Dinossauros, virtuais, encontros e desencontros

Thumbnail image for fb.JPGFui ontem ver “A rede social” no cinema e hoje li um texto interessante sobre a geração facebook: “Generation Why?“, por Zadie Smith, na New York Review of Books (*atualização: esse texto foi traduzido e publicado na revista piauí de fevereiro de 2011*).

Terminei de ler com minha habitual vontade de recolher opiniões para entender melhor, para ajudar a pensar. O primeiro impulso foi escrever no próprio facebook. Depois achei que não cabia, e que o caráter efêmero talvez minasse as possibilidades de conversar mais. Sem querer, está aí a primeira pequena reflexão sobre essa ferramenta que considero uma revolução nas comunicações. É efêmera. Mas até aí, o que não é?

Passei boa parte do texto sem conseguir entender as críticas à geração facebook, até que uma nota de rodapé me explicou por quê: porque não faço parte dessa geração. Uso o tal universo virtual como uma dinossaura maravilhada com o fogo, mas que não sabe usá-lo. A crítica é que a geração facebook existe por intermédio de rótulos: de que filmes gosta, que livros lê, qual religião pratica, quais as suas citações favoritas, qual o seu “status de relacionamento” e pessoas de que gênero lhe interessam etc. Zadie Smith se aflige com uma geração que acha que basta isso para se definir e se afirmar como pessoa, e imagina os efeitos desse catálogo quando usado pelas forças do mercado.

Eu, dinossaura (ou pessoa 1.0, como diz Zadie), tive de ir olhar as opções de edição do perfil para escrever o parágrafo acima, porque o meu está praticamente em branco. Para que eu precisaria preencher, se só me interessa encontrar quem já conheço? (Não se ofenda, leitor, se eu não aceitá-lo como amigo.) Encontrar com gente querida espalhada pelo mundo como quem tromba virando a esquina é, para mim, a grande mágica do facebook. Sim, a comunicação é muitas vezes rápida e efêmera. Mas não necessariamente. Reencontrei gente querida que não via há décadas e depois encontrei mesmo, fisicamente e tudo, como a amiga que me cantava Blitz (“geme geme uuuu, por você…”) e saiu da infância antes de mim, e aquele que não quis casar comigo quando eu tinha uns 6 anos; acompanho acontecimentos de vidas distantes; de vez em quando converso mais longamente, por cartas ocultas aos olhos públicos ou pela janelinha que aparece no pé da tela e faz “prrlrrlrum” (que agora mesmo me interrompeu a escrita e passei um tempo delicioso papeando com o outro lado do Atlântico).

São duas linhas de reflexão, que acabo por misturar. Preciso de ajuda para tecer algo. Uma é o que é, de fato, a pessoa 2.0. É mesmo uma geração baseada em rótulos e informações rápidas e superficiais sobre si e sobre os outros? Que efeito isso pode ter nas relações? Quando as pessoas se conhecem com base nessas sucintas etiquetas e depois passam para um relacionamento em carne e osso, o que acontece? É realmente muito diferente do pouco que a gente apresenta num primeiro encontro num bar ou numa festa?

Outra é sobre a presença anacrônica das pessoas 1.0 no universo virtual. Esses encontros de fato reduzem a convivência real entre as pessoas? A gente poderia, como sugere Zadie, simplesmente encontrar os amigos que estão em outro continente em vez de ficar na frente do computador? Não acho nada fácil. Eu, que passei boa parte da minha vida escrevendo cartas que demorariam semanas para chegar aos diversos destinos, me esbaldo nessa comunicação mais ágil. Claro que não equivale a encontrar, mas ajuda a não perder o trem da vida. Quando fui a Boston, este ano, não comentei no facebook porque não teria tempo de ver quase ninguém – e nem sabia quem estaria por lá. Depois descobri que, se tivesse ficado mais dias e anunciado, teria podido ver algumas pessoas muito queridas.

Para Zadie, a motivação principal de Mark Zuckerberg – não só ao inventar o facebook – é uma que acomete boa parte da geração: o desejo de que gostem dele. Será mesmo que é característica da geração? Não é inerente a seres sociais? Será que ter centenas de pessoas que potencialmente comentam o que escrevo, ou que apertam o botãozinho “curtir” em fotos que exponho, cria uma ilusão nociva de que um montão de gente gosta de mim? Vai ver. Mas desde que eu não fique metida demais, não tenho nada contra.

Como sempre, tenho mais perguntas do que respostas.

Saúde, pública?

Aconteceu na semana passada, num posto de saúde da zona sul de São Paulo.
Depois de chegar 10 minutos atrasada para a consulta das 15h, a moça é admitida no consultório às 17:30.

Você chegou atrasada, diz o médico
– Eu sei, tive dificuldades em me liberar do trabalho.
Eu não devia te atender, na próxima vez não atendo.
– Estou com uma dúvida aqui sobre a forma de tomar o anticoncepcional.
– [olhando a receita que a moça estendeu] Quem te passou isso?? Quem mandou você tomar assim???
– O doutor fulano, aqui neste mesmo posto.
Ah, então está certo. É isso mesmo.
– Mas justamente eu estava estranhando a forma como ele me passou, o senhor não poderia me esclarecer?
– Se ele passou assim, é porque é pra você tomar assim. O seu papanicolaou está cinco meses atrasado!
– Eu sei. É porque marquei em janeiro, mas só consegui horário para hoje.
– Você sabe pra que serve esse exame?
– Sei. É para prevenção, para detectar doenças, miomas…
– Não! É pra detectar câncer.
– Pois é, câncer não é doença? [já trêmula de raiva, provavelmente]
Vamos então colher, deita aí.
O espéculo não entra, você tem algum problema? Você por acaso tem formação?
[decidindo mentir um pouquinho] Sou psicóloga, trabalho com gente.
Pois você precisa de um psicólogo, está toda dura e não consigo fazer o exame.

Fez o exame. A cólica e o sangramento no dia seguinte não correspondiam ao ciclo menstrual.

Essa história, que uma amiga me contou, me levou a pensar muito sobre o atendimento médico a que a população tem acesso. A raiz do problema, me parece claro, é a falta de investimento. São postos de saúde mal construídos, onde as pessoas passam horas em salas de espera inóspitas e apinhadas e os médicos não têm recursos materiais e cronológicos para atender direito. Ganham mal. E, pelo visto, acabam descontando em quem está vulnerável. E que médico bom aceita trabalhar nessas condições?

Tem saída? Na utopia tem, eu sei. Mas e na realidade nossa mesmo? O que precisa? Alguém sabe?

A inovação científico-tecnológica e os desafios do nosso tempo

“O estado da economia demanda ação pronta e ousada, e agiremos – não apenas para criar emprego, mas para construir novos alicerces para o crescimento. Construiremos estradas e pontes, as redes elétricas e digitais que alimentam o nosso comércio e nos unem. Recolocaremos a ciência no lugar que lhe é devido, e usaremos as magias da tecnologia para melhorar a qualidade do atendimento de saúde e reduzir os seus custos. Convocaremos o sol, a terra e o vento para abastecer os nossos carros e as nossas fábricas. E transformaremos as nossas escolas e universidades para responder aos desafios de uma nova era. Tudo isto podemos fazer. Tudo isto iremos fazer!”

Barack H. Obama[1]


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Amores expressos

Dezesseis escritores brasileiros embarcaram cada um para um canto do mundo. Na volta cada um escreverá sua história de amor. É o projeto “Amores expressos”, que criou grande bafafá no meio literário e agora está em curso.

Cada um dos escritores mantém um blogue em que conta suas histórias. Ainda não consegui ler muito, a não ser o do Bernardo Carvalho que foi o primeiro que descobri. Além de serem belos escritores, acompanhar as aventuras é de certa forma participar da gênese de futuras obras literárias.

Veja aqui o site do projeto.

Sem rede de segurança

Quando criança, Maria Bethânia queria ser trapezista. A lembrança está no final do filme “Maria Bethânia, pedrinha de Aruanda”, de Andrucha Waddington. “Acabei não indo para a escola de circo, mas no fundo é esse o meu ofício”, ela reflete enquanto contempla um picadeiro vazio. “Sem rede”.

Quem já a acompanhou palco adentro sabe. E quem viu o filme andou junto, sentiu a tensão, a intensidade da oração em busca de força e concentração, a coragem para correr e mergulhar nos brados amantes da multidão. O sorriso que rasga o rosto de lado a lado não é simpatia, não é teatro, não é triunfo. É a energia que ela recebe e transborda. E é a música que aflora, não cabe só na voz.

A lição maior é avançar pela vida sem rede de segurança. Não importa se há um deus (ou muitos), nem seu nome: a vida vale muito mais se a gente enxerga o sagrado das coisas. Entrar num rio e parar diante de uma cachoeira, admirar a força sem combatê-la, fazer parte. Estar junto com quem se ama. Tudo sagrado.

A foto eu peguei aqui.

Natureza para crianças grandes e pequenas

O problema da imprensa com a ciência…

…está bem explícito no texto que George Monbiot escreveu no Guardian de 13 de Março de 2007. Deixo um excerto do artigo que pode ser lido na integra aqui.

…Cherry-pick your results, choose work which is already outdated and discredited, and anything and everything becomes true. The Twin Towers were brought down by controlled explosions; MMR injections cause autism; homeopathy works; black people are less intelligent than white people; species came about through intelligent design. You can find lines of evidence which appear to support all these contentions, and, in most cases, professors who will speak up in their favour. But this does not mean that any of them are correct. You can sustain a belief in these propositions only by ignoring the overwhelming body of contradictory data. To form a balanced, scientific view, you have to consider all the evidence, on both sides of the question.

Sem mais comentários.


É carnaval

A foto acima, de Tuca Vieira, eu surrupiei da galeria de musas do UOL

Adoro carnaval.
Adoro o surreal das notícias, discussões sobre o que é afinal a nudez total, volumes de silicone, o drama dos carros alegóricos pifados, a filosofia que encontra voz nos samba-enredos. E os clichês – a alegria, o dia em que a faxineira é rainha, naqueles dias tudo pode etc.
Tendo a ficar caseira, preguiça de enfrentar congestionamentos e coisa e tal. Mas faço planos, desta vez é pra valer: ano que vem vou agitar um programa carnavalesco.
Então fico em casa, vejo desfiles, leio jornal, armo um carnaval particular com um sambinha na vitrola (perdoem a palavra anacrônica, mas tão mais bonita que os equivalentes modernos).
Meu amigo Rafa outro dia me lembrou de uma experiência carnavalesca que tive na Califórnia, se não me engano em 2000. Ele viveu a aventura pela minha descrição e guardou na memória até hoje. Fui procurar meu texto e eis, abaixo.
Ler me deu vontade de pular carnaval, para celebrar ser esta a minha terra.

Carnaval de primeiro mundo

A juventude de Monterey se concentrava numa esquina, em plena celebração de Mardi gras. Moças escassamente vestidas, todos com colares de contas coloridas de plástico. Parecia ser o acontecimento do ano.

A programação incluía eventos diversos: desfiles, danças, música. Chegamos por volta das dez da noite e encontramos os dois bares com música ao vivo lotados, com filas na entrada. A maior parte dos foliões estava simplesmente de pé na rua, jovens pelo visto satisfeitos por estarem apinhados. Como regem as leis locais, não bebiam nem ouviam música. Só estavam ali, compartilhavam animação. Acima das cabeças surgiam filmadoras, tudo era registrado.

Um dos bares — campeão de fila — ficava no segundo andar, com uns janelões-vitrines que davam para a tal esquina. De lá surgiu a grande sensação: moças celebravam a vitória de ter conseguido entrar e na vitrine levantavam camiseta e sutiã. O público na rua delirava com a peitaria e atirava seus colares de contas (pagamento?), que elas tentavam pegar debruçando-se pra fora da janela já com os peitos guardados. As câmeras de vídeo todas acionadas.

A atração durou quem sabe uns vinte minutos. Enquanto todos admiravam o espetáculo, uma tropa de choque esperava, na beira da multidão. Dois carros de polícia um atrás do outro, de cada lado um policial a pé com seu cachorro, ladeados por policiais a cavalo. Atrás, um carro de bombeiros. Posicionados, prontos para impedir maiores manifestações da população desvairada.

Com certeza influenciadas pela presença da lei, duas moças acharam por bem resolver suas diferenças no tapa. Sobrou bota prum lado, jaqueta pro outro. Formou-se uma roda em volta, igualzinho acontecia na escola. Elas se puxavam os cabelos, trocavam sopapos. Os policiais, finalmente com motivo para ação, intervieram e recolheram as desordeiras. Com os alto-falantes do carro de polícia avisaram para a multidão retirar-se, liberar a rua. A turba ignorou, embevecida ainda com o show da vitrine; grande decepção quando as moças foram substituídas por um policial de costas para a janela, com sua lanterna apoiada no ombro apontando pra dentro.

A tropa da rua então avançou. Com o fim do show erótico, a atração passou a ser a ação policial. O clima ficou tenso e quando começaram a chover garrafas sobre a coluna da ordem, meus amigos decidiram pela retirada.

Eu corria sério risco de ficar ali boquiaberta, até me cair uma garrafa na cabeça ou ser detida como desordeira.

Onde está Monbiot?

Tell people something they know already and they will thank you for it.
Tell them something new and they will hate you for it.

George Monbiot


Tenho verificado ultimamente que as afirmações acima são largamente verdadeiras. Elas servem para introduzir George Monbiot, britânico, activista, ambientalista, jornalista e professor universitário. Venho seguindo a sua coluna semanal do The Guardian, desde que li “Manifesto for a new world order” (The New Press, 2003). Os seus textos são admiráveis pela riqueza e clareza informativas, de fontes diversas, compondo artigos de opinião bem fundamentados que considero exemplos do tipo de jornalismo reflexivo que me interessa ler e ouvir. Podem ser lidos aqui.

Acabo de ler “Heat: how to stop the planet burning”, (Penguin Books, 2006) o mais recente livro de Monbiot sobre o que podemos e devemos fazer para evitar as consequências mais catastróficas do aquecimento global.

Hoje, após anos de dúvida e negação, parece consensual que o aquecimento global por ação humana é um fato real e mensurável. Mesmo alguém muito distraído terá notado a reverberação pela imprensa do último relatório do Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC), que pode ser consultado aqui.


Heat
é um manifesto para a mudança baseado numa pesquisa bibliográfica sólida. A pesquisa mais recente sugere que se a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera se mantiver nos níveis atuais, a temperatura global aumentará cerca de 2 graus centígrados (relativamente ao séc.
XIX). Este é o limiar acima do qual se prevê a ruptura do equilíbrio nos grandes ecossistemas: em vez de absorver CO2, a moribunda floresta amazónica começará a libertar milhões de toneladas do composto. Longe dali, à medida que gelos imemoriais começarem a derreter, o solo libertará gases que aumentarão o efeito de estufa. As alterações climáticas terão entrado num processo de retro-alimentaçao positiva que conduzirá ao descontrolo do clima que hoje conhecemos.

Para evitá-lo, Monbiot afirma que devemos evitar que o aquecimento global ultrapasse aquele “limiar crítico”. É possível que já tenhamos ultrapassado o ponto de não retorno. Mas Monbiot escreve-nos “com um espítito otimista”.

E a ameaça é tão óbvia que não vale mais perder tempo combatendo os argumentos dos mais cépticos!

Após dois capítulos introdutórios, Monbiot começa a desenrolar aquele que é o primeiro e único documento, até ao momento, que avança propostas concretas sobre como mudar as nossas vidas para salvar o clima do planeta. Isto, sem esquecer os custos de tamanha tarefa, claro! Só por este motivo, já teria valido a pena ter lido o livro.

O que fazer então?

Necessitamos de uma redução global de 60% nas emissões para evitar atingir o limiar crítico. O que significa que, em média, as nações mais ricas terão de cortar as emissões em 90%. No Reino Unido, será necessário passar de 2.6 toneladas de CO2 emitidas anualmente per capita para 0.33 toneladas. Se à primeira vista parece impossível, Monbiot trata de convencer-nos que uma nação industrial de tamanho médio como o Reino Unido “pode ser descarbonizada e permanecer uma economia moderna “. Como? Primeiro, todos os cidadãos do planeta devem ter o mesmo direito a emitir de gases que produzem efeito de estufa, o que equivale a adotar um racionamento global per capita em conjunto com um mercado de emissões de carbono. Para tornar o sistema de racionamento realizável, os governos precisam investir pesadamente em infraestruturas energéticas alternativas. Isso significa redesenhar sistemas de transporte para nos curar da nossa (tóxico-)dependência do uso individualista do automóvel, promover a transição para sistemas de energia renovável e centrais de gás natural com tecnologias de captura e armazenamento de carbono, e uma nova rede de energia que permita aproveitar a energia produzida por turbinas eólicas instaladas nas plataformas continentais marinhas e energia solar produzida no… Sahara! Monbiot explica-nos como tudo isto será tecnologicamente e economicamente possível, desde que os governos estejam dispostos a fazer a sua parte. Mas não existem governos sem seus eleitores. NÓS!

Além de alterações na matriz energética, é preciso melhorar a eficiência do uso da energia a vários níveis. Uma área com grande espaço para ganhos de eficiência é a da construção de edifícios e habitações. Quem já não ouviu falar de edifícios inteligentes? Pois é necessário investir para os construir e Monbiot faz propostas concretas que mais uma vez se aplicam ao Reino Unido, onde a demanda de energia residencial entre 1990 e 2003 subiu mais do dobro da média nacional. Monbiot apresenta soluções engenhosas para cortar as emissões de carbono, mas preservando, em grande parte, o confortável estilo de vida ocidental. Com a importante excepção de uma extravagância bem carbonada de que tanto gostamos: VOAR! Um vôo Nova Iorque–Londres produz mais gás com efeito de estufa por passageiro que a totalidade da quota anual individual do sistema de racionamento de emissões de carbono. “O crescimento na avi
ação e a necessidade de combater o aquecimento global não são compatíveis.”
Um corte nas emissões de 90% significa o fim das viagens para fazer compras em Nova Iorque ou safaris no Quénia. A alternativa é acreditarmos “que estas atividades se justificam apesar do sacrifício da biosfera e das vidas dos mais pobres”. Sim, porque os primeiros que sofrerão com o aquecimento global (e já sofrem!) são as populações do Bangladesh ou de muitas regiões de África. Será que a fome e a guerra de etíopes e sudaneses valem o sacrifício do nosso confortável desperdício de energia?

O problema é que parece que vivemos num estado de negação da catástrofe que poderá um dia cair-nos em cima. Apesar de toda a informação que circula, quem se preocupa? Onde estão as grandes manifestações de ativistas? Monbiot afirma que a juventude, filha daquela que vivia em manifestações nos anos 70 e 80, vive hoje demasiado…endividada! Apesar disso Monbiot pretende acordar-nos e persuadir-nos de que vale a pena combater o aquecimento global. Ou, pelo menos, que “todos fiquemos de cama, de tão deprimidos, reduzindo assim o consumo de combustíveis fósseis”.

Heat é ao mesmo tempo um “manifesto e um exercício intelectual”. Pela impressionante combinação de detalhes práticos e pensamento criativo, é um documento único e é o único documento do momento que pode servir de guia para a ação. Monbiot conclui que “é possível salvar a biosfera” mas temos de estar preparados para aceitar que limitar a nossa liberdade de poluir significa uma mudança nas nossas vidas.

Mas atenção, a receita de Monbiot não é diretamente transponível para países em desenvolvimento ou emergentes como o Brasil. Esses necessitam de encontrar as suas próprias soluções, com certeza baseadas nos princípios gerais encontrados em Heat. Onde está o Monbiot brasileiro?

Heat: leitura agradável e acessível ao público em geral. Obrigatório neste ano de 2007. Para ler, reflectir e AGIR, com coerência!

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