Árvores em flor: piúva
Sim, essa árvore aí do lado é um ipê (foto de Alan Krakauer – ornitólogo e meu amigo que teve a iniciativa da viagem). Foi a primeira coisa que aprendi no pantanal: lá, os ipês são piúvas.
Segundo o livro Pantanal – um universo natural em suas mãos, de Paulo Cardoso, o amarelo é Tabebuia aurea, também chamado de paratudo. Paratudo porque é usado para febre, malária, diabete, vermes, problemas gástricos. Dá para mastigar a casca ou beber a água em que ficou de molho por 24 horas. Diz que a flor tem gosto de alface! Será? Não provei.
O ipê-roxo (foto também do Alan), que segundo o livro é a que realmente se chama piúva, ou peúva, é Tabebuia heptaphylla. As flores caídas são, de acordo com Paulo Cardoso, comidas por veados-campeiros, cavalos e gado. E nas árvores fazem a festa de bugios e aves diversas. A entrecasca é usada como depurativo estomacal e bactericida.
Mais um pouco no tour 360º no site da pousada Piuval, aqui.
Árvores em flor: ipê-branco
Vi esta hoje, de passagem pelo bairro onde morava em Campinas, o Cambuí (cambuí, aliás, é uma árvore que nem lá eu vi – só uma, que plantaram na praça mas morreu em seguida – então não entrou aqui nesta galeria). Pena que meu celular não tem boa resolução…
Fui procurar sobre ela e na wikipedia tem um verbete bastante bom, até com etimologia. Em vez de plagiar, fica aqui a indicação.
É nativa do Cerrado e do Pantanal, segundo esse site.
Árvores em flor: jacarandá-mimoso
Nativo da Mata Atlântica Bolívia e da Argentina (correção do Pedro), o jacarandá-mimoso (Jacaranda mimosaefolia) perde as folhas no inverno e na primavera se veste de flores arroxeadas em forma de sino. São flores parecidas com as do ipê-amarelo, que andou florido há cerca de um mês – são árvores da mesma família, as bignoniáceas.
O fruto é uma cápsula achatada, como dois discos de madeira que acabam por separar-se e liberar montes de sementes bem pequenas, que saem voando com ajuda de uma fina membrana que funciona como asa-delta.
É uma árvore de porte moderado, chega a cerca de 15 metros, e suas raízes não destroem calçadas. É por isso uma boa escolha para arborização urbana, a ponto de ser exportada para outros países onde ela não é nativa, como a África do Sul. Sorte de quem vive nas cidades onde uma vez por ano se pode esperar essa festa colorida.
Árvores em flor: eritrinas
São conjuntos de flores compridas, formato típico de plantas polinizadas por beija-flores – com o bico longo eles conseguem alcançar o néctar lá no fundo da flor, e acabam carregando um pouco de pólen à parada seguinte.
As flores da eritrina-candelabro também fazem a festa de periquitos. Uma vez eu vi um bando deles pousados numa eritrina, arrancando flor por flor. Imagino que arrancar a flor pela base dê acesso direto ao caldo adocicado que ela abriga. O chão rapidamente ficou revestido de vermelho.
São plantas típicas da Mata Atlântica, da família das leguminosas (Fabaceae).
Não terei sossego enquanto não souber por certo que árvore é essa!
Árvores em flor: ipê-roxo
Em junho e julho, os ipês-roxos se encheram de belos pompons cor-de-rosa que atraem aves e abelhas. Parecem árvores de natal privilegiadas pela natureza. Aqui no Cambuí, bairro de Campinas onde moro, sou privilegiada com vários deles – faltou eu sair com a máquina fotográfica de verdade em horário de boa luz… Mas não pude deixar de registrar.
Não fui a única a me encantar. A Luciana Christante e a Elisa mostraram que São Paulo não é só feita de trânsito e céu cinzento.
A árvore, que chega a 30 metros de altura e 90 centímetros de diâmetro, é típica da Mata Atlântica mas no Brasil pode aparecer também no Pantanal matogrossense. É nativa da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio de
Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, além do nordeste da
Argentina, sul da Bolívia, leste do Paraguai e Uruguai.
O nome científico varia entre Tabebuia heptaphylla e T. avellanedae, e há quem diga que T. impetiginosa é a mesma espécie. A madeira dura, escura e pouco brilhante é considerada madeira de lei.
É muito usada na medicina popular – mas não vá se medicar sem orientação! A casca tem fama de anticancerígena, anti-reumática e antianêmica, e a folha é usada contra úlceras.
Árvores em flor: quaresmeira
A quaresmeira é uma árvore nativa da Mata Atlântica, comum na região Sudeste brasileira. É muito usada em zonas urbanas, é inclusive planta-símbolo de Belo Horizonte. Essa da foto está no meu jardim e este ano floriu pela primeira vez.
O nome vem da época da floração, próxima ao período da quaresma – que vai da quarta-feira de cinzas até a páscoa.
Da família das melastomatáceas, tem flores roxas ou rosas, conforme a variedade, e folhas ásperas com grandes nervuras praticamente paralelas. Os frutos são pequenos e não comestíveis, liberam sementes que são dispersas pelo vento.




Uma jornalista de ciência que desistiu de ser bióloga porque a curiosidade não cabe num assunto só e... um biólogo evoluindo para estados ainda indeterminados.