De volta ao laboratório

Mesmo que o último laboratório que você tenha entrado se pareça com isso, você será sempre bem vindo de volta. (Imagem: gstatic.com)

Por diversos motivos, pessoas se afastam da ciência todos os anos. Uma crise familiar, a decisão de ter um filho, desejo de experimentar uma carreira diferente, entre diversos outros, são motivos convincentes para deixar a carreira acadêmica.  Muitas dessas pessoas pensam em voltar algum tempo depois, mas realizar essa ideia é uma tarefa frequentemente intimidante. Voltar a um laboratório povoado por jovens quando já se passou dessa faixa etária pode te fazer sentir desconfortável, mas as barreiras são geralmente mais imaginárias que reais. Um pesquisador principal dificilmente se importará em ter um membro mais velho na equipe. Aliás, a diversidade de histórias de vida e experiências tem se mostrado uma poderosa ferramenta na constituição de laboratórios produtivos e originais. Aproveite os prós da sua condição de sênior: ter uma visão de mundo mais realista (e menos ansiosa) e ter experiências de vida mais diversas. Você será bem vindo de volta.

Mas como planejar um tempo afastado da vida científica? Nossa primeira sugestão é que a pausa seja planejada para ter um início e um fim específicos. Nem sempre isso é possível, mas o esforço compensa. Planeje a data de início para um momento em que você tenha se liberado de suas atribuições (completado a submissão de um artigo sob sua responsabilidade, por exemplo). Planejar a data do seu retorno te ajudará a se comprometer com a volta e também a manter o foco no motivo daquela pausa. Uma forma de operacionalizar isso é através da preparação de uma lista de itens que você quer realizar antes de voltar para a pesquisa. A cada item cumprido você estará mais perto de retornar.

Sabendo que existe um desejo de retornar, mantenha contato com a academia durante sua pausa. Visite seus colegas, nem que seja para uma conversa informal ao redor de uma mesa de bar. Contato via redes sociais também podem ser proveitosos. Assim você será lembrado e se manterá atualizado em algumas técnicas e nos assuntos quentes da sua área. Se possível mantenha-se atualizado com a bibliografia, nem que seja através da newsletter da sociedade científica que você frequentava. Ainda assim, saiba que mesmo que você tenha desaparecido do mundo científico por alguns anos, o retorno é possível.

As primeiras coisas de que você precisará em seu retorno serão: um orientador, financiamento e um projeto de pesquisa. As regras para escolher um orientador se aplicam nesse caso como em qualquer outro, mas o orientador de alguém que esteja retornando à academia deve conhecer sua história e o que levou à pausa. Bolsas têm sido muito disputadas, mas sua pausa não deve ser empecilho para a aquisição de uma, especialmente se você estiver quite com seu projeto de pesquisa anterior. O projeto de pesquisa talvez seja o elemento mais difícil de seu retorno. Ele deverá te colocar em contato com o estado da arte nas técnicas e questões mais atuais de sua área, deverá ser desafiador o suficiente para te manter interessado, mas deverá ser também exequível dado o tempo disponível que você terá para entregar resultados.

Uma vez de volta ao laboratório, é preciso começar em alto nível. Não desperdice nenhuma oportunidade de fazer um curso sobre novas técnicas e garanta sua participação nos congressos mais importantes da sua especialidade. Você provavelmente estará desatualizado quanto a equipamentos, técnicas e perguntas importantes. Envolva-se em colaborações e publicações em seu novo grupo de pesquisa assim que possível. Ocupe seu espaço. Também não deixe de planejar seus próximos passos e onde você deseja chegar.

Quando problemas externos começam a afetar seu rendimento, não faz sentido dividir sua atenção e não cumprir nenhuma das tarefas direito. Às vezes um tempo fora pode ser a melhor solução. Não tenha medo de afastar-se, a Ciência estará aqui aguardando o seu retorno.

Apresentação em Público 4

A Estrutura da Apresentação em Público pode determinar seu sucesso ou seu fracasso diante de uma plateia.

Assim como no planejamento do conteúdo, tratado no último post, o planejamento da estrutura da apresentação ainda não deve ser feito no computador. Experimente utilizar um guardanapo de papel. Neste guardanapo você deverá definir as principais partes da sua apresentação, quais os principais tópicos ou slides abordados em cada parte. Atenção: não é para desenhar os slides no guardanapo, é apenas para listar aquilo que posteriormente será mostrado na sua apresentação, por enquanto ainda estamos falando da estrutura! Continue lendo…

Revisão por pares e projetos de pesquisa

Mesmo projetos considerados aprovados podem ficar de fora devido a limitações orçamentárias (Imagem: grcorporate.com.br)

Enquanto na revisão de artigos você ajuda a decidir se um artigo será ou não publicado, a revisão de um projeto vem primeiro. Ela decidirá se um projeto de pesquisa será ou não financiado e se um aluno merece ou não uma bolsa. O papel do revisor talvez seja até mais dramático nesse ponto do que no peer-review de manuscritos.

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A nova revisão por pares e a internet

O que mais vem por aí? É esperar para conferir! (Imagem: grcorporate.com.br)

Novas ferramentas de avaliação de artigo têm surgido seguindo a tendência da Web 2.0. Periódicos como a PLoS e mesmo a Nature têm oferecido um campo de comentários após todos os seus artigos online. Acompanhar essa discussão entre o público e os autores é frequentemente muito rico para aqueles artigos de maior impacto dentro da sua especialidade. Outros têm dado acesso aos comentários dos revisores no formato de arquivos suplementares, embora poucos leitores se interessem por acessar esse material.

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Apresentação em Público 3

Dando continuidade ao nosso último post, digamos que você tenha sido convidado para fazer participar de uma mesa redonda no congresso mais importante da sua área, para fazer uma apresentação oral num simpósio importante, vai fazer a defesa da sua dissertação de mestrado ou simplesmente quer dar uma boa aula ou fazer uma boa apresentação de um trabalho naquela disciplina que está pendurado em nota. Você se sente preparado? Sabe o que fazer? Continue lendo…

O que abordar numa revisão por pares?

O que o editor gostaria de saber sobre o artigo que você revisou? (Imagem: grcorporate.com.br)

Os periódicos costumam ter um formulário próprio para a avaliação de seus artigos. Em todo caso apresentamos abaixo uma lista de perguntas que podem ser abordadas na sua revisão caso você seja um iniciante ou se estiver perdido no formulário proposto pela revista.

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Revisão por pares e novos experimentos

Estimular a produção de novas perguntas e hipóteses é um dos fatores que define um bom artigo (Imagem: grcorporate.com.br)

Uma prática atualmente comum, que inclusive integra o protocolo de revisão de diversas revistas, é sugerir novos experimentos ao autor (Ploegh, 2011). Sugestões dessa natureza frequentemente ocorrem em artigos rejeitados, mas com a possibilidade de serem ressubmetidos. Isso é frustrante.

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Suzana e o Ponto Facultativo

Na sexta-feira passada a Prof. Suzana Herculano-Houzel, uma excelente cientista e divulgadora da ciência, publicou em sua página no Facebook um desabafo sobre o comportamento da equipe que trabalha em seu laboratório. Segundo ela, dos 14 membros da equipe, todos os dez brasileiros enforcaram o feriado e todos os quatro estrangeiros estavam trabalhando. Como o texto está cheio de pontos polêmicos relacionados à gestão da carreira acadêmica, resolvemos discutir aqui o assunto.

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E por que você se sobrecarrega de revisões?

Esses tempos um de nós estava assoberbado por um número impraticável de revisões e pareceres num prazo estreito. Ficamos pensando em como tínhamos chegado àquele ponto e lembramos de um texto antigo. Retiramos do extreme reviewing o texto que se segue.

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Por que recusar uma revisão por pares

Às vezes somos obrigados a recusar prestar esse serviço à ciência e temos que rejeitar um pedido de revisão de um editor. Bons referees são raros e um dos principais fatores complicadores para corpos editoriais de periódicos, portanto, seja generoso. Em todo caso, o que justificaria uma recusa de revisão?

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