>Vida multicelular há 2,1 BILHÕES de anos??? WHOAAAA!!!!!

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Fósseis espetaculares para a paleontologia foram descobertos no leste da África. Eles empurram a aurora da vida multicelular na Terra de 600-700 milhões de anos para pelo menos 2.1 bilhões de anos atrás. O paper que descreve essa novidade foi publicado na revista britânica Nature neste 1º de julho.

Créditos da imagem: CNRS

Os pelo menos 250 fósseis em bom estado de conservação, encontrados no Gabão, África, seriam os primeiros registros da presença de vida macroscópica no planeta Terra. Eles foram encontrados por um grupo internacional e multidisciplinar de cientistas, coordenado por Abderrazak El Albani, da Univerdidade de Poitiers da França.


Sítio no Gabão aonde foram encontrados os fósseis de 2,1 bilhões de anos.

Constituem-se de estruturas com até 12 centímetros, de formas variadas, mas bastante características. Elas apresentam um padrão básico simples de camadas flexíveis enrugadas, geralmente organizadas em uma constituição radial. Esses novos fósseis implicam que a origem da vida multicelular é muito mais antiga do que se pensava, desafiando o atual conhecimento sobre a evolução da vida complexa no Planeta Terra.

 Exatamente quão complexos eram esses organismos recém descobertos?

Isso será debate ainda por um bom tempo. Os pesquisadores sugerem que os padrões de crescimento deduzidos pela morfologia dos fósseis indicam que os organismos apresentavam sinalização celular e respostas coordenadas, sinais típicos de organização multicelular. Não eram, portanto, somente um amontoado de células.

A descoberta é fantástica porque demonstra a existência de fauna multicelular 1,5 bilhão de anos antes do que se pensava. É um importante acréscimo ao entendimento da evolução da vida no planeta.

Análises geoquímicas dos sedimentos indicam que os organismos viviam a aproximadamente 30 ou 40 metros de profundidade, numa coluna d’água oxigenada. Dados isotópicos sugerem que as estruturas eram sim distintos objetos biogênicos, fossilizados por piritização no início da formação da rocha.




Foram utilizadas tecnologias de scanneamento 3D para reconstituir as amostras e assim acessar o grau de sua organização interna com maior detalhe sem destruir os fósseis.  O método permitiu aos cientistas definir claramente que a forma dos mesmos indicava grau de complexidade na organização:  Eles deveriam realmente tratar-se de eucariotos multicelulares.

Créditos da imagem: CRNS – Recontituição tridimensional das estruturas.

Os estudos ainda sugerem que esses organismos podem ter vivido em colônias: mais de 40 espécimes  por vezes foram coletados juntos dentro de meio metro quadrado.

Foto de divulgação da Revista Nature

Os pesquisadores agora planejam dar continuidade aos estudos e se possível determinar como esses organismos viviam, além de procurar categorizá-los.


Referências: 


El Abani, A. et al. 2010. Large colonial organisms with coordinated growth in oxygenated environments 2.1Gyr ago.  Nature 466, 100-104 (1 July 2010) | doi:10.1038/nature09166

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By Tito Aureliano, 2010. Afloramentos Cretácicos (Fm. Alcântara), Ilha do Cajual, Maranhão, Brasil. Reservo direitos de uso sobre essa fotografia. Sua cópia não está autorizada.

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