Os Fósseis de Pernambuco – Episódio 4

O episódio quatro da série “Os fósseis de Pernambuco” fala sobre os fósseis do Pleistoceno do estado. 

Conheça os mamíferos gigantes que habitaram Pernambuco entre 60 e 10 mil anos atrás, quando a vegetação de cerrado dominava a região, o clima era mais úmido e as temperaturas médias eram mais baixas. O que será que levou localmente essa magnífica fauna à extinção? Conheça os trabalhos desenvolvidos por pesquisadores da UFPE para desvendar os mistérios do Pleistoceno de Pernambuco!

Veja o episódio 1 da série AQUI, que fala sobre os fósseis mais antigos do estado de Pernambuco, o episódio 2 AQUI, que mostra como era o período Jurássico no nordeste brasileiro e o episódio 3 AQUI, que fala sobre Bacia da Paraíba e o limite K-Pg. A série foi produzida em conjunto com o PALEOLAB-UFPE e conta com apoio financeiro do CNPq.

O que há de errado com Jurassic World?

O trailer do mais novo filme da série “Jurassic Park” já foi lançado há algumas semanas, o que levantou muita polêmica entre fãs, dinomaníacos e paleontólogos no mundo todo. A discussão se acalorou até mesmo entre amigos, e os pontos de discórdia foram diversos. Não só quanto à ausência de penas nos bichos (o que já era esperado), mas também quanto às proporções supostamente exageradas de alguns animais, além de críticas quanto ao “não mais tão misterioso” Diabolous rex (D-rex), um dino-monstro criado pelos cientistas de Jurassic World, estrela do próximo filme.

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Não podíamos ficar de fora dessa, então, vamos tentar ver o que há de tão errado – cientificamente falando – com o filme e, se no fim, vale a pena assistí-lo.

“Ter penas ou não ter penas?”

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Microraptor zhaoianus, do Cretáceo da China. O fóssil têm evidências de penas alongadas nos braços e pernas do animal.

É FATO que a partir da década de 90, muitos fósseis de dinossauros com penas começaram a ser encontrados desde a exploração dos depósitos de Liaoning, na China. Essa localidade, reconhecida como um lagerstätte pela qualidade de preservação de seus fósseis, ampliou significativamente o nosso conhecimento sobre a aparência em vida dos dinossauros e suas relações com as aves atuais.

Desde que essas descobertas começaram a ser realizadas, muito mais atenção foi dada à preparação e interpretação de fósseis pelo mundo. Antigos fósseis começaram a ser reestudados, e materiais com evidências da presença de penas começaram a ser encontrados em outros sítios fossilíferos ao redor do mundo.

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Sinosauropteryx, terópode compsognatídeo do início do Cretáceo da China. O fóssil mostra evidências da presença de uma cobertura de penas sobre o corpo do animal.

Hoje, pelo menos 40 espécies de dinossauros apresentam evidências DIRETAS da presença de penas (veja uma lista aqui), ou estruturas semelhantes à penas, no seu tegumento. Dessas, a maioria pertence ao grupo dos terópodes, dinossauros saurísquios que teriam dado origem às Aves. Todavia, estruturas filamentosas que lembram muito penas simples, também foram encontradas em dinossauros ornitísquios, especificamente ceratopsianos e ornitópodes basais.

*Clique aqui para conhecer melhor a classificação dos dinossauros*

O fato de penas e estruturas semelhantes à penas terem sido encontradas nos dois grandes grupos de dinossauros – que se diferenciaram bem cedo na história evolutiva do grupo -, nos leva a crer que essa teria sido uma característica presente no ancestral comum de saurísquios e ornitísquios. Trata-se da explicação mais parcimoniosa para a presença desse caracter nos dois grupos.

É importante observar também, que Pterossauria, grupo irmão de Dinossauria, também apresenta evidências fósseis da presença de estruturas filamentosas (picnofibras) no tegumento. Esse carater pode ser ainda mais basal na história evolutiva dos Avemetatarsalia do que se pensava há uma década.

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Detalhes das estruturas filamentosas encontradas na cauda de Psittacosaurus sp., um ceratopsiano (Ornitischia) basal. O fóssil é proveniente da região de Liaoning, na China.

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Cladograma mostrando os grupos de saurísquios que apresentam evidências fósseis de penas. Amplie para ver detalhes.

Certo. Qual a relação de tudo isso com “Jurassic World”?

A questão é, que quando os primeiros filmes da série Jurassic Park foram lançados, o conhecimento sobre a presença de penas em dinossauros estava apenas engatinhando. Não sabia-se ao certo como elas se distribuíam pelo corpo do animal, detalhes de sua estrutura ou como ocorriam entre os diferentes grupos. Hoje, esse conhecimento avançou bastante, ao ponto de investigarmos até mesmo as cores das penas desses animais (por mais distante da pefeição que esse procedimento ainda esteja).

O que muitos dinomaníacos e paleontólogos argumentaram é “Por que os dinossauros em Jurassic World não teriam penas?”.

Bem, o filme Jurassic Park, lançado em 1993, foi um exponente em sua época, modificando a visão arcaica que a opinião pública tinha sobre os dinossauros, como lagartões lerdos e burros. Muito do conhecimento paleontológico que se tinha de mais avançado na época foi empregado no filme, como o fato de esses animais formarem bandos, botarem ovos, alguns assumirem uma postura mais horizontal em relação ao chão, serem rápidos e se comportarem quase que como aves. Esse padrão “inovador” de apresentação dos dinossauros também é observado no livro que inspirou o filme, o romance de mesmo nome escrito por Michael Crichton em 1990.

sFSC91LO filme faturou U$915 milhões e ganhou 3 prêmios Oscar. O seu sucesso acabou atraindo a atenção de milhões de pessoas para os avanços na ciência paleontológica, servindo indiretamente como um divulgador de ciência. Além disso, outros milhares de jovens se interessaram em ingressar na carrreira acadêmica para estudar Paleontologia e muitos dos avanços na área nos últimos anos se devem ao “efeito Jurassic Park“.

O que muitos estavam esperando era que o novo filme da franquia, a ser lançado mais de 20 anos depois (junho de 2015), também seguisse esse padrão, abraçando as mais novas descobertas científicas da presente década. A decepção é que os roteiristas e produtores optaram por não fazer assim. Logo que o filme começou a ser produzido, o diretor, Colin Trevorrow,  informou “não teremos penas em Jurassic World”.

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Sinornithosaurus millenii, dromeossaurídeo (grupo que inclui o velociraptor e o tiranossauro) da China, encontrado com penas. Clique para ampliar.

Dinomaníacos e paleotólogos esperaram até o momento do lançamento do trailer (há algumas semanas) para ver se o anúncio era mesmo verdade e o resultado foi uma extrema revolta por parte de muitos: nada de penas. “Seria esse um desfavor à divulgação de ciência?!”, muitos argumentaram.

Com base nos estudos atuais, sabemos que pelo menos alguns dinos terópodes apresentados no filme deveriam mostrar uma cobertura de penas, como é o caso do Velociraptor (clique aqui para saber mais), ou até mesmo do Tyrannosaurus rex, já que ancestrais desse bicho foram encontrados com penas (leia sobre Yutyrannus, um tiranossauróide com mais de 8 metros de comprimento e penas encontrado na China).

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Cena de nudez.

“Deveriam esses animais apresentar penas, se são monstros recriados geneticamente, não dinossauros, por assim dizer?”, responderam os fãs. “Isso é para ser entretenimento, não divulgação científica!”, outros ainda argumentaram. Muitos debateram com razão, mas outros visivelmente se ofenderam com a ameaça à visão que carregavam nos seus sonhos de infância: dinossauros estritamente reptilianos, com escamas cobrindo todo corpo e pupilas verticais.

This is science, Bitch!

This is science, Bitch!

Tamanho é documento?

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Mosasauridae apresentado no trailer de Jurassic World

Outro ponto levantado foi a questão do tamanho exagerado do réptil aquático apresentado no trailer de Jurassic World. Supostamente um mosassauro. O tamanho realmente não é compatível com o de fósseis desses animais encontrados pelo mundo. Os maiores mosassaurídeos são o Tylosaurus e o próprio Mosasaurus, cujos fósseis encontrados indicam que teriam até 15 m de comprimento. É verdade que não sabemos qual teria sido o tamanho máximo desses animais, mas certamente não passaria de 30 m (tamanho de uma baleia azul) e o animal figurado no trailer parece ser bem maior que isso.

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Tamanho máximo de Mosasaurus inferido por meio de fósseis.

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Escala real de um Velociraptor mongoliensis

Bichos fora de escala: isso não é novidade em Jurassic Park, já que o Velociraptor apresentado desde o primeiro filme também é crescidinho demais (o real não teria sido maior que um peru). Quanto a essa questão, alguns argumentam que tudo não passaria de uma grande confusão: o bicho retratado seria na verdade um Deinonichus, animal muito semelhante ao Velociraptor, porém com cerca de 3,5 m de comprimento e 1,20 m de altura.

Há também algumas outras discussões sobre possíveis inconsistências em relação ao tamanho dos Dilophosaurus do primeiro filme (inferências com base nos fósseis indicam que esses animais teriam cerca de 6 m de comprimento), mas os fãs sustentam que, na verdade, os animais não passariam de filhotes.

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Lagardos varanídeos são parentes próximos dos mosassauros.

Voltando a Jurassic World, pelo que se pode ver no trailer, os produtores até que se esforçaram para reproduzir de forma acurada a aparência do suposto mosassauro, representando a dupla fileira de dentes no palato da criatura. Porém, também teriam pecado em não colocar a língua bifurcada, observada em animais atuais pertencentes ao mesmo grupo do monstrão, como o lagarto varanídeo aí ao lado.

Sabemos que animais gigantes excitam o público e é o que mais atrai as pessoas para gostarem de dinossauros e outros bichos pré-históricos. Fazer o mosassuro gigante poderia ser apenas uma jogada do parque para ganhar mais dinheiro. Todavia, fãs de bichos pré-históricos e paleontólogos não gostaram nada da ideia. Muitos acharam que os bichos reais já são por si só suficientemente impressionantes, sem a necessidade de modificações exageradas. Falando em modificações exageradas…

Um monstro que nunca existiu

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“Diabolous rex”

O D-rex, estrela do próximo filme, foi o mais criticado. Resultado da mistura genética proposital de pelo menos 3 espécies de animais diferentes, os geneticistas de Jurassic World parecem que não estavam satisfeitos com a cara dos dinossauros “reais”. Independentemente do porquê da escolha de se criar um animal desses (vamos descobrir apenas com o lançamento do filme), os dino-fãs e os paleontólogos não entenderam a necessidade de usar um bicho que nunca existiu, sendo que temos tantos dinossauros legais para se escolher por aí.

“Pode ser que a trama seja boa, não se pode julgar até entender a história”, argumentaram fãs. Outros disseram: “Isso não é um documentário, mas sim um filme”.. e de monstros, dá bem para entender.

fffefd76e21c8ce1c48d56928b07128dad1f615837f2ebf86497e8c00bb6ca96A mistura genética de espécies diferentes no parque já ocorria desde o primeiro filme, quando foi explicado que DNA anfíbio era usado para completar a sequência genética dos animais. Isso criou defeitos, como o T. rex com a visão baseada em movimentos, o Dilophosaurus venenoso e a possibilidade da troca de sexo nos bichos (“Life finds a way”), características de alguns anfíbios modernos. PORÉM, os cientistas argumentam que com o avanço dos conhecimentos sobre a relação entre dinos e aves, os geneticistas de JW poderiam ter começado a utilizar DNA de ave para completar as sequências. Isso teria corrigido defeitos e justificaria a colocação de dinos emplumados em Jurassic World. Seria uma ótima explicação para se adequar cientificamente, mas para os responsáveis pelo filme não! Nada feito! :(

Muitas outras inconsistências

JurassicParkAmberÉ claro que as inconsistências vão MUITO além disso, como encontrar fragmentos viáveis de DNA de criaturas pré-histórias em fósseis de mosquitos no âmbar. Isso por si só já desbanca todo cerne da história de JP. É bom que se saiba que é certamente impossível que sequências úteis de DNA com mais de 10 milhões de anos tenham sido preservadas em um fóssil. O DNA é uma molécula muito estável, mas não por tanto tempo! Estudos sobre a degradação de DNA comprovam isso.

Jurassic World foi além: trouxe a tona possibilidade de se encontrar DNA de criaturas aquáticas. A primeira coisa que disseram foi: “WTF! Como um mosquito sugou o sangue de um Mosassauro?”. E com toda razão. Seja lá qual seja a explicação que vão dar no filme, isso é impossível ao quadrado.

Os únicos animais pré-históricos que poderíamos recriar com base em seu próprio DNA seriam aqules relativamente recentes (menos de 500 mil anos), como os mamutes. Pesquisas sobre essa possibilidade já vêm sendo realizadas nas últimas décadas e logo se tornará possível ter mamutes caminhando por aí… Se você se interessar pelo assunto procure ler artigos sobre “Desextinção”.

Ainda assim, Jurassic World vale a pena

– “COMO?”

- Sim. É isso mesmo que dissemos.

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Ainda com tantas inconsistências e erros, acreditamos que Jurassic World ainda vale a pena. Ao contrário do que muitos dinomaníacos e cientistas ranzinzas podem dizer por aí. Afinal, é entretenimento!

Quase tudo que esse filme traz parece ser um grande desserviço à ciência, pois essa imagem ERRADA será abraçada e adorada pelo público. Para uma parte das pessoas que vão assistir, talvez isso até seja verdade (os alienados e os fanáticos). Porém, Jurassic World abriu, desde já, um importante espaço para discussão: Nunca vi falarem e divulgarem tanto a questão de dinossauros com penas, ou ainda sobre o que é ou não um dinossauro. No facebook, nos canais de notícias e na blogsfera. Sem querer, Jurassic World chegou para mudar paradigmas. Não foi a intenção deles, mas mesmo sendo um filme estilo “retrô”, se você leu essa postagem (e ainda mais se a compartilhou), a missão de “divulgar ciência” atrelada ao entretenimento está cumprida.

A vantagem do entretenimento é que ele tem um alcance amplo. Isso pode ser uma faca de dois gumes, mas é aí que ao invés de só reclamar e se negar a assistir, que o cientista tem que divulgar e se comunicar.

Aqui vamos todos assistir. E usar o entretenimento para discutir ciência!

Leia também “A síndrome de Jurassic Park“, uma opinião de Tito Aureliano

Os Fósseis de Pernambuco – Episódio 3

O episódio três da série “Os fósseis de Pernambuco” fala sobre os fósseis do final do Cretáceo e Início do Paleoceno da Bacia da Paraíba, reconhecida internacionalmente por ser um dos poucos locais do mundo aonde se preservou a transição do limite K-Pg, quando houve a grande extinção dos dinossauros não-avianos e vários outros organismos, como pterossauros e amonites, no final da Era Mesozoica.

Entenda a importância desse registro sedimentar tão raro e quais informações ele pode nos dar sobre uma das maiores crises ecológicas da história de nosso planeta. Entenda como era Pernambuco no final da Era dos dinossauros e ajude a valorizar mais esse patrimônio excepcional de nosso país:

Veja o episódio 1 da série AQUI, que fala sobre os fósseis mais antigos do estado de Pernambuco, e o episódio 2 AQUI, que mostra como era o período Jurássico no nordeste brasileiro A série foi produzida em conjunto com o PALEOLAB-UFPE e conta com apoio financeiro do CNPq.

Agradecimentos especiais a Andrey Atuchin e Andre Pinheiro, que generosamente cederam suas artes paleontológicas para a produção desse vídeo.

Compartilhe e ajude a preservar!

Saiba mais:

Pepb_KTA Pedreira Poty, localizada no Município de Paulista, Estado de Pernambuco (Bacia Pernambuco/Paraíba), foi a primeira localidade aflorante descrita no Brasil como uma seqüência sedimentar completa através do limite entre os períodos Cretáceo e Paleógeno (limite K-T ou K-Pg). Ela apresenta a famosa anomalia de irídio, que ajudou a sustentar a hipótese da queda de um grande bólido extraterrestre no final do período Cretáceo. Estudos recentes, todavia, demonstram que localmente houve também uma elevada atividade vulcânica próxima ao limite, detectada por fortes anomalias de mercúrio. Essa atividade vulcânica pode ter contribuído para desestabilização ecológica local e extinção da fauna a nível regional.

Há uma proposta de tornar parte da Pedreira Poty um geo-sítio de preservação permanente, para que estudantes e a população possam visitar esse importante marco geológico e aprender mais sobre a história de nosso planeta.

Dinovembro

Novembro é o mês em que dinossauros de plástico ganham vida por todo mundo. A brincadeira começou há cerca de 2 anos atrás, quando um casal muito criativo do Kansas (E.U.A.) decidiu fazer uma brincadeira com os seus filhos e postá-la na internet.

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O mês de novembro, desde então, tornou-se muito especial. Pais de mais de 40 países do mundo entraram na brincadeira, aonde os pequenos brinquedos de plástico ganham vida durante a noite e aprontam peripécias pela casa: assaltam a geladeira, fazem festa do pijama, desenham com giz de cera nas paredes, sequestram as Barbies e até mesmo lutam com os super heróis de brinquedo. Tudo isso é registrado por meio de fotografias e postado no blog “Dinovember” (http://dinovember.tumblr.com/). A brincadeira rendeu até mesmo um livro (“What the Dinosaurs did last night”), que pode ser adquirido AQUI.

A surpresa das crianças e a expectativa sobre “o que os dinossauros vão aprontar novamente” é mágica! Quer se divertir? Entre na brincadeira! Seus dinossauros de brinquedo ganham vida durante a noite? Mande uma foto para nossa página no Facebook: http://www.facebook.com.br/colecionadoresdeossos e se divirta com o Dinovembro!

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Veja mais em: http://dinovember.tumblr.com/

Os fósseis de Pernambuco – Episódio 2

Em continuação à série “Os fósseis de Pernambuco”, apresentamos aqui o episódio 2 de 5, aonde a pesquisadora Dra. Márcia Silva (UFAL) fala sobre os fósseis de idade jurássica da Bacia do Jatobá. Entenda a importância desses fósseis no contexto nacional e quais informações eles nos dão sobre o passado da região nordeste de nosso país.

Para preservar é preciso conhecer. Divulguem!!

Veja o episódio 1 da série AQUI! A série foi produzida em conjunto com o PALEOLAB-UFPE e conta com apoio financeiro do CNPq.

Novo pterossauro ganha nome de pokémon

(Os fãs de pokémon vão adorar essa.)

O paleontólogo Steve Vidovic e seu colaborador D. Martill recém publicaram um artigo aonde revisam diversos espécimes atribuídos ao gênero Pterodactylus. No artigo eles discutem vários problemas relacionados à interpretação desses fósseis, porém o que mais chamou a atenção no trabalho foi a nomeação de um novo gênero de pterossauro.

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De acordo com os autores, a antiga espécie P. scolopaciceps, antes considerada como sinonímia de outra espécie dentro do mesmo gênero, é, na verdade, um táxon válido, porém que não encaixa dentro do gênero Pterodactylus… para resolver o problema, eles decidiram propor um novo gênero para encaixá-la: Aerodactylus.

Foi isso mesmo que vocês leram, fãs de pokémon. Temos um pterossauro com nome de pokémon!

Veja a justificativa da etimologia do nome dada pelos autores no artigo (publicado na revista PLoS One):

“Aero = wind (Greek) + dactylus = finger (Greek), a common suffix in pterosaur names. The name derives from the Nintendo Pokémon Aerodactyl, a fantasy creature made up of a combination of different pterosaurian features. It seemed a pertinent name for a genus which has been synonymous with Pterodatylus for so long due to a combination of features.” –> Leia no próprio artigo disponível AQUI.

— Os caras zeraram a vida —.

Agora vamos aguardar pelo Blastoise, Bulbasaur, Kabutops, etc.

Curioso quanto ao nome de bichos pré-históricos? Atores de cinema, estrelas do rock, monstros japoneses, desenhos animados e até mesmo a os personagens de Tolkien já foram homenageados. Leia mais nessa antiga postagem de nosso blog: Os nomes mais estranhos da Paleontologia.

Os Fósseis de Pernambuco

É com muito orgulho que lançamos uma nova série de vídeos em nosso canal, “Os Fósseis de Pernambuco”, uma realização conjunta com o Paleolab-UFPE, coordenado pela Profa. Alcina Barreto.

Pernambuco é um estado muito rico em fósseis, com sítios paleontológicos reconhecidos nacional e internacionalmente por sua importância científica. Porém, essa riqueza ainda é pouco conhecida pelo público geral. Você sabia, por exemplo, que já foi encontrado um dinossauro em solo pernambucano? Ou que é verdade que o sertão já foi mar?

Esta série de vídeos almeja exaltar a paleontologia do estado de Pernambuco e torná-la melhor conhecida pelo público geral. Dessa forma, espera-se despertar nos cidadãos o orgulho por mais esse patrimônio de sua Nação e a vontade de protegê-lo.

A série conta com cinco episódios até o momento, que descrevem os principais depósitos sedimentares com fósseis de Pernambuco. A viagem começa há cerca de 380 milhões de anos, no Período Devoniano. Você está pronto para essa jornada?

Essa série de vídeos foi lançada durante a semana de Ciência e Tecnologia e foi financiada por um projeto do CNPq. Junto com os vídeos, foi lançado também o livro “Aprendendo Ciências com a Paleontologia e os Fósseis de Pernambuco” (61pg.). Quem tiver interesse pode entrar em contato conosco para adquiri-lo ([email protected]).

Continue acompanhando nosso blog e o canal do YouTube para ver o lançamento dos outros vídeos.

Livro lançado durante a Semana de Ciência e Tecnologia 2014

Livro lançado durante a Semana de Ciência e Tecnologia 2014

 

Laboratório de Dinossauros

Ainda no 4th International Paleontological Congress (IV Congresso Internacional de Paleontologia), em Mendoza, Argentina, tivemos a oportunidade de visitar o ‘Laboratorio de Dinosaurios’ da Universidade de Cuyo, liderado pelo eminente paleontólogo, especialista no estudo de saurópodes, Dr. Bernardo J. González Riga.

Dr. Bernardo J. González Riga, juntamente com Dr. Matthew Lamanna (Carnegie Museum) e Dr. Jorge O.Calvo (Universidade Nacional de Comahue), organizaram o simpósio intitulado “Sauropod dinosaurs: phylogeny and biology of giants” (Dinossauros saurópodes: filogenia e biologia de gigantes) durante o IV Congresso Internacional de Paleontologia.

A visita ao laboratório foi parte das atividades do simpósio e nos permitiu conhecer de perto o trabalho de Bernardo e sua equipe.

O Laboratório de Dinossauros da Universidade de Cuyo, em Mendoza, abriga toneladas de fósseis de dinossauros, trabalho para muitas décadas de estudo. Entre estes estão pelo menos 3 novas espécies de saurópodes (dinos de pescoço comprido). Leonardo Ortiz é um dos pesquisadores que estão ajudando a descrevê-los e tem trabalhado com Bernardo há anos.

Bernardo e sua equipe lutam pela preservação do patrimônio fossilífero argentino, que é rigorosamente protegido por leis, e acreditam que conhecer o passado é fundamental para afirmar a identidade de um povo e contribuir para o seu desenvolvimento.

Dinossauro saurópode, linda arte de Bernardo G. Riga

Dinossauro saurópode, linda arte de Bernardo G. Riga

Veja mais sobre o Laboratorio de Dinosaurios da UNCuyo AQUI, AQUI e AQUI.

Leia mais sobre Dr. Bernardo González Riga AQUI. Ele também tem um blog, “Sauropods, giants of the past”, que pode ser acompanhado neste endereço: http://amazing-sauropods.blogspot.com.br/

Recado de Michael Benton aos jovens aspirantes a paleontólogos

O ilustre membro de nossa comunidade paleontológica, Dr. Michael Benton (University of Bristol, UK), autor de centenas de artigos e diversos livros sobre paleontologia, manda um recado aos jovens brasileiros apaixonados por paleontologia.

Tivemos a honra de conversar com ele durante o 4th International Paleontological Congress, em Mendoza, na Argentina, aonde ele elogiou a iniciativa dos Detetives do Passado (www.detetivesdopassado.colecionadoresdeossos.com) e mandou um recado a todos os jovens brasileiros que demonstram interesse em paleontologia e almejam tornarem-se futuros paleontólogos. O caminho é duro, mas vale a pena lutar pelos seus sonhos.

Saiba mais sobre Michael Benton aqui: http://www.bristol.ac.uk/earthsciences/people/mike-j-benton/

Assista o vídeo:

A nova cara do Espinossauro

iconArtigo recém publicado remodela a nossa visão sobre o icônico Espinossauro. Isso mesmo, aquele dinossauro que aparece no filme Jurassic Park III tirando o couro do T. Rex. Ah, os amantes do T. rex vão adorar essa história…

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A nova concepção de Spinosaurus, arte de Davide Bonadonna

Os primeiros fósseis de Spinosaurus aegyptiacus (que, do latim, significa “lagarto com espinhos”) foram encontrados em rochas de idade cretácica, no Egito, no início do século XX, e descritos pelo paleontólogo alemão Ernst Stromer em 1915. Tratavam-se de partes do crânio, vértebras e costelas de um enorme dinossauro carnívoro, cujas mais destacadas característica eram o fato dele apresentar um focinho fino e alongado e prolongadas cristas vertebrais, formando uma espécie de vela nas costas do animal (daí seu nome).

0000000000000000000000000000000000000000000000000000Esse material, todavia, foi destruído durante a II Guerra Mundial, entre tantas outras barbaridades que se sucederam.

Novos fósseis provenientes do mesmo depósito geológico, porém, foram recuperados ao longo do tempo. Não tão completos, mas que permitiram o estudo e conhecimento da espécie, elevando-a como uma das maiores de dinossauros carnívoros de todos os tempos. –> Não é à toa que o bicho foi escolhido como grande “vilão” no terceiro filme da franquia “Jurassic Park” (acima).

O grupo ao qual Spinosaurus pertence, chamado “Spinosauridae”, não contém muito mais que meia dúzia de gêneros (três deles brasileiros: Irritator, Angaturama e Oxalaia), e sua anatomia é bem pouco conhecida, quando comparada com o que já se conhece sobre outros dinos carnívoros. Seus fósseis, em geral, são muito fragmentados e bastante escassos. Portanto, qualquer novo achado é bastante comemorado.

Spinosaurus_MonographA mais nova surpresa é um conjunto de fósseis de Spinosaurus recém descrito por Ibrahim e colaboradores, na revista Science, no último dia 11. Esses fósseis vieram questionar e buscam remodelar a nossa antiga visão sobre Spinosaurus e os espinossaurídeos.

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A forma como víamos os espinossauros já passou por grandes transformações ao longo do tempo. Veja por exemplo os primeiros esboços de Stromer sobre Spinosaurus (acima).

Ou algumas das reconstruções da década de 80 e início da década de 90:

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Novos achados foram, ao longo do tempo, complementando e aprimorando a visão que tínhamos desses animais. Não só quanto à sua anatomia, mas também quanto à sua paleobiologia e comportamento (veja, por exemplo, o artigo de Amiot e colaboradores, de 2010, que trouxe a tona a discussão sobre o modo de vida anfíbio desses animais).

A discussão sobre o hábito de vida semi-aquático em espinossaurídeos surgiu por volta de 2010

A discussão aprofundada sobre o hábito de vida semi-aquático em espinossaurídeos surgiu por volta de 2010

A novidade do novo artigo de Ibrahim e colegas é um conjunto de fósseis que vem completar o quebra-cabeça.

Baseado em materiais recolhidos no Marrocos, os cientistas foram capazes de reconstruir o esqueleto do animal com mais acuidade. A principal surpresa: as proporções do bicho.

Com o quadril pequeno e as patas traseiras excepcionalmente curtas, o animal apresenta proporções semelhantes a de vertebrados especializados em um modo de vida aquático. O que surpreende ainda é que com as novas proporções, o animal apresenta um novo centro de massa, o que o torna um quadrupede obrigatório em terra firme.

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- O novo design lembra muito as reconstruções retrôs de dinossauros e me fez lembrar os dragões de D&D (uma das artes oficiais acima, por Davide Bonadonna).

O que mudou também foi o posicionamento das vértebras, que foi reinterpretado e corrigido. Rearranjadas dessa nova forma, a cauda do animal fica menos robusta, porém mais livre. O que poderia ajudá-lo na propulsão para o nado, por exemplo.

O tamanho do bichão também foi recalculado. Em comprimento ele atingia até 15m, cerca de 2,5m a mais que os maiores exemplares do famoso Tyrannosaurus rex (pelo menos em uma coisa os fãs de Spinosaurus podem se orgulhar…).

Outra novidade ainda foram as adaptações encontradas na estrutura interna do esqueleto do animal. Com a medula mais densa, ele poderia ficar submerso mais facilmente, já que isso aumentaria o seu peso específico dentro da água.

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A nova cara de Spinosaurus não agradou muita gente, mas evidências são evidências, e o artigo de Ibrahim apresentou-as de forma muito convincente (acostume-se, a ciência não está nem aí para as suas preferências).

Alguns estudiosos questionaram o que foi apresentado, todavia, e acreditam que mais estudos devem ser feitos para comprovar o que foi proposto por Ibrahim e colaboradores. Entre as dúvidas, por exemplo, estão se o material encontrado pertence mesmo a um único indivíduo ou se eles formam uma quimera. Isso tornaria as proporções apresentadas incoerentes. A forma como foram recuperados os fósseis (parte comercializada por um negociante de fósseis à um museu e a outra parte encontrada no afloramento em que supostamente esse mesmo material foi recolhido), abre espaço a essa dúvida (veja alguns dos problemas do comércio de fósseis nessa recente postagem em nosso blog).

Outro problema levantado é que, mesmo que os fósseis pertençam realmente à um mesmo indivíduo, o que poderia ser elucidado por um estudo histológico, por exemplo, as proporções calculadas podem estar um pouco equivocadas quando rigorosamente comparadas aos do fósseis de Stromer (veja mais sobre esse problema apontado por Scott Hartman aqui).140911-spino_01422f11d69c0f65aa9dea11bf96ddd6.nbcnews-ux-960-440

Independente se certo ou não, é difícil crer que o animal fosse quadrúpede quando se observa os seus membros anteriores, e é isso que incomoda os tanto os fãs de Spinosaurus, quantos os pesquisadores. Parece pouco natural pensar nesse bicho como um quadrúpede obrigatório (é perdoável sentir-se incomodado com a nova proposta). Mas sabemos que a evolução não trabalha como um “designer inteligente”, e sim como um sucateiro, reaproveitando peças que “já estavam lá”.

De acordo com a nova proposta, Spinosaurus era no mínimo uma criatura desengonçada (até mesmo cômica), mas não o subestime. Talvez ele fosse elegante somente dentro d’ água, mas a evolução não está nem aí para a estética. Ele era bom no seu papel: como letal predador aquático.

Será que todos os seus companheiros eram semelhantes? O gigante Oxalaia seguiria o mesmo padrão?

É possível. Porém, somente novos fósseis e estudos mais aplicados podem comprovar.

Vamos acompanhar os avanços desses estudos! Por enquanto fiquem com a nova versão de Spinosaurus:

Por Niroot Puttapipat

Por Niroot Puttapipat

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By Tito Aureliano, 2010. Afloramentos Cretácicos (Fm. Alcântara), Ilha do Cajual, Maranhão, Brasil. Reservo direitos de uso sobre essa fotografia. Sua cópia não está autorizada.

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