Sobre o #jornaldolab e uma divulgação científica desproposital

Sim meus caros, eu não morri! Minha ausência pode ser apenas explicada pelo atual estado de “fagocitamento por Mestrado” que venho sofrendo :)

Mas uma coisa vem acontecendo e eu achei que seria bem interessante compartilhar com os amigos leitores do nosso blog. Já fazem alguns meses, comecei um dia de bobeira a registrar alguns momentos engraçados no laboratório (devo informar que eles não são poucos) e publica-los no Instagram e Facebook, e marquei eles com uma tag que inventei, “#jornaldolab”. Comecei fotografando o Felipe barbudo sentado no chão num dia de calor torrencial aqui na Universidade, em outro dia registrei a galera avacalhando com o gelo seco, e assim foi indo.

Felipe curtindo o frescor do chão

Nada com um refrigerante com gelo seco, né Gui?

A brincadeira acabou envolvendo o pessoal do laboratório. Se já me tinham como a “papparazzi” (sim, eu adoro fotografar todo mundo nas situações mais inusitadas possíveis), o advento do #jornaldolab só veio incentivar meu apelido :)

Minhas queridas alunas de IC, Raquel e Lilian, preparando meio de cultura para Drosophila

De situações engraçadas passei também a registrar momentos bem particulares do nosso trabalho pelo lab, mais especificamente o cotidiano com ares de escravatura a que um drosofilista é submetido. Fotos das meninas fazendo meio para as moscas, imagens dos experimentos de fecundidade (que eu estava – e continuo – levando um pau pra fazer dar certo), larvas e pupas bem lindas e sorridentes.

Me disseram que parece capa do CD do RHCP, e eu concordo!

Sobre os benefícios da terapia de catar ovos de mosca!

Enquanto uns tentam preparar a amostra pra extrair DNA, outros se aplicam na arte da sabotagem.

Mas o que quero falar aqui, que achei extremamente satisfatório, foi o efeito que essas fotos tiveram na minha “comunidade” de amigos facebookianos sem qualquer relação com a Biologia, com a Genética, com moscas ou com a vida acadêmica.

Amigos, conhecidos, parentes, a instrutora da academia, todos eventualmente me chamando pra um canto e, depois de me chamar de “moscona” ou algum adjetivo relacionado, me perguntando: “Ô, Nati! Como é que é essa vida de ficar mexendo com essas moscas hein? Por que tu usa elas?”; “Ah! Mas como tu sabe que tem a bactéria dentro da mosca?”; “Mas o que elas comem??”, “mas afinal como funciona a pesquisa no teu laboratório?”. Meu coraçãozinho se aquece de alegria só de lembrar.

Ou seja, o que era para ser um simples e inocente compartilhamento de momentos do nosso cotidiano laboratorial, acabou gerando todo um interesse nas pessoas, e elas foram atrás de uma informação científica através de um canal totalmente inusitado e despropositado.

E o que é isso, senão divulgação científica, né meus caros? Gerar o interesse pela Ciência nas pessoas é certamente uma das coisas mais maravilhosas que pode me acontecer, e eu fico estarrecidamente feliz de ver que o #jornaldolab está levando ao menos um pouco deste mundo curioso para meus amigos! Tenho certeza que, se algum deles ver qualquer dia desses uma notícia que fale em “Drosophila”, eles vão prestar mais atenção do que prestariam há alguns meses atrás :)

 

Para quem quiser acompanhar o #jornaldolab, taí meu Instagram: nataliadorr. Vou ficar feliz de compartilhar esses momentos com vocês também :)

As algas e o prostíbulo

Existe uma infâme rua em Porto Alegre por onde passo todos os dias para ir ao trabalho, conhecida pelo grande número de casas da luz vermelha, e pela vizinhança não muito amigável. É uma das ruas mais velhas, sujas e esquecidas da Capital. Quando a gente passa por ali se sente no outro lado dos trilhos de uma Porto Alegre que não está nos cartões postais. Mas o que chama mais a minha atenção são as paredes tristes e esverdeadas daquela rua. Devido a um fenômeno periódico, que nessa entrada de outono torna-se pronunciado em suas cores, os microorganismos urbanos que ali perduram, colonizam e trocam de cor as paredes daquela velha rua. Penso nas algas, bactérias, fungos, musgos e líquens que ali chegaram como esporos, nasceram e sem os olhos da cidade perceber, atravessaram gerações tanto dos transeuntes quanto das mulheres que fazem ponto ali, indiferentes uns com os outros no correr dos dias e dos relógios. As mulheres ao me ver passar todos os dias ali, já me cumprimentam com um leve balançar de cabeça e até mesmo um “bom dia”. O que me lembra que elas são apenas mulheres tentando sobreviver, assim como as algas em seu trabalho de eras de fotossíntese, e ali, relacionadas estranhamente na trama da existência, uma não faz a mínima ideia da outra. Daqui a dez anos quando eu passar novamente por ali, as mulheres talvez já tenham mudado o seu ponto, envelhecido e talvez já não existam mais, mas suspeito que as algas por ali vão continuar, comendo as bordas do sol, invisíveis e desconhecidas em sua permanência, para os que se aventuram na rua das algas e dos prostíbulos do lado errado dos trilhos de Porto Alegre.

Ecossistemas secretos e urbanos

Ecossistemas secretos e urbanos

Imagem: m.rgbimg.com

 

A borda

“O aumento do conhecimento é como uma esfera dilatando-se no espaço: quanto maior a nossa compreensão, maior o nosso contacto com o desconhecido.”
~Blaise Pascal

Hoje começam as aulas de algumas escolas e universidades ao longo do país, e então me inspirei a escrever e dedicar algumas linhas sobre essa fase da vida onde todos já estiveram, estão ou permanecerão por longos anos.

Para os meus ex-colegas, ex-alunos e amigos que estão nessa caminhada que se encontra na borda entre o que sabemos, o que aprendemos e aquilo que nos é obscuro ainda. Acreditem no poder transformador da educação. Semeie a dúvida razoável, a descrença e deixe crescer essa coisa viva, amebóide e autopoética que é a curiosidade. E acima de tudo apreciem a vista, não foquem no cume da montanha (o fim dos estudos) e sim a caminhada que tu percorre até lá. Estejam em suas salas, no pátio, no corredores e na cantina, e não em outro lugar, e falo de suas mentes alinhadas ao seu estar físico.
Boas andarilhagens nesse caminho…

"Sunstitua o medo do desconhecido por curiosidade"

“Substitua o medo do desconhecido por curiosidade”

Imagem da citação de Danny Gokey

O “Big Bang” nosso de cada dia

Uma colega me pergunta sobre uma aplicação do “Big Bang” no nosso dia a dia. Na verdade, uma outra colega que fez a pergunta a ela,  pois  precisava preencher relatórios do seu estágio obrigatório em licenciatura (aquele onde pela primeira vez muitos futuros professores entram numa sala de aula), onde deveria estar descrito um tema a ser trabalhado, nesse caso “A origem do universo”.
Um dos campos de tal documento é: aplicações do conhecimento no dia a dia.

Bom, primeiro, penso cá comigo, qual é a aplicação da teoria do big bang na vida das pessoas?

A origem de todas as coisas

A origem de todas as coisas

Primeiro, enquanto a origem do universo é um fato (estamos aqui, cogitamos e não é um sonho), inferido das observações da sua natureza, a teoria do big bang é o modelo explicativo de tal fato. O termo “Big Bang” foi cunhado por Fred Hoyle, o físico, escritor e cavaleiro da Rainha, em desdém a ideia que tudo se iniciou com uma grande explosão. O que aconteceu não foi uma explosão, mas sim do rápido crescimento cósmico, de um ponto infinitesimal até as proporções atuais, sendo que em seus primeiros segundos, a temperatura era tão quente, que os blocos de matéria (já que matéria não existia) estavam em forma de um gás quente e ionizado, o plasma de quarks primordial. Não podemos falar de um “antes”, já que o tempo surgiu com o big bang, e um “onde”, pois não existiam espaços, onde as coisas estavam distanciadas, assim não existindo “um local” onde se encontrava o tal ponto. Tudo estava uno, e absurdamente quente, e então as dimensões surgiram e as coisas que formariam a matéria (entre eles quarks e átomos leves) foram impelidas, jogadas em todas as direções. Mas existe um “quando”, que aconteceu a ~14 bilhões de anos atrás.
As evidências mais fortes para esse cenário são: as galáxias estão se distanciando. Existe um “rúido” eletromagnético, uma luz muito fraca e bamboleante desse momento hiperquente do universo, conhecida como radiação de fundo ( a estática no rádio e na tv quando se troca de estação) e a abundância de elementos leves como o hidrogênio, que deram origem (e ainda dão) as estrelas e estruturas complexas do cosmo, como os quasares e a mente feminina.
A rede cósmica  que conecta o universo

A rede cósmica que conecta o universo

Agora, voltando a questão que moveu este escriba a voltar a escrever por aqui, qual seria a aplicação desse conhecimento nas nossas vidas?
Penso que (e sei que não estou sozinho) querer saber de onde viemos, de onde tudo surgiu, e para onde vai isso tudo, são alguns dos questionamentos mais importantes e profundos que existem, que ajudam a construir a nossa identidade no mundo, e a ter humildade perante a grandeza das escalas e de tempo da existência. Quando chegamos no mundo não sabemos nada, e ele já está aqui. Existiu  um momento que não existíamos, nossos pais, avós e bisávos não existiam, bom, nada existia, e depois tudo veio a ser, e chegará um momento que nada mais, talvez venha a existir. O que importa é o que fazemos, e o que escolhemos fazer nesse meio tempo, que é a nossa vida. Embora os conhecimentos que a ciência, e a filosofia (afinal, são questões clássicamente filosóficas) não possam nos dizer qual é o nosso papel a ser desempenhado nesse drama cosmogônico, esse conhecimento e forma de raciocinar, nos dá liberdade e poderes para criar um sentido, que é pessoal, mas transferível e que pode ser o de melhorar as nossas vidas, e ser mais legal uns com os outros, já que é efêmero o tempo concedido a nós, e até mesmo chamar para sair aquela pessoa legal que tu ficas curtindo as fotos do facebook, mas não cria coragem para conversar.
Já que estamos fadados a grande expansão cósmica, que tal chamar alguém para sair?

Já que estamos fadados a grande expansão cósmica, que tal chamar alguém para sair?

Coisas que já foram ditas antes, de Buda, Jesus, Lao Tsé e o He-man no final de cada desenho, mas que muita gente esquece. Quiçá, construiremos uma ponte para as estrelas,  pois se o modelo do big bang estiver correto, a matéria existente não seria suficiente para frear a rápida expansão cósmica (sim o universo se expande meus caros amigos, embora o Brooklin não esteja se expandindo) e em um futuro distante,  depois de sermos legais uns com os outros, iremos agregar matéria, utilizando de Engenharia Galáctica para tanto, e diminuir a distância entre nós e as galáxias. Ah sim, isso seria uma aplicação não é mesmo?
Fontes:
http://science.nasa.gov/astrophysics/focus-areas/what-powered-the-big-bang/
http://curious.astro.cornell.edu/question.php?number=71
Imagens:
http://en.wikipedia.org/wiki/Big_Bang
https://blogs.stsci.edu/livio/2012/06/12/from-spider-webs-to-the-cosmic-web/

Sobre o crepúsculo, a anáfase e a sala de aula

Um aluno do sexto ano durante o meu estágio obrigatório para encerrar minha licenciatura em Biologia um dia perguntou, “professor, o que é anáfase?” na qual eu respondi “bom, é uma das fases da divisão celular, onde os cromossomos, que são os agrupamentos de nucleotídeos que formam o DNA, apresentam uma determinada característica”, e daí ele disse “ah bom” e eu emendei “mas ainda falta alguns anos para tu estudar isso na escola, então não precisa se preocupar agora” e então perguntei por que ele queria saber, e ele me disse “é que tem uma parte no Crepúsculo (filme) que o Edward e a Bella estão no laboratório ohando o microscópio e daí eles começam a dizer “anáfase” e eu disse “ah sei, eu vi…”

Jovens...

Jovens…

Mas o que eu estou tentando dizer com esse texto? Primeiro que tanto o meu aluno, quanto o Edward Cullen e a Bella Swan estão a perder tempo, um precioso tempo na era de ouro da juventude, decorando nomes e características que não terão uso algum (sei que isso não é um dos melhores argumentos) ou que irão melhorar a vida deles, ou que farão diferença na vida deles, a não ser um dia quando precisarem responder, provavelmente numa prova da escola, do enem, do vestibular ou da faculdade, as perguntas “o que é anáfase”, ou “em qual fase os cromossomos estão blábláblá”. Isso não é educação! Penso que seria mais importante os alunos, e as pessoas terem ciência que existem coisas chamadas cromossomos, que metade deles recebemos do pai e metade da mãe, que eles se dividem, que permutam e que são únicos, e claro que existem diversas fases dessa divisão, diversas estruturas e nomenclaturas, tamanhos e formas, mas que somente quem estuda isso a fundo, como um estudante de ciências biológicas ou afins que deveria saber tais detalhes. Imaginem quanto tempo seria aproveitado. Educação não é fazer que os alunos decorem um monte de nomes (me sinto o capitão óbvio dizendo isso), para irem bem na prova, para passarem de ano, para fazerem o enem ou o vestibular, para fazer a disciplina de genética, para acertar a pergunta da anáfase na prova, e para se formar e nunca mais ver isso. Voltando a esse dia, eu fiz uma pergunta para esse meu aluno: Já prestou atenção nas coisas que tu tens do teu pai, e da tua mãe? de quem veio teus olhos castanhos, teu cabelo escuro e etc…Daí ele ficou a pensar, e eu disse “essas coisas estão nos teus cromossomos, e por enquanto é tudo o que tu precisas saber”. Claro que essa história de aprendizagem ao longo da vida, e a vida escolar como conhecemos poderia ser diferente. O estudante que foi instigado não a decorar, mas sim a se maravilhar com os fenômenos naturais, a compreender os conceitos, e as relações de causa e efeito, poderia virar futuramente um estudante  de ciências. Esse estudante poderia virar um pesquisador, buscando genes que ocorrem na anáfase e poderia descobrir novos mecanismos, consertar defeitos de replicação e divisão mitótica, assim contribuindo para melhor compreensão de um fenômeno vivo, que ocorre nas entranhas celulares, e quem sabe com isso poderia salvar alguma vida, ou milhões. A dele já estaria salva.

Aprendendo a levar baile de mosca: uma Crônica

Pois vejam bem vocês, queridos leitores. O tal ano que prometidamente seria recheado de posts no blog está ficando meio mofado, enhô. Quanta vergonha, peloamor!

Como forma solene de pedir desculpas, coloco públicas certas imagens não tão satisfatórias destes blogueiros.

Como vocês provavelmente sabem (caso não, voilà!), nós dois trabalhamos com o estudo da relação simbiótica estabelecida e desenvolvida entre Wolbachia, a bactéria manipuladora feminista, e Drosophila, a famosa mosca da fruta. A verdade é que mais trabalhamos com o DNA dos ditos cujos, e o manejo das moscas mesmo se resume a manter a criação semanalmente (isso significa ficar colocando as moscas em meios de cultura novos e dar fermento pra elas ficarem felizes). Relação deveras superficial, diria eu.

Na semana passada, however, tivemos um mini curso teórico-prático de identificação de drosofilídeos aqui na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), onde eu (Natália) desenvolvo meu Mestrado em Genética e Biologia Molecular. O meu Lab na real se chama “Lab de Drosophila”, e eu admito que morria de vergonha (até semana passada! hoho) de não saber praticamente nada sobre a taxonomia e identificação morfológica das bichinhas. Meu caro colega de laboratório, o Lucas, que faz doutorado na Biologia Animal, nos ensinou o basicão, e também nos ajudou a nos sentirmos completos idiotas :P

Explico: para nossa extrema sorte, o grupo de Drosophila que mais trabalhamos (“willistoni”) é composto por 5 espécies crípticas. Isso não é mérito apenas desse grupo, muitos outros drosofilídeos são crípticos. Isso significa que, colocando qualquer mosca do grupo sob uma lupa, vai ser impossível diferenciá-las. Que beleza, hein.

Mas não priemos cânico, meus caros! Basta DISSECAR A MOSCA e verificar a forma do EDEAGO (porção da genitália do macho)!! No caso do grupo willistoni, consegue ser ainda “melhor”: basta ver a forma do HIPÂNDRIO, UMA MINI MEMBRANA LIGADA AO EDEAGO! A resposta para tudo é: senta e chora. Ou melhor, senta e te mata pra dissecar a mosca.

Seguem algumas fotos do sofrimento público pelo qual passamos. Se visualizar a mosca na lupa já é difícil, vocês imaginem ter que decepar a parte final do abdômen da pequena, e ficar catando uma estruturinha minúscula e que tu nem sabe a forma hehehehhe. Uma satisfação!

Uma olha na lupa, o outro fica agourando! :D

Uma olha na lupa, o outro fica agourando! :D

Felipe usando a força da barba pra virar a mosca de "barriga pra cima"

Felipe usando a força da barba pra virar a mosca de “barriga pra cima”

Natália com olhar de desespero

Natália com olhar de desespero

 

 

Após o dramalhão típico, fica a dica: trabalhar com Drosophila é demais! <3

E os fungos…

fungo

“E os fungos eram fungos… Não se assemelhavam a mais ninguém da Terra…”
~ Jun Takami

Não entre em pânico: 15 passos na Redação Científica

Pois vejam vocês, meus caros, que comecei minha vida de mestranda-com-aulas na verdade não bem com uma aula, mas sim um curso (essa história de eu agora ser do time dos mestrandos eu conto em outro post!). Para aqueles que acham que mestrando só estuda, só vou dizer uma coisa: vocês não sabem de nada! :D

Anyway, o que eu tenho pra mostrar pra vocês é extremamente mais satisfatório que minhas semi-lamúrias. Se refere ao fato de meu curso ter sido sobre Redação Científica, com um cara que é simplesmente sensacional, o professor Gilson Volpato, da UNESP. Além de pesquisador, ele já escreveu diversos livros sobre Redação Científica, e mantém este site, que contém um monte de dicas, vídeos… um verdadeiro paraíso para aqueles que, como eu, estão se deparando com a necessidade de escrever um projeto, um artigo, até mesmo uma aula… e não quer cair nas mesmices, quer fazer direito (o que significa fazer exatamente diferente do que aprendemos, na maioria das vezes).

Totalmente impossível conseguir falar sobre tudo que o prof. Gilson nos ensinou mas, para dar uma pitada ÚTIL, aí vai o método dos 15 passos na Redação Científica. A parte em negrito foi copiada da aula do professor. O resto, com o teor mais tosco de sempre, fui eu ¬¬, obviamente inspirada pela aula.

Acredite quando digo que isso aqui vai te ajudar de uma maneira deveras absurda: E não estranhe se a ordem das coisas te parecer meio inversa. Ela é mesmo!

1) Escolha a revista: já começou arrebentando a cabeça do vivente né? Nada mais daquela história de sair inventando coisinha e experimento e depois montar uma colcha de retalhos que não entra nem na Revista Brasileira de Telepatotia.

2) Examine a redação de artigos nessa revista, principalmente os itens de estilo e linguagem. Geralmente as revistas melhores (maior fator de impacto) e menos especializadas (tipo Science e Nature) permitem um linguajar mais despreocupado (e despreocupante), com mais gingado e alegria. Revistas mais especializadas costumam ser mais quadradonas.

3) Junte toda a informação necessária em uma pastinha no computador. Pode parecer que não, mas ter toda a informação já reunida facilita deveras o processo de escrita. Assim se evitam aquelas interrupções típicas (ai caramba deixei esses dados no computador da minha sobrinha, e coisas do tipo). Aliás, falando em interrupções, dar uma isolada da tchurma ajuda bastante também. Foco é a palavra!

4) Siga a sequência lógica. Mas essa é a lógica de verdade minha gente! (inspirado no texto How to write backwords, de Magnusson, 1996). Eu montei o esqueminha abaixo pra simplificar. É uma versão praticamente igual à apresentada no curso. Resumindo: comece pelas conclusões. Melhor ainda se for “a conclusão”. Quanto menos, melhor. Quanto mais sintético, melhor! A conclusão vai servir de guia para escrever o restante da história que tu vai contar, ou seja, ela vai ser a DIREÇÃO. Os resultados, os métodos utilizados e a literatura permeando isso serão as EVIDÊNCIAS apresentadas. A discussão vai ser a parte de ARGUMENTAÇÃO em favor da ideia defendida. Nada de ficar “fofocando resultados” de autores diferentes. Já a introdução vai ser a APRESENTAÇÃO de todo o resto. Ou seja, ficar falando da morte da bezerra, quando não tem nenhuma bezerra na história, é totalmente sem sentido! O resumo? Se não estiver fazendo resumo pra congresso, faça o favor de contar brevemente de que o texto completo trata. Nada de copiar frasesinhas de cada tópico do texto. Por fim, a conclusão também vai ser a melhor amiga do título, ela que vai substanciar o que realmente vale a pena colocar como título de tudo! :)

Esquema da lógica

5) Siga a outline de cada tópico. Esta outline é a sequência de ideias que tu pretende apresentar em cada tópico. Uma planta baixa usada de guia para a construção de uma casa, digamos :D

6) Escreva com suas próprias palavras. Quem montou toda a história foi tu mesmo, né não? (ou ao menos é isso que se espera… isso são outros quinhentos, aliás). Então, o que que custa contar do jeito que te der na telha? Ficar copiando dos outros é totalmente desnecessário e rudimentar. Bota esses neurônios pra funcionar!!

7) Retorne à literatura e substancie o texto. Aqui sim entra a hora de melhorar argumentações, aprofundar as ideias, etc. Afinal, ninguém precisa ter toda uma literatura na cabeça ;)

8) Confira o conteúdo de todo o texto. Hora de checar valores, ver se os dados “batem”, se não trocou vírgula de lugar, se os resultados são aqueles mesmo, se as citações são fidedignas…

9) Cheque todos os aspectos de estilo. Aqui entra um montão de sub-itens. Mas não posso deixar eles de fora… vocês já vão entender

9.1 Lógica Argumentativa:

  • Argumente com base lógica;
  • Apresente conclusões teóricas (generalize);
  • Operacionalize os conceitos investigados;
  • Sustente conclusões com bases empíricas sólidas;
  • Baseie-se no suporte estatístico.

9.2 Estilo científico – redação:

  • Use palavras simples;
  • Seja conciso, sintético (desde que não fira o conteúdo!);
  • Use frases curtas ( o ideal é ter uma ideia em cada frase);
  • Seja claro, não permita dupla interpretação;
  • Não repita informações dentro de cada tópico (Introdução e Discussão são mais livres);
  • Evite digressões, mantenha-se no foco;
  • Não diga… demonstre;
  • Tente não incluir adjetivos não objetivos (“pouco”, “muito”…);
  • Use tempos verbais consistentes;
  • Use palavras exatas;
  • Use voz ativa (um salve pra minha vontade adormecida desde sempre! “não, Natália, tem que escrever na terceira pessoa, MI MI MI”. Eba, nunca mais “conclui-se”, “percebeu-se”!!!);
  • Redija de forma argumentativa, utilizando conjunções;
  • Não use jargões de laboratório (“correr” o gel é a mais comum, fala sério!).

10) Repouse o texto por uma semana, 10 dias… dependendo da possibilidade. Claro que um descanso de 30 minutos pode ter pouco do efeito desejado nesse caso hehe.

11) Reavalie criticamente o texto. Agora tu provavelmente não vai saber exatamente cada linha do texto “de cabeça”, então tua capacidade de ver erros vai estar maior. ;)

12) Peça crítica de colegas, preferencialmente pessoas de fora do grupo do artigo. Ah, e de preferência pessoas inteligentes! (palavras do Gilson! hahahah)

13) Faça os ajustes finais.

14) Coloque nas normas da revistaEssa parte é chata demais e não interfere na escrita. Então, deixa pra agora!

15) Submeta imediatamente. Cientista deve ser empreendedor. E empreendedor não fica olhando pra trás. Sendo assim, manda logo!!!

Não sei vocês, mas eu fiquei muito mais animada pra escrever meu vindouro projeto de mestrado, e o que dele vier depois :)

E a melhor coisa de tudo isso é que, melhorando nossa escrita, melhoraremos o nível das nossas publicações, e isso vai ajudar a alavancar a pesquisa no Brasil pra algo mais útil. Não útil no sentido maquineísta, mas no sentido de permitir o debate e a troca de experiências com outras instituições e outros setores da sociedade. Fazer ciência de verdade, after all!

cliches

Não precisa compartimentar tanto, mas né…

Contaminações paralelas e horizontais…

Um dos grandes temas unificadores deste blogue é a simbiose e a transferência horizontal de genes. Talvez devido ao fato dos dois autores trabalharem, respirarem e se divertirem com isto, pois vai dizer que vocês também não acham um dos temas mais maneiros da biologia, e um dos fenômenos mais instigantes a ocorrer na vida na terra? Agora, abusando de analogias e metáforas, e roubando o termo da biologia, também, estes dois autores “contaminam” horizontalmente e constroem simbioses em outros projetos ligados a divulgação da ciência, informação e outras coisas não tão relacionadas (mas que consideramos maneiras também), e um dos projetos é o Podcast “Dragões de Garagem”, leia quem são os autores aqui.

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A ideia geral é falar de um modo descontraído sobre ciência e suas lateralizações, mas respeitando o rigor científico. Este que vos escreve já participou do primeiro episódio sobre carreira acadêmica (dando dicas de sobrevivência como onde comer de graça, onde dormir, com quem pegar carona) e do episódio 4, que o tema foi, adivinhem:Simbiose! com a participação mais que “satisfatória” da co-autora deste blog, Natália.

Além de participar do podcast, também mantenho um TUMBLR, o “A mosca e o jarro”, onde compartilho imagens sobre ciência, quadrinhos, filmes e outras estranhezas e bonitezas, como as que ilustram esse post…Das contaminações podem surgir coisas interessantes, e jamais esperadas, ou somente coisas maneiras mesmo…Aproveitem, contaminem e sejam contaminados também.

Ilustração Xenobiológica de Wayne Barlowe

Ilustração Xenobiológica de Wayne Barlowe

Tygra bem elegante para a festa

Tygra bem elegante para a festa

Necator americanus. Hookworm. Verme gancho… te engole por dentro.

Necator americanus. Hookworm. Verme gancho… te engole por dentro.

Hal Jordan, o Lanterna verde do setor 2814.1.

Hal Jordan, o Lanterna verde do setor 2814.1.

Mais informações em:

http://dragoesdegaragem.com/

http://www.facebook.com/dragoesdegaragem

http://amoscaeojarro.tumblr.com/

 

 

Micróbios adquiridos: meio planta e tipo bicho!

Monstruosidades incríveis encontramos no reino das coisas vivas, que rastejam, nadam, perambulam e flutuam por este pálido ponto azul…Veja isso, aqui nós temos um singelo (aparentemente)  Protista nomeado de Hatena arenicola (em japonês=
 estranho).

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Ele fica ali, cuidando dos seus próprios negócios, indo com as marés e fazendo sua refeição de outros menores, até que uma destas refeições ele ingere uma alga verde, então notamos algo destoante, um pequeno ponto esverdeado na parte rostral da Hatena. Bom, esse ponto verde é uma alga sobrevivente da digestão, do gênero Nephroselmis que rouba a luz solar e utiliza a energia dos fótons para quebrar compostos e construir novos como a sua matéria orgânica e outros doces bioquímicos, dividindo tais produtos com o seu captor, a Hatena

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Eis mais um exemplo de endossimbiose em ação, organismos diferentes vivendo juntos, onde seus destinos estão intimamente entrelaçados na indiferente, sedutora e inescapável teia  da vida. Mas a música não pará por aqui. Quando a Hatena se divide, para dar origem a novos indivíduos (sua reprodução) um de seus “herdeiros” permanece com a Nephroselmis fotossíntetizante enquanto o outro fica sem sua fábrica verde de energia, e, vejam só, não somente vive muito bem, como desenvolve um aparato de captura de alimento, voltando ao estado heterótrofo (comendo outros), ao contrario do seu irmão que permanece um autótrofo (comendo a luz).

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Assim cada um segue sua vidinha preciosa, a cuidar dos seus próprios negócios, como se nada tivesse acontecido, até que o demônio nietzschiano do eterno retorno instiga a Hatena heterótrofa a comer mais saladas de Nephroselmis...

Referências:

Okamoto, N. & Inouye, I. A secondary symbiosis in progress? Science310, 287 (2005).

http://blogs.scientificamerican.com/lab-rat/2012/01/22/half-plant-half-predator-all-weird/

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