Tiranossauro com penas – e não é 1º de Abril.

Um novo tiranossauróide basal com três dedos nas mãos foi descrito por Xu et al. em uma recente publicação da Nature.

Ilustração de reconstrução do Yutyrannus huali

Proveniente dos depósitos do Cretáceo Inferior (aprox. 125 milhões de anos atrás)  da Formação Yixian,  localizado na região de Liaoning Ocidental, China. O que mais chamou atenção desse novo dinossauro de 8m de comprimento Yutyrannus huali foi o fato de haver sido encontrado com “longas penas filamentosas”. E trazendo “evidência concreta da existência de dinossauros gigantescos com penas”. Isso nos ajuda a compreender melhor como foi o início da evolução das penas.

Até então, em dinossauros não avianos* a evidência fóssil de penas era limitada a animais de porte relativamente pequeno. O maior impacto que essa descoberta está no fato conclusivo de que as penas evoluíram ao longo do Período Cretáceo também em terópodes derivados de grande porte.

Quando fizerem o novo Jurassic Park, vão ter que fazer o Tiranossauro com cabelo de Punk Rock!

Como dizia o Dr. Grant: “Você nunca mais vai ver os dinossauros da mesma maneira novamente”.

*Dinossauros não avianos (English: non-avian dinosaurs): termo empregado para dinossauros não contidos na linhagem das Aves.

Leia mais sobre a nova descoberta aqui e aqui.

Bibliografia:

Xu X, Wang K, Zhang K, Ma Q, Xing L, Sullivan C, Hu D, Chenq S, Wang S (2012) A gigantic feathered dinosaur from the Lower Cretaceous of China. Nature 484, 92–95.

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Estréia: PaleoCast !!

Expedição Araripe – Parte 1 / Araripe Expedition – Part 1

Idioma Português, legendas em Inglês.

Licença Creative Commons
PaleoCast de Colecionadores de Ossos & Titossauro.com é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported. Baseado no trabalho em titossauro.com.

 

Nós já vínhamos pensando em desenvolver um canal de VideoCasts há um bom tempo… mas é claro: havia uma série de empecilhos. Para começar, o tempo do qual dispunhamos para organizar isso, segundo, a vergonha, terceiro, o material (“mas que câmera horrível!”, “eu não sei mexer nesse programa!”, “putz, que amador!”) e quarto, o medo de não dar certo.

É claro que isso não ia levar a gente a lugar nenhum… Então, já que tudo tem que ter um ponta-pé inicial, arregaçamos as mangas, enchemos o peito de coragem e deixamos de nos preocupar com o amadorismo nesse primeiro momento.

O resultado??

Bom, aqui está – depois de algumas crises – o nosso primeiro videocast!!!!!!!!

Resolvemos batizar o canal de PaleoCast, para não perder o costume dos paleontólogos de utilizarem esse sufixo para tudo. Este será nosso canal de multimídia de agora em diante e procuraremos sempre  trazer novidades. A idéia é fazer documentários que mostrem a Paleontologia brasileira na prática e de forma descontraída.

Para estrear o PaleoCast, iremos apresentar o capítulo introdutório de um documentário que gravamos em nossa última saída de campo ao Cariri. Ele será dividido em vários capítulos de 5 minutos cada um.

A expedição foi realizada em busca de fósseis na Chapada Araripe, no interior do nordeste brasileiro.

Filmamos e editamos esse material com orçamento zero, pelo simples prazer de divulgar conhecimento. =)

Esperamos que gostem!! Os erros se consertam com o tempo!

O sertão no tempo dos dinossauros – Parte 1

Qualquer viagem ao passado precisa começar em algum lugar aonde encontramos evidências de tempos antigos ou de vidas passadas, como por exemplo: a tumba de um faraó, o leito de morte de um mastodonte ou ainda um cemitério de trilobitas… É verdade também, que qualquer viagem no tempo começa, geralmente, em algum lugar empoeirado, muito frio ou muito quente e – quase sempre – …  distante.

Essa nossa viagem no tempo nos levou por quase 2.200 km de estradas Brasil a dentro, para um lugar muito quente, onde a água que cai do céu é um verdadeiro tesouro. Chegamos lá na estação das chuvas, todavia, eu mesma – que já estive lá por outras vezes – nunca vi o Sertão tão verde.

Rumo aos fósseis. Foto de Aline Ghilardi

O interior do nordeste brasileiro guarda pedaços de vários momentos da história geológica de nosso planeta. É o paraíso de qualquer geólogo ou paleontólogo. Trata-se de um lugar tão especial, que foi escolhido para abrigar o primeiro Geopark brasileiro: o Geopark Araripe.

A história que esta terra semi-árida guarda é tão fantástica, que parece até ironia do destino: a profecia de que “o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão“, sim, é verdadeira. Na escala do tempo geológico isso é quase uma brincadeira…

Neste mês, vocês terão a oportunidade de acompanhar aqui no “Colecionadores” uma série de pequenos posts sobre a paleontologia do nordeste brasileiro. Vamos falar um pouco sobre a diversidade e a peculiaridade desse patrimônio nacional e esperamos que isso ajude a formar uma identidade entre o povo  e mais um tipo riqueza natural que muitos poucos reconhecem…

O sertão no tempo dos dinossauros – Parte 1

Nós, paleontólogos, cientistas que estudamos o passado remoto, damos a lugares com evidências de vidas antigas, uma multiplicidade de nomes: Afloramentos, seções estratigráficas, exposições, estratos, camadas…etc. Todos são nomes para indicar rochas que possivelmente abrigam fósseis e que, por muito tempo, esconderam segredos do passado.

Lugares assim são muito comuns, o que são raros mesmo são o que chamamos de ‘afloramentos-modelo’. Aqueles, cujos estratos guardam muitos fósseis ou fósseis bem preservados, bem articulados e sob todos os aspectos, considerados excepcionais

O nordeste brasileiro possui lugares assim. Hoje vamos conhecer um deles, os conhecidos afloramentos do Membro ou Formação Crato (o título depende da proposta litoestratigráfica que você adotar…).

O Membro Crato representa um dos estratos da Formação Santana, unidade estratigráfica da bacia sedimentar do Araripe* (Veja imagem). Seus fósseis são conhecidos internacionalmente e posso apostar, que você, com certeza, já deve ter visto um….

Cladocyclus, peixe fóssil do Membro Crato, Formação Santana - Por Aline Ghilardi

Desenho esquemático e localização da Bacia do Araripe

A qualidade de preservação de seus fósseis é tão impressionante, que detalhes da pele ou dos órgãos internos dos organismos ficaram conservados. Além do mais, é muito comum também a preservação de impressões de membranas alares de pterossauros, penas de aves (ou dinossauros) e o padrão de coloração das asas de insetos fósseis.

Libélula fóssil, procedente do Membro Crato, Fm. Santana

Depósitos com essa qualidade são conhecidos como Lagerstätte. Uma denominação de abrangência internacional, que caracteriza depósitos fossilíferos excepcionais (assim como aquele aonde foi encontrado o Archaeopteryx - o primeiro dino-ave com penas conhecido).

A idade do Membro Crato foi atribuída como pertencente ao Cretáceo, o último período da ‘Era dos Dinossauros’ (A Era Mesozóica). Com base em estudos aplicados de estratigrafia, acredita-se que os  seus estratos sejam, mais especificamente, de idade Aptiana-Albiana (~120 milhões de anos).

O que tudo nos indica é que a região aonde hoje são encontrados estes fósseis, tenha sido, no passado, um enorme lago, que em alguns pontos poderia atingir mais de 50 km de extensão (!).

Insetos fósseis procedentes do Membro Crato, Fm. Santana

Este paleo-lago apresentava condições perfeitas para preservação de fósseis: águas calmas e um fundo anóxico (com ausência de oxigênio), que impedia a ação de bactérias na decomposição dos cadáveres de organismos.

São comuns fósseis de peixes (principalmente do gênero Dastilbe), insetos, aracnídeos, moluscos, crustáceos, quelônios, anfíbios, pterossauros, crocodilos, lagartos e aves, assim como fósseis de vários tipos de vegetais (algas, gimnospermas e angiospermas).

A unidade é hoje caracterizada por calcários laminados de coloração amarela a creme, avermelhada ou cinza, com estratificação plano-paralela. A sua beleza atraiu desde o início muitos mineradores, que ainda hoje extraem as rochas para o uso na construção civil – principalmente de aplicação ornamental (utilização como azulejos).

De forma cotidiana, essas lajes de pedra são conhecidas como “Pedras Cariri”.

Pedreira de extração das "Pedras Cariri". Ao fundo, o afloramento. Foto por Aline Ghilardi.

A região de ocorrência desses afloramentos engloba o entorno da Chapada do Araripe, principalmente o interior do estado do Ceará.

Destacam-se os arredores das cidades de Santana do Cariri, Nova Olinda, Crato, Barbalha, Missão Velha, Porteiras e Jardim.

Continua….

Leia mais sobre isso na publicação feita pelo do SIGEP: http://sigep.cprm.gov.br/sitio005/sitio005.pdf

Paleocurtas! Duas novidades do mundo da Paleontologia!

Uma nova espécie de mamífero fóssil foi encontrada e para surpresa: ela parece o Scrat da série de filmes ‘Era do Gelo’! Cara de um, focinho do outro. Além disso, temos uma novidade brasileira: mais um dinossauro tupiniquim. Confira: Aelosaurus maximus, mais um titã do Brasil.


Encontraram o fóssil do Scrat !?



Acima: Foto do personagem Scracth, dos filmes “Era do Gelo”. Direitos autorais da 20th Century Fox.

É fato que foi publicado ainda esta semana na revista Nature, um trabalho descrevendo um pequeno mamífero muito semelhante ao bichinho engraçado dos filmes da série “Era do Gelo”. O crânio do pequeno animal foi encontrado em afloramentos do início do Cretáceo Superior, em camadas de aproximadamente 93 milhões de anos, em uma região conhecida como “La Buitrera”, localizada na belíssima província de Río Negro, sul da Argentina. 

O que assemelha o novo mamífero cretácico ao carismático esquilo da “Era do Gelo”, são os formidáveis “dentes de sabre” e o longo focinho. Todavia, o novo animalzinho tem muito pouco a ver com o personagem do desenho animado. Ele pertence a um grupo de mamíferos extintos não aparentado com nenhuma espécie vivente e nem de longe enfrentou a temida Era do Gelo de Scrat: Dezenas de milhões de anos separam as glaciações pleistocênicas do pequeno mamífero cretácico argentino. Ah! E naquela época não existiam bolotas de carvalho…


Imagens originais do artigo ilustrando o crânio do novo mamífero do Cretáceo argentino
A respeito da idade do animalzinho, ele traz um panorâma novo para a idade cretácica sulamericana. Antes da presente descoberta, conheciam-se apenas mamíferos do início desse período geoglógico na América do Sul. Com a descoberta de Cronopios dentiacutus, como foi batizado o novo animal, temos uma idéia de como teria sido um momento diferente dentro do Cretáceo sulamericano para os mamíferos.

Reconstituição artística de como seria em vida Cronopio dentiacutus, por Jorge Gonzalez
Sobrevivendo entre os gigantes dinossauros patagônicos, especialmente os colossais saurópodes, o animal seria diminuto. Teria uma dieta insetívora, a julgar pelos seus dentes peculiares, e muito provavelmente apresentaria hábitos noturnos.

Os paleontólogos Guillermo Rougier, Sebastián Apesteguía e Leandro Gaetano descreveram o novo material com base apenas em evidências craniais e o batizaram como Cronopio em homenagem ao escritor Belgo-Argentino, Cortázar – Cronópio é um personagem conhecido dos livros desse autor.

Cronopio dentiacutus pertenceu a um grupo de mamíferos extintos chamados de ‘Dryolestóides’ e é peculiar por apresentar uma dentição muito especializada. Está proximamente relacionado com formas do Jurássico da Laurásia, porém denota um possível endemismo de formas gondwanicas que deve ser melhor revelado com a continuidade das prospecções fossilíferas mundo a fora.


Novo dinossauro brasileiro!! Aelosaurus maximus

Materiais de titanossauros são elementos muito comuns na Bacia Bauru. Essa unidade geológica de idade cretácica cobre uma extensa área do país, incluindo os estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O novo dinossauro é paulista. Foi encontrado no interior do estado, em uma cidade já famosa pelos fósseis de dinossauro: Monte Alto.

A história desse bicho é antiga. Ele foi encontrado há muitos anos pelo Prof. Antônio Celso de Arruda Campos e sua equipe do Museu de Paleontologia de Monte Alto, que tiveram um árduo trabalho para recuperar o material. Os fósseis estão em exposição no museu da pequena cidade há anos, porém só agora, o paleontólogo Rodrigo Santucci o descreveu formalmente como um novo animal.


Finalmente com identidade, pela primeira vez formaliza-se, com vasta descrição, a presença de titanossauros do grupo Aelosaurini no Brasil. O novo animal foi batizado de Aelosaurus maximus. Maximus‘ devido ao seu tamanho.

Muitos trabalhos já haviam citado informalmente a presença de ‘aelossauros’ em território brasileiro, porém este é o primeiro que discute a questão de forma ampla e fornece inclusive um novo panorâma filogenético para esse grupo de dinossauros saurópodes como um todo.  Esses animais foram primeiramente encontrados na região patagônica da Argentina e o gênero Aelosaurus já é até mesmo conhecido. A. maximus seria apenas uma nova espécie dentro desse gênero, que inclui outras duas de nacionalidade ‘hermana’.


Parabéns ao colega Rodrigo e a toda equipe do Museu de Paleontologia de Monte Alto!!!

Acima: Reconstrução de Aeolosaurus. Direitos autorais do Museu de História Natural de Londres.
Acima: Localização dos achados e fósseis de Aeolosaurus maximus, a disposição dos fósseis como foram encontrados no afloramento e a reconstituição do animal evidenciando os elementos ósseos encontrados. Santucci & Arruda-Campos, 2011.


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Bibligrafia:

Rougier, G.W.; Apesteguía, S. & Gaetano, L. C. 2011. Higly specialized mammalian skulls from the Late Cretaceous of South America. Nature, 479, 98-102.

Santucci, R.M. & Arruda-Campos,A.C. 2011. “A new sauropod (Macronaria, Titanosauria) from the Adamantina Formation, Bauru Group, Upper Cretaceous of Brazil and the phylogenetic relationships of Aeolosaurini”. Zootaxa 3085.

>O Brasil pré-histórico era realmente dos crocodilos…

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Neste último mês, novas descobertas sobre o Cretáceo brasileiro vieram afirmar que neste período os Crocodyliformes realmente dominavam nosso país. Enquanto os dinossauros reinavam com soberania na maioria dos ecossistemas terrestres, aqui no território tupiniquim os crocodyliformes se diversificavam e ocupavam os mais diversos nichos. Desde animais com cerca de 4 metros de comprimento, ágeis e carnívoros, como o Baurusuchus, até pequenos onívoros, como o Mariliasuchus e o Adamantinasuchus. Haviam espécies escavadoras, oportunistas e até mesmo consumidoras de plantas e raízes.

Estas descobertas têm elucidado como teriam sido as relações ecológicas pretéritas do paleoambiente hoje representados pelas rochas do Grupo Bauru. As rochas do Grupo Bauru são de idade Neocretácica (Final do período Cretáceo, do Cenomaniano ao Maastrichiano, 99-65 milhões de anos atrás) e foram depositadas em um contexto continental fluvial e lacustre de clima quente e árido. Elas estão bem distribuídas nos estados de São Paulo e Minhas Gerais, mas também são encontradas no Paraná e Goiás, e até mesmo no estado do Mato Grosso. Estas rochas representam um antigo ecossistema que possuía uma diversificada fauna de vertebrados, incluindo dinossauros saurópodes (titanossauros) e terópodes (abelissauros, carcharodontossauros e maniraptores, incluindo as aves), lagartos, cobras, quelônios, anfíbios, pequenos mamíferos, mas principalmente crocodyliformes. Estes últimos englobavam até seis distintos grupos: os notossuquídeos, os sphagessaurídeos, candidodontídeos, peirossaurídeos, trematocampsídeos e baurussuquídeos.

Ao que se deve esta incrível diversidade de crocodilomorfos? O que pode ter favorecido o desenvolvimente deste grupo de arcossauros neste particular contexto pretérito? Os pesquisadores ainda procuram uma resposta. A solução para o enigma pode estar envolvida com o fato deste local pretérito ter sido geograficamente isolado e ter produzido uma situação ecológica e ambiental única, que favoreceu estes animais. Teriam eles ocupado o nicho até mesmo de dinossauros? Competido com eles? Ou o nicho de mamíferos, tão raros neste registro por algum propósito? A continuidade dos estudos vai ajudar a resposder estas perguntas.
Campinasuchus, o novo crocodyliforme do Cretáceo brasileiro

Fantástica reconstituição artística de Campinasuchus em vida por Rodolfo Nogueira.

Campinasuchus é um novo gênero de Baurusuchidae descrito com base em alguns crânios parciais e esqueletos encontrados na região de Campina Verde, MG, contexto da Formação Adamantina, Grupo Bauru, Bacia Bauru.
Os Baurusuchidae incluem crocodyliformes com crânios lateralmente comprimidos e gracilmente alongados. São conhecidos para o Cretáceo Tardio do Brasil, Argentina e Paquistão. Todos os membros podem ser considerados de médio e grande porte, cursoriais (caminhavam ativamente sem encostar a barriga no chão, com os membros posicionados mais verticalmente) e predadores. Outras espécies de Baurusuchidae incluem: Baurusuchus pachecoi, Baurusuchus salgadoensis, Baurusuchus albertoi e Stratiosuchus maxhechti do Brasil, além de Cynodontosuchus e Wargosuchus da Argentina.
Campinasuchus se diferencia dos outos Baurusuchidae por possuir um focinho mais curto e afilado, uma dentição diferenciada e peculiaridades no seu osso palatal (céu da boca).
A sua presença reforça a idéia de que a aridez, ou possivelmente um regime específico de sazonalidade (alternância de períodos quentes e secos com períodos de alta pluviosidade), dirigiram a diversificação dos crocodyliformes terrestres neste ecossistema peculiar do Cretáceo Tardio brasileiro.
O trabalho foi publicado por Ismar de Souza e Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e colaboradores, na revista Zootaxa, de distribuição on line e gratuita, em 9 de maio de 2011.
O primeira icnoespécie de ovos fossilizados da América do Sul


Ovo fossilizado de crocodyliforme , foto de Carlos de Oliveira.


Ninhos de 70 milhões de anos foram encontrados nas proximidades da cidade de Jales, interior do estado de São Paulo, por Carlos de Oliveira, da Fundação Educacional de Fernandópolis (SP). A descoberta foi publicada este mês na revista Paleontoloy por ele e colaboradores. Os ovos foram encontrados em 2006 em rochas da Formação Adamantina, Grupo Bauru. A grande concentração deste material chamou a atenção de Carlos, que com o prosseguimento das escavações encontrou o que seria equivalente a 17 ninhadas situadoas em 3 diferentes níveis de deposição sedimentar (o que corresponderia a três eventos temporais diferentes).


Foto por Carlos de Oliveira.


Os ovos são alongados e tem forma elíptica. O tamanho varia entre 5,8 e 6,5 cm. A maioria estava quebrada, o que pode sugerir que os filhotes haviam nascido e deixado os ovos. Apenas alguns estavam completos.

Esqueleto parcial de Baurusuchus encontrado em associação com os ninhos. Foto: Carlos Oliveira.

Todos eles foram considerados como pertencentes a um gênero de crocodyliforme, Baurusuchus, devido a inúmeros ossos, e inclusive crânios e esqueletos parciais destes animais, que foram encontrados associados aos ninhos. Mas não foi só isso que ajudou os pesquisadores a definirem os produtores destes ovos. A microestrutura da casca também revela detalhes sobre quem os depositou:

Ovos de aves, dinossauros, crocodyliformes, quelônios, lagartos e cobras têm estruturas macro e microscópicas diferentes. Além do tamanho e formato ovo, aspectos histoestruturais da casca, como a organização do sistema de poros e a forma de deposição de cálcio (existem diferentes morfotipos estruturais: testudinóide, crocodilóide, dinossauróide, ornitóide e geckóide por exemplo) ajudam a identificar o produtor.

Tipos de ovos de acordo com sua microestrutura. A micro-estrutura pode ser avaliada por meio de cortes histológicos da casca, que são então observados com o auxílio da microscopia eletrônica de varredura.

O estudo dos ovos fossilizados se chama Paleo-oologia e está inserida numa área da paleontologia chamada de Paleoicnologia, palaios=antigo, iknos=vestígios e logos=estudo, ou seja, O estudo dos vestígios antigos.

A Paleoicnologia estuda todo tipo de vestígio fóssil indireto ou evidência comportamental de uma atividade biológica (produzida por um organismo extinto). Os ovos constituem vestígios do comportamento de reprodução de animais extintos, logo estão no escopo de estudo da Paleoicnologia, assim como as pegadas fósseis, por exemplo, que são vestígios de locomoção.

A Paleoicnoloia tem toda uma taxonomia própria para definir diferentes tipos de vestígios. Essa ‘parataxonomia’, à modo do sistema de nomenclatura biológica, é binomial e latinizada. Se as características gerais de uma estrutura paleoicnológica foram parecidas com as de materiais já conhecidos, elas recebem o mesmo nome destes, mas se foram diferentes, ganham uma nova designação, como uma nova espécie. A propósito, ICNOespécie e icnogênero são a maneira correta de se denominar estas estruturas, para não se confundir com o sistema de nomenclatura biológica – o que é muito comum.

Por exemplo, o icnogênero de pegadas de mamíferos conhecido como Brasilichnium elusivum ( descrito para Fm. Botucatu, Bacia do Paraná) comumente é confundido com o nome do produtor das pegadas… que na verdade não é conhecido por nenhuma evidência de fóssil corporal! O nome B. elusivum se refere somente às pegadas, não ao seu produtor. Até mesmo animais diferentes poderiam ter produzido o mesmo tipo de vestígio. Cuidado…

No caso do material de Jales, SP, os autores consideraram que todas as características identificadas poderiam sustentar um novo icnogênero, que denominaram de Bauruoolithus fragilis. Esta seria a primeira icnoespécie de ovos fossilizados descrita para a América do Sul (mas não os primeiros ovos fósseis descritos nem para o Brasil, nem para a América Latina! Há abundantes registros de ovos fossilizados na Argentina e vários também aqui no Brasil. Referências em nosso país são os ovos de dinossauro encontrados na região de Uberaba e os ovos atribuídos a Mariliasuchus em Marília, SP).

As feições encontradas nos ovos, segundo os autores, são muito diferentes daquelas encontradas em outros crocodilomorfos, o que leva a suspeita de que os produtores de Bauruoolithus teriam um modo de reprodução peculiar. Isto pode estar diretamente ligado com o sucesso ecológico do grupo e pode fornecer respostas interessantes quanto a adaptação destes animais às condições ambientais do sudeste brasileiro durante o Cretáceo Tardio.

O estudo de ovos fósseis pode revelar detalhes de aspectos biológicos e ecológicos dos seus produtores. -estratégias ou comportamentos de reprodução estão intimamente ligadas ao rigor ambiental e estresse ecológico (competição, predação, etc), assim como aspectos paleoambientais - recuperados direta (tafonomia) ou indiretamente (um estresse ambiental -uma grande seca, período de escassez de alimentos, etc. – pode ser detectado estudando-se a microestrutura dos ovos)-, e paleoclimáticos (inferidos utilizando-se análise de isótopos). Estes estudos são um passo além da simples descrição.

Há muito a ser feito!


>Um estranho nas dunas – O Paleo-deserto Botucatu, Parte III

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Texto original de Marcelo Adorna Fernandes, adaptado por Aline Ghilardi

Durante o XX Congresso Brasileiro de Paleontologia (XX CBP), realizado em 2007 na cidade de Búzios, Rio de Janeiro, foi anunciada pela primeira vez a descoberta dos vestígios do maior dinossauro herbívoro bípede do Estado de São Paulo. Um dinossauro do deserto que habitou o Brasil há mais de 140 milhões de anos. O Paleo-deserto Botucatu, veja as outras partes desta história nestes posts AQUI e AQUI.

Reconstituição do ‘ornitópode gigante’ do antigo deserto Botucatu. Por Marcelo Adorna Fernandes.


Os vestígios descritos deste animal são compostos por um conjunto de lajes de arenito contendo seis pegadas. As características das mesmas – com três dedos (tridáctilas) curtos e arredondados (sem evidências de garras, mas ‘cascos’) – indicam que o produtor se tratava de um dinossauro do grupo dos Ornithopoda.
Os Ornithopoda ou ornitópodes consituem uma subordem dos dinossauros Ornitísquios, ou ‘dinos com pelves de ave’, que incluem também os Ceratopsia, os Thyreophora e os Pachycephalosauria. Os dinos ornitópodes englobam animais hebívoros de portes diversificados, todos dotados de um aparelho mastigatório sofisticado, que favoreceu seu sucesso durante o período Cretáceo. Eles apresentavam desde porturas bípedes à quadrúpedes, uma cauda rígida e um bico córneo. O ápice de sua evolução se deu no final do Cretáceo com a expansão dos ‘dinos bico-de-pato’ ou hadrossauros.

O Paleontólogo Marcelo Adorna Fernandes e o conjunto de pegadas do grande ornitópode.

Cinco das pegadas encontradas são pertencentes a uma pista contínua com aproximadamente 3,60 metros de comprimento de uma ponta a outra (veja figura acima), cujos contra-moldes também estão preservados. A sexta pegada trata-se de um registro isolado (Veja figuras abaixo).


Cada pegada possui em média 35 cm de comprimento e 30 cm de largura; um fato bastante exótico quando se considera as proporções das demais ocorrências de pegadas da Formação Botucatu.

Pegada isolada (Esquerda) e contramolde (direita).


Existem muitas crenulações (deformações no substrato) ao redor das pegadas e as cristas de arenito em forma de meia-lua são bem evidentes na margem posterior (parte de trás) de cada pegada. Estas meias-luas, quase sempre na direção do mergulho dos estratos sedimentares, são o resultado do deslocamento de areia pelos pés do animal, quando este estava em progressão através das paleodunas (o esforço que ele fazia ao caminhar deslocava a areia para trás). O esforço observado nas pegadas encontradas indica que o dinossauro estivesse subindo a duna do paleodeserto.

Algumas pegadas da pista apresentam-se pouco definidas, devido à areia inconsolidada e seca da superfície ser facilmente deformável (bastante plástica). Animais de grande porte, portanto mais pesados, imprimiriam suas pegadas diretamente abaixo da camada mais seca de areia que sofreria total deformação, sem que houvesse preservação da morfologia dos pés nas camadas superficiais.

Devido ao excesso de peso no substrato arenoso, o animal produtor das pegadas coletadas provocou uma deformação das camadas inferiores de sedimento, transmitindo a impressão em subsuperfície e gerando o que chamamos de undertrack (‘sub-pegada’). O contato do pé do animal com a subsuperfície, possivelmente mais úmida, produziu as crenulações, podendo ter alterado o comprimento real do eixo maior da pegada ao levantar o pé para mudar o passo, revolvendo a areia seca em superfície. — Experimente isso ao caminhar na praia!

Ao todo, quase uma tonelada de rocha contendo os icnofósseis foram coletadas no dia 08 de julho de 2004 na pedreira São Bento, localizada no município de Araraquara no Estado de São Paulo, nas coordenadas de 21o49’03.4”S e 48o04’22.9”W. Estre estas, os registros do dinossauro aqui descrito. Esta pedreira apresenta a secção de uma grande duna fóssil com 20 m de altura e 100 m de comprimento, com mergulho de 29° aproximadamente em direção S-SW. As lajes coletadas estão depositadas na coleção de paleontologia do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade Federal de São Carlos (DEBE/UFSCar).

Pedreira São Bento em Araraquara, SP – Corte de uma Paleo-duna. Pode-se observar as pegadas do grande ornitópode em fase de retirada. Foto por Luciana B. Fernandes.


Desde os primeiros estudos sobre pegadas fossilizadas da região de Araraquara, em 1976 pelo paleontólogo e padre italiano Dr. Giuseppe Leonardi, somente pegadas com no máximo 15 cm de comprimento tinham sido registradas.

Nunca havia sido registrada a ocorrência de dinossauros bípedes herbívoros deste porte aqui descrito na região Sudeste. Em 30 anos de pesquisa é primeiro registro de um dinossauro de grandes dimensões para a Formação Botucatu. Fato novo e muito importante para a compreensão da evolução dos dinossauros no Brasil e para o entendimento das mudanças ambientais em nosso País.

O Dinossauro Ornithopoda do interior paulista pesava aproximadamente duas toneladas, com uma altura de quase 4 metros e comprimento de 6 metros. Um gigante em se tratando de uma fauna de deserto.

Reconstituição do grande Ornithopoda da Fm. Botucatu. Por Marcelo Adorna Fernandes.


Entre em contato com o Paleontólogo Prof. Dr. Marcelo Adorna Fernandes:
Laboratório de Paleoecologia e Paleoicnologia – Universidade Federal de São Carlos, UFSCar
Contatos pelo telefone: +55 (16) 3351-8322
E-mail: [email protected]
Fernandes, M.A. & Carvalho, I.S. 2007. Pegadas fósseis da Formação Botucatu (Jurássico Superior – Cretáceo Inferior): O registro de um grande dinossauro Ornithopoda na Bacia do Paraná. In: Carlhalho, I.S. et al (eds.) Paleontologia: Cenários da Vida, vol. 1, Editora Interciência.

>Novos vertebrados do Mesozóico brasileiro – Começamos bem 2011!

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Depois do anúncio de Tapuiasaurus em fevereiro, somam-se à lista de vertebrados mesozóicos do Brasil o gigante dino carnívoro Oxalaia, mais um bizarro crocodilomorfo terrestre - Pepesuchus - e Brasiliguana, um pequeno lagarto da região de Presidente Prudente, SP… 
Mas isso não é só, ainda há muito mais por vir!!

Tapuiasaurus foi descrito ainda em fevereiro na revista científica de divulgação livre, PLoS ONE (acesse o artigo aqui). O anúncio do bicho foi um sucesso: Dinossauro na cabeça! Um crânio completo foi apresentado por Zaher e colaboradores e o estado de conservação do material deixou pesquisadores do mundo inteiro boquiabertos. Tapuiasaurus pertence a um grupo de dinossauros chamado de saurópodes (dinos gigantes de pescoço e cauda longos) e mais especificamente a um ramo chamado de ‘titanossaurídeos’. Crânios de dinossauros saurópodes são relativamente raros, já que tendem a logo se desarticular do corpo depois da morte do animal. Por isso Tapuiasaurus foi recebido com tanta festa.!
A idade do fóssil está entre 125 e 112 milhões de anos. Ele foi encontrado nos estratos cretácicos da Bacia Sanfranciscana, nas imediações do município de Coração de Jesus, Minas Gerais, próximo a divisa com a Bahia.
Não só o crânio, mas vértebras, partes da escápula, um rádio e um fêmur também foram descritos.
O crânio é impressionante. Com o focinho alongado e a abertura nasal na altura dos olhos, ele lembra aquele de outros titanossauros como Rapetosaurus e Nemegtosaurus. Porém, Tapuiasaurus viveu bem antes destes animais – pelo menos 30 milhões de anos antes. Em termos evolutivos, essa é uma informação muito importante. Tudo indica que este formato craniano, comumente encontrado em dinossauros saurópodes titanossaurídeos do final do Período Cretáceo, já havia evoluído bem antes do que se pensava.
Uma exposição temática com os fósseis do animal está sendo apresentada no Museu de Zoologia da USP em São Paulo. Vale a pena visitar!! Exposição “Cabeça Dinossauro”.

O crânio de Tapuiasaurus macedoi.

Reconstituição do animal pelo paleoartista Leandro Sanchez.

Quanto a Oxalaia, anunciado à imprenssa brasileira no dia 16 de março, temos um registro bem menos impressionante, mas tão importante quanto o de Tapuiasaurus. Oxalaia tratava-se de um imenso dinossauro carnívoro espinossaurídeo (da família do Espinossauro e do Suchomimus, dinos com o focinho alongado e achatado como o dos crocodilos), que devia medir entre 12 e 14 metros. Seria o segundo maior dinossauro dessa família de terópodes. Os restos do animal foram encontrados ainda em 1999 durante uma expedição da equipe de paleontólogos do Museu Nacional à Ilha do Cajual, no Estado do Maranhão (Leia aqui!). Encontrado na famosa ‘Laje do Coringa’, o nível mais fossilífero da Formação Alcântara, o bicho parece ter sido um elemento comum no ambiente pretérito daquela região, onde são encontrados abundantes dentes do animal. Foram descritos por Kellner e colaboradores dois fragmentos de crânio, considerados suficientes para definir a nova espécie. O trabalho foi apresentado numa edição especial dos Anais da Academia Brasileira de Ciências e pode ser acessado aqui. Oxalaia pode ser considerado hoje o maior dinossauro carnívoro brasileiro. Três espécies de espinossaurídeos já foram descritas para o Brasil: Irritator challengeri, Angaturama limai e Oxalaia quilombensis. O nome Oxalaia faz referência a divindade africana Oxalá e quilombensis à um antigo Quilombo da região da Ilha do Cajual.

Fragmentos do crânio de Oxalaia, descritos por Kellner e colaboradores.

Reconstituição artística do animal por Maurílio de Oliveira.

Pepesuchus pode parecer um nome estranho, mas foi uma homenagem ao Prof. José Martin Suaréz (conhecido por seus colegas como Pepe) para nomear o mais novo crocodilomorfo terrestre barsileiro. Descrito por Diógenes de Almeida Campos e colaboradores, a nova espécie conta com dois crânios quase completos e mandíbulas. O material é proveniente do famoso sítio “Tartaruguito” (Fm. Presidente Prudente, Grupo Bauru, Bacia Bauru), próximo às cidades de Pirapozinho e Presidente Prudente, no Estado de São Paulo. A nova espécie foi classificada como um peirossaurídeo e acrescenta ainda mais ao conhecimento desses animais na Bacia Bauru, Cretáceo Superior brasileiro. Os peirossaurídeos parecem ter sido um dos clados de Mesoeucrocodylia mais bem representados no paleocontinente austral, Gondwana. O material pós-craniano da nova espécie será descrito separadamente.

Reconstituição do crânio de Pepesuchus.
Reconstituição artística de Pepesuchus.

Por fim, não poderíamos deixar de falar de Brasiliguana, também publicado na edição especial dos Anais da Academia Brasileira de Ciências (acesse aqui). Brasiliguana trata-se de um pequeno lagarto dos estratos do Cretáceo Superior da Formação Adamantina, Bacia Bauru, da região do município de Presidente Prudente, SP. O registro de squamatas no Brasil é raro e inclui somente 6 apontamentos: Tijubina, Olindalacerta e squamata indeterminado, da Bacia do Araripe, e Pristiguana e 2 registros também não específicos da Bacia Bauru. Brasiliguana viria a acrescentar este conhecimento.
O animal foi descrito por William Nava e Agustín Martinelli com base em um fragmento cranial, cujos formato e implantação dos dentes, de acordo com os autores, são semelhantes a dos lagartos iguanídeos.

Material descrito de Brasiliguana prudentensis.


Já que falamos tanto da edição especial dos Anais da Academia Brasileira de Ciências, vale a pena checar os outros artigos. Você os encontra disponíveis aqui.

Não deixe de dar uma olhada naquele de Bittencourt & Langer (aqui). O amigo Johnny fez uma fantástica revisão sobre as ocorrências de dinossauros no Brasil e as suas relações biogeográficas. Referência!
As novidades por enquanto são estas, mas fiquem de olho porque tem muito mais por vir!


>As pegadas fósseis do interior paulista – O Grande deserto Botucatu, Parte I

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Texto original por Marcelo Adorna Fernandes – adaptações por Aline Ghilardi

Há aproximadamente 140 milhões de anos, durante o final do Período Jurássico e início do Período Cretáceo, a região onde hoje se localizam as cidades de Araraquara e São Carlos, no interior de São Paulo, era coberta por um imenso deserto que se extendia por uma superfície de cerca 1.600.000 km2 (do sul de Minas Gerais até o Uruguai).

Imagem ilustrativa de como se pareceria o antigo deserto de Botucatu.

Este antigo deserto, chamado de Botucatu, foi um dos maiores que já existiu na história do Planeta Terra, e nele, dinossauros e pequenos mamíferos caminharam em busca de água, que brotava em pontuadas lagoas – oásis – formadas entre as gigantescas dunas de areia. Estes animais pré-históricos deixaram suas pegadas enquanto prosseguiam em suas jornadas diárias, e fortuitamente, estes registros fossilizaram, deixando pistas valiosas sobre a vida misteriosa do passado.
As pegadas fossilizadas são encontradas hoje em lajes de arenito retiradas de algumas pedreiras de Araraquara e São Carlos. Estas lajes foram vastamente utilizadas durante os séculos passados para o calçamento público de diversas cidades do interior paulista. Hoje, as calçadas dessas cidades guardam um tesouro precioso de dezenas de milhões de anos….

Reconstituição da fauna extinta do antigo deserto Botucatu. Por Ariel Milani e Aline Ghilardi.

Como as pegadas fossilizaram?

Pegada de dinossauro carnívoro.

As pegadas deixadas pelos animais que habitavam o paleodeserto de Botucatu eram delicadamente recobertas pela areia trazida pelo vento, que formava camadas sobrepostas protegendo a pista do animal. Depois de milhões de anos, a areia das dunas compactou-se de tal maneira – por cimentação natural dos grãos devida aos sais minerais de sua composição – que transformou-se em rocha (arenito), preservando o registro da vida extinta.
As dunas do antigo deserto continham um certo teor de umidade que também ajudava na preservação das pegadas. Porém, a umidade não era suficiente para favorecer a fossilização dos restos ósseos de animais que ali caminhavam. O clima rigoroso, associado ao desgaste pela ação erosiva dos grãos de areia e o vento, destruía completamente os corpos dos animais. Por isso não encontramos fósseis corporais de dinossauros – ou outros bichos -, mas somente suas pegadas.

Pista de pequeno mamífero.

A raridade de fósseis nesse tipo de ambiente faz com que todas as informações a respeito da vida nos paleodesertos restrinja-se sempre à impressões – vestígios indiretos – como pegadas e escavações para fuga ou habitação, por exemplo.

Pista de pequeno dinossauro carnívoro e detralhe de uma pegada.

Os arenitos da Formação Botucatu

Com o passar do tempo, a areia deste imenso deserto foi sofrendo um processo de compactação. As camadas inferiores de areia foram sendo gradativamente cobertas por novas camadas que o vento trazia, e as pegadas foram “guardadas” num “arquivo sedimentar”. Camada após camada, a areia endureceu formando as rochas conhecidas como arenito, da Formação Botucatu, pertencente à Bacia do Paraná, a mesma rocha que compõe o Aqüífero Guarani.

Diagrama litoestratigráfico indicando o posicionamento da F,. Botucatu dentro da Bacia do Paraná.

Pedreira na cidade de Araraquara, SP, onde afloram os arenitos da Formação Botucatu. Ainda pode-se observar a inclinação da antiga paleoduna.

Calcamento de arenito em Araraquara, SP.

Pegadas no calçamento. Algumas são cobertas com cimento: Alguns moradores as tinham como ‘defeitos’ na calçada.
O arenito foi muito utilizado para calçamentos de vias públicas em Araraquara e região, conseqüentemente muitas pegadas são encontradas ainda hoje nas próprias calçadas de diversas cidades do interior paulista e inclusive na Capital.

O estudo do registro icnofossilífero

O estudo de um icnofóssil (vestígio preservado da atividade de um organismo) é de grande importância, pois pode auxiliar nas interpretações paleoambientais e paleoecológicas de um determinado período de tempo geológico, assim como evidenciar o comportamento dos diversos organismos fósseis.
As pegadas fósseis podem estar preservadas basicamente como impressões (epirrelevo côncavo), correspondendo a moldes das plantas dos pés do animal, e como contra-moldes (hiporrelevo convexo) produzidos pelos sedimentos sobrejacentes nas impressões originais. Devido ao peso, alguns animais poderiam ainda provocar deformações nas camadas inferiores do sedimento, formando as undertracks ou subpegadas.
A partir das pegadas fossilizadas é possível reconstruir o esqueleto do pé do animal, saber como era a pele e musculatura do pé. Também é possível conhecer relações ecológicas destes seres primitivos e sua influência nos ecossistemas. O estudo destes vestígios torna-se algo fascinante e que nos permite reconstruir, passo a passo, a trajetória da vida no Planeta.
O final da existência dos dinossauros do deserto no interior paulista foi selado por um grande evento magmático (registrado como a Fm. Serra Geral), no qual grandes fissuras na crosta terrestre derramaram magma sobre o paleodeserto, mudando o clima e a paisagem e determinando o fim do antigo ambiente do Botucatu. Isso se deu há pelo menos 135 milhões de anos.

Pegadas de pequeno mamífero.

Ilustração representando a antiga fauna do deserto Botucatu. Por Ariel Milani.

Maiores informações sobre o sítio paleontológico de Araraquara no site:
– Em próximos posts: “A fauna do Paleo-Deserto Botucatu”, “Xixi de dinossauro” e “Um estranho gigante nas dunas”

>Uma introdução à respeito dos Monstros Marinhos do Cretáceo

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Durante a Era Mesozóica, os mares eram habitados por uma formidável diversidade de répteis marinhos. O enfoque desse texto introdutório é para os três grupos extintos mais conhecidos desses animais: os Ictiossauros, os Plesiossauros (Pliossauros inclusos) e os Mosassauros.

Figura 1: Cladogramas de répteis marinhos mesozóicos.
Fonte: SCIENCE. www.siencemag.org

Figura 2 Reconstrução de Ictiossauro caçando um amonite.

By Jorge Gonzales.

O primeiro grupo a ser apresentado, os Ictiossauros (figura 2), eram extremamente adaptados à vida marinha. Possuiam um corpo aquadinâmico, semelhante ao de um golfinho, com membros em formatos de pás, nadadeiras caudais verticais, como as de um tubarão, focinhos longos, e, em espécies mais derivadas, barbatanas dorsais (há restos de fósseis com registro de contorno de barbatanas dorsais para alguns gêneros, como observou McGowan à respeito dos melhores fósseis encontrados para esse grupo na região de Holzmaden, na Alemanha).

A locomoção dos Ictiossauros se dava por propulsão em alta velocidade dada por meio de sua poderosa cauda com o direcionamento da barbatana (para os indivíduos que tinham essas características já desenvolvidas) e nadadeiras. O seu hábito alimentar envolvia basicamente uma dieta de cefalópodes, ingeridos por meio de sucção (como algumas baleias modernas). Sua reprodução era ovovivípara, ou seja, os filhotes eram expelidos do corpo já formados: há amplo registro fóssil de fetos associados as mães que teriam morrido por complicações no parto – Para alguns pesquisadores, todavía, há também a teoria que os fetos poderiam ser expelidos do corpo das mães pós-morten, como McGowan propôs baseado em carcaças de baleias na Tasmania que liberaram os fetos depois de mortos.

Os Ictiossauros surgiram no início do Período Triássico e extiguiram-se no Neocretáceo, há cerca de 90 milhões de anos. Um dos gêneros encontrados na Colômbia, Platypterygius, foi um dos últimos antes que o grupo se extiguisse. O gênero Platypterygius encontrava-se também nos mares da América do Norte, Europa, Rússia, Índia e Austrália.

Figura 3: Reconstrução computadorizada de um Plesiossauro.

Figura 4: Reconstrução computadorizada de um Plesiossauro Elasmossauro. Fonte: Johnson Mortimer.


Os Plesiossauros compunham o grupo de predadores marinhos mais bem-sucedidos e melhor distribuídos durante todo o Mesozóico. Tinham formas e tamanhos variados, que incluíam animais de pescoço longo com cabeça pequena ou de pescoço curtos com cabeça enorme, mas geralmente possuíam a cauda muito curta e as nadadeiras bem desenvolvidas.

O grupo surgiu no meio do Período Triássico e seguiu até o Maastrichiano (final do Período Cretáceo), onde enfrentou sua extinção, sem deixar descendentes de alguma forma. Há alguns que acreditam na existência de Plesiossauros vivendo isolados no Lago escocês Loch Ness. Até hoje, porém, não houve evidências concretas e toda aquela história não passa, na verdade, de mito.

Os Plesiossauros (Diapsida: Sauropterygia: Plesiosauria) eram compostos por dois grandes grupos: os Elasmossauros (com cabeças incrivelmente pequena e um pescoço muito longo. Figuras 3 e 4); e os Pliossauros (com pescoço curto e cabeças enormes).

Não há registro de fetos fósseis para o grupo, logo não é sabido se esses animais davam à luz aos seus filotes na agua, ou se desovavam na praia. A constituição robusta caixa toráxica foi justificada por alguns cientistas para defender a teoría de os Elasmossauros pudessem ir à praia, em terra firme. Entretanto, as nadadeiras compridas e os pescoços muito longos os tornariam muito desajeitados fora da água e eles se tornariam presas fáceis para dinosauros carnívoros ou crocodilianos. Atualmente, a grande maioria dos paleontólogos acreditam ser quase impossível que esses animais saíssem da água.


Figura 5: Reconstrução computadorizada de um Kronosaurus.

Figura 6 (autoria desconhecida): Reconstrução computadorizada de um Kronosaurus.


“O Liopleurodon ergue sua cabeça robusta vagarosamente e movimenta suas nadadeiras. À medida que ele avança, amonites agitam-se na agua e os peixes escondem-se nos corais em seu temor. Sua boca abre e atinge gravemente a porção do meio de um Ophthalmosaurus. A força de seu ataque carrega ambos sua cabeça e sua presa para fora da agua, onde, por um breve instante ele pausa antes de trazer ambos abaixo com uma força explosiva. Há sangue por todos os lados. Sua vítima more instantaneamente, seu corpo perfurado pelos longos dentes e suas costas quebradas. O Pliossauro ajeita sua presa na boca, mordendo e sacudindo-a repetidamente (…) Ele volta à superficie erguendo a garganta rosada e engolindo.”
(Haines)

Liopleurodon tratava-se de um Pliossauro. Colossais predadores, entre os maiores répteis carnívoros que já viveram.

As primeiras formas intermediárias entre os plesiossauros e os pliossauros surgiram no início do Jurássico, como os Macroplata longirostris, M. tenuiceps e possivelmente Eurycleidus arcuatus. Eram plessiossauros de pescoço mais curto e crânio ligeiramente mais robusto.

O gênero Pliosaurus é conhecido para o Jurássico Médio, e foi um dos primeiros do grupo a ter as características que os definem.

Ao Final do Jurássico e Cretáceo, diversas formas floresceram, incluso os colossais predadores Liopleurodon, Kronosaurus, Mareasaurus, Brachauchenius, Megalneusaurus e Peloneustes. Sua distribuição era ampla, incluindo as Américas, a Europa, a Ásia e a Oceania.

Em 1992, o Paleontólogo alemão Oliver Hampe descreveu um enorme Pliossauro proveniente da região de Boyacá, ao norte da Colômbia. Ele foi nomeado Kronosaurus boyacencis, embora suas costelas, demasiado robustas (diferente do encontrado em outros do grupo), pudessem ser peculiares o suficiente para que se levantasse a hipótese de um novo gênero para a América do Sul. Os Kronosaurus (figuras 5 e 6) estavam distribuídos desde a Austrália até a Colômbia.

Ao final do Cretáceo foram extintos, assim como tantas outras espécies marinhas.


Figura 7: Reconstrução computadorizada de Mosassauros.
Fonte: Johnson Mortimer.

 Figura 8: Reconstrução de Mosassauro.
Fonte: Walter Colvin.

Os Mosassauros (Figuras 7 e 8) foram criaturas aparentadas aos lagartos varanídeos atuais. Eram extremamente bem adaptados à vida marinha: enormes predadores de corpo alongado, esguio, dentes triangulares afiados e uma comprida cauda que lhes dava propulsão para perseguir suas presas.

Esse grupo evoluiu rapidamente (em termos de escala geológica) durante meados do Período Cretáceo. Há 90 milhões de anos atrás, Mosassauros já habitavam diversas regiões do globo e estavam entre os animais marinhos mais bem-sucedidos daquele momento. Alguns pesquisadores sugeriram que os Mosassauros teriam gradualmente substituído o nicho ecológico dos Ictiossauros, que se extinguiram no início daquele Período. Entretanto, parece haver uma incompatibilidade em relação aos hábitos alimentares dos dois grupos para que sustentasse essa idéia.

Mosassauros, assim como diversos outros grupos, foram totalmente extintos durante o final do Cretáceo.




Bibliografia:
. Ellis, Richard. Sea Dragons: predators of the prehistoric oceans. University Press of Kansas, 2003.
. Motani, Ryosuke. The Evolution of Marine Reptiles. Evo Edu Outreach (2009) 2:224–235. Acesso livre em Springerlink.com, 2009

>Vertebrados fósseis da região de Marília, SP

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Para inaugurar a sessão dos colaboradores, contamos com a ilustre participação do paleontólogo e coordenador do Museu de Paleontologia de Marília, William Nava:
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Via William Nava

O paleontólogo e coordenador do Museu de Paleontologia de Marília, William Nava, vem há 17 anos fazendo um minucioso trabalho de escavação e coleta de fósseis nas rochas da região de Marília, o que resultou em importantes achados para a Paleontologia brasileira.
As primeiras coletas de fósseis datam do início dos anos 90 e referem-se a fragmentos ósseos identificados como pertencentes à saurópodes do grupo dos Titanossauros.

 “Fiz a primeira descoberta de ossos de um dinossauro na região centro oeste do estado em 1993, na estrada vicinal P. Nóbrega-Rosália, e o achado ganhou repercussão nacional na época, sendo amplamente divulgado pelos meios de comunicação” lembra o paleontólogo.

William Nava durante o processo de remoção de um fragmento ósseo de saurópode nas cercanias da cidade de Marília durante década de 90

O incremento das pesquisas revelou inúmeros afloramentos datados do Cretáceo Superior por toda a região. A partir de 1996, com o achado dos primeiros fósseis de crocodilomorfos notossúquios (que 3 anos depois seriam descritos cientificamente como  Mariliasuchus amarali) em rochas próximas ao vale do Rio do Peixe,  foi possível  concluir que a região tinha  potencial para fósseis bem preservados. De acordo com Nava, a grande maioria desses fósseis vem sendo coletada em cortes de estradas rurais. “Inúmeros materiais principalmente de crocodilomorfos ,como  o pequeno crocodilo Adamantinasuchus navae   foram descobertos durante a  escavação de obras  no Córrego Arrependido, afluente do Rio do Peixe”, falou o pesquisador.

A vantagem de residir na cidade onde estão os sítios paleontológicos é que se pode ir à campo a qualquer dia, ou mesmo nos finais de semana.  Igualmente, se pode abrir novas frentes de escavação e acompanhar esse trabalho, catalogando, fotografando as ocorrências e os níveis estratigráficos onde ocorrem os fósseis.

William Nava explicando sobre os fósseis e a geologia da região. Foto de Bernardo Pimenta.

Com o passar dos anos, Nava foi acumulando em sua casa muitos restos ósseos de dinossauros e crocodilos que escavava pela região, além de alguns materiais obtidos por doação (como peixes do Nordeste e restos de madeiras petrificadas oriundos de outros estados) formando um considerável acervo, que mais cedo ou mais tarde, necessitaria de ser exposto à comunidade. Em pouco mais de uma década de escavações e coletas, os trabalhos do paleontólogo resultaram numa diversificada fauna de vertebrados fósseis, como dinossauros do grupo dos Titanossaurídeos, pequenos crocodilomorfos (Mariliasuchus e Adamantinasuchus) anfíbios, escamas ganóides (lepisosteiformes), dentes e restos ósseos de peixes, dentes de pequenos terópodes, um pequeno lagarto, além de microfósseis. 

Reconstituição artística de um dinossauro saurópode titanossaurídeo. Arte de Felipe Elias (http://felipe-elias-portfolio.blogspot.com/)



MARILIASUCHUS e ADAMANTINASUCHUS

Entre os fósseis mais importantes relacionados aos crocodilomorfos estão ovos fossilizados e coprólitos do Mariliasuchus amarali.  “Esses ovos fósseis constituem o primeiro registro desse tipo de fóssil no Brasil. Em 2002 encontrei num bloco de arenito uma ninhada composta por 9 ovos fossilizados,  um achado fantástico. Tudo indica que os animais, vivendo em populações perto de lagoas, ali depositavam seus ovos e muitos  eram rapidamente soterrados por grandes cargas de sedimentos, passando assim para o registro fóssil”, destacou o pesquisador. Atualmente, esses ovos estão em estudos no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, junto com outros fósseis.

Crânio do crocodilomorfo notossúquio Mariliasuchus amarali
Reconstituição de Mariliasuchus em vida. Arte de Maurílio de Oliveira, todos os direitos reservados.

De acordo com estudos já publicados sobre o Mariliasuchus e o Adamantinasuchus, apurou-se que esses animais além de um comportamento gregário e terrestre que lhes permitia caminhar longas distâncias em áreas com clima quente e seco, tinham um hábito alimentar bastante diversificado, podendo incluir em sua dieta desde carne até vegetais. “Isso é um dado bastante incomum para os crocodilos de hoje, que só vivem na água e possuem dieta carnívora. Dessa forma, as duas espécies de crocodilos encontradas em Marília, além de muito raras no registro fóssil, permitem a nós, paleontólogos, inúmeras possibilidades de estudos, devido à boa preservação dos fósseis encontrados nas rochas da Formação Adamantina, que ocorre em todo o oeste do estado de S. Paulo” falou Nava.

Reconstituição esqueletal de Adamantinasuchus navae
Reconstituição Artística de Adamantinasuchus navae. Arte de Deverson da Silva (Pepi).


O MUSEU DE PALEONTOLOGIA

Museu de Paleontologia de Marília

Inaugurado em novembro de 2004 pela Secretaria Municipal da Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Marília, o Museu de Paleontologia é uma significativa contribuição ao conhecimento científico nacional e internacional na área da paleontologia. Está localizado no centro da cidade, e vem se tornando um dos grandes potenciais científicos da região, tendo em vista a raridade do material  encontrado. “Trata-se do segundo museu do interior paulista com exposição permanente de fósseis de animais que viveram no período Cretáceo, entre 70 e 90 milhões de anos atrás. Está aberto a toda a comunidade e também á escolas e universidades. Além das dezenas de escolas da cidade e da região, também já recebemos alunos de graduação e pós-graduação do curso de Geologia da Universidade Federal do Paraná, Universidade Federal do Rio de Janeiro e Universidade de São Paulo” enfatizou o pesquisador. Atualmente alunos da Universidade de São Carlos – UFSCar têm colaborado em trabalhos de campo na região.

Visitantes em campo com William Nava. Foto de Ivan Evangelista Júnior.

O Museu abre novas perspectivas no campo científico e também para o turismo local e regional com o incremento de atividades pedagógicas, visitas técnicas monitorizadas, produção de material impresso e outros recursos que auxiliam na educação e na maior divulgação do espaço, até como forma de gerar e atrair novos recursos e investimentos. Tem como objetivo a busca e pesquisa dos fósseis, sua preservação, divulgação junto à comunidade local e regional, exposição do acervo de ossos principalmente de dinossauros, que são o grande chamariz para o público leigo e crianças, e as reconstituições em vida do Mariliasuchus e do Adamantinasuchus, para dar uma idéia de como eram esses pequenos crocodilos, que viviam entre os grandes titanossauros. “Temos recebido milhares de visitantes tanto daqui e da região, como também de outros estados, fazendo do museu hoje, um forte atrativo cultural e turístico para uma vasta região do interior do estado”, destacou Nava.

Área interna do Museu de Paleontologia de Marília

No museu podem ser vistos diversos ossos de dinossauros (Titanossauros), restos de crocodilos, ovos fossilizados, peixes da Chapada do Araripe (CE), troncos de árvores  fossilizados, restos de tartarugas, banners ilustrativos, fotografias de expedições realizadas nos campos de pesquisa da região e mapa de ocorrências fossilíferas dentro do Grupo Bauru, entre outras atrações.

O museu está situado na Av. Sampaio Vidal, 245, esquina com a Av. Rio Branco, em Maríla, no centro, e fica aberto de segunda à sexta, das 8h30 às 18h00.
O telefone para contato é (14) 3402-6600 –  ramal 6614.
  
PARCERIAS, ESTUDOS e DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Diversos fósseis escavados nas rochas da região encontram-se depositados para estudos em instituições como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Museu Nacional da UFRJ, UNIRIO, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Museu de Zoologia da USP, UNESP campus de Bauru-SP, Museu de História Natural de Taubaté-SP, e recentemente UnB- Universidade de Brasília,  em parcerias técnico-científicas bastante promissoras.  De acordo com Nava, “atualmente Marília se coloca ao lado das grandes regiões fossilíferas do país, contribuindo com seus fósseis para um melhor entendimento acerca dos ecossistemas e da paleofauna que existiu no Brasil há milhões de anos”. Os fósseis aqui achados já foram citados em periódicos de Paleontologia, como o American Museum Novitates, Gondwana Research, e recentemente o Bulletin of Geosciences, da República Tcheca.

Visite o site www.dinosemmarilia.blogspot.com para saber mais sobre os fósseis de Marília e região.

William e o fóssil de um dinossauro saurópode. Foto de Ivan Evangelista Júnior.

William Roberto Nava

Paleontólogo e Coordenador
do Museu de Paleontologia de Marília

Secretaria Municipal da Cultura e Turismo
Prefeitura Municipal de Marília


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Muito obrigada por colaborar na construção dos colecionadores, William!! Portas sempre abertas para você.
Fica aqui uma homenagem dos colecionadores pelo seu trabalho:

William observa um novo fóssil de um pequeno crocodilo. Foto de Aline Ghilardi.

A Paleontologia Nacional agradece!

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By Tito Aureliano, 2010. Afloramentos Cretácicos (Fm. Alcântara), Ilha do Cajual, Maranhão, Brasil. Reservo direitos de uso sobre essa fotografia. Sua cópia não está autorizada.

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