>O quarto Domínio da Vida

>Sobre o artigo da equipe de Jonathan Eisen da UC Davis sobre evidências de um quarto Domínio da Vida. (aqui uma nota explicativa bem detalhada no blog do Biólogo Evolutivo Jonathan Einsen, autor do artigo.) As evidências vieram das amostras do projeto de Craig Venter que procura coletar água do mar, em seu iate, para posteriormente realizar análises metagenômicas com os organismos encontrados, utilizando marcadores moleculares como as subunidades de ARN.

(Bacon, Lettuce, and Tomato, a convergência “maneira” ou algo do tipo)

O que foi encontrado, ao construir árvores filogenéticas destes organismos, foi um padrão de ramificação “novo” que dá a idéia de que alguns vírus gigantes, como o Mimivirus e outros, possam representar este 4° Domínio da vida. Traz a tona a velha questão, que pensei estar encerrada, de estas entidades genéticas serem “vivas” ou não…

Carl Zimmer no blog “The Loom” discute a respeito deste artigo também.

Referências:

Wu D, Wu M, Halpern A, Rusch DB, Yooseph S, et al. 2011 Stalking the Fourth Domain in Metagenomic Data: Searching for, Discovering, and Interpreting Novel, Deep Branches in Marker Gene Phylogenetic Trees. PLoS ONE 6(3): e18011. doi:10.1371/journal.pone.0018011

Imagem: Abstruse goose

>As chuvas de abril em Titã…

>ResearchBlogging.org

No momento que escrevo este texto, chove na noite de Porto Alegre… Lá em Titã, a segunda maior exolua do nosso sistema solar, um dos satélites naturais do deslumbrante planeta Saturno, aquele exibido com seus anéis, também está chovendo. Uma chuva alienígena, escura e densa, mas que a boniteza deste fenômeno, antes único no nosso sistema solar, o ciclo de chuvas, algo tão vulgar e comum em muitas regiões aqui na Terra, não passe despercebido por nós…

Nuvens equatoriais em Titã.

O clima em Titã é similar ao da Terra, há ventos intensos que ajudam a moldar a sua superfície, formando dunas, lagos, rios, e talvez até oceanos de metano ou etano. Aparentemente há estações definidas em Titã, cada uma durando em torno de 7 anos terrestres.

Comparação de tamanho entre a Terra, Titã e a nossa Lua.

Em artigo publicado ontem na revista Science, E.P Turtle et al. reportam a ocorrência do início de temporada das chuvas e teorizam a respeito do sistema atmosférico de precipitação comparado com o da Terra.

“Padrão simplificado de circulação da atmosfera e os padrões de precipitação em Titã e da Terra. A maior parte da precipitação ocorre na ZCIT (Zona de convergência intertropical), onde o ar sobe como resultado da convergência dos ventos de superfície das direções norte e sul. A ZCIT Titã era anteriormente perto do pólo sul (A), mas está atualmente em seu caminho para o pólo norte (B). A migração sazonal da ZCIT na Terra é muito menor (C e D).
No dia 8 de Julho de 2009, a sonda Cassini observou a reflexão especular do Sol, no espectro do infravermelho de um dos lagos desta Lua, o Jingpo Lacus, que existe na região polar de Titã, logo após esta área emergir de 15 anos da escuridão invernal…
Penso num futuro distante, onde os alienígenas na praia seremos nós, debaixo de nuvens chuvosas, a lembrar de forma saudosa da chuva de início de outono de Porto Alegre (ou qualquer outra cidade) na Terra, e quem sabe navegar em tais lagos e oceanos…

…all I ask is a tall ship and a star to steer her by. John Masefield (1878-1967).

Referências:

LUNINE, J., STEVENSON, D., & YUNG, Y. (1983). Ethane Ocean on Titan Science, 222 (4629), 1229-1230 DOI: 10.1126/science.222.4629.1229

E. P. Turtle et Al. (2011). Rapid and Extensive Surface Changes Near Titan’s Equator: Evidence of April Showers. Science. 18 March 2011: 331 (6023), 14141417. [DOI:10.1126/science.1201063]

Sciencenow

Página da Wikipédia sobre Titã

Poema “Sea fever” de John Masefield

À respeito da ultima postagem sobre as supostas bactérias extraterrestres, uma pequena matéria e entrevista sobre o fechamento do laboratório de Astrobiologia da Universidade de Cardiff na Inglaterra, onde o diretor era o físico Chandra Wickramasinghe, um dos resenhistas do polêmico artigo e editor da revista onde ele foi publicado, mais infos. em breve…

>Sobre bactérias alienígenas…

>

Tomei conhecimento através do “Gene Repórter” do Roberto Takata sobre o artigo do pesquisador da NASA/Marshall Space Flight Center, Richard B. Hoover publicado on-line e de acesso livre no “Journal of Cosmology”, sobre a descoberta de estruturas nos meteoritos Alais, Ivuna e Orgueil CI1 , que possuem semelhança com uma uma bactéria gigante, a Titanospirillum velox e diversos outros microorganismos “espiralados”.

Comparação entre os supostos microfósseis de Hoover e a bactéria Titanospirillum velox.

Se a descoberta fosse da área da palentologia, seria algo usual, mas a conclusão de Hoover vai muito além, pois ele alega que os microfósseis sao indígenos do meteorito, e não representam uma contaminação de organismos terráqueos atuais ou extintos… Encurtando a história, a conclusão do artigo é que estas estruturas representam entidades biológicas extraterrestres que pegaram carona no meteorito, possivelmente de uma exolua, ou de outros planetas!, Baseado em fotografias por métodos avançados e sensíveis (microscopia eletrônica) e por comparação com organismos como a já citada bacteria sulfurosa, das estruturas para reprodução, fixação de nitrogênio e outras atividades metabólicas de microorganismos conhecidos.

Ilustração belíssima da Titanospirillum velox.

Realmente, nao tenho “expertise” suficiente para julgar, mas a máxima de Carl Sagan, talvez seja a forma mais simples de expressar em poucas palavras como funciona o método científico: “Alegações extraordinárias requerem evidências extraórdinárias”, frase que já virou um “meme” ou um mantra de como os cientistas testam, validam ou refutam suas hipóteses.
Alem das estruturas alienígenas, (e de fato são) varios compostos orgânicos como hidrocarbonetos e aminoácidos foram detectados nos meteoritos, todos apontando uma origem extraterrena (e mais uma vez, penso que ainda é cedo para concluir a respeito dos microfósseis)… Entre os dias 7 e 10 de março comentários a respeito do artigo irão ser postados no site da revista.

Uma das metas da NASA e da ESA (agência espacial européia) é futuramente aterrissar em Europa, uma das luas de Júpiter e coletar amostrar do suposto oceano líquido ou congelado, e averiguar se existem assinaturas biológicas nestes lugares alienígenas. Só assim para confirmar a hipótese de vida fora da Terra, se realmente tivermos acesso a tais organismos hipotéticos…Uma idéia interessante sugerida no artigo é a respeito das colorações na superfície da lua Europa, que poderiam ser em decorrência da atividade biológica alienígena, como alguns microorganismos fazem aqui na Terra, o exemplo da “neve de melancia” causada pelo Protista Chlamydomonas nivalis.

“Neve de melancia”.

Referências:
Gene Reportér

Journal of Cosmology

“Titanospirillum velox: A huge, speedy, sulfur-storing spirillum from Ebro Delta microbial mats.”PNAS.

Imagens:

Journal of Cosmology
Eco-time
Palomar
Nasa.gov

>O Guia do Mochileiro dos Genomas

>ResearchBlogging.org

Solidão. Ou é momentânea, ou ilusória. Nunca estamos sozinhos. Dentro de nós existem mais bactérias que gotas da água num dia chuvoso de verão. Algumas nos acompanham do nascimento até o funeral, outras vamos adquirindo através da comida, da respiração e do toque de outra pele… Para o bem e para o mal, convivemos com elas. Algumas são organismos caroneiros, no melhor estilo “On the Road” do escritor Beat, Jack Kerouac. E talvez, a mochileira oficial na estrada da história da vida na Terra é a espécie Wolbachia pipientis, uma Rickettsiacea.
Uma célula de inseto hospedando algumas Wolbachias (os círculos). A dominatrix da Biosfera

Uma bactéria endossimbionte obrigatória, ou seja que não é possível cultivá-la ou a remover de seu hospedeiro sem causar alguma alteração fisiológica no mesmo. Extremamente sexista (se as feministas fossem escolher algum mascote seria esta a ideal) onde na sua presença a proporção de machos e fêmeas é alterada (normalmente fica em torno de 50%) e ainda são mestras na manipulação sexual do hospedeiro. Elas pegam carona nos óvulos das fêmeas, assim sendo transmitidas a sua prole.

Wolbachia está em seus óvulos, matando os seus machos!

Os principais efeitos no hospedeiro são: morte dos machos na prole, partenogênese (quando não há necessidade de fusão de gametas do sexo oposto), ou seja o animal teria somente uma mãe e nenhum pai, transformação de machos em fêmeas e incompatibilidade citoplasmática (quando uma estirpe, um tipo de bactéria da fêmea não é compatível com a estirpe do macho) o que leva a morte de praticamente toda a prole do acasalamento.

É o parasita mais bem sucedido de toda a biosfera, praticamente 70% dos invertebrados possuem Wolbachias em seus corpos, de moscas da fruta, aranhas, escorpiões, crustáceos, borboletas e alguns vermes nematóides, o que nos traz um paradoxo, pois se ela altera tanto a “sexualidade” dos seus hospedeiros, causando um genocídio de machos, por que esta relação simbiótica é tão persistente?

Algumas das manipulações na fecundação entre seus hospedeiros.

Bom, foi descoberto que em algumas espécies de Drosophilas (as moscas da frutas) que estas estão protegidas contra alguns vírus de RNA, na presença destes endossimbiontes, o que torna “incerto” o conceito de parasitismo e mutualismo, não sendo algo eternamente estático, mas sim um conceito que possui uma certa plasticidade.
Não bastasse elas pegarem carona nos ovos e filhotes de outros organismos, existe a evidência dramática, onde em pelo menos uma espécie da mosca hawaiana Drosophila ananassae, possui o genoma inteiro da Wolbachia, praticamente 1 milhão de pares de bases, incrustado em seu cromossomo 2, além de pedaços de outros genes da bactéria nos genomas de vespas, besouros e nematóides através da transferência horizontal gênica. Melhor carona que esta é impossível!
Alguns teóricos especulam que a Wolbachia poderia dar origem a uma nova organela, da mesma forma que a mitocôndria e o cloroplasto surgiram na teia da vida, mas num futuro distante…

A flecha indica o genoma da wolbachia em verde, no cromossomo politênico de Drosophila.

Agora imagine se existisse algum organismo que assume o controle da vida sexual dos seres humanos, e manipulasse a razão macho/fêmea dando ênfase ao nascimento somente de mulheres! Um tema abordado na HQ “Y o último homem”, isso se sobrassem homens para deslumbrar tal mundo… Mas deixaremos estas últimas palavras para os escritores de ficção científica…

Referências:

Zimmer, C. (2001). Wolbachia: A Tale of Sex and Survival Science, 292 (5519), 1093-1095 DOI: 10.1126/science.292.5519.1093

Teixeira, L., Ferreira, �., & Ashburner, M. (2008). The Bacterial Symbiont Wolbachia Induces Resistance to RNA Viral Infections in Drosophila melanogaster PLoS Biology, 6 (12) DOI: 10.1371/journal.pbio.1000002

Hotopp, J., Clark, M., Oliveira, D., Foster, J., Fischer, P., Torres, M., Giebel, J., Kumar, N., Ishmael, N., Wang, S., Ingram, J., Nene, R., Shepard, J., Tomkins, J., Richards, S., Spiro, D., Ghedin, E., Slatko, B., Tettelin, H., & Werren, J. (2007). Widespread Lateral Gene Transfer from Intracellular Bacteria to Multicellular Eukaryotes Science, 317 (5845), 1753-1756 DOI: 10.1126/science.1142490

Imagens: infelizmente perdi as referências de algumas…

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