Especial: Saurópodes!

Muitas das questões sobre dinossauros que nos chegam por e-mail são relativas aos dinossauros popularmente conhecidos como “pescoçudos”. Entre eles, estão incluídos os famosos braquiossauro e o quase lendário brontossauro.

Diplodocus, arte de Phil Wilson. (http://www.artrep1.com)Diplodocus, arte de Phil Wilson. (http://www.artrep1.com)

Cientificamente, os dinossauros chamados de “pescoçudos” são conhecidos como “saurópodes”, e surpreendentemente, são mais proximamente relacionados às Aves do que, por exemplo, os dinossauros “bicos-de-pato” (hadrossauros)!

Os dinossauros saurópodes ficaram especialmente famosos pelo notável tamanho alcançado por algumas espécies, cujas estimativas alcançam até 40 metros de comprimento, como é o caso do argentinossauro. Alguns pesquisadores ousados sugerem a existência de um animal de quase 60 metros, mas até que ponto esse monstro gigantesco seria realidade?

É importante lembrar que nem todos os saurópodes foram titãs colossais, porém o gigantismo sem dúvida moldou a evolução dessas criaturas, com a seleção de adaptações físicas e biológicas surpreendentes. Como afinal funcionavam essas máquinas vivas?

Os saurópodes estão entre algumas das criaturas mais impressionantes que já caminharam sobre o planeta Terra e incluem os maiores herbívoros terrestres que já existiram. Procurando elucidar várias curiosidades e dúvidas sobre esses animais, convidamos o nosso colega Bruno A. Navarro, que em 2015 defendeu seu trabalho de conclusão de curso sobre aspectos da anatomia e ecologia desses animais. Bruno faz parte da equipe de pesquisa do Museu de Zoologia da USP de São Paulo (MZ-USP) e nesse BoneCast procurou elucidar algumas das questões mais comuns sobre os dinossauros saurópodes.

Vocês estão convidados a deixarem perguntas em nosso canal do YouTube, que serão lidas e respondidas pelo Bruno, outros pesquisadores convidados, e nossa equipe, na medida do possível.

Veja o vídeo AQUI:

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–> Este vídeo foi gravado antes do anúncio da descoberta de mais um gigante colossal na Argentina: um titanossauro ainda sem nome, que, de acordo com estimativas ainda não oficialmente publicadas, seria maior que o argentinossauro. Para saber mais sobre essa criatura, assista o documentário “Attenborough and the Giant Dinosaur” (BBC, 2016) (você pode assistir AQUI).

–> Leia mais sobre o misteriodo gigante Amphicoelias aqui: “The fragile legacy of Amphicoelias fragillimus (Dinosauria: Sauropoda; Morrison Formation – Latest Jurassic)” https://peerj.com/preprints/838.pdf

Novo livro de ficção envolve aventura com dinossauros brasileiros

Hoje temos a honra de anunciar o lançamento do livro “Realidade Oculta”, de autoria de Tito Aureliano, um dos membros de nossa equipe!

41zGDYYA2cL._SX333_BO1,204,203,200_“Realidade Oculta” é um livro de ficção científica, aventura e suspense, que envolve Paleontologia, viagem no tempo e dinossauros brasileiros.

A trama começa quando o diário de uma velha senhora do século XIX é encontrado, recuperado de um antigo manicômio. O diário revela, com muitos detalhes, uma incrível história sobre viagem no espaço-tempo, em que um grupo de pessoas é carregado para o período Cretáceo. Perdidos, eles procuram sobreviver e encontrar um meio de retornar, enquanto buscam entender o que… ou quem… os levou para lá.

Apesar de uma ficção, o livro foi escrito de uma forma ultra-realista e você poderá se sentir na pele da personagem principal. Recheado de mistério e suspense, o livro também traz alguns trechos aterrorizantes e outros de pura reflexão e admiração. Você não vai querer parar de ler!

Por fim, como foi escrito por um cientista, aproveite para ter uma visão realista sobre dinossauros e o período Cretáceo. Entenda o mundo pelos olhos de um paleontólogo! E corra, corra muito para sobreviver.

Você está preparado para sua viagem no tempo?!
Embarque já nessa aventura!!
Realidade Oculta foi lançado hoje e está disponível na loja da Amazon do Brasil em versão e-book (Clique aqui para ver na loja: http://www.amazon.com.br/Realidade-Oculta-Tito-Aureliano-ebook/dp/B0176TGSBW/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1451306975&sr=8-2&keywords=realidade+oculta) e versão impressa na Amazon.com, no Clube dos Autores e na Bookess (clique nos links para acessar). Em breve você também poderá encomendar seu livro em qualquer Livraria Cultura.
Descubra a verdade e prepare seu coração. Os dinossauros estão a solta!

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ATUALIZAÇÃO:

Um dia após o lançamento e realidade oculta je está entre os dez e-books de ficção científica mais vendidos do Brasil!!

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Conheça mais sobre o livro aqui:

Concurso de arte relâmpago! Com prêmios!

Concurso de arte relâmpago dos Colecionadores de Ossos. Valendo prêmios!

Lançamos esse desafio para comemorar o lançamento do livro REALIDADE OCULTA, de Tito Aureliano. Um livro que envolve viagem no tempo e dinossauros brasileiros!
Veja aqui como participar da competição:


Enviem suas artes para nosso e-mail até o dia 24!

Nosso e-mail: [email protected]

Página dos Colecionadores de Ossos: https://www.facebook.com/colecionadoresdeossos/
Fan page do livro Realidade Ocultahttps://www.facebook.com/r.o.descubraverdade/?fref=ts

 

O dia a dia e suas tragédias…

Texto de Rafael Souza

Recentemente, próximo a região central de Minas Gerais, um trágico episódio de destruição e caos decorrente do descaso público, má gestão empresarial e ganância excessiva sem preocupação ambiental/social pode ser observada, e infelizmente vivida por alguns. A tragédia que me refiro foi o rompimento da barragem da empresa Vale, que tinha por objetivo represar a água oriunda dos processos de prospecção mineral ali próximo.

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Graças a tal tragédia conseguimos ver, em questão de dias, o soterramento de um dos rios mais importantes de Minas Gerais. Resultado disso houve uma grande perda biológica tanto de fauna e flora ao longo do curso do rio, bem como a liberação de toneladas de lama com metais pesados na costa de nosso país. No entanto, um dos mais preocupantes fatores oriundos dessa tragédia foi a quase completa destruição do leito do rio.

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A questão é, se mais nenhuma intervenção humana for feita e o ambiente em questão não sofrer grandes alterações geológicas (alterando assim seu nível de base e espaço de acomodação) essa tragédia poderá ser imortalizada em uma camada de rocha daqui a alguns milhares de anos.

Isso nos arremete a uma das mais interessantes discussões no âmbito cientifico que são as Teorias que buscam explicar os processos evolutivos tanto da geologia da Terra como de suas formas de vida. Basicamente existem duas propostas mais famosas e que por muito tempo foram vistas como antagônicas: o Catastrofismo proposto por Cuvier e o Uniformitarismo proposto por Hutton.

O Catastrofismo de Cuvier, como o próprio nome sugere, propõe que o relevo da Terra, entenda por conformação geológica, deveria ser explicada por eventos catastróficos de grande porte. Segundo essa visão, apenas grandes eventos seriam “fortes” o suficiente para deixar depositar grandes camadas e então se transformarem em rocha ao longo da diagênese. Essa mesma teoria também foi aplicada à biologia para explicar diversos processos evolutivos observados.

Dentre as evidências a favor dessa linha de pensamento seriam as grandes catástrofes naturais que alteraram de maneira significativa o curso evolutivo da vida, e devido a sua magnitude seriam mais facilmente preservadas nas camadas da Terra. Podemos incluir também catástrofes que geraram grandes eventos de extinção em massa, como por exemplo, a grande extinção do K/Pg que eliminou todas as espécies de dinossauros não-avianos e, segundo propostas, possibilitou a grande diversificação das espécies de mamífero no Paleoceno.

O Uniformitarismo de Hutton propõem que o registro geológico observado atualmente é conseqüência de uma série continua, lenta e gradual de eventos cotidianos. Sendo assim, a deposição de sedimentos que observamos em rios e lagos ao longo de séculos nos resultaria em rochas equivalentes ao que observamos em alguns afloramentos. Já para a biologia um dos grandes defensores dessa teoria foi o próprio Darwin que por meio da seleção natural propunha que, por exemplos, oo longo da tokogenia das espécies os indivíduos iam lentamente se modificando por meio da descendência com modificação à medida que se adaptavam as mudanças ambientais. Além disso, uma das grandes contribuições de tal teoria foi que os eventos que ocorreram no passado estão sujeitos as mesmas forças naturais que observamos no presente e isso é valido tanto para a geologia quanto para a biologia.

Hoje temos uma noção razoável de que ambas as teorias tem sua influência no decorrer evolutivo da Terra e que a predileção por uma ou outra sem considerar todas as evidências disponíveis pode tendênciar a interpretação por parte dos pesquisadores e fazer com que hipóteses menos favoráveis sejam eleitas. Por exemplo, atualmente temos uma melhor compreensão que tanto a extinção dos dinossauros não-avianos quanto a radiação dos mamíferos foram eventos que fortemente apresentaram contribuições explanatórias das duas Teorias discutidas a cima. Sendo que os dinossauros não-avianos aparentavem apresentar um declínio significativo em seu número de espécies à medida que se aproximava do final do Cretáceo enquanto, em contra partida, os mamíferos já apresentavam um crescimento em seu número de espécies. Sendo assim a catástrofe de extinção em massa do K/Pg pode ter sido apenas um catalisador para todas essas mudanças. Mas uma coisa é certa, se a catástrofe não tivesse acontecido o mundo certamente seria diferente do que observamos atualmente.

Agora retomando nossa catástrofe, resta aguardar os próximos anos para podermos vislumbrar o verdadeiro impacto que causamos a nossa fauna e flora e torcer para que tal cicatriz seja não só eternalizada na história de nosso planeta como na nossa própria história e que essa tragédia nos faça refletir sobre nossa prepotência e nos ajude a nos tornarmos seres mais respeitosos uns com os outros e principalmente com as outras formas de vida.

O autor:

Rafael Gomes de Souza

206762_521403024559726_620681216_nGraduado em licenciatura e bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Uberlândia e mestre em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ. Desenvolve pesquisas na área de sistemática e paleontologia, principalmente com crocodilianos fósseis e aspectos filosóficos da sistemática.

Clique aqui para ver o Currículo Lattes.

Os “anfíbios de fogo” do Nordeste

Publicadas hoje na revista Nature Communications duas novas espécies de anfíbios fósseis do Brasil. O estudo também abre uma nova janela para compreensão de como eram os ecossistemas do Nordeste há 278 milhões de anos e amplia o entendimento sobre a diversidade e dispersão de alguns grupos de organismos fósseis.

Uma reconstrução da antiga comunidade lacustre do Nordeste brasileiro, mostrando em primeiro plano as novas espécies Timonya anneae (esquerda) e Procuhy nazariensis (direita). © Andrey Atuchin.

Uma reconstrução da antiga comunidade lacustre do Nordeste brasileiro, mostrando em primeiro plano as novas espécies Timonya anneae (esquerda) e Procuhy nazariensis (direita). © Andrey Atuchin.

Resultado de uma grande contribuição internacional, com participação do pesquisador Juan Carlos Cisneros da Universidade Federal do Piauí (UFPI), o artigo publicado hoje na revista Nature Communications trás várias grandes contribuições para a Paleontologia. As primeiras são de grande relevância para a paleontologia nacional, com a adição de duas novas espécies ao “Bestiário Fóssil” do Brasil e a expansão do conhecimento sobre a paleontologia do Nordeste. As outras são de importância internacional, já que o estudo ajuda a preencher uma lacuna no conhecimento sobre os organismos que viveram no Hemisfério sul durante o período Permiano (entre 300 e 250 milhões de anos atrás) e também amplia o entendimento sobre a diversidade e dispersão de alguns grupos de organismos fósseis.

Timonya anneae e Procuhy nazariensis foram duas espécies de animais muito semelhantes à salamandras. Ambas espécies tinham hábitos essencialmente aquáticos e viveram há mais de 270 milhões de anos no que hoje é a região leste do Maranhão e o estado do Piauí. Timonya recebeu seu nome em homenagem ao município de Timon, no Maranhão, onde foi encontrada. O organismo era de pequeno tamanho e tinha o o corpo alongado e esguio como de uma enguia. Diversos espécimes em diferentes estágios de desenvolvimento foram encontrados e puderam ser estudados detalhadamente, inclusive com o uso de tomografias computadorizadas. Procuhy nazariensis, por sua vez, foi encontrado no município de Nazária, próximo à Teresina, no Piauí. Essa espécie era era um pouco maior apenas, tendo sido batizada na língua timbira, nativa do Maranhão, Piauí e Tocantins. Seu nome significa “sapo de fogo”, em alusão à Formação Pedra de Fogo, subunidade da Bacia sedimentar do Parnaíba, onde seus restos foram recuperados.

A Formação Pedra de Fogo é de onde provêm todos os fósseis do estudo e já era conhecida dos paleontólogos brasileiros pelos abundantes achados de troncos petrificados, muitos dos quais afloram dentro da cidade de Teresina, às margens do Rio Poti. Essa unidade geológica ganhou esse nome devido à elevada ocorrência de sílex, rocha muito usada para produzir fogo.

Até o momento, pouco se conhecia sobre as espécies de animais que ocorriam na Formação Pedra de Fogo, ou seja, que teriam habitado o Nordeste do Brasil durante o período Permiano. De acordo com o paleontólogo da UFPI Juan Cisneros, agora é possível ter um panorama muito mais detalhado sobre vida naquele tempo, “sabemos que no Permiano havia uma antiga floresta, que era parte de um bioma de lagos alcalinos, com uma fauna dominada por anfíbios.”

Além das duas espécies fósseis encontradas, restos de um anfíbio do tamanho de um pequeno jacaré e as mandíbulas de um pequeno réptil semelhante à uma lagartixa também foram recuperados. Estes organismos não puderam ser nomeados devido a qualidade e quantidade de material obtida, porém seu registro é muito significativo. Semelhanças morfológicas indicam que seus parentes mais próximos teriam vivido no Paraná, na África do Sul e também na América do Norte. O fato destas espécies terem sido registradas no Nordeste ajudam os paleontólogos a ter uma ideia sobre como estes animais se dispersaram durante o Permiano e como colonizaram novas regiões do grande paleocontinente Pangeia no passado.

“Quase todo o nosso conhecimento sobre os animais terrestres desse tempo (Permiano) é proveniente de um punhado de regiões na América do Norte e na Europa Ocidental, as quais estavam localizadas próximas ao equador,” disse o paleontólogo do Field Museum (Chicago, EUA) Ken Angielczyk, um dos autores da pesquisa. “Agora finalmente temos informação sobre que tipos de animais estavam presentes em áreas mais distantes ao sul, e das suas similaridades e diferenças com os animais vivendo próximos ao equador.”

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Crânio e parte do esqueleto do anfíbio Timonya anneae. Timonya é um anfíbio arcaico que habitou lagos tropicais do Nordeste durante o Período Permiano (aprox. 278 milhões de anos atrás). Este espécime foi encontrado em Timon, MA. Este crânio pertence a um animal jovem. Foto: Juan Cisneros.

Equipe de campo procurando fósseis em Nazária, PI. De esquerda a direita, em sentidohorário: Christian Kammerer, Jörg Fröbisch, Juan Cisneros, Martha Richter, Renata Quaresma.Foto: Kenneth Angielczyk.

Equipe de campo procurando fósseis em Nazária, PI. De esquerda a direita, em sentido horário: Christian Kammerer, Jörg Fröbisch, Juan Cisneros, Martha Richter, Renata Quaresma. Foto: Kenneth Angielczyk.

rânio do anfíbio Timonya anneae. Timonya é um anfíbio arcaico que habitou lagostropicais do Nordeste durante o Período Permiano (aprox. 278 milhões de anos atrás). Esteespécime foi encontrado em Timon, MA. Seu nome homenageia o município de Timon. Este crâniopertence a um animal adulto. Foto: Juan Cisneros.

Crânio do anfíbio Timonya anneae. Este crânio pertence a um animal adulto. Foto: Juan Cisneros.

Cisneros, J. C. et al. New Permian fauna from tropical Gondwana. Nat. Commun. 6:8676 doi: 10.1038/ncomms9676 (2015).

Parque dos “Dinossauros” será construído em Brasília

Essa semana me deparei com essa notícia:

Zoo de Brasília terá o maior parque de dinossauros do Brasil

As réplicas dos mais de 20 dinossauros robotizados serão tão reais que chegarão a simular a respiração e os sons emitidos por eles. O maior dino terá uma altura equivalente a um prédio de 13 andares, bla bla bla” .

De início pensei: “Poxa, que legal!! A Paleontologia está mesmo em alta e isso vai ajudar muito a divulgar a ciência no Brasil e…” Mas aí continuei lendo até chegar no final e ver um vídeo do que pretende ser o parque brasiliense:


Veja a notícia completa aqui aqui: http://fatoonline.com.br/conteudo/10255/zoo-de-brasilia-tera-o-maior-parque-de-dinossauros-do-brasil 

Depois de 1 minuto e 38 segundos de horror, eu finalmente consegui pensar e resolvi escrever esse texto. Depois de ver o vídeo, resolvi escrever esse texto. Essa é uma reflexão, uma crítica e um apelo.

Muito legal a iniciativa, parque zoológico de Brasília. Agora, sinceramente: Será um ótimo entretenimento, mas também para por aí.

Se o empreendimento de Brasília for semelhante a exposição paulista (como é sugerido no vídeo), tudo o que será apresentado ali estará há anos-luz de ser científico e/ou realmente informativo/ construtivo para a sociedade.

Um problema sério é que as pessoas acham que qualquer um entende de dinossauro o suficiente para escrever plaquinhas e reconstruí-los artisticamente (“Chama lá seu sobrinho que entende de dinossauro para ajudar aqui!“), mas não é bem assim! Ninguém chama um garçom para construir uma ponte ou um arquiteto para fazer uma operação médica. A falta de cuidado torna esse empreendimento puramente comercial (e infinitamente amador). É um desperdício criar tal estrutura (em plena capital do Brasil!!!) para não ter uma função social e educacional séria, comprometida com a realidade e o avanço científico da atualidade.

Diferente do que muitos pensam, é possível sim unir entretenimento e educação! Os empreendimentos brasileiros são v.e.r.g.o.n.h.o.s.a.m.e.n.t.e amadores perto do que fazem os museus e parques no Japão, E.U.A, Canadá, Portugal, Espanha, Alemanha e até mesmo na Argentina. O que vemos aqui é quase um entretenimento-“favela”: “Ofereça qualquer coisa, que eles aceitam. Faz o bicho se mexer e urrar, que todo mundo vai pagar para ver.” É um circo descomprometido, que somente visa o lucro em cima de um público que eles claramente consideram acéfalos. Subestimam nossa inteligência! (Ou será que o público brasileiro é ignorante mesmo?!).

É um extremo desserviço colocar o nome “Parque dos Dinossauros” nesse show de aberrações (aliás, será que esse nome viola algum copyright?). O mais correto seria “Parque dos Monstros”, porque aí sim seria honesto. Se aceitarem a sugestão, coloquem logo o Godzilla na entrada (porque aí sim eu pagava para ir ver).

Tantos profissionais sérios fazendo ciência paleontológica séria no Brasil, com orçamentos apertados, muitas vezes pagando do próprio bolso para colocar materiais nos laboratórios, e coisas amadoras como essa fazendo o dinheiro que poderia estar sendo investido em ciência de verdade? Há uma inversão monstruosa de valores. E eu só lamento.

Como o parque nem foi criado ainda, deixo aqui a minha esperança para que o cidadão responsável por essa ideia contrate profissionais competentes para que isso tudo não seja um imenso circo constrangedor, apenas.

Fica aqui um exemplo de um empreendimento sério e comprometido na BOLÍVIA: http://scienceblogs.com.br/colecionadores/2012/08/parque-cretacico/

E ficam aqui alguns exemplos SÉRIOS para quem quer aprender mais sobre dinossauros no Brasil:

Biogeografia: um mundo de mudanças

Nosso colaborador Rafael Souza, nessa sua segunda postagem no blog, explica conceitos básicos de “Biogeografia”, a ciência que estuda a distribuição espacial das espécies e ecossistemas ao longo do tempo. Com muito conhecimento da causa e um diálogo crítico e consciente, Rafael vai introduzir-lo a uma nova forma de enxergar o mundo:

Mapa do mundo retirado do livro "The geographical distribution of Animals", mostrando as seis regiões biogeográficas definidas por Alfred R. Wallace (1876).

Mapa do mundo retirado do livro “The geographical distribution of Animals”, mostrando as seis regiões biogeográficas definidas por Alfred R. Wallace (1876).

 

“Todos aqueles que se dedicam à natureza, de forma profissional ou passional, em algum momento já se perguntou como e por que os seres vivos apresentam a distribuição geográfica que observamos. Ao longo dos séculos, milhares de naturalistas, filósofos e até mesmo religiosos se dedicaram a registrar padrões de distribuição e entender os processos que as produziram. Crianças desde cedo já demonstram esse interesse: por exemplo, quem nunca se perguntou o porquê de só haver pingüins no pólo sul e ursos polares no pólo norte? A célebre frase “Terra e Vida evoluem juntos” de autoria do botânico Leon C. M. Croizat (1894-1982), famosa por seu grande impacto na ciência, pode nos ajudar a entender essas questões. Mas afinal o que ela quer dizer? O que existe de tão poderoso por trás dessa frase? O que ela esconde em termos de metodologias e proposições de hipóteses? A resposta para tal é bastante complexa e envolve muito mais que o simples acaso ou a vontade de uma entidade superior.

Esta cena é impossível em mais de um aspecto.

Sim, esta cena é impossível em mais de um aspecto.

Vamos nesse post desbravar um pouco sobre o misterioso universo da Biogeografia!

A base da Biogeografia foi bem fundamentada por diversos nomes famosos, como Alexander von Humboldt (1769–1859), Hewett Cottrell Watson (1804–1881), Alphonse de Candolle (1806–1893), Alfred Russel Wallace (1823–1913), Philip Lutley Sclater (1829–1913) e tantos outros nomes (para um melhor aprofundamento, sugiro a leitura do livro de Brown & Lomolino, 2006). A Biogeografia, para início da nossa conversa, é uma ciência que busca principalmente estudar a distribuição dos seres vivos no espaço e no tempo, e detectar os padrões deixados pelos mesmos. O estudo de processos como isolamento, colonização, especiação, extinção, etc, são importantes ferramentas. Como podemos perceber, trata-se de uma ciência multidisciplinar, integrativa – mas que infelizmente, possui uma grande perda de informações devido a sua essência visivelmente histórica.

Antes de tentarmos responder uma pergunta biogeográfica é fundamental que entendamos a sua origem e seu real significado, é necessário, portanto, o estudo dos aspectos filosóficos que regem tal pergunta.

A biogeografia é tradicionalmente subdividida em duas categorias (De Candolle, 1820): a Biogeografia Histórica e a Biogeografia Ecológica. A proposição de uma terceira, a Paleobiogeografia, originalmente proposta por Furon (1961) como um sinônimo da Biogeografia Histórica, porém foi rapidamente adotada por Paleontólogos, especialmente aqueles que trabalham com grupos que não tem nenhum representante atual. O termo Paleobiogegrafia foi brevemente difundindo por Lieberman (2003), num célebre trabalho que destaca a importância dos fósseis para a detecção e discussão de padrões biogeográficos. Em suma, as em três categorias se encontram melhor explicadas abaixo (sensu Brown & Lomolino, 2006):

– Biogeografia histórica: busca reconstruir a “origem” (entenda por: conquista de determinada região geográfica), dispersão e extinção dos seres vivos;

– Biogeografia ecológica: busca explicar a distribuição atual dos seres vivos levando em consideração suas interações entre organismos e ambiente;

– Paleobiogeografia: busca explicar a distribuição observada em organismos fósseis.

No entanto, hoje essas divisões são reconhecidas como claramente artificiais (Morrone, 1993, 2004; Crisci, 2001), pois sabemos que para qualquer padrão de distribuição atual, existiram fatores históricos responsáveis por moldá-los como são hoje. Assim, podemos classificar a biogeografia, incluindo todas suas subdivisões, como uma ciência que busca explicar os padrões atuais de distribuição das espécies com base em eventos históricos, que naturalmente não poderemos mais observar (bem ilustrado juntamente com seus processos na Figura 1).

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Figura 1: Esquema exemplificando as possíveis hipóteses explanatórias para os padrões biogeográficos observados. Retirado de Myers & Giller, 1988.

Destrinchando um pouco mais sobre o que comentei acima e o que está ilustrado na Figura 1 podemos dizer que as ciências de modo geral (Biogeografia inclusa) buscam detectar padrões, além de explica-los por meio de processos – ou seja, a criação de hipóteses. Tais hipóteses, em geral, são divulgadas a outros cientistas que as sujeitarão a testes buscando corroborá-las ou falseá-las. Essa linha de pensamento é conhecida como raciocínio hipotético-dedutivo e foi fortemente defendida por Karl Popper (brevemente discutido em Brown & Lomolino, 2006). Embora ela seja aceita na maioria das Ciências, alguns autores como Rosen (1988) levantaram discussões acerca de sua influência na Biogeografia.

Os padrões biogeográficos observados nos indivíduos de uma determinada espécie tendem a ser explicados por uma das seguintes hipóteses explanatórias abaixo. Vale ressaltar que a compreensão e adoção de uma das formas de se designar uma espécie seja feita e explicitada antes da inferência de qualquer hipótese biogeográfica, para tal recomendo a leitura de minha postagem anterior.

400px-I'm_a_mammal!Todos os indivíduos de uma espécie estão sujeitos a expressarem variações entre si que podem ou não ser passadas para seus descendentes. Quando uma população de uma determinada espécie começa a acumular em seus descendentes uma ou mais característica (origem e fixação de uma ou mais características) dizemos que tal espécie sofreu um processo anagenético de especiação, sendo, portanto, possível identificar um conjunto de indivíduos que eram caracterizados por uma característica X e chamados por espécie A e um conjunto de indivíduos que ocupam o espaço previamente ocupado pela espécie A que são caracterizados pela característica contrastiva Y e chamados por espécie B. Esse evento biogeográfico de “sucessão” de uma determinada área por espécies que se originaram via anagenese é conhecida como simpatria ou paripatria. Uma característica desse tipo de hipótese biogeográfica é que o fator preponderante não é a colonização de novas áreas e sim o efeito tempo que pode ou não ter modificado a área, mas que modificou os indivíduos de uma determinada espécie que ali residia.

Quando uma tocogenia de uma espécie, por algum motivo, se separa em duas novas e cada uma dessas tocogenias representa uma ou mais tocogenias de no mínimo uma espécie diferente, chamamos tal evento de Cladogenese, representada por uma dicotomia em um cladograma. Em geral, os principais eventos que levam a tal separação na tocogenia são eventos externos a espécie e geralmente estão associados à processos físicos, como o surgimento de uma barreira (qualquer estrutura física ou climática que impeça a dispersão de indivíduos da espécie em questão). Na biogeografia o surgimento de tais barreiras é formalmente conhecido como eventos vicariantes, representados na Figura 1. Então diferente da simpatria/paripatria, a vicariância tem um grande componente espacial e também conta com o fator temporal. O fator temporal esta relacionado com o tempo de existência/permanência de tal barreira e se ela foi capaz de selecionar de forma diferenciada as populações isoladas, justificando a designação de nova(s) espécie(s).

Se os indivíduos de uma espécie possuem sua distribuição limitada por barreiras, sejam elas físicas ou não, mas que durante algum momento na história evolutiva dessa espécie essa barreira torna-se momentaneamente transponível possibilitando que uma porção desses indivíduos dispersem por tais fronteiras e colonizem novos espaços, chamamos tal processo na biogeografia de dispersão (Figura 1). Eventos dispersivos em geral são mal vistos pelos cientistas devido à dificuldade de se encontrar evidências que suportem tais hipóteses explanatórias. Portanto, são consideradas respostas chave para perguntas biogeográficas quando não se há evidências favoráveis a outros tipos de eventos, como a vicariância. Um ótimo exemplo da utilização de dispersão quando nenhuma outra hipótese parece favorável são os eventos dispersivos propostos para os macacos e roedores presentes na América do Sul. Estes teriam aqui chegado via balsas naturais que atravessaram o oceano Atlântico sul provenientes da África.

Por fim, um fator um tanto quanto negligenciado são os eventos de extinção de populações. Quando uma espécie apresenta indivíduos colonizando uma região vasta com diferentes ecossistemas e por algum motivo parte dessas populações são extintas, você cria um novo padrão distribucional e que pode levar a separação das tocogenias dessa espécie. A depender do tempo e da capacidade de re-colonização dos indivíduos dessa espécie você pode ser capaz de criar um evento de “especiação” nessas populações muito similar ao criado por eventos vicariantes. Outro padrão bastante comum causado por eventos de extinção são as distribuições disruptivas causadas por processos similares ao descrito anteriormente, só que sem a diferenciação entre as populações ou com a manutenção parcial de sua tocogenias.

Com as possíveis hipóteses explanatórias explicadas agora fica fácil entender o que Croizat quis dizer com “Terra e Vida evoluem juntos”. Como podemos observar todas explicações estão de alguma forma diretamente relacionadas a evolução dos ambientes (Terra) e o impacto que estas mudanças podem gerar nas populações. Como por exemplo, o surgimento de montanhas via tectonismo podem ser ótimos produtores de efeitos vicariantes, mas mudanças em menor escala, como a mudança de percurso de um grande rio também pode servir como barreira para inúmeras espécies. Além disso, mudanças climáticas são fatores que podem ser diretamente relacionados e eventos de extinção local ou “forçar” que tais populações se dispersem em busca de novos ambientes favoráveis. Então como Croizat bem disse a Terra esta evoluindo e influenciando diretamente à vida. O impacto dessas mudanças e as reações tomadas pelos indivíduos dessas espécies para se adaptarem as novas condições foi explicada por outra renomado pesquisador Charles R. Darwin (1809-1882) e ficou conhecida como Teoria da Seleção Natural.

Sendo assim, quando buscamos entender um padrão biogeográfico, procuramos por todos os eventos que teriam potencial para produzir o padrão de distribuição observado em determinada área. Cada espécie presente em uma área específica apresentará uma hipótese explanatória independente. No entanto, cada hipótese explanatória está relacionada a uma mesma teoria e deve ser respondida em conjunto devido ao efeito de causa comum e a capacidade de influência que cada uma delas tem para com a outra. Sendo assim, quando tentamos desvendar as causas de uma determinada distribuição em uma área X precisamos utilizar o máximo de dados possível, pois as hipóteses geradas para cada espécie individualmente é relevante para responder a pergunta feita, sejam essas favoráveis ou não as nossas respostas. Dessa forma estaremos atendendo o requerimento da evidência total e teremos mais suporte (um maior número de hipóteses relevantes) para nossas respostas.

Além disso, é fundamental que haja mais conversa entre as pessoas interessadas em desvendar tais padrões, principalmente àqueles que se consideram biogeógrafos. O desenvolvimento de novas metodologias é importante para a aquisição de novas respostas. No entanto, respostas se tornam vazias quando não há uma boa compreensão do que está sendo perguntado. Portanto, faz-se necessário que tais pesquisadores discutam mais sobre as bases filosóficas de suas ciências e entendam e discutam as formas mais corretas de se perguntar o que anseiam descobrir, para somente depois buscarem metodologias que os auxiliem na aquisição de novas respostas.

Por fim, gostaria de agradecer a minha parceira de vida Kamila L. N. Bandeira pelas idéias, discussões e revisões feitas no texto.”

Rafael Gomes de Souza

206762_521403024559726_620681216_nGraduado em licenciatura e bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Uberlândia e mestre em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ. Desenvolve pesquisas na área de sistemática e paleontologia, principalmente com crocodilianos fósseis e aspectos filosóficos da sistemática.

Clique aqui para ver o Currículo Lattes.

 

 

REFERÊNCIAS:

BROWN, J. H. & LOMOLINO, M. V. 2006. Biogeografia. FUNPEC – editora, 2ºed, p. 692.

Crisci, J.V. 2001. The voice of historical biogeography. Journal of Biogeography, 28: 157–168.

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Furon, R. La Distribuicíon de los Seres. 1961. Trad. R. Brito. Buenos Aires – Barcelona, Nueva Col. Labor, 163 p.

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MYERS, A. A. & GILLER, P. S. 1988. Analytical biogeography: an integrated approach to the study of animal and plant distributions. Chapman and Hall, London and New York, p. 576.

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BoneCast #16: Inferno de Lava

No episódio 16 de BoneCasts, a paleontóloga Aline Ghilardi (doutoranda, UFRJ) nos leva ao Parque Prefeito Luiz Roberto Jabali, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Esse parque foi por muito tempo uma pedreira de extração de basalto para produção de “brita” para construção civil, até o empreendimento ser desativado na década de 1990 e então transformado em um parque. Porém, pouca gente conhece a história por trás das rochas desse lugar. Os paredões hoje expostos foram originados por um gigantesco derrame de lava basáltica que ocorreu durante a era dos dinossauros. Esse grande derrame foi um dos maiores eventos dessa natureza já ocorrido na história do planeta Terra, mudando o clima e significativamente os ecossistemas da região. Descubra mais sobre o cataclisma que atingiu a porção central de Gonduana há mais de 130 milhões de anos e originou o que hoje conhecemos como Formação Serra Geral.

Clique na imagem para assistir (você será redirecionado para o YouTube):

BoneCasts#16

BoneCast #15 – Paleoicnologia: o estudo dos traços fósseis

Bernardo Peixoto, pós-graduando em Ecologia da UFSCar, que atualmente estuda a diversidade de rastros de insetos encontrados nas rochas de idade juro-cretácica da Formação Botucatu, fala um pouco mais sobre o que é “Paleoicnologia”, um ramo de estudo da Paleontologia, que pode fornecer informações muito além dos fósseis de ossos, carapaças e conchas.

Assista o vídeo para entender mais sobre esse ramo da ciência paleontológica e a importância do estudo dos icnofósseis (você será redirecionado para o YouTube):

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Bernardo fala um pouco também sobre o seu trabalho e o que se conhece na atualidade sobre o paleoambiente do antigo deserto Botucatu.
Esse vídeo encerra a série de BoneCast sobre a Paleontologia da Formação Botucatu.

BoneCast #14 – Rastros Fantasmas: Pegadas do Cretáceo

Neste episódio #14 de BoneCasts, o paleontólogo Marcelo Fernandes apresenta a  maior coleção de pegadas pré-históricas do Brasil. Conheça mais criaturas que habitavam o paleodeserto Botucatu de mais de 140 milhões de anos.
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Leia mais:
As pegadas fósseis do interior paulista: AQUI
A fauna do Paleodeserto Botucatu: AQUI
Um estranho nas dunas: http://www.colecionadoresdeossos.com/2011/05/um-estranho-nas-dunas-o-paleo-deserto.html
Jazigo icnofossilífero do Ouro (SIGEP): AQUI
Para quem quiser visitar o Museu de Ciências Prof. Mário Tolentino em São Carlos:  AQUI

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By Tito Aureliano, 2010. Afloramentos Cretácicos (Fm. Alcântara), Ilha do Cajual, Maranhão, Brasil. Reservo direitos de uso sobre essa fotografia. Sua cópia não está autorizada.

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