Os problemas da coleta não controlada e do comércio de fósseis

Desde sempre, fanáticos e colecionadores de fósseis existiram. Isso pode ter impulsionado o surgimento da Paleontologia no século XVIII e até mesmo levado ao seu grande florescimento no século XIX, mas a verdade é que essa história toda funciona como uma faca de dois gumes.

Colecionadores particulares de fósseis implicam necessariamente na existência de coletores e vendedores de fósseis para alimentar o seu hobby. Os coletores e vendedores por sua vez o fazem 1) para ganhar a vida, 2) para tirar um trocado, 3) porque tem a oportunidade fácil (os fósseis afloram em seu quintal ou na sua pedreira de calcário), ou 4) por esporte simplesmente.

A parte boa dessa rede toda existir é que com o trabalho dos coletores,  novos fósseis vem a tona com grande grande rapidez, já que a exploração dos depósitos passa a ser contínua. Novas descobertas são feitas o tempo todo e todo mundo fica feliz, certo? Bem, não é bem assim… Existem várias complicações nisso e dentre elas, vou procurar explicar as três principais:

1) O primeiro problema é que coletores amadores de fósseis muitas vezes acabam retirando indevidamente o material dos afloramentos, sem controle tafonômico ou estratigráfico, e com isso informações relevantes ou até mesmo cruciais sobre o contexto daquele organismo extinto (importantes para estudos paleoambientais e paleoecológicos) estarão perdidas PARA SEMPRE.

Convido à reflexão: De que me adianta ter uma coleção de espécies (ou espécimes) se eu não sei aonde encaixá-las no cenário da história da vida na Terra ou no seu contexto paleoambiental e paleoecológico pretérito?

Nesse cenário, o único valor daqueles objetos será puramente estético e colecionista, nada mais. Como figurinhas ou verbetes frios de dicionário.

Por muitas décadas alguns paleontólogos construíram a paleontologia dessa forma. Coletando toneladas de fósseis sem o devido controle, simplesmente para descrever novas espécies. Veja o exemplo do que ocorreu durante a “Guerra dos Ossos” (Bone Wars), nos E.U.A. O resultado pode parecer fantástico, mas na verdade é bastante desastroso. A lição foi duramente aprendida: outros paleontólogos levaram décadas para consertar a bagunça! E olhe que demorou até que essa visão essencialmente descritiva da paleontologia desabasse em prol de uma nova atitude por parte dos paleontólogos. Hoje, um fóssil sem as informações do seu contexto nada mais vale para a ciência.

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Coletores amadores geralmente realizam a retirada de maneira indevida dos fósseis por falta de conhecimento aplicado, descuido ou simplesmente porque eles não estão nem aí mesmo e “o que importa é o dinheiro”. Diferente do que se pode pensar, existem técnicas exaustivamente elaboradas e aperfeiçoadas para a retirada de materiais fósseis, de forma que o máximo de informações sobre o local e a condição de morte do organismo sejam preservadas. Para citar algumas das informações importantes, que geralmente são perdidas por uma coleta indevida:

I) a posição geográfica exata e a orientação do material: esses dados podem ajudar a compreender direções de paleocorrentes (rios pretérios);

II) o tipo de sedimento do entorno e a posição exata do fóssil nas camadas sedimentares: o conhecimento desses dados nos ajuda a interpretar informações detalhadas sobre o paleoambiente em que aqueles restos foram soterrados;

III)  a posição daquele fóssil em relação à outros do mesmo local: isso pode ajudar a entender a relação entre os organismos e a causa de suas mortes;

E assim por diante… Coletar essas informações não é tão fácil quanto parece e exige treino e materiais específicos. Um bom georreferenciamento do sítio fossilífero, um estudo geológico detalhado das camadas e a anotação exata da ocorrência de cada concentração fossilífera e de cada fóssil são fundamentais. Isso não se aprende lendo em nenhum “manual”, por mais que muitos desejassem que fosse assim.

 2) O segundo problema que devo destacar é que a atividade de coletores amadores (com intenção de venda ou não do material) faz com que muitos fósseis relevantes acabem sendo perdidos  (aqui, por diversas razões, como vamos destacar).

 2.a. A primeira e mais ingênua razão é que “fóssil feio não vale nada” e os coletores/vendedores simplesmente descartam esse material. De fato, para os colecionadores não vale nada mesmo um pedaço quebrado de uma vértebra ou um par de ossos longos desgastados, mas esse é um engano muito rude! As vezes um fóssil “feio” e fragmentado pode ser o primeiro registro de um grupo de animais para aquele contexto ou pertencer a algum tipo de animal que raramente se preserva. Em casos excepcionais pode ser crucial para o entendimento da distribuição ou o surgimento de alguns grupos fósseis. Quantas vezes você não se surpreendeu com um artigo genial baseado em cacos de fósseis e pensou “mas que fóssil horrível! Por que ele é tão importante assim?”. Porque não é só de fóssil bonito que se faz Paleontologia!

 thumbsandammo-122. b. Em um segundo caso, a perda de fósseis relevantes ocorre porque um dado colecionador compra um fóssil e.x.t.r.a.o.r.d.i.n.á.r.i.o, que poderia mudar o rumo da paleontologia, mas o coloca na mesinha de centro de sua sala e nunca nenhum pesquisador ou grupo de pesquisa terá acesso aquilo (joinha pra você, cara!).

A história da Paleontologia está recheada de exemplos assim. Fósseis incríveis que aparecem a venda em sites por aí, enlouquecem os pobres (nos dois sentidos, para deixar claro) paleontólogos, e, de repente somem para sempre. Tenho até dor em lembrar. O caso mais recente foi o dos chamados “Dueling Dinosaurs” (pesquise no Google por esse termo se tiver interesse no assunto).

Isso ocorre porque o colecionador muitas vezes nem sabe que aquilo é tão valioso cientificamente, já que pensa só na beleza estética da peça, ou porque não tem noção de como andam os estudos naquele campo científico. Outras vezes ainda, é porque o cara é mau mesmo e acha que pesquisadores são “sangue-sugas”, já que *ele* pagou pela peça e não vai ganhar nada deixando pesquisadores sujos estudarem-na.

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Os argumentos desse “cara mau” são todos inválidos, porque ele talvez não saiba que os pesquisadores não tem lucro financeiro algum com suas publicações. Simplesmente o fazem porquê: SCIENCE, BITCH! Se a questão fosse pela glória então (“eu que paguei e os caras que ficam com a glória?”), não tem problema também. Os pesquisadores poderiam até homenagear o benfeitor pelo seu ato de apoio à ciência dando o nome do cara para a nova espécie (se fosse o caso), ou destacando seu “imenso ato de benevolência pela 6e30d7a7441a6c32a0cbd461fe3bb6fa90594d8f6aad669d74fa0428fec34fceciência” nas mídias. Em alguns casos o benfeitor pode até participar na pesquisa, se quiser contribuir intelectualmente. Por fim, se a questão é materialista mesmo, do tipo “não quero perder meu fóssil, porque ele é meu preciosssso!!!” (isso no caso da necessidade da peça ir para um museu público, por exemplo), sugiro a esse indivíduo ler ou assistir a saga de Tolkien, “Senhor dos Anéis”, e aprender um par de lições com o Gollum. Se não aprender nada, aperte o botão “auto-destruir” e faça um favor à humanidade.

Resumindo, em qualquer um desses casos expostos acima, seja o 2.a ou 2.b, há perda irrecuperável de parte da memória biológica e geológica da Terra. Da SUA, da NOSSA história.

Ainda não enxergou a importância disso? Compare com: botar fogo na biblioteca real de Alexandria. Quantos anos de atraso a humanidade teve por causa disso? Compare com usar para sempre a pedra roseta como um apoio para copos de piscina em uma mansão em Dubai.

3) Muitas vezes fósseis são ADULTERADOS por coletores ou vendedores de fósseis para valorizá-los.

Isso é muito sério. E o pior: muito frequente. Não é raro um coletor amador encontrar um fóssil quase perfeito e faltar alguma partezinha apenas para ele conseguir um preço melhor na peça. O que ele faz? Um arrumadinho ou um quebra cabeça de fósseis.

Colar a cabeça de um peixe no corpo de outro, parte do focinho de um crocodilo em uma cabeça de dinossauro, misturar dois pterossauros… e por aí vai. Não preciso dizer que isso estraga o registro, certo?

Gênio!

Gênio!

A parte engraçada dessa história é que as vezes pesquisadores mal intencionados e/ou preguiçosos ou intituições de pesquisa que ficam muito longe de depósitos fossilíferos compram fósseis para facilitar a sua vida e acabam sendo desmascarados ridiculamente no seu ato de trapaça, descrevendo uma espécie que não existe: uma quimera. Depois só resta a vergonha de ter que se retratar e consertar o ocorrido publicamente (Irritator feelings). – Leia AQUI também sobre o caso do Archaeoraptor.

PORÉM,  infelizmente,  as vezes esses fósseis podem – depois de passarem de mão em mão por gerações – cair em institutos de pesquisa por meio de doações particulares. Aí até que os pesquisadores descubram que tem um fóssil-problema na mão, terão muito trabalho, que poderia estar sendo focado em outras pesquisas mais produtivas.

Não quero mais viver nesse planeta!

Não quero mais viver nesse planeta!

No que classifico também como ADULTERAÇÃO, há também uma outra ocorrência muito mais ou tão perversa quanto: vender o fóssil de um depósito fossilífero dizendo que ele é de outro. Isso pode ocorrer por uma mera confusão do coletor, ou por intenções pervertidas de valorizar a peça. As implicações disso também são desastrosas e corrigir esses erros pode levar ANOS de pesquisa e atrasar muito o avanço da ciência.

Todos esses problemas que citei são graves. Mas não foi baseado apenas nisso que vários países do mundo (como o Brasil, a Argentina, a Mongólia, a Itália, a Escócia, a China, etc.) resolveram elaborar leis para proteger os seus fósseis. Há uma questão muito mais profunda que está presente em toda nossa discussão: toda a informação contida em um fóssil não é propriedade particular… é propriedade DA HUMANIDADE. Faz parte da nossa história. Sob essa perspectiva comercializar fósseis seria como vender o Coliseu ou as pinturas rupestres da Serra da Capivara. Vender o Cristo Redentor ou a Grande Barreira de Corais. Vender a memória de Luís Gonzaga ou nossos índios da Amazônia. É claro, sempre vai ter alguém querendo comprar… quem perde é quem vende. Parecia um bom negócio comercializar índios e o nosso Pau-Brasil no passado. Parecia um bom negócio derrubar a Mata Atlântica e a Floresta Amazônica para ganhar dinheiro.

Quando tudo se for, você não vai poder comer dinheiro...

Quando tudo se for, você não vai poder comer dinheiro…

Pessoas que enxergam as coisas a curto prazo ou só pensam na própria subsistência e benefício, não conseguem enxergar com essa profundidade. O pensamento mesquinho é comum tanto em países desenvolvidos extremamente capitalistas como em países subdesenvolvidos, que tem uma longa história de colonização. Aí já estão envolvidas questões históricas, políticas e filosóficas e não é o nosso escopo discutir isso aqui… Mas saiba você, que pensa assim, que são pessoas como você que estragam o mundo, pensando apenas em benefícios próprios, suas gracinhas!

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Gracinhas!

 A questão é, países que escolheram proteger os seus fósseis, muitas vezes não o fizeram para proteger os objetos em si, mas sim o conhecimento intelectual que está neles contido, que é SIM uma riqueza daquela nação. Ela não dá LUCRO FINANCEIRO, mas dá LUCRO INTELECTUAL: avanço científico e acúmulo de conhecimento (e.g. Um país avançado cientificamente ganha respeito, um país que vive de futebol e carnaval não).

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Cada fóssil é único e insubstituível, porque não investir na venda de RÉPLICAS de fósseis?

Em vários países o comércio de fósseis é liberado. As razões são diversas: 1) os legisladores e governantes não tem conhecimento da importância desse material para o desenvolvimento a longo prazo da nação (veja a Bolívia); 2) Eles não estão nem aí para isso porque tem problemas muito maiores (veja o Líbano ou vários países africanos); 3) A política deles é vender até a mãe, se der lucro (veja os Estados Unidos) e 4) Eles conseguiram conciliar as coisas (veja os Estados Unidos também e a Inglaterra).

Aqueles que conseguiram conciliar as coisas o fizeram de forma apropriada de acordo com a história e a cultura de cada nação (atenção para isso!). Agora a pergunta de um milhão de dólares: Dá 100% certo?

- Não.

Mesmo com regulações impedindo a venda de determinados fósseis ou controlando a coleta feita por amadores à localidades específicas, não dá 100% certo. Muito material é perdido e não são só os cientistas que perdem com isso, mas toda Nação. Um adendo é que muitos desses países também têm sanções regulatórias, não pense que tudo é liberado! Legisladores e governates entendem a importância dos fósseis e sabem que o conhecimento embutido neles não pode ser visto como propriedade particular e fazem leis sim para protegê-los de alguma forma.

Uma verdade que vale a pena ser dita: Os colecionadores não querem aquilo que é simples conseguir, aquilo que está liberado, que é fácil comprar. Eles querem raridades, fósseis difíceis de conseguir, os melhores. Liberar a venda de Dastilbe na Chapada do Araripe ou de Mesosaurus no Sul e Sudeste e proibir a venda de materiais mais raros, mais bem preservados ou cientificamente relevantes, não vai resolver o problema. Sejamos francos: todos sabemos como funciona a mente capitalista, não vamos nos iludir.

Eu só quero umas coisinhas simples!

Eu só quero umas coisinhas simples!

Manter a venda e retirada ilegal de fósseis como um crime ainda parece a melhor solução até que um profundo trabalho de conscientização junto à população seja feito.

Gol da Alemanha!

Gol da Alemanha!

No caso do Brasil, em que a Paleontologia ainda é uma jovem em fase de crescimento, temos que cuidar de nosso patrimônio com carinho, para que isso também não seja apropriado por outros países, como tantas de nossas riquezas já foram (como se não bastasse o estupro social e político, ainda abaixamos as calças para o científico? 7×1 da Alemanha é o de menos, você nem imagina o chocolate que estamos levando no campo da ciência!).

7x1 é fichinha, vai lá ver o placar dos Nobéis!

7×1 é fichinha, vai lá ver o placar dos Nobéis!

A legislação sobre os fósseis aqui no Brasil tem muito o que ser discutida e se se pretende liberar a venda de fósseis em algum momento, planos de prazos e metas devem ser feitos. Nesse meio, um forte trabalho de educação e ações positivas junto a população devem ser planejados. Não basta ensinar o que pode e o que não pode, há de se ensinar a importância do conhecimento, da moral e das virtudes, uma pitada de senso de conjunto e até mesmo patriotismo (não o patriotismo barato, atenção!). É um longo processo, que deve ser discutido não só em gabinetes políticos ou nos meios científicos, mas também junto à população. Técnicos de preparação e coletores profissionais de fósseis podem virar uma profissão independente, mas há de haver planejamento. Liberar o comércio de fósseis pode ter vantagens, mas antes temos que eliminar os problemas, baseando-se nos acertos e erros que são observados em outros países.

Esse é um assunto controverso e muito difícil de discutir em uma sociedade repleta de indivíduos imediatistas. Há de se ponderar cada ponto e pensar em um bem conjunto. A longo prazo vale a pena preservar nosso Patrimônio. Você pode não viver para ver os resultados disso, mas o seu filho vai te agradecer e ter orgulho das escolhas que você fez no passado. E no fim: todo mundo vai lucrar com isso.

Conheça a legislação sobre fósseis do Brasil: AQUI

“… os depósitos fossilíferos são propriedade da Nação, e, como tais, a extração de espécimes fósseis depende de autorização prévia e fiscalização do Departamento Nacional da Produção Mineral, do Ministério da Agricultura. Assim, pois, todo o particular que, sem licença expressa do Departamento Nacional da Produção Mineral, do Ministério da Agricultura, estiver explorando depósitos de fósseis, estará sujeito à prisão, como espoliador do patrimônio científico nacional.”

P.S. Se você for perder seu tempo escrevendo aí nos comentários “vou vender mesmo! Se não posso vender vou destruir” e coisas do gênero;  aproveite e destrua logo o Maracanã, o Cristo Redentor, bote fogo no MASP, roube um Portinari (mesmo que você não saiba o que é) para ter só na sua casa, vende logo a mãe e a família, que também dá dinheiro. E se liga: órgãos valem uma fortuna no mercado negro, dá pra vender o rim, só é uma pena que você não tenha um cérebro. Ou seja, antes de escrever besteira, reflita sobre a seguinte frase: “A forma como fazemos o capitalismo hoje não vê certo nem errado”; e a seguinte situação:

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SVMA da Prefeitura de São Paulo compartilhando desinformação

 

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Poxa, estagiário, usa o Google!!!

Nem queira ir num curso desses! #Ficadica

Saiba qual a diferença entre Arqueologia e Paleontologia e seja mais esperto que a prefeitura de São Paulo: http://scienceblogs.com.br/colecionadores/2013/04/paleo-x-arqueo/

 

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Prêmio “Ciencia en Acción 2014″

O projeto “Detetives do Passado”, organizado pelos Colecionadores de Ossos foi condecorado com menção honrosa no prêmio para trabalhos de divulgação científica organizado pela Sociedade para o Avanço do Pensamento Crítico (ARP-SAPC), Espanha. O evento acontece todo ano e é de cunho internacional.

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portada triptico“Ciencia en Acción XV”, “Trabajos de Divulgación Científica. Método Científico y Pensamiento Crítico” (Premio ARP-SAPC, Sociedad para el Avance del Pensamiento Crítico)

Por ser una actividad realmente interesante y motivadora para los alumnos. Con mucha interacción entre participantes, acceso a la información, labor científica y buena presentación, se concede Mención de Honor de Trabajos de Divulgación Científica. Método Científico y Pensamiento Crítico al trabajo: “DETECTIVES DEL PASADO”, de Aline Marcele Ghilardi (UFRJ), Tito Aureliano (UFPE), Juliana Freitas da Rosa (USP-SP) y Rudah Ruano C. Duque (UFPE) (Brasil).

Veja a ata dos vencedores de 2014 do prêmio “Ciencia en Acción”:

http://www.cienciaenaccion.org/es/2014/noticia/67_resolucion-juradomodalidades-materiales-didacticos-de-c.html

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Parabéns acima de tudo e todos, aos jovens que participam do projeto com tanto carinho e dedicação: Aryel Goes, Gabriel Braga, Pedro Lucas, Victor Silva e o mais novo integrante, Vinícius Sousa. Vocês estão fazendo a diferença e já deixaram uma grande marca de suas ações! PARABÉNS!

Conheçam o projeto “Detetives do Passado”:

http://detetivesdopassado.colecionadoresdeossos.com/

“O blog “Detetives do Passado” reúne a equipe de jovens colaboradores do grupo ‘Colecionadores de Ossos’ (www.colecionadoresdeossos.com) e faz parte do projeto “Sala de Estudos”.

A finalidade do projeto “Sala de Estudos” é estimular jovens apaixonados por ciência de maneira geral e Paleontologia, que entre outros sonhos, almejam tornar-se futuros cientistas e paleontólogos. O blog reúne uma coletânea de textos e resenhas desses jovens sobre assuntos de seu interesse em Paleontologia, além de seus sentimentos quanto a essa área de estudo e suas experiências ao longo de sua formação.

Os textos são acompanhados pela equipe de paleontólogos que integra o grupo ‘Colecionadores de Ossos’, a fim de manter a confiabilidade científica do que é publicado. Porém é dado aos jovens a independência de auto-crítica e auto-reflexão sobre o que escrevem.

Periodicamente serão sugeridos temas de discussão visando o amadurecimento científico e a capacidade de investigação desses jovens.”

Lançamento da 2ª Edição do jogo ‘Mesozoic Tales’ (versão brasileira)

O jogo de tabuleiro dos Colecionadores de Ossos acaba de ganhar sua 2ª Edição na versão brasileira!

Com o sucesso das versões anteriores, Mesozoic Tales v2.0 traz novidades no design do tabuleiro, nas Cartas das Missões e na jogabilidade, evoluindo de acordo com as sugestões dos seus jogadores e fãs.

Compre já direto do fabricante (clique aqui)

Confira o teaser do jogo abaixo:

 

O novo manual de regras está estruturado no formato de revista. O design foi revisado e agora apresenta a belíssima paleoarte do jogo, realizada por Aline Ghilardi, paleontóloga e autora desse Blog. Confira o novo manual abaixo:

A Síndrome de “Jurassic Park”

Temos pouco mais de um ano antes de contemplarmos Jurassic World nos cinemas, o quarto filme da saga Jurassic Park, filme que fez parte da infância de todos que cresceram nos fins dos anos 80 e anos 90. O que mais nos chamava atenção eram os dinossauros sofisticados ágeis e inteligentes que contrastavam com todos os outros filmes e livros acessíveis até 1993. E agora, será que JW trará a mesma sensação?

A resposta provavelmente é não. Veja o porquê adiante.

Portão do Jurassic Park, na Isla Nublar (1º filme).

Sou fã incondicional de Jurassic Park, cujos filmes na infância foram determinantes no boost de interesse pela área, o que resultou em minha escolha profissional pela Paleontologia. Portanto, não tenho nada contra a saga. Pelo contrário, adoro.

A questão é que JP foi uma faca de dois gumes para nós. Primeiramente, foi excelente para divulgarmos nossa ciência com as teorias mais recentes até 1990. Porém, ao tornar-se um clássico instantâneo, estagnou e bloqueou a entrada de avanços científicos na mídia popular. Ainda hoje apresentam dinossauros com aparência obsoleta reptiliana no estilo 90′s. E isso não  ficou só para JP: espalhou-se para toda forma de mídia: jogos eletrônicos, filmes, livros, seriados etc.

E qual é o impacto disso? Até hoje tenho debates com colegas de outras áreas de pesquisa para convencê-los de que as Aves são dinossauros! Inclusive, entre paleontólogos já utilizam-se os termos “dinossauros não-avianos” e “dinossauros avianos” para referirem-se entre os dois grandes grupos.

Para que JW tivesse o mesmo impacto impressionante em 2015 que JP1 teve em 1993, não bastam

T. rex atacando saurópode no filme mudo “Mundo Perdido”, 1925.

apenas efeitos especiais epilépticos, roteiro massa e atores talentosos, e sim dinossauros no estilo do século XXI, com penugens, postura, forma e comportamento aprimorados.

Colin Trevorrow foi o jovem escolhido para dirigir a nova trilogia. Adorei a escolha: um diretor de filme independente, criativo e fã da série original. Infelizmente, por pressão e saudosismo do público geral e, inclusive, dos fãs doentes saudosistas da franquia ele deverá apresentar dinossauros com o look 1993 novamente.

T. rex no filme “King Kong”, 1933.

Dentre os inúmeros erros que continuarão sendo apresentados na série, separei alguns que merecem destaque:

1) Penas e penugem. O público geral costuma dizer que se dinos apresentassem penas nos filmes não dariam medo a ninguém. Nunca estiveram tão errados em sua nostalgia. Há 10 anos apresentou-se uma descoberta de fóssil de Velociraptor mongoliensis apresentando estrias de inserção de penas em sua ulna. Desde então, houve um bum de descobertas de diversos Dromaeosaurídeos (raptores). A atual discussão da filogenia desse grupo de dinossauros é uma das mais quentes na área! E então como deveriam ser os dinossauros corretamente interpretados nos dias de hoje? Eles pareciam galinhas, então, porque têm penas? Não. Eu teria mais medo, ainda, de um dinossauro emplumado. Os Raptores deveriam ser algo assim:

Interpretação artística de um Raptor genérico. Autoria indicada na imagem. Não parece assustador para você?

Tiranossauróides também têm sido encontrados com penas. Foi o caso do Yutyrannus, uma forma basal do grupo encontrado na China, já apresentando longas penugens semelhantes às do avestruz. A visão atual de como um T. rex deveria ser é como abaixo:

T. rex emplumado em ataque. Visão mais cientificamente acurada até o presente. Não é assustador? Artista indicado na imagem.

2) Anatomia. O público nostálgico não consegue se desvincular do formato dos dinos dos anos 90. As “mãos” de terópodes como o T. rex e o Velociraptor dos filmes apresentam-se de uma maneira errônea. O punho dos raptores dobrava-se lateralmente, como o das aves. Os punhos dos terópodes como o Tiranossauro eram voltados para o peito, como se estivessem segurando uma bola de basquete. A postura de mãozinha de faraó egípcio que ainda é apresentada hoje em filmes e jogos já é uma visão ultrapassadíssima.

3) “Se ficar parado, ele não te enxerga”. hahaha, vai nessa. Essa ideia errada é talvez a que mais liga JP aos anos 80′ e 90′s. Terópodes como o T. rex eram quase como águias gigantes: infalíveis na detecção de sua presa. E ainda havia o extra do olfato de abutre. Junta isso e faz um combo em um animal como o T. rex. Eles não era estúpidos. Sabiam o que estavam fazendo e eram bons nisso. Seja na caça, ou no oportunismo.

A falta de humildade dos homens perante os dinossauros nos iludiu por muitas décadas como se a causa do outro grupo ter ido à extinção fosse a sua estupidez, falta de capacidade para caçar, fugir e outras baboseiras. Só porque um grupo como os dinossauros não-avianos extinguiu-se não significa que eram inferiores a nós, ou menos competentes evolutivamente. Afinal, dinos não-avianos viveram por mais de 165 milhões de anos na Terra, e nós, meros 160 mil (mais de 1.000 vezes menos tempo) e já estamos comprometendo nossa existência futura.

Terópode retrô em “Vale de Gwangi”, 1960′s.

Para concluir, os dinossauros no cinema, desde os anos 1920′s, evoluíram de acordo com as descobertas científicas. Porém, o efeito paradoxal que Jurassic Park gerou fez com que a imagem desses animais se fixasse no tempo, 20 anos atrasada. Isso dificulta o trabalho que nós, paleontólogos, viemos fazendo para apresentar as novas descobertas ao público.

Portanto, vocês, quando assistirem ao quarto filme da série, estejam sabidos de que estão vendo uma versão 1993 colorida dos nossos queridos colegas mesozoicos e que, na vida real, eles eram bem distintos. Seria como ter assistido ao primeiro filme, em 1993, só que ao invés de ter aparecido aquele Tiranossauro massa, tivéssemos sido surpreendidos pelo GWANGI!

Bã bã bã bã! Dinos retrôs atacam!

Bã bã bã bã! Dinos retrôs atacam!

A falta de surpresa no look dos dinos não deveria tirar o ânimo e a motivação para assistir ao filme em 2015, pois a história parece muito interessante, um recomeço.

Quem quiser ficar por dentro de todas as novidades do filme em produção, participe da comunidade brasileira de JP clicando aqui.

 

A Paleontologia brasileira no cinema

iconO curta-documentário produzido pelos Colecionadores de Ossos, sob direção de Tito Aureliano, foi selecionado e participará de um dos maiores festivais audiovisuais do país, o Cine-PE. A Paleontologia brasileira invade as telonas pela primeira vez, falando sobre fósseis, ciência, preservação do patrimônio e sustentabilidade. O curta, “Tesouros do Araripe: os fósseis e a comunidade” tem 9’03” e será apresentado no dia 26 de abril no Teatro Guararapes, Centro de Convenções, em Olinda, PE.

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O Cine-PE é conhecido por ter o maior público de todos os festivais do mesmo gênero no Brasil. Esse ano ele inovou, internacionalizando o evento, que conta com a participação de curtas e longas italianos, portugueses, argentinos, dos Estados Unidos – como “O Grande Hotel Budapeste”, dirigido por Wes Anderson – e ainda outros países.

“Tesouros do Araripe” concorrerá na categoria “Curtas Pernambucanos” e fala sobre um projeto desenvolvido pelo Laboratório de Paleontologia da UFPE (PALEOLAB), coordenado pela Profa. Alcina Barreto, no município de Exu, interior de Pernambuco. A produção do vídeo é um dos resultados desse projeto, que visa a musealização do município de Exu e preservação do patrimônio paleontológico do Estado de Pernambuco. O projeto foi financiado pela Pró-Reitoria de Extensão da UFPE (PROEXT) e continua sendo desenvolvido em parceria com a Prefeitura do Município.

Sem título

Veja a programação e leia mais sobre o Cine-PE na página do G1: AQUI.

Assista a primeira versão do curta-documentário em nossa página no youtube: AQUI.

 

Tipo de escorpião marinho pré-histórico encontrado vivo na costa da Austrália

 O animal pertence a família dos euripterídeos e tem mais de 80 cm de comprimento. O descobridor foi um turista que caminhava pelo local e se deparou com uma muda do animal próximo a linha de maré….

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Eu sei que seria bem legal (será?), mas….

Feliz Paleo-1ºde abril =)

 

Aproveite e conheça um pouco mais sobre esses bichos:

Os euripterídeos são conhecidos como os maiores artrópodes extintos. São típicos do Paleozóico (542 à 245 milhões de anos atrás) e apesar de conhecidos como escorpiões-marinhos, não são proximamente relacionados com os escorpiões atuais. Alguns deles podiam alcançar mais 2 metros de comprimento, como Jaekelopterus, mas haviam exemplares menores, como o Eurypterus, com cerca de 30 cm.

Eurypterus

Eles surgiram no Cambriano e viviam em ambientes marinhos pouco profundos. Já durante o Carbonífero, se diversificaram e passaram a ocupar também ambientes de água doce, com adaptações corporais que os permitiam se locomover também em terra. O grupo todo desapareceu na extinção Permo-Triássica.

Conheço gente que não ia mais entrar na água se soubesse da existência desses bichos na atualidade…. Ainda bem que eles tiveram o seu tempo e depois… desapareceram (será?? rs).

7voxe

Mais Paleontologia na telinha

O Núcleo Audiovisual da UFPE-PROEXT (NAV-CVT UFPE) fez uma série de curtas de pouco mais de 1 minuto sobre Paleontologia, que serão exibidos diariamente na programação da TVU/Canal Brasil. Os Colecionadores de Ossos participaram desse projeto, junto ao PALEOLAB UFPE, coordenado pela Profa. Alcina Barreto, com o objetivo de divulgar a ciência paleontológica e as riquezas dessa ordem que temos em nosso país.

Ainda é uma pequena parcela da sociedade que tem conhecimento sobre a definição de Paleontologia, a existência de núcleos de estudo dessa ciência em nosso país, a sua importância e a extensão do patrimônio fossilífero brasileiro. É por essas e outras razões que a riqueza paleontológica de nosso país é pouco e explorada e quando explorada, feita de forma danosa.

Os Colecionadores de Ossos se aliaram à equipe da Profa. Alcina Barreto em prol da desenvolver uma consciência paleontológica para a sustentabilidade. Esse recurso além de ajudar a produzir conhecimento, pode fornecer uma alternativa sócio-econômica sustentável para a população. A ideia é que os fósseis sejam abrigados em museus locais que ajudem a atrair turismo para a região, além de apoiar as escolas e universidades e promover o desenvolvimento de uma identidade local da comunidade com os fósseis.
Assista os curtas:

Veja mais no canal do Youtube dos Colecionadores de Ossos: CLIQUE AQUI.

Tesouros do Araripe: entrevista na TV

Entrevista da TVU sobre o projeto Tesouros do Araripe.

Realizado pelo PaleoLab, financiado pela ProEXT da UFPE, em parceria com a divulgação científica dos Colecionadores de Ossos.

Haverá um ciclo de curtos vídeos a serem lançadas na televisão (TVU/Canal Brasil) e no youtube onde foram entrevistados alguns paleontólogos do projeto, incluindo nós, a Dra. Alcina Barreto e Rudah Duque.

Para assistir documentários sobre esse projeto (e outros), veja aqui.

Em Busca do Permiano: Episódio Extra

Acompanhe a expedição Piauí-Maranhão 2013 em busca de fósseis de vertebrados permianos no nordeste brasileiro. A expedição faz parte de um extenso projeto realizado por um convênio de instituições do mundo todo, mas com base na Universidade Federal do Piauí (UFPI) e liderada pelo paleontólogo Juan Carlos Cisneros.

Nesse episódio extra, compartilhamos algumas das dificuldades enfrentadas durante a Expedição de 2013, acontecimentos comuns durante trabalhos de campo.

Assista mais documentários oficiais dos Colecionadores de Ossos aqui.

 

 

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By Tito Aureliano, 2010. Afloramentos Cretácicos (Fm. Alcântara), Ilha do Cajual, Maranhão, Brasil. Reservo direitos de uso sobre essa fotografia. Sua cópia não está autorizada.

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