>O dia que vi Burguess Shale

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Domingo de chuva forte em Viena, e de um frio descomunal para o que temos como padrão de “verão”. Como nos domingos praticamente toda a cidade dorme, uma das poucas opções de programação são os museus. Não que isso seja algo ruim, obviamente! Viena é encrustada de museus dos mais variados assuntos, tem até o chamado “Museums Quartier”, que reúne diversos museus menores em um prédio enorme e circular.
Sem mais delongas, nem preciso dizer que o museu que eu estava mais animada para visitar era o Museu de História Natural, que ouvi falar ser um dos mais antigos e belos do mundo. Esse Museu fica em um dos prédios gêmeos de uma enorme praça no centro de Viena. O outro prédio (que é exatamente igual!!!) é o Museu de Artes, e que certamente receberá minha pessoa em um outro dia.
Como vocês podem imaginar, o museu em sí já é uma coisa absurdamente linda. O teto, e as paredes são decorados lindamente, a atmosfera é agradável e convidativa, e, pelo menos quando eu fui, não tinha aqueles grupos gigantescos de pessoas barulhentas atrapalhando.
Bom, o passeio padrão no Museu se dá acompanhando a História da Vida mesmo. Tem seções só com rochas (ai, não gosto de Geologia, mas pra quem gosta, seria lindo!!), outra com meteoritos, por exemplo…
Mas quando cheguei na Seção de Fósseis foi que meu fôlego saiu correndo pela janela e demorou deveras pra voltar. Passando pelas mesas expositórias, eis que vejo as palavras EDIACARA e BURGUESS SHALE. Pensei: “não acreditoooooo!!!”. Lembram do meu primeiro post aqui, sobre a Explosão Cambriana? Bom, os fósseis de Ediacara (Austrália) são provenientes de antes do Cambriano, e apresentavam uma morfologia simples. Eu tirei essa foto abaixo que mostra fósseis de Ediacara (a foto ficou péssima, porque foi tirada com celular, mas usem a imaginação hehe).

Como se não bastasse isso, tinha representantes de Burguess Shale (Colúmbia Britânica, Canadá) também! Como eu expliquei naquele post mais antigo, essa fauna é de pleno Cambriano, e a diversidade de morfologias chega a ser assustadora. Tirei foto de um deles, esse simpático Anomalocaris. Esse nome significa “camarão estranho”, e não é para menos!!! Dêem uma procurada no Google Imagens (por algum motivo não estou conseguindo copiar uma imagem de lá, péssimo) e curtam as representações do que seria esse queridão em 3D (tá, sem definições disso agora, por favor, estou só me referindo à forma dele com todas as ondulações e curvaturas possíveis).
E lá estava a Natália, parecendo uma criança em loja de doces, tentando abraçar o as vitrines, com o nariz enfiado no vidro pra ver melhor os fósseis. Enquanto isso, meus dois amigos que foram junto comigo (Anna e Kaya), que estudam Biologia Molecular na faculdade (eles não vêem nada de evolução, fósseis e essas coisas bonitas) ficavam olhando para mim com um semblante preocupado, e aproveitavam para tirar fotos das paredes esperando que eu fosse me recuperar do choque.
Bom, digo para vocês que o Museu poderia ter sido todo péssimo, mas ter a oportunidade de ver esses fósseis AO VIVO já teria valido à pena. Claro que não foi esse o caso, o Museu é um arraso, tem coleções lindíssimas (mais de 20 milhões de espécimes, sendo cerca de 10% disponível para visitação).
Fizemos um tour guiado pelo museu, e daí ficamos sabendo, por exemplo, que o prédio foi desenhado especialmente para ser um museu (o que é difícil de acreditar, parece impossível que ele não tenha sido um castelo once upon a time), e que as coleções estão distribuídas em diversos locais da Áustria, onde equipes enormes de pesquisadores estudam o vasto repertório de biodiversidade que eles tem à disposição.
Anyway, qualquer pessoa que um dia visitar Viena, eu digo com firmeza: visite esse museu, vale muito a pena!!!! Abaixo eu coloco mais algumas fotos do interior do museu, inclusive de uma das exposições especiais que estava em tela, sobre Parasitas, que eu curti deveras!!!

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