provável que esqueçam, mesmo que o pesquisador peça que tentem guardar na memória.

A internet é mesmo muito presente na vida de muita gente. Na dúvida, abre-se o google ou puxa-se o telefone com acesso à internet. Antigamente, Betsy e o marido teriam telefonado para aquele primo ou amigo que sabe tudo sobre cinema. O fato é que sempre contamos com uma memória externa: artigos de jornal recortados e guardados, enciclopédias, bibliotecas, amigos e familiares que lembram de tudo. Agora, segundo ela, só ficou mais fácil e rápido: internet literalmente à mão quase o tempo todo, sobretudo para quem anda com telefones cheios de recursos.

A pesquisadora norte-americana também deu uma entrevista bem legal ao podcast Science In Action, da BBC. Nela, disse que a internet nem mesmo existe há tempo suficiente para ter podido alterar a estrutura da memória. Temos um cérebro flexível, que se adapta a buscar informação onde ela existir. Se amanhã a internet desaparecer, em dois tempos teremos encontrado outra memória externa. Bem diferente do que sugeriu a Folha. Dá o que pensar sobre a relação entre os resultados de pesquisa científica e o que o jornal considera que atiça o leitor.

Tirei a imagem daqui.

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Discussão - 3 comentários

  1. Sei bem o que é esse negócio de memória externa. Por falta de espaço em casa, tive de jogar fora boa parte das minhas anotações dos cursos de graduação. Me arrependo muito, pois quando penso em algum tópico de física e matemática hoje, eu chego a visualizar a cor do papel das notas, se foram feitas em folhas com ou sem pauta, a caneta ou a lápis, mas não tenho mais as benditas para examinar e rever os detalhes quando preciso.
    Agora, a internet tem outro lado interessante, que reforça a memória interna. O blogueiro Cory Doctorow descreveu bem o processo:
    http://oreilly.com/pub/a/javascript/2002/01/01/cory.html
    Acontece que quando você se força a escrever para os outros uma descrição sucinta sobre um texto, uma imagem, um vídeo ou qualquer item que lhe chamou a atenção, você vai reter esse item em sua memória por muito mais tempo. Pra mim, esse é um dos principais motivadores para blogar.

  2. Maria Guimarães disse:

    interessante isso de escrever para reforçar a memória. vai ver funciona, mas o crucial é o “muito mais tempo”. quando é em comparação a quase nada, como é meu caso, a melhora não refresca muito. lembro muito pouco das matérias que escrevo, apenas alguns meses depois!!
    e também lamento a perda dos cadernos da graduação…

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