São Paulo também tem jardim botânico

“João, algum dia vamos ao jardim botânico?”

A frase rodou pela minha casa por um ano e meio, desde que me mudei para a zona sul paulistana e concluí que o tal jardim já não era tão remoto. Até então, não passava de uma placa que eu avistava no caminho para o zoológico. E sempre dizia: algum dia venho aqui, parece ser bonito.

De enrolação em enrolação, veio bem a calhar o telefonema que recebi um dia da Ana Lima, da editora Terceiro Nome. A proposta era escrever, em tempo recorde, o texto para um livro de fotos do jardim botânico, projeto do fotógrafo Juan Esteves. Irresistível. Com a sensação um pouco de quem pula de um avião em pleno voo, torcendo para que o paraquedas estivesse nas costas, aceitei.

Com isso, fui várias vezes ao Jardim Botânico de São Paulo. E é, de fato, um lugar mágico. Sossego, árvores, flores, bichos, uma passarela que permite passear como que flutuando em meio à floresta repleta de bugios, sons de mato em plena capital paulista. E descobri que não é mesmo remoto. Mesmo para quem mora do outro lado da cidade, há boas conexões de ônibus a partir das estações Imigrantes, São Judas e Saúde do metrô.

E conversei com pesquisadores do Instituto de Botânica, e li tudo o que encontrei. A história é rica, é o segundo mais antigo entre os jardins botânicos em funcionamento no Brasil. Foi fundado por Frederico Carlos Hoehne, uma figura fascinante que se tornou botânico por paixão, não por estudo formal (mais sobre ele aqui, assim como fotos preservadas em seus negativos de vidro).

Ali estão dezenas de nascentes, inclusive de riachos que mais adiante formam o lendário Ipiranga, em cujas margens – diz o hino nacional – se gritou a independência do Brasil. O tal rio, agora num leito de concreto no meio da avenida Ricardo Jaffet, não foi bem tratado pela história subsequente. Mas o Pirarungáua, um de seus afluentes, ganhou destaque glorioso no jardim botânico. Um lembrete de como os rios devem ser, mesmo nas cidades.

Com altos e baixos de 1928 para cá, o jardim botânico paulistano, parte do Instituto de Botânica (um centro de pesquisa do estado) se estabeleceu como um polo importante de lazer, aprendizado, contato com a natureza e pesquisa.

O livro acaba de ficar pronto, semana que vem busco o filhote na editora. E ficou lindo! São 202 páginas com deslumbrantes fotos históricas e atuais. No texto, conto a história desse parque com uma rica reserva de mata atlântica, falo um pouco sobre os aspectos de pesquisa e ensino, e levo o leitor por um breve passeio, um aperitivo do que há por lá. No site da editora tem algumas fotos para atiçar a vontade de ver mais!

O livro é mesmo um convite. Eu voltarei a esse oásis muitas vezes.

(E não quero deixar de registrar o prazer que foi trabalhar nesse projeto, não só pela descoberta de um belo lugar e pelo aprendizado botânico. O carinho que a equipe da Terceiro Nome dedica ao nascimento de cada livro está sem dúvida aparente no resultado. Mary Lou Paris, Ana Lima e Estevão Azevedo, muito obrigada pela oportunidade e pela confiança)

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Discussão - 3 comentários

  1. felicia disse:

    Vi uma entrevista contigo na tv, e vim fuçar sobre vc, muito legal mesmo parabéns!!

  2. cienciaeideias disse:

    felicia, obrigada pela atenção e pela visita! volte sempre. vou tentar atualizar com mais frequência…

  3. […] mais aqui Share this:TwitterFacebookGostar disso:GosteiSeja o primeiro a gostar […]

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