BoneCast #16: Inferno de Lava

No episódio 16 de BoneCasts, a paleontóloga Aline Ghilardi (doutoranda, UFRJ) nos leva ao Parque Prefeito Luiz Roberto Jabali, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Esse parque foi por muito tempo uma pedreira de extração de basalto para produção de “brita” para construção civil, até o empreendimento ser desativado na década de 1990 e então transformado em um parque. Porém, pouca gente conhece a história por trás das rochas desse lugar. Os paredões hoje expostos foram originados por um gigantesco derrame de lava basáltica que ocorreu durante a era dos dinossauros. Esse grande derrame foi um dos maiores eventos dessa natureza já ocorrido na história do planeta Terra, mudando o clima e significativamente os ecossistemas da região. Descubra mais sobre o cataclisma que atingiu a porção central de Gonduana há mais de 130 milhões de anos e originou o que hoje conhecemos como Formação Serra Geral.

Clique na imagem para assistir (você será redirecionado para o YouTube):

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BoneCast #15 – Paleoicnologia: o estudo dos traços fósseis

Bernardo Peixoto, pós-graduando em Ecologia da UFSCar, que atualmente estuda a diversidade de rastros de insetos encontrados nas rochas de idade juro-cretácica da Formação Botucatu, fala um pouco mais sobre o que é “Paleoicnologia”, um ramo de estudo da Paleontologia, que pode fornecer informações muito além dos fósseis de ossos, carapaças e conchas.

Assista o vídeo para entender mais sobre esse ramo da ciência paleontológica e a importância do estudo dos icnofósseis (você será redirecionado para o YouTube):

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Bernardo fala um pouco também sobre o seu trabalho e o que se conhece na atualidade sobre o paleoambiente do antigo deserto Botucatu.
Esse vídeo encerra a série de BoneCast sobre a Paleontologia da Formação Botucatu.

BoneCast #14 – Rastros Fantasmas: Pegadas do Cretáceo

Neste episódio #14 de BoneCasts, o paleontólogo Marcelo Fernandes apresenta a  maior coleção de pegadas pré-históricas do Brasil. Conheça mais criaturas que habitavam o paleodeserto Botucatu de mais de 140 milhões de anos.
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Leia mais:
As pegadas fósseis do interior paulista: AQUI
A fauna do Paleodeserto Botucatu: AQUI
Um estranho nas dunas: http://www.colecionadoresdeossos.com/2011/05/um-estranho-nas-dunas-o-paleo-deserto.html
Jazigo icnofossilífero do Ouro (SIGEP): AQUI
Para quem quiser visitar o Museu de Ciências Prof. Mário Tolentino em São Carlos:  AQUI

BoneCast #13 – Urólito: Xixi de Dinossauro

Você sabia que também se preservaram icnofósseis de xixi dos dinossauros? Você sabia que um dos primeiros encontrados foi no interior de São Paulo?

Nesse episódio 13 de BoneCasts, saiba como foi formado um urólito paulista de mais de 130 milhões de anos, apresentado por um de seus descobridores, o paleontólogo Marcelo Fernandes.

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BoneCast #12 – PaleoDeserto Botucatu: Nas Areias do Tempo

No episódio #12 de Bonecasts, o paleontólogo Marcelo Adorna Fernandes (UFSCar) fala sobre as pegadas fósseis da Formação Botucatu (Bacia do Paraná). Muitas das quais podem hoje ser encontradas nos calçamentos de cidades como Ararquara e São Carlos, interior de São Paulo. Mas como isso é possível?!

Conheça mais sobre o gigantesco paleodeserto que cobriu o sul e sudeste do Brasil durante o final do Jurássico e início do Cretáceo, há mais de 120 milhões de anos, quando os dinossauros dominavam o planeta. Que criaturas caminharam sobre essas areias?! Como um imenso deserto simplesmente desapareceu?

Veja tudo isso aqui (você será redirecionado para o Youtube):

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Jurassic World, seus monstros e o conceito de espécie

Nosso querido colega Rafael Souza inicia a sua participação aqui no blog com uma discussão biológica que vai dar um nó na cabeça de muita gente! Entenda porque mesmo que os dinos de ‘Jurassic Park’ e ‘Jurassic World’ tivessem seu DNA 100% puro, eles ainda não seriam dinossauros.

Só para os fortes!

JURASSIC WORLD E SEUS MONSTROS DINOSSAURIANOS

Por Rafael Souza (Museu Nacional/UFRJ)

É inegável o sucesso gerado pelo livro ‘Jurassic Park’ e todos os filmes subsequentes baseados nessa obra. Afinal, quem não se admira e espanta quando monstros tão formidáveis e tão familiares aos dinossauros, saem por ai devorando pessoas e destruindo coisas? Pois é, note que não os chamei de Dinossauros.

19th_century_science_ruined_dinosaurs_by_osmatar-d81jxfcRecentemente no filme ‘Jurassic World’ os autores fizeram questão de ressaltar que os animais que eles criavam não eram dinossauros e sim monstros modificados geneticamente, baseados em moléculas de DNA “fossilizadas” de Dinossauros. Uma ótima justificativa para os inúmeros erros anatômicos demonstrados pelos monstrinhos ao longo dos quatro filmes produzidos e do próprio livro, e não estou falando apenas das polêmicas penas!

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No entanto, um embate ainda existe, mesmo após tal justificativa. Se tais animais geneticamente construídos pelo homem não são dinossauros, por que eles receberam nomes de espécies fósseis formalmente reconhecidas pela ciência? Por que não os nomearam com nomes inéditos e “assustadores” como o “Indominus rex”? A resposta se deve ao PODER da divulgação e atração gerada por nomes como: Tyrannosarus rex, Velociraptor, Triceratops… e tantos outros.

da2N498lMas vamos lá, abriremos espaço para uma perspicaz discussão usando tal introdução. Vamos começar fazendo duas suposições: 1) que o DNA desses animais tenha sido reconstruído com sucesso, ou seja, mesmo utilizando partes de DNA de outros animais, suponhamos que os cientistas da InGen conseguiram recriar tais animais com uma incrível veracidade biológica, portando as mesmas seqüências de DNA nos respectivos  dinossauros; e/ou, 2) que os elementos ósseos desses animais sejam idênticos aos encontrados pelos paleontólogos ao longo desses séculos de escavações e pesquisas, ou seja, idêntico aos espécimes referidos as espécies citadas no filme.

Baseando em tais pressupostos, vamos discutir como verdadeiros sistematas qual a melhor forma de nomear os animais da franquia Jurassic Park/World com base nos nossos conhecimentos científicos acerca dos conceitos de espécie (sim no plural, sim são muitos!). Vamos deixar de lado o fato de serem animais híbridos e artificiais e nos atermos apenas ao fato de serem ou não dinossauros. Além disso, deixemos as discussões sobre as vantagens e desvantagens entre os diferentes conceitos de espécies para outro momento.

oofqbwTodo biólogo que queira nomear, descrever ou até mesmo trabalhar direta ou indiretamente com uma espécie deveria ler e se inteirar das informações contidas no Código Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN). Tal código busca regulamentar e padronizar o processo de nomeação, sinonímia e qualquer outro assunto pertinente a nomenclatura zoológica.

A forma mais comum de se identificar e designar um individuo a uma espécie, seja ela nova ou não, é analisando suas características morfológicas (Nelson & Platnick, 1981; Cracraft, 1983; Nixon & Wheeler, 1990; Grismer, 1999, 2001), sejam essas externas ou internas ao corpo do animal, principalmente características tidas como únicas aos espécimes de uma determinada espécie (autapomorfia). De tal forma, quando uma hipótese de espécie é proposta, uma diagnose é feita e um holótipo eleito, portando o nome e as referidas características e possibilitando que outros espécimes possam ser incluídos na mesma hipótese de espécies. Sendo assim, valendo-se do pressuposto 2, que comentamos anteriormente, não seria incorreto designar as formas apresentadas nos filmes/livros como sendo dinossauros e receber os mesmos nomes que suas formas fósseis. Pois tais critérios visam apenas nossa capacidade de diferenciar espécimes e os agrupa-los em conjuntos ideologicamente não-naturais que chamamos de espécies.

1374644032_tumblr_lxarxioCe31ql8i93o1_500-1434065053Ao se assumir o pressuposto 1, em que os cientistas da franquia ‘Jurassic Park’ conseguiram recriar a mesma seqüência gênica dos extintos dinossauros, nos permitiriam categorizar tais animais como Dinossauros. Essa categorização seria baseada em propostas acerca do compartilhamento de características moleculares (e.g. DNA, RNA; Baum & Shaw, 1995; Avise & Ball, 1990), propostas essas que sustentaram a origem do Barcode, a categorização dos seres vivos por meio de uma seqüência molecular compartilhada por todos os seres vivos, mas suficientemente variável para categorizá-las (Hebert et al., 2003). No entanto, vale ressaltar que se assumindo o pressuposto 1, estaríamos inferindo a priori que o DNA produzido seria idêntico ao dos dinossauros, coisa que muito dificilmente será comprovado.

Baseando-se puramente nas diagnoses criadas pelos conceitos de espécies discutidos acima e assumindo os pressupostos 1 e/ou 2 podemos sim chamar as criaturas da franquia ‘Jurassic Park’ de Dinossauros e, portanto, incluí-los nas espécies já existentes. De Queiroz (2007) argumenta sobre o conceito unificado de espécie, que seria o fator em comum apresentado por todos os conceitos até então propostos, e, segundo ele, o fator em comum entre todas elas seria a existência de uma linhagem comum independente. Sendo assim, todos os outros “detalhes” contidos nos conceitos prévios seriam formas de se delimitar as espécies, ressaltando que quanto mais “testes” a espécie “passar” mais bem suportada ela será.

984Com as proposições de De Queiroz (2007) em mente, seriamos capazes de realizar diversos “testes” delimitantes nos indivíduos criados na história, e se os pressupostos 1 e 2 forem validos, estaríamos corretos em propor que tais seres sejam de fato dinossauros. No entanto, o próprio autor reconhece que para se estabelecer uma linhagem evolutiva independente o isolamento geográfico seria uma força poderosa e de fácil detecção. Então, o que dizer da barreira criada pelo tempo? Se os animais criados forem de fato dinossauros teríamos o maior “Táxon Lázaro” (táxons que “desapareceram” e subsequentemente reaparecem em períodos geológicos mais recentes) já descrito. Baseando-se nas proposições de De Queiroz (2007) poderíamos dizer, ao reconhecermos que tais animais sejam dinossauros, que eles não deveriam pertencer as espécies já descritas e sim a um novo conjunto de espécies, simplesmente pelo fato de representarem uma nova linhagem evolutiva completamente independente de seus extintos “ancestrais”.

Outra linha de pensamento acerca dos conceitos de espécie foi proposta por Fitzhugh (2006), onde, no desígnio de uma espécie, não estamos simplesmente agrupando indivíduos e sim referenciando um nome a uma hipótese explanatória acerca da origem e fixação de determinadas características presentes em um grupo de espécimes de uma determinada população. Com base nisso, as teorias e demais evidências que nos levam a nomear um grupo de indivíduos fósseis numa determinada espécie de dinossauro são de imediato diferente das teorias e demais evidências que possibilitaram a origem e fixação dessas características, mesmo que idênticas. Portanto, apesar de “idênticas”, se os pressupostos 1 e 2 forem acatados, os caracteres diagnósticos compartilhados por elas seriam um caso de homoplasia (quando você precisa de uma hipótese ad hoc para explicar a origem e fixação de uma determinada característica) e portanto não seriam dinossauros de fato.

Como podem ver, além da polêmica discussão sobre ser ou não ser um dinossauro, na ciência temos uma frutífera e produtiva discussão sobre conceitos e metodologias para a designação mais “natural” de o que seria uma espécie e como seria possível identifica-la.

Ainda nesse assunto poderíamos levantar uma interessante questão, tão polêmica ou mais, que é o fato de uma vida ter sido criada artificialmente (criada por influência humana; “não natural”) deve ser tratada como um ser vivo? Merece um sistema de classificação próprio, ou deve ser incluída junto aos demais animais/plantas? O que é vida e quando ela deixa de ser natural?

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Mas deixemos essas perguntas para uma futura discussão!

Grande abraço a todos e ótimas pesquisas!

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Rafael Gomes de Souza é graduado em licenciatura e bacharelado pela Universidade Federal de Uberlândia e tem mestrado em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ. Desenvolve pesquisas na área de sistemática e paleontologia, principalmente com crocodilianos fósseis e aspectos filosóficos da sistemática.

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Referências:

Avise, J. C., and R. M. Ball, Jr. 1990. Principles of genealogical concordance in species concepts and biological taxonomy. Oxf. Surv. Evol. Biol. 7:45–67.

Baum, D. A., and K. L. Shaw. 1995. Genealogical perspectives on the species problem. Pages 289–303 in Experimental and molecular approaches to plant biosystematics (P. C. Hoch, and A. G. Stephenson, eds.). Missouri Botanical Garden, St. Louis.

Cracraft, J. 1983. Species concepts and speciation analysis. Curr. Ornithol. 1:159–187.

De Queiroz, K. 2007. Species Concepts and Species Delimitation. Systematic Biology, 56(6): 879-886.

Fitzhugh, K. 2006. The philosophical basis of character coding for the inference of phylogenetic hypotheses. Zoologica Scripta, 35: 261-286.

Grismer, L. L. 1999. An evolutionary classification of reptiles on islands in the Gulf of California, Mexico. Herpetologica 55:446–469.

Grismer, L. L. 2001. An evolutionary classification and checklist of amphibians and reptiles on the Pacific islands of Baja California, Mexico. Bull. South. Calif. Acad. Sci. 100:12–23.

Hebert, P.D.N., Cywinska, A., Ball, S.L., deWaard, J.R., 2003. Biological identifications through DNA barcodes. Proc. R. Soc. Lond. Ser. B 270, 313–321.

ICZN: http://iczn.org/code.

Nelson, G., and N. I. Platnick. 1981. Systematics and biogeography. Columbia University Press, New York.

Nixon, K. C., and Q. D. Wheeler. 1990. An amplification of the phylogenetic species concept. Cladistics 6:211–223.

BoneCast #11 – Preparação de Fósseis com Pedro H. Moraes

Procurar, encontrar, escavar. Mas o que fazer depois?

Depois que um fóssil é encontrado, ele é levado para preparação no laboratório. Muitas vezes a preparação é longa e pode levar anos, dependendo do material. Você já teve curiosidade de saber como é o trabalho de preparação de fósseis?

No episódio #11 de BoneCast, Pedro H. Moraes (UFTM) fala sobre a preparação de fósseis em laboratório. Essa foi uma parte do minicurso de preparação de fósseis oferecido durante o III Simpósio da Liga Acadêmica de Evolução, realizado no Complexo Cultural e Científico de Peirópolis, Uberaba (MG), em junho de 2015. Descubra o básico de como preparar fósseis e deixá-los prontos para a pesquisa.

Você pode aprender mais sobre como é feita a coleta e preparação de fósseis no livro “Paleontologia” v.2, Segunda edição, Capítulo 3: “Fósseis: Coleta e Métodos de Estudo”, Editora Interciência, Editor: Ismar de Souza Carvalho, pp.28-42 – Veja um pedaço deste capítulo aqui: http://www.igeo.ufrj.br/~ismar/1/1_27.pdf

Clique aqui e assista ao BoneCast #11 (link externo para o YouTube).

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BoneCast # 10 – PaleoArte com Rodolfo Nogueira

No episódio #10 de BoneCast, Rodolfo Nogueira, paleoartista profissional, graduado em Desenho Industrial pela Universidade Estadual Paulista, fala um pouco sobre a arte de ilustrar o mundo pré-histórico: o que é, quais são os seus fundamentos, o retorno para a sociedade e dicas para os futuros paleoartistas.

Acesse o portfólio de Rodolfo Nogueira: http://rodolfonogueira.daportfolio.com/gallery/101276

Saiba mais sobre paleoarte e conheça as obras de outros paleoartistas brasileiros: http://brazilianpaleoart.colecionadoresdeossos.com/

Assista ao BoneCast #10 aqui (link externo para o youtube):

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BoneCast #9 – Paleohistologia: escavando “dentro dos ossos”

Nesse episódio 9 de BoneCasts, convidamos a paleontóloga Juliana Sayão para explicar uma das áreas de estudo mais sofisticadas da Paleontologia moderna. Por quase dois séculos dessa ciência, como disse o pesquisador Jack Horner, os paleontólogos têm escavado fósseis, mas somente algumas décadas atrás têm “escavado dentro dos ossos”, para desvendar detalhes dos tecidos preservados. A poderosa ferramenta da Paleohistologia têm nos possibilitado obter diversas informações sobre os seres exintos.

Assista ao BoneCast #9 aqui (link externo para o youtube):

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Jurassic Park: a ficção que está inspirando a realidade

A molécula de DNA é relativamente estável, mas não é resistente há dezenas de milhões de anos. Até onde se sabe, é impossível encontrar DNA de dinossauros mesozoicos preservado em ossos fossilizados ou no estômago de mosquitos aprisionados em âmbar. Porém, um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos, inspirados pela ficção de “Jurassic Park”, afirmam: ainda assim é possível realizar a façanha de se recriar dinossauros.

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Jack Horner

Inspirado por “Jurassic Park” e movido pelo desejo de ver um dinossauro vivo, com dentes, desde criança, o paleontólogo John Horner tem dedicado grande parte de sua carreira nas últimas décadas a tornar o seu sonho realidade. Horner e sua equipe de pesquisadores têm trabalhado duro no campo da Genética e Biologia do Desenvolvimento. A ideia deles é produzir um dinossauro, não por meio de DNA preservado em âmbar ou fósseis, mas por meio de manipulação genética do DNA de aves atuais. Especificamente, galinhas.

Sinosauropteryx , um dino com penas

Sinosauropteryx , um dino com penas

Não é mais uma novidade que as aves são descendentes dos dinossauros. Paleontólogos vêm estudando as semelhanças desses organismos há anos e cada vez mais aprendemos o quão parecidos os dinossauros terópodes eram das aves. Inclusive com o corpo coberto de penas.

De acordo com Jack Horner, estudar o DNA das aves pode não só nos ajudar a entender muitos aspectos evolutivos dos dinossauros, como também guardar o segredo para recriá-los. Bastaria ativar os genes corretos no momento certo do desenvolvimento do animal.

Embrião de galinha

Embrião de galinha

Muitos estudos têm avançado nessa direção. Recentemente foi publicado um artigo sobre a evolução do bico nas aves, em que cientistas modificaram proteínas produzidas durante o desenvolvimento embrionário de uma galinha e conseguiram criar um embrião com “focinho” reptiliano. O animal não tinha dentes, mas apresentava o rostro arredondado como o de um jacaré. Uma implicação da pesquisa é que mudanças simples podem ter causado grandes mudanças anatômicas nos primeiros dino-aves. A intenção desses pesquisadores não era incubar o animal e nem criar um dinossauro, mas eles definitivamente deram um grande passo nessa direção, como destacou o próprio John Horner.

Embrião de galinha, embrião experimental e embrião de jacaré.

Embrião de galinha, embrião experimental e embrião de jacaré.

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Clique para ampliar e entender a evolução do “dígito opositor” nas aves.

Outro estudo recente abordou a evolução dos dígitos nas aves, em especial o dígito opositor que as auxilia a empoleirarem (o hallux). Alguns pesquisadores chilenos conseguiram reverter esse caráter em embriões e puderam compreender como a capacidade de “agarrar com os pés” desenvolveu-se nos dinossauros (entenda mais AQUI).

De acordo com Horner, os outros passos em direção a se criar um dinossauro seriam conseguir desenvolver dentes, mãos com garras e uma cauda longa nos embriões. Sua equipe já conseguiu recriar dentes, mas infelizmente as aves perderam o gene responsável pela produção do esmalte dentário. Nesse caso, de acordo com o pesquisador, seria necessário inserir o gene artificialmente nesses organismos por um processo conhecido como transgenia (inserir genes de outros organismos no genoma da galinha).

Recriar as mãos seria o mais “fácil”, ainda de acordo com o pesquisador, já que todas as peças estão presentes nas aves, bastando descobrir como reorganizá-las. O que será realmente difícil, será a cauda. As aves desenvolveram uma estrutura bastante complexa, com vértebras fundidas, chamada pigostilo. Será necessário primeiramente descobrir como o pigostilo evoluiu, para então, revertê-lo.

Depois que todas essas modificações forem alcançadas, um último grande passo ainda será necessário: descobrir uma forma de deixar os embriões desenvolverem-se. O resultado disso tudo seria algo semelhante a um pequeno dinossauro terópode, que Horner apelidou de “Chickensaurus”. (Observação: por esse método seria difícil, para não dizer realmente impossível, criar um dinossauro saurópode ou um ornitísquio).

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Esqueleto de galinha e esqueleto fictício de “Chickensaurus”

Críticos do trabalho de Horner apontam que, assim como em ‘Jurassic Park’, criaturas geradas dessa maneira não seriam dinossauros “de verdade”, mas sim “monstros” geneticamente modificados. Além disso ressaltam: Qual seria a razão de se recriar “dinossauros”? Para entretenimento? Aonde eles se encaixariam: como animais ou produtos? Quem seria responsável por eles? Aonde seriam mantidos? Teriam eles direitos? Que problemas eles trariam para os organismos viventes e ecossistemas naturais caso fugissem de controle?

Essas são muitas questões também abordadas por “Jurassic Park”, a ficção criada por Michael Crichton no início da década de 1990. O personagem “Ian Malcom” é particularmente inquisitivo em relação a isso e tanto no livro quanto na série de filmes a “teoria do caos” é bastante enfatizada por ele.

Horner diz que “Chickensaurus” não seria criado apenas para ser um “pet”, mas que o que aprenderíamos com ele poderia promover grandes avanços na indústria médica.

A vida inspira a arte, mas a arte também pode inspirar a vida. Qual a sua opinião sobre tudo isso?

Assista a palestra de John Horner, aonde ele fala sobre a criação de “Chickensaurus”:

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LEIA TAMBÉM: “E se o DNA dos dinos de Jurassic World fosse 100% puro?

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By Tito Aureliano, 2010. Afloramentos Cretácicos (Fm. Alcântara), Ilha do Cajual, Maranhão, Brasil. Reservo direitos de uso sobre essa fotografia. Sua cópia não está autorizada.

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