BoneCast #9 – Paleohistologia: escavando “dentro dos ossos”

Nesse episódio 9 de BoneCasts, convidamos a paleontóloga Juliana Sayão para explicar uma das áreas de estudo mais sofisticadas da Paleontologia moderna. Por quase dois séculos dessa ciência, como disse o pesquisador Jack Horner, os paleontólogos têm escavado fósseis, mas somente algumas décadas atrás têm “escavado dentro dos ossos”, para desvendar detalhes dos tecidos preservados. A poderosa ferramenta da Paleohistologia têm nos possibilitado obter diversas informações sobre os seres exintos.

Assista ao BoneCast #9 aqui (link externo para o youtube):

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Jurassic Park: a ficção que está inspirando a realidade

A molécula de DNA é relativamente estável, mas não é resistente há dezenas de milhões de anos. Até onde se sabe, é impossível encontrar DNA de dinossauros mesozoicos preservado em ossos fossilizados ou no estômago de mosquitos aprisionados em âmbar. Porém, um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos, inspirados pela ficção de “Jurassic Park”, afirmam: ainda assim é possível realizar a façanha de se recriar dinossauros.

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Jack Horner

Inspirado por “Jurassic Park” e movido pelo desejo de ver um dinossauro vivo, com dentes, desde criança, o paleontólogo John Horner tem dedicado grande parte de sua carreira nas últimas décadas a tornar o seu sonho realidade. Horner e sua equipe de pesquisadores têm trabalhado duro no campo da Genética e Biologia do Desenvolvimento. A ideia deles é produzir um dinossauro, não por meio de DNA preservado em âmbar ou fósseis, mas por meio de manipulação genética do DNA de aves atuais. Especificamente, galinhas.

Sinosauropteryx , um dino com penas

Sinosauropteryx , um dino com penas

Não é mais uma novidade que as aves são descendentes dos dinossauros. Paleontólogos vêm estudando as semelhanças desses organismos há anos e cada vez mais aprendemos o quão parecidos os dinossauros terópodes eram das aves. Inclusive com o corpo coberto de penas.

De acordo com Jack Horner, estudar o DNA das aves pode não só nos ajudar a entender muitos aspectos evolutivos dos dinossauros, como também guardar o segredo para recriá-los. Bastaria ativar os genes corretos no momento certo do desenvolvimento do animal.

Embrião de galinha

Embrião de galinha

Muitos estudos têm avançado nessa direção. Recentemente foi publicado um artigo sobre a evolução do bico nas aves, em que cientistas modificaram proteínas produzidas durante o desenvolvimento embrionário de uma galinha e conseguiram criar um embrião com “focinho” reptiliano. O animal não tinha dentes, mas apresentava o rostro arredondado como o de um jacaré. Uma implicação da pesquisa é que mudanças simples podem ter causado grandes mudanças anatômicas nos primeiros dino-aves. A intenção desses pesquisadores não era incubar o animal e nem criar um dinossauro, mas eles definitivamente deram um grande passo nessa direção, como destacou o próprio John Horner.

Embrião de galinha, embrião experimental e embrião de jacaré.

Embrião de galinha, embrião experimental e embrião de jacaré.

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Clique para ampliar e entender a evolução do “dígito opositor” nas aves.

Outro estudo recente abordou a evolução dos dígitos nas aves, em especial o dígito opositor que as auxilia a empoleirarem (o hallux). Alguns pesquisadores chilenos conseguiram reverter esse caráter em embriões e puderam compreender como a capacidade de “agarrar com os pés” desenvolveu-se nos dinossauros (entenda mais AQUI).

De acordo com Horner, os outros passos em direção a se criar um dinossauro seriam conseguir desenvolver dentes, mãos com garras e uma cauda longa nos embriões. Sua equipe já conseguiu recriar dentes, mas infelizmente as aves perderam o gene responsável pela produção do esmalte dentário. Nesse caso, de acordo com o pesquisador, seria necessário inserir o gene artificialmente nesses organismos por um processo conhecido como transgenia (inserir genes de outros organismos no genoma da galinha).

Recriar as mãos seria o mais “fácil”, ainda de acordo com o pesquisador, já que todas as peças estão presentes nas aves, bastando descobrir como reorganizá-las. O que será realmente difícil, será a cauda. As aves desenvolveram uma estrutura bastante complexa, com vértebras fundidas, chamada pigostilo. Será necessário primeiramente descobrir como o pigostilo evoluiu, para então, revertê-lo.

Depois que todas essas modificações forem alcançadas, um último grande passo ainda será necessário: descobrir uma forma de deixar os embriões desenvolverem-se. O resultado disso tudo seria algo semelhante a um pequeno dinossauro terópode, que Horner apelidou de “Chickensaurus”. (Observação: por esse método seria difícil, para não dizer realmente impossível, criar um dinossauro saurópode ou um ornitísquio).

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Esqueleto de galinha e esqueleto fictício de “Chickensaurus”

Críticos do trabalho de Horner apontam que, assim como em ‘Jurassic Park’, criaturas geradas dessa maneira não seriam dinossauros “de verdade”, mas sim “monstros” geneticamente modificados. Além disso ressaltam: Qual seria a razão de se recriar “dinossauros”? Para entretenimento? Aonde eles se encaixariam: como animais ou produtos? Quem seria responsável por eles? Aonde seriam mantidos? Teriam eles direitos? Que problemas eles trariam para os organismos viventes e ecossistemas naturais caso fugissem de controle?

Essas são muitas questões também abordadas por “Jurassic Park”, a ficção criada por Michael Crichton no início da década de 1990. O personagem “Ian Malcom” é particularmente inquisitivo em relação a isso e tanto no livro quanto na série de filmes a “teoria do caos” é bastante enfatizada por ele.

Horner diz que “Chickensaurus” não seria criado apenas para ser um “pet”, mas que o que aprenderíamos com ele poderia promover grandes avanços na indústria médica.

A vida inspira a arte, mas a arte também pode inspirar a vida. Qual a sua opinião sobre tudo isso?

Assista a palestra de John Horner, aonde ele fala sobre a criação de “Chickensaurus”:

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LEIA TAMBÉM: “E se o DNA dos dinos de Jurassic World fosse 100% puro?

E se o DNA dos dinos de Jurassic World fosse 100% puro?

Já sabemos que recriar dinossauros a partir de sequências de DNA recuperadas do sangue preservado no ‘estômago’ de mosquitos pré-históricos é impossível. O mesmo é válido para “recuperar sequências de DNA a partir de fósseis excepcionalmente bem preservados”. MAS, e se acreditássemos na ficção de ‘Jurassic Park’ e realmente pudéssemos recriar dinossauros? Com o quê eles se pareceriam, de verdade?

—- SPOILER ALERT —-

Se você ainda não assistiu o filme “Jurassic World”, não continue lendo a postagem!

Nos filmes, apesar de o genoma dos dinossauros (e outras criaturas pré-históricas, como pterossauros e o mosassauro) ser muito bem conhecido, ele ainda é incompleto. Para solucionar esse problema, os geneticistas da “InGen” completaram as sequências de DNA dos dinossauros com o DNA de algumas espécies vivas nos dias atuais, como rãs e um tipo de sépia – que é um parente das lulas. Como ficou bem claro ao longo da série, isso gerou alguns problemas, como a troca de sexo nos animais (primeiro filme) e a capacidade de se camuflar e controlar a temperatura corporal (no novo filme). Aparentemente, os cientistas também manipularam o genoma dos bichos com a finalidade de cativar mais o público, com dinossauros “maiores e mais assustadores”.

Agora, se os cientistas tivessem conseguido recuperar 100% do genoma desses animais e de fato os tivessem recriado “100% puros”. Com o que eles se pareceriam?

Abaixo fizemos uma listagem das espécies que aparecem no filme ‘Jurassic World’ (não só os dinossauros) e destacamos, a partir dos mais recentes conhecimentos científicos na área, com o que esses animais realmente teriam se parecido:

Gallimimus versão JPxJW

Gallimimus versão JPxJW

Gallimimus: Os Gallimimus teriam o corpo coberto de penas e inclusive deveriam ter penas longas nos braços. Evidências disso foram encontradas em animais bem proximamente relacionados a essa espécie, os Ornithomimus. A propósito, os braços dos Gallimimus seriam um pouco mais longos do que como é mostrado nos filmes.

Considerando a arte desses bichos, em ‘Jurassic Park’, o primeiro filme, os bichos têm uma anatomia muito melhor do que em ‘Jurassic World’. Em ‘Jurassic World’ eles não parecem tão naturais pois têm os braços inseridos no lugar errado do corpo. Além disso, é importante lembrar, que esses bichos não tinham dentes na boca: se você observar com cuidado, pode ver que alguns deles aparecem com pequenos dentes no novo filme da série.

Os punhos também estão errados, e isso se repete para todos os outros dinossauros terópodes dos filmes. Ao invés de dobrarem-se “para frente”, como é retratado, as mãos dobravam-se para a lateral, como nas aves.  Por isso, aos olhos de um paleontólogo, quase todos os dinossauros de ‘Jurassic Park’ parecem ter os punhos quebrados. Essa questão da posição dos punhos somente foi melhor entendida – cientificamente falando – depois da produção dos três primeiros filmes da série.

Acima: como retratado nos filmes. Abaixo: como realmente era.

Acima: como retratado nos filmes. Abaixo: como realmente era.

Por fim, os Gallimimus tinham entre 6 a 8 metros de comprimento. Quando completamente adultos deveriam ser um pouco maiores do que como são retratados nos filmes.

Um ponto positivo foi que mandaram bem na questão dos bandos. É possível que esses animais se organizassem dessa forma, principalmente quando jovens. Há sítios fossilíferos na China que indicam essa estruturação para animais do mesmo agrupamento  filogenético.

Gallimimus by ZeWq

Gallimimus by ZeWq, Deviantart

Dilophosaurus: Em ‘Jurassic World’, o Dilophosaurus aparece somente como um holograma no ‘centro de visitantes’.  A questão da gola coriácea, como observada no lagarto vivente Chlamydosaurus kingii, é muito difícil ser comprovada, pois, até o momento, nenhuma evidência semelhante foi encontrada em qualquer dinossauro. Já a questão de cuspir veneno é quase 100% furada. O único dinossauro encontrado até hoje, que, por meio dos fósseis, permite dizer que seria ‘venenoso’, é o Sinornithosaurus, devido a presença de pequenos canais em seus dentes (semelhantes à canais de veneno). Porém, isso também é apenas uma inferência, já que não temos como ter 100% de certeza sobre qual era a verdadeira função dessas estruturas nos dentes desses animais.

É difícil dizer se o Dilophosaurus possuía penas. Há algum tempo, sugeriu-se que haveriam evidências de penas em uma impressão de repouso atribuída a esses animais. Porém, a má qualidade de preservação do fóssil não permitiu que essa hipótese fosse confirmada. É altamente provável que esse animal tivesse o corpo coberto por filamentos simples, pelo menos. Proto-penas e estruturas semelhantes a penas estão presentes em diferentes grupos de dinossauros, o que indica que essa é uma característica basal do grupo, ou seja, que estava presente desde os primeiros dinossauros. No grupo dos terópodes (o qual inclui o dilofossauro) essa característica é bastante comum em diferentes ramos filogenéticos.

Um Dilophosaurus adulto teria cerca de 2m de altura e aproximadamente 7m de comprimento.

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Dilophosaurus, por stasiuk, em Deviantart.

Pachycephalosaurus: Estes animais chegavam a ter 4,5m de comprimento e pesar até 450kg. Apesar de aparecer bem rápido em ‘Jurassic World’, o Pachycephalosaurs aí retratado parece um pouco grande demais. O resto parece ok.

Apatosaurus: As narinas foram bem colocadas e o tamanho do animal parece estar mais ou menos dentro do esperado. Talvez um pouco maior, apenas, do que esse bicho era na realidade (em média eles teriam 22m de comprimento). A posição do pescoço também está ok. No todo, a anatomia animal está bem próximo do real. A cabeça pode estar um pouco grande proporcionalmente, mas o que faltou mesmo foram as escamas. No filme, o bicho parece ter pele elefante. Temos evidências de impressões de pele de saurópode e eles tinham escamas grandes e arredondadas, alguns, até mesmo osteodermos no dorso (como os titanossauros).

Fora isso, a minha opinião particular é que eles podiam ter usado um pouco mais de cores nesses saurópodes, como listras na cauda ou no pescoço, o que, observando os mamíferos modernos, ajudaria a confundir os predadores. Mas ainda assim está ok!

Pata da frente de um Triceratops

Pata da frente de um Triceratops

Triceratops: Os bebês Triceratops estão mais ou menos corretos, com os chifres apontando para cima, como observado nos fósseis de juvenis desses animais. O ‘closeup’ do pé da frente do bicho, todavia, mostra uma anatomia errada. O mais correto seria como a ilustração ao lado, com o pé mais esparramado, não compacto como o de um elefante.

Os Triceratops adultos, fora talvez alguns detalhes no formado de partes do crânio, também estão com uma anatomia relativamente bem convincente. Todavia, há evidências de impressão de pele para esses animais e eles tinham escamas grandes e mais ou menos hexagonais, não “pele enrugada de elefante (de novo)”.

Devido a alguns fósseis de Ceratopsia basais apresentarem “bristles” na anca (Psittacosaurus), alguns pesquisadores acreditam que é possível que formas derivadas, como os Ceratopsidae (incluindo Triceratops), também apresentassem tais estruturas. É provável, filogeneticamente falando, mas ainda são necessárias melhores evidências.

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Cena de ‘Jurassic World’

 

Ontogenia de Triceratops.

Ontogenia de Triceratops.

Impressão de pele de Triceratops.

Impressão de pele de Triceratops.

Triceratops com "bristles"

Triceratops com “bristles”, arte de Aaron Doyle

bloggif_55830d185f4baStegosaurus: Estegossauros definitivamente não arrastavam a cauda no chão e nem próximo ao chão. Eles tinham a cabeça *bem* pequena e seriam INCAPAZES de galopar, como retratado no filme. As placas nas costas deveriam ser mais coloridas já que aparentemente, elas têm forte relação com extravagância sexual e comunicação desses bichos.

Impressões de pele desses animais mostram pequenas escamas pentagonais e uma ‘armadura gular’.

'Armadura gular'

‘Armadura gular’

Os Stegosaurus  de ‘The Lost World: Jurassic Park’ são muito mais acurados, cientificamente falando, do que os do novo filme. Os estegossauros que aparecem próximos ao rio em ‘Jurassic World’, também parecem mais acurados do que aqueles que aparecem pastando e galopando nas planícies.

Algumas estimativas indicam que Stegosaurus armatus poderia alcançar até 9m de comprimento. S. ungulatus S. stenops eram bem menores.

Stegosaurus, por John Conway

Stegosaurus, por John Conway

 

Velociraptor mongoliensos, por John Conway

Velociraptor mongoliensos, por John Conway

Velociraptor: Como todo mundo já deve saber, velociraptores não eram tão grandes como retratados no filme. Os verdadeiros Velociraptor tinham cerca de 60cm de altura e até 2m de comprimento. Além disso, tinham o corpo coberto de penas e evidências da presença de penas de haste longa nos braços, como as aves atuais.

O problema dos punhos é o mesmo do Gallimimus.

Existiram raptores maiores que o Velociraptor, como o Deinonychus e o Utahraptor. No início dos anos 1990, o pesquisador  Gregory Paul chegou a propor que o gênero Deinonychus (espécie que chega a ter 3,4m de comprimento e é encontrada na América do Norte) poderia ser, na verdade, um sinônimo para Velociraptor (espécie asiática). Essa proposta foi considerada inválida, mas isso pode ter gerado a confusão de tamanho observada no livro de Michael Crichton e nos filmes, já que tal hipótese coincide com a época de publicação e estreia dos mesmos.

Estudos com Deinonychus indicam que estes animais utilizariam a “garra terrível” principalmente para escalar, e, secundariamente para abater suas presas.

Os raptores, de fato, eram animais muito inteligentes e poderiam se organizar em grupos. Esqueletos de Utahraptor já foram encontrados em associação.

Ankylosaurus: Eles não tinham espinhos laterais tão pronunciados quanto os que aparecem no filme. O resto parece mais ou menos ok.

Parasaurolophus: Podiam ter colocado mais cores nesses bichos e como bem observado pelo paleontólogo Thomas Holtz, eles aparecem mastigando errado. Parasaurolophus walkeri alcançavam até 9,5m de comprimento.

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Parasaurolophus, por Julius Csotonyi

Tyrannosaurus rex: A anatomia e o tamanho estão relativamente bem aceitáveis nos filmes. Atualmente acredita-se na possibilidade de eles terem apresentado cerdas ou plumas espalhadas pelo corpo como o seu parente próximo Yutyrannus. Mesmo que essas estruturas se perdessem no adulto, é altamente provável que estivessem presentes em bebês, juvenis e até mesmo jovens adultos.

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Mosasaurus, por Andrey Atuchin

Mosasaurus, por Andrey Atuchin

Mosasaurus: No filme reinou a regra do quanto maior melhor. Mosassauros definitivamente não alcançavam esse tamanho. Os maiores espécimes de Mosasaurus hoffmanni encontrados até agora apresentam no máximo 18m de comprimento e eles deveriam levar dezenas de anos para alcançar esse tamanho. Eles tinham os tais dentes palatais, como mostrados no filme, mas provavelmente tinham a língua bifurcada, como muitas cobras e lagartos nos dias atuais.

Pterossauros: Primeiramente, eles seriam muito mais coloridos. Em segundo lugar, a maioria das espécies de pterossauro, mesmo algumas bem grandes, como o Pteranodon, retratado no filme, não seriam capazes de levantar uma pessoa no ar. Eles eram relativamente frágeis e um soco bem dado seria capaz de esmigalhar o seu crânio, principalmente o de um Dimorphodon.

Dimorphodon tinha cerca de 1m de comprimento, no máximo, incluindo a cauda, e até 1,5m de envergadura alar. Seu crânio era mais estreito do que como foi apresentado no filme.

Pteranodon não tinham dentes (no filme ‘Jurassic Park III’ eles são retratados com dentes) e alcançavam até 5,5m de envergadura alar.

Por meio de diversos fósseis de pterossauros muito bem preservados, hoje sabemos que essas criaturas tinham o corpo coberto por estruturas semelhantes a pelos (o que, pelo menos para mim, os torna ainda mais assustadores).

Dimorphodon, por Mark Witton

Dimorphodon, por Mark Witton

É sempre bom aproveitar um filme que a gente gosta para falar um pouco de ciência. Não se chateie muito com as matérias sensacionalistas entrevistando paleontólogos, que acabaram criticando negativamente o filme por aí. Todo mundo sabe que toda série ‘Jurassic Park’ é uma ficção moldada pra o entretenimento. A questão é que os paleontólogos foram os nerds que deram um passo além ;)… E, não se pode deixar de dizer, que em respeito da mídia: uma polêmica vende muito mais do que um elogio.

A série ‘Jurassic Park’ continua sendo uma inspiração para muitos futuros cientistas.

Fique ligado na nossa próxima postagem: “Jurassic Park: a ficção que está inspirando a realidade”.

BoneCast #8 – Review de Jurassic World

Com a maior bilheteria de estreia de todos os tempos, o filme “Jurassic World”, ou “Mundo dos Dinossauros” – como foi traduzido para o português no Brasil -, têm produzido furor entre os fãs e a fúria de alguns paleontólogos pelo mundo.

Resolvemos nos reunir, como paleontólogos *e* fãs e fazer uma review do filme. E aí, qual você acha que foi a nossa opinião?!

ALERTA “SPOILER”!!!

Você foi avisado…

Clique para assistir (você será redirecionado para o YouTube):

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BoneCast #7 – Mesa Redonda sobre os livros “Jurassic Park” e o “Mundo Perdido”

O sétimo episódio de BoneCasts é um especial de 30 minutos com uma gravação ao vivo de uma mesa redonda sobre os livros da série, de autoria de Michael Crichton. A discussão fez parte dos eventos da Terceiro Simpósio da Liga Acadêmica de Evolução e da Semana Jurassic Park, ocorrido no Centro Paleontológico de Peirópolis, em Minas Gerais.

A discussão, transmitida ao vivo no dia do lançamento de “Jurassic World”, conta com a presença de Aline Ghilardi, Tito Aureliano, Thiago Marinho, Rodolfo Nogueira e Julian Cristian. Dentre os temas obordados está a desextinção, suas questões éticas e o quanto que a ciência moderna real se relaciona com o que é apresentado em “Jurassic Park”.

Assista ao BoneCast #7 aqui (link externo para o YouTube):

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BoneCast #6 – Caçando Fósseis em Campina Verde

No Episódio #6 de BoneCasts, junte-se aos paleontólogos Thiago Marinho e Fabiano Iori enquanto buscam fósseis  de mais de 70 milhões de anos em Campina Verde, Minas Gerais, e fique por dentro de uma das suas últimas descobertas.

Assista aqui (você será redirecionado ao YouTube):


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BoneCast #5: Crocodiliformes terrestres

Continuando o papo com o paleontólogo Thiago Marinho (especialista em Crocodyliformes extintos e professor na UFTM), veja o episódio #5 de BoneCasts, onde Thiago fala sobre alguns dos crocodiliformes terrestres brasileiros que ele ajudou a descrever: o Gondwanasuchus scabrosus, carinhosamente apelidado de “Tinhoso”, e o Armadillosuchus arrudai, o tão querido “crocodilo tatu”.

Assista aqui (você será redirecionado ao YouTube):

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Versão em Áudio (Download): BoneCast#5

BoneCast #4: Uberaba, terra de dinossauros

No episódio #4 de BoneCasts, Thiago Marinho – professor e paleontólogo da UFTM, especialista em crocodyliformes extintos – fala sobre o a importância da cidade de Uberaba no cenário paleontológico nacional. Assista clicando na imagem (você será redirecionado ao YouTube):

 

Versão em Áudio (Download): BoneCast#4

BoneCast #3 – Renan Bantim fala sobre o tráfico de fósseis

Na nossa nova série de vídeos, chamada “BoneCasts”, que traz conceitos sobre paleontologia, assuntos da área que são destaque na mídia ou entrevistas com profissionais, Renan Bantim (paleontólogo da UFPE) fala um pouco mais sobre o tráfico de fósseis, tema abordado em nosso blog essa semana. Assista:

Versão em Áudio (Download): BoneCasts #3

O contrabando de fósseis e o que perdemos com isso

Recentemente foi veiculada na televisão a apreensão de um lote de fósseis brasileiros pela Polícia Federal dos Estados Unidos (FBI) (veja a notícia aqui), cujo contrabando envolvia até mesmo geólogos e outros profissionais da área. Poucos meses antes, foi noticiada a devolução de *mais de 3 mil* fósseis que seriam levados para fora do país ilegalmente (veja a notícia aqui), sendo que entre eles haviam até mesmo possíveis espécies novas para a ciência. Isso sem contar as dezenas de fósseis brasileiros vendidos pela internet em sites como E-bay e até mesmo o Mercado Livre (veja AQUI, AQUI e AQUI).

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Qual a melhor atitude a se tomar quando você se deparar com qualquer atividade que envolva o comércio de fósseis brasileiros?

DENUNCIAR.

Fósseis são pedaços da memória biológica do nosso planeta. São, literalmente, fragmentos da vida do passado que se preservaram na forma de rochas. Como figurinhas em um álbum de histórias gigantesco e complexo, os fósseis nos contam a saga da evolução da vida. Cada depósito fossilífero (como o Araripe, por exemplo, de onde a maioria dos fósseis brasileiros traficados são retirados) contêm um capítulo dessa história. Portanto, compreendê-los bem e preservá-los é de importância fundamental para que a crônica toda faça sentido.

Os depósitos fossilíferos, todavia, são finitos. Seus fósseis não são recursos renováveis. O que significa que no dia em que acabarem, acabou para sempre, e nesse momento ter-se-ão perdido não só dados científicos sobre um determinado período de tempo da história da vida no nosso planeta, mas um recurso que, se tivesse sido melhor administrado, poderia ter gerado lucros contínuos para sua região de origem.

Como assim gerar lucros contínuos?

O lucro que as pessoas geram com o comércio (ilegal!) de fósseis é temporário (e arriscado!). Quando esse recurso acabar, acabou a entrada de dinheiro e ponto. Com a extração controlada e o encaminhamento dos fósseis para museus e universidades locais ou regionais, além de ajudar o desenvolvimento educacional e científico da população (o que culmina em melhores condições de vida e melhores oportunidades para essa comunidade), o turismo atraído pelos museus e parques paleontológicos pode gerar renda direta e indireta para a região.

Como assim? Ora, para sustentar a visitação é necessária uma rede de hotéis, pousadas, restaurantes, atrações turísticas, lojas de artesanato, pequenos comércios, da qual TODA a população sai ganhando e de forma contínua e sustentável. Resumindo: é um negócio muito melhor em longo prazo. De tabela, parte da história da vida no planeta vai estar sendo preservada para as futuras gerações conhecerem, apreciarem e estudarem.

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Ainda não entendeu? Vou desenhar.

VALE A PENA preservar o patrimônio paleontológico nacional. Países ditos de primeiro mundo são recheados de museus de história natural e muitos lucram com os nossos fósseis nas paredes e vitrines. As pessoas QUEREM ver fósseis, pois são coisas que despertam a curiosidade. Poderíamos há décadas estar recebendo os benefícios dos museus e parques paleontológicos, mas ainda nos comportamos como colonizados e nos vendemos por muito pouco.

Museus não caem do céu, é necessário um esforço conjunto. O esforço começa preservando o patrimônio. Se não houverem mais fósseis, como haverá museus?

É importante se engajar nessa batalha. Denuncie o comércio ilegal de fósseis (denúncias devem ser encaminhadas à Polícia Federal e/ou ao DNPM de seu estado). Se você tem fósseis em sua região, entre em contato com pesquisadores. Junte-se com a sua comunidade e exija dos governantes medidas para proteção e aproveitamento desse patrimônio. Seu ato ou seu nome podem ficar para a história!

Seja lembrado por uma coisa boa.

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By Tito Aureliano, 2010. Afloramentos Cretácicos (Fm. Alcântara), Ilha do Cajual, Maranhão, Brasil. Reservo direitos de uso sobre essa fotografia. Sua cópia não está autorizada.

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