Hmmm… vermelho… azul… verde…. não lembro o resto.

Screen Shot 2015-03-10 at 9.42.30 PMToda vez que precisamos memorizar alguma coisa, damos um jeito de “repetir” essa coisa várias vezes. Geralmente a idéia é: quanto mais exposição temos àquilo que queremos lembrar, melhor. Será? Você certamente deve utilizar a página de busca do Google todo dia, e como consequência, você deve ver a marca (logotipo) do Google todos os dias. Você lembra como é a marca do Google? Sem trapacear, fale quantas cores diferentes tem a logomarca do Google. Ainda sem olhar, fale a ordem em que essas cores aparecem na logomarca do gigante da Internet. Veja se você acertou aqui.

Mesmo vendo a marca do Google todos os dias, a maioria das pessoas tem uma dificuldade muito grande de lembrar esses detalhes tais como as cores e a ordem das cores. Um estudo recente realizado na Universidade da Califórnia em Los Angeles fez algo parecido, mas com a marca da Apple. Os pesquisadores pediram aos participantes que eles desenhassem a marca da Apple sem olhar o original. Os pesquisadores avaliaram características como o lado e o tamanho da mordida, a orientação e o tamanho da folhinha da maçã, a base da maçã, etc. Apesar de os participantes que eram usuários dos produtos da Apple terem se saído um pouco melhor na tarefa quando comparados com os participantes que não eram usuários da Apple, a grande maioria dos participantes não soube desenhar a marca da Apple de maneira correta.

Os pesquisadores mediram ainda o nível de confiança dos participantes quanto a capacidade de lembrar a marca da Apple. Por exemplo, antes de pedir aos participantes que desenhassem a marca, os pesquisadores pediram a eles para dizer, usando uma escala de 1 a 10, o quanto eles achavam que lembravam de como é marca da Apple. A maioria dos participantes relataram um alto nível de confiança quanto a lembrança da marca. No entanto, depois que os participantes desenharam a marca da Apple, os pesquisadores pediram a eles para dizer, de novo, o nível de confiança com relação a lembrança da marca. Depois de desenharem, mais de 50% dos participantes relataram um nível de confiança menor que o relatado anteriormente. Isso por que, na hora do vamos ver, eles notaram que não lembravam tão bem assim da marca da Apple.

Mas o que isso quer dizer? Constante exposição a alguma coisa ou alguém nos dá a sensação de que conhecemos bem aquela coisa ou esse alguém. Por isso que quanto mais convivemos com alguém, mais achamos que conhecemos bem essa pessoa. No entanto, quanto mais exposição a alguém ou alguma coisa, menos atenção prestamos aos detalhes. Constante exposição nos faz formar uma ideia mais geral e menos detalhada. E isso faz sentido. Se temos acesso a alguma coisa ou alguém o tempo todo, pra que precisamos memorizar detalhes se podemos simplesmente vê-los se quisermos? Toda vez que precisamos “lembrar” dessas coisas a que estamos expostos o tempo todo, geralmente “lembramos” apenas a representação geral e esquemática que temos (por exemplo: o símbolo da Apple é uma maçã mordida) e não os detalhes de como a coisa realmente é (por exemplo: a folhinha está virada para a direita e não pra esquerda).

Quer saber mais sobre a mente humana? Pergunte ao Cognando.

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About André L. Souza

Assistant Professor Department of Psychology The University of Alabama www.andreluizsouza.com
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8 Responses to Hmmm… vermelho… azul… verde…. não lembro o resto.

  1. Bruno says:

    André, seus textos são muito interessantes, acho que poderia incluir referência(s) de vez enquando.
    Abraço

  2. Rodrigo Pedrosa says:

    Interessante o texto. Parece que perdemos o interesse em reparar se vemos ou temos o objeto ou pessoa com frequência. Da mesma forma que nossa mente (que se acha super inteligente) forma um conceito sobre o objeto ou pessoa em questão, que nos achamos no direito de não mais reparar ou aprofundar nos detalhes por já “ter total conhecimento”. Nossa mente sempre nos enganando. Ou seríamos nós enganando nossa mente? Abraços!

  3. Então, é por isso que não reparamos quando nossas mulheres cortam o cabelo ou mudam algum detalhe e nos perguntam: “Notou alguma coisa diferente ?” :P

  4. PS: Encontrei o blog pelo Nerdcast 460 :)

  5. Eduardo Vilela says:

    Tenho uma dúvida em relação aos exemplos dados: quando você diz que não lembramos das cores do logo “Google” e/ou do formato do logo the Apple, eu acho não lembramos porque não queremos memorizar. O que é exatamente o começo do seu texto! Se queremos “memorizar” a repetição é válida, mas se a repetição não tem a função de “memorizar”, realmente, ela não vai servir para isso! Como foi provado na pesquisa.

    Obs.: Sou designer e por isso acertei as 2 perguntas, tanto do Google quanto o logo the Apple. Talvez pela repetição de exposição com interesse em memorizar! : )

  6. Everaldo da Cruz says:

    Bem interessante o texto, vou dar mais uma olhada sobre o assunto. Seria bem interessante se você inclui-se o trabalho citado.

    PS: Descobri o blog pelo Nerdcast 460 também.

  7. The Doc. says:

    Alô André! Primeiramente gostaria de escrever que seus textos são SENSACIONAIS! Espero que continue postando mais. Bem, sem querer puxar o saco, mas já puxando, você é minha inspiração para seguir carreira na área da psicologia, conheci só um pedaço do seu trabalho pelo Nerdcast, mas foi suficiente para me deixer fascinado por essa área de estudos. Contudo, gostaria de saber sobre a questão do trabalho: Como está o mercado acadêmico nos EUA? Digo, eu vou passar fome depois de formado ou vai dar pra arranjar algo de imediato? E no Brasil? Sei que não atua em terras Tupiniquins, mas você sabe me falar se vale o risco de meter a cara nessa faculdade?
    Um abraço de Belém – PA e mais sucesso pra você!

  8. Mateus says:

    Alô André! o/ . Primeiramente, parabéns pelo blog, você escreve muito bem e a iniciativa é sensacional. Bem, não querendo puxar o saco, mas já puxando, gostaria de dizer que você é minha inspiração para entrar na carreira acadêmica de psicologia. Eu conheci um pouco do seu trabalho escutando o Nerdcast, mas só esse “pouquinho” já foi suficiente para me deixar fascinado pela área. A questão é: Como está o mercado para pesquisa dentro da Neuropsicologia nos EUA? Não quero nada detalhado (Até por que eu não sei se você sabe muito sobre o assunto), mas quero saber se, depois de formado, eu vou passar fome ou vai dar pra arranjar um bico em uma universidade? E no Brasil? Sei que você não atua em terras Tupiniquins, mas já escutou algo sobre a carreira acadêmica da área ?
    Saudações de Belém – PA. Espero que continue com o trabalho no blog e mais sucesso pra você.

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