>Vertebrados fósseis da região de Marília, SP

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Para inaugurar a sessão dos colaboradores, contamos com a ilustre participação do paleontólogo e coordenador do Museu de Paleontologia de Marília, William Nava:
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Via William Nava

O paleontólogo e coordenador do Museu de Paleontologia de Marília, William Nava, vem há 17 anos fazendo um minucioso trabalho de escavação e coleta de fósseis nas rochas da região de Marília, o que resultou em importantes achados para a Paleontologia brasileira.
As primeiras coletas de fósseis datam do início dos anos 90 e referem-se a fragmentos ósseos identificados como pertencentes à saurópodes do grupo dos Titanossauros.

 “Fiz a primeira descoberta de ossos de um dinossauro na região centro oeste do estado em 1993, na estrada vicinal P. Nóbrega-Rosália, e o achado ganhou repercussão nacional na época, sendo amplamente divulgado pelos meios de comunicação” lembra o paleontólogo.

William Nava durante o processo de remoção de um fragmento ósseo de saurópode nas cercanias da cidade de Marília durante década de 90

O incremento das pesquisas revelou inúmeros afloramentos datados do Cretáceo Superior por toda a região. A partir de 1996, com o achado dos primeiros fósseis de crocodilomorfos notossúquios (que 3 anos depois seriam descritos cientificamente como  Mariliasuchus amarali) em rochas próximas ao vale do Rio do Peixe,  foi possível  concluir que a região tinha  potencial para fósseis bem preservados. De acordo com Nava, a grande maioria desses fósseis vem sendo coletada em cortes de estradas rurais. “Inúmeros materiais principalmente de crocodilomorfos ,como  o pequeno crocodilo Adamantinasuchus navae   foram descobertos durante a  escavação de obras  no Córrego Arrependido, afluente do Rio do Peixe”, falou o pesquisador.

A vantagem de residir na cidade onde estão os sítios paleontológicos é que se pode ir à campo a qualquer dia, ou mesmo nos finais de semana.  Igualmente, se pode abrir novas frentes de escavação e acompanhar esse trabalho, catalogando, fotografando as ocorrências e os níveis estratigráficos onde ocorrem os fósseis.

William Nava explicando sobre os fósseis e a geologia da região. Foto de Bernardo Pimenta.

Com o passar dos anos, Nava foi acumulando em sua casa muitos restos ósseos de dinossauros e crocodilos que escavava pela região, além de alguns materiais obtidos por doação (como peixes do Nordeste e restos de madeiras petrificadas oriundos de outros estados) formando um considerável acervo, que mais cedo ou mais tarde, necessitaria de ser exposto à comunidade. Em pouco mais de uma década de escavações e coletas, os trabalhos do paleontólogo resultaram numa diversificada fauna de vertebrados fósseis, como dinossauros do grupo dos Titanossaurídeos, pequenos crocodilomorfos (Mariliasuchus e Adamantinasuchus) anfíbios, escamas ganóides (lepisosteiformes), dentes e restos ósseos de peixes, dentes de pequenos terópodes, um pequeno lagarto, além de microfósseis. 

Reconstituição artística de um dinossauro saurópode titanossaurídeo. Arte de Felipe Elias (http://felipe-elias-portfolio.blogspot.com/)



MARILIASUCHUS e ADAMANTINASUCHUS

Entre os fósseis mais importantes relacionados aos crocodilomorfos estão ovos fossilizados e coprólitos do Mariliasuchus amarali.  “Esses ovos fósseis constituem o primeiro registro desse tipo de fóssil no Brasil. Em 2002 encontrei num bloco de arenito uma ninhada composta por 9 ovos fossilizados,  um achado fantástico. Tudo indica que os animais, vivendo em populações perto de lagoas, ali depositavam seus ovos e muitos  eram rapidamente soterrados por grandes cargas de sedimentos, passando assim para o registro fóssil”, destacou o pesquisador. Atualmente, esses ovos estão em estudos no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, junto com outros fósseis.

Crânio do crocodilomorfo notossúquio Mariliasuchus amarali
Reconstituição de Mariliasuchus em vida. Arte de Maurílio de Oliveira, todos os direitos reservados.

De acordo com estudos já publicados sobre o Mariliasuchus e o Adamantinasuchus, apurou-se que esses animais além de um comportamento gregário e terrestre que lhes permitia caminhar longas distâncias em áreas com clima quente e seco, tinham um hábito alimentar bastante diversificado, podendo incluir em sua dieta desde carne até vegetais. “Isso é um dado bastante incomum para os crocodilos de hoje, que só vivem na água e possuem dieta carnívora. Dessa forma, as duas espécies de crocodilos encontradas em Marília, além de muito raras no registro fóssil, permitem a nós, paleontólogos, inúmeras possibilidades de estudos, devido à boa preservação dos fósseis encontrados nas rochas da Formação Adamantina, que ocorre em todo o oeste do estado de S. Paulo” falou Nava.

Reconstituição esqueletal de Adamantinasuchus navae
Reconstituição Artística de Adamantinasuchus navae. Arte de Deverson da Silva (Pepi).


O MUSEU DE PALEONTOLOGIA

Museu de Paleontologia de Marília

Inaugurado em novembro de 2004 pela Secretaria Municipal da Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Marília, o Museu de Paleontologia é uma significativa contribuição ao conhecimento científico nacional e internacional na área da paleontologia. Está localizado no centro da cidade, e vem se tornando um dos grandes potenciais científicos da região, tendo em vista a raridade do material  encontrado. “Trata-se do segundo museu do interior paulista com exposição permanente de fósseis de animais que viveram no período Cretáceo, entre 70 e 90 milhões de anos atrás. Está aberto a toda a comunidade e também á escolas e universidades. Além das dezenas de escolas da cidade e da região, também já recebemos alunos de graduação e pós-graduação do curso de Geologia da Universidade Federal do Paraná, Universidade Federal do Rio de Janeiro e Universidade de São Paulo” enfatizou o pesquisador. Atualmente alunos da Universidade de São Carlos – UFSCar têm colaborado em trabalhos de campo na região.

Visitantes em campo com William Nava. Foto de Ivan Evangelista Júnior.

O Museu abre novas perspectivas no campo científico e também para o turismo local e regional com o incremento de atividades pedagógicas, visitas técnicas monitorizadas, produção de material impresso e outros recursos que auxiliam na educação e na maior divulgação do espaço, até como forma de gerar e atrair novos recursos e investimentos. Tem como objetivo a busca e pesquisa dos fósseis, sua preservação, divulgação junto à comunidade local e regional, exposição do acervo de ossos principalmente de dinossauros, que são o grande chamariz para o público leigo e crianças, e as reconstituições em vida do Mariliasuchus e do Adamantinasuchus, para dar uma idéia de como eram esses pequenos crocodilos, que viviam entre os grandes titanossauros. “Temos recebido milhares de visitantes tanto daqui e da região, como também de outros estados, fazendo do museu hoje, um forte atrativo cultural e turístico para uma vasta região do interior do estado”, destacou Nava.

Área interna do Museu de Paleontologia de Marília

No museu podem ser vistos diversos ossos de dinossauros (Titanossauros), restos de crocodilos, ovos fossilizados, peixes da Chapada do Araripe (CE), troncos de árvores  fossilizados, restos de tartarugas, banners ilustrativos, fotografias de expedições realizadas nos campos de pesquisa da região e mapa de ocorrências fossilíferas dentro do Grupo Bauru, entre outras atrações.

O museu está situado na Av. Sampaio Vidal, 245, esquina com a Av. Rio Branco, em Maríla, no centro, e fica aberto de segunda à sexta, das 8h30 às 18h00.
O telefone para contato é (14) 3402-6600 –  ramal 6614.
  
PARCERIAS, ESTUDOS e DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Diversos fósseis escavados nas rochas da região encontram-se depositados para estudos em instituições como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Museu Nacional da UFRJ, UNIRIO, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Museu de Zoologia da USP, UNESP campus de Bauru-SP, Museu de História Natural de Taubaté-SP, e recentemente UnB- Universidade de Brasília,  em parcerias técnico-científicas bastante promissoras.  De acordo com Nava, “atualmente Marília se coloca ao lado das grandes regiões fossilíferas do país, contribuindo com seus fósseis para um melhor entendimento acerca dos ecossistemas e da paleofauna que existiu no Brasil há milhões de anos”. Os fósseis aqui achados já foram citados em periódicos de Paleontologia, como o American Museum Novitates, Gondwana Research, e recentemente o Bulletin of Geosciences, da República Tcheca.

Visite o site www.dinosemmarilia.blogspot.com para saber mais sobre os fósseis de Marília e região.

William e o fóssil de um dinossauro saurópode. Foto de Ivan Evangelista Júnior.

William Roberto Nava

Paleontólogo e Coordenador
do Museu de Paleontologia de Marília

Secretaria Municipal da Cultura e Turismo
Prefeitura Municipal de Marília


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Muito obrigada por colaborar na construção dos colecionadores, William!! Portas sempre abertas para você.
Fica aqui uma homenagem dos colecionadores pelo seu trabalho:

William observa um novo fóssil de um pequeno crocodilo. Foto de Aline Ghilardi.

A Paleontologia Nacional agradece!

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By Tito Aureliano, 2010. Afloramentos Cretácicos (Fm. Alcântara), Ilha do Cajual, Maranhão, Brasil. Reservo direitos de uso sobre essa fotografia. Sua cópia não está autorizada.

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