>Surprising Louse

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Personagens 🙂
Um: atrópode normalmente exaltado por um expressivo “ai, que nojo”. Mais comum em zonas com pouco acesso a condições mínimas de higiene e saneamento básico. Sim, o piolho. Não aquele da cabeça, um dos outros, o corporal: Pediculus humanus corporis.
Outro: mtDNA, o DNA mitocondrial. Conhecidamente (pelo menos nas mais de 1500 espécies que já tiveram seu mtDNA sequenciado) um único cromossomo circular possuido
r de cerca de 37 genes associados, em sua maioria, ao funcionamento da mitocôndria. Herança unicamente materna.
Em que história tais personagens se cruzam? Bom, isso na verdade não ficou muito criativo, então vocês já devem saber.

Renfu Shao e colaboradores, da Universidade de Queensland, na Austrália, fizeram uma descoberta bastante curiosa: o tal piolho que eu falei antes, aquele da coceira, sabe? Pois é, sabe quantos mtDNA ele tem? 18. Isso aí! Esse pequenino animal possui 18 mini- mtDNAs, com cerca de 3 a 4 kb cada um. E os tais genes mitocondriais, que normalmente estariam no único cromossomo, estão divididos entre esses 18.

Mas por que, afinal? Qual seria a vantagem evolutiva disso? Uma coisa é certa: como o DNA mitocondrial (assim como o procarioto) faz a replicação e transcrição de todos os seus genes de uma vez só, estando partes deste DNA separados e replicando e sendo transcritos ao mesmo tempo, a eficiência final dos processos seria muito maior.

Mas o romance não é assim tão simples. Com esses processos individuais, cada um dos 18 mini-mtDNAs necessita ter uma origem de replicação também individual. Isso seria gasto energético maior.
Shao então comenta que a evolução dessa parafernalha toda não foi de uma hora para outra. Provavelmente esses mtDNAs foram gerados a partir de uma série de eventos de excisão e união de fragmentos (no caso, foram alguns genes mais uma região controladora não codificante) do mtDNA original durante um período bem longo de anos. Então, o fragmento formado deve ter “funcionado melhor” do que a região correspondente no mtDNA original, e a região redundante no cromossomo grandão deve ter sido deletada. E assim se seguiram os eventos até os 18 anões atuais.
Ainda é especulativo como o piolho “faz” funcionar a maquinaria fisiológica de manejo de tantos cromossomos pequenos, mas o mistério, se depender desta equipe “shaolistica”, será desvendado em breve. O que eles garantem é que, independente do que for (custos, gastos energéticos e dificuldade para evitar erros), o sistema tem funcionado, já que o piolho ainda existe!

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