Você acha que é bonito ser feio?

Em 2011, a Universidade do Texas ficou no Top 20 no ranking das universidades americanas com as estudantes mais bonitas dos Estados Unidos. Um amigo meu logo me enviou um email dizendo: “ganhou na loto aí, hein negão!“. Infelizmente não! Quando o assunto é beleza, namoro e escolha de parceiros, o buraco cognitivo é mais fundo, e a coisa é bem mais complicada!

A beleza física é, sem sombra de dúvidas, um fator importantíssimo na escolha dos parceiros. É por isso que ninguém fala: “quero namorar aquele menino só por que ele é feio“. O que acontece é que, mesmo quando não percebemos, dando um peso grande à beleza física na hora de escolher com quem vamos namorar, ficar ou fazer sexo. Não é a toa que as pessoas bonitas são mais populares, namoram mais — ou pelo menos têm mais parceiros — e são mais escolhidas pelas outras pessoas. E se você parar e observar à sua volta, vai notar que pessoas bonitas geralmente namoram pessoas bonitas. Existe um tanto de explicação de porque isso acontece (a Psicologia Evolucionista adora explicar essas coisas), mas não vou falar disso hoje não. Quero falar um pouco sobre o que acontece com o outro lado: com os feios que acabam ficando com outros feios.

Em meados de 1957, um psicólogo nova-iorquino chamado Leon Festinger apresentou à comunidade científica o que ele chamou de Teoria da Dissonância Cognitiva. O que isso tem a ver com gente feia? Calma, eu explico! De acordo com Festinger, toda vez que engajamos em um comportamento que contradiz aquilo que cognitivamente deveríamos fazer, nosso sistema cognitivo vai “entrar em parafuso” e buscar compensar essa discrepância de alguma forma. Exemplo: imagine o André — um cara aí que escreve para um blog aí. O sistema cognitivo dele diz: André, você deve escolher uma menina bonita. Mas como as meninas bonitas já estão todas com os caras bonitos, o André acaba escolhendo uma menina mais-ou-menos (feia, mesmo). Eis uma discrepância: o sistema cognitivo diz menina bonita e o comportamento do André faz diferente. Uma coisa que o sistema cognitivo pode fazer para consertar essa dissonância é “se enganar” e começar a achar que a menina mais-ou-menos é na verdade bem bonita. Vários estudos em Psicologia mostraram esse efeito (um exemplo aqui). Mas será que isso acontece também com relação aos parceiros que escolhemos? Em outras palavras, será que as pessoas feias tendem a achar seus parceiros feios mais bonitos do que o que as outras pessoas acham?

Leonard Lee da Columbia University liderou um grupo de pesquisadores de várias outras instituições e fez um estudo bem bacana no site de relacionamentos HOTorNOT.com. Nesse site, as pessoas entram e votam (em uma escala de 1 a 10) o quão bonito(a)/gostoso(a) a foto de alguém é. E eles também podem enviar/receber solicitações de encontros. No total, eles investigaram 16.550 participantes (um oásis de dados). O primeiro resultado confirma aquilo que a gente já sabia: as pessoas mais bonitas tendem a escolher as pessoas mais bonitas. No entanto, as pessoas mais bonitas tendem a aceitar menos as solicitações de encontro que recebem. Em contrapartida, as pessoas tendem a escolher pessoas feias e aceitam mais solicitações de encontros.

Quanto à pergunta principal — se as pessoas feias veêm seus parceiros feios como mais bonitos — a resposta foi não. A percepção da beleza das pessoas feias pelas pessoas feias foi a mesma que a perceção da beleza das pessoas feias pelas pessoas bonitas. O que esse resultado sugere é que, nesse campo, as pessoas parecem não bucar compensar a dissonância cognitiva atribuída ao fato de terem escolhido uma pessoa feia como parceiro. E obviamente outros fatores devem estar contribuindo para o equilíbrio dessa dissonância cognitiva. No final das contas, não é nada bonito ser feio! :-)

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Referência:

Lee L, Loewenstein G, Ariely D, Hong J, & Young J (2008). If I’m not hot, are you hot or not? Physical attractiveness evaluations and dating preferences as a function of one’s own attractiveness. Psychological science, 19 (7), 669-77 PMID: 18727782

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Discussão - 6 comentários

  1. Thiago says:

    hhehehehe Que sacanagem. Tava bem esperando ler “É bem bonito ser feio.”

  2. Então a beleza não está nos olhos de quem a vê? rere.

    Acho q a dissonância cognitiva pode não ser necessária uma vez que há consciência de que a ação de se ficar com um tipo não ideal se deve às circunstâncias. (Ou pode atuar ao se mudar os ‘valores’ dos atributos do parceiro ideal – baixando o valor relativo do aspecto físico e aumentando o de outros fatores como bom humor, riqueza, vigor sexual…)

    []s,

    Roberto Takata

  3. Maria Helena says:

    Quais outros fatores contribuem para essa dissonância cognitiva??? Aguardo continuação desse post muito interessante ….

    • Que legal que achou interessante! Nós utilizamos uma variedade de mecanismos compensatórios e, só pra citar um: a valorização de características/propriedades não necessariamente físicas — podemos, por exemplo, julgar a credibilidade dos nossos parceiros como sendo maior que a média. Vou tentar postar mais sobre esse assunto no futuro!! :-)

  4. A beleza está na essência.

  5. maristela says:

    u menino ebonito

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