Quando Woody Allen flertou com a Física

Não sei vocês, mas eu sou muito entusiasta do Woody Allen (aliás, sabiam que o nome verdadeiro dele é Allan Stewart Königsberg? totalmente compreensível a escolha do nome artístico, convenhamos). Não sou muito chegada em filmes de comédia (pastelão então, eu durmo!), mas os dele são simplesmente ótimos. Aquele humor meio auto-depreciativo, super irônico e inteligente te faz reconhecer frases de Woody Allen à distância.

Como não achar Woody Allen um senhorzinho simpático?

Não podem imaginar então minha satisfação ao encontrar esse texto dele, “Zero Gravity”, no site da Sociedade Americana de Física. É um texto “antigo”, de 2003, mas eu me deliciei com o flerte dele com diversos conceitos da física e da astronomia. Abaixo eu traduzi livremente parte desse texto. Acho que quem gosta de Woody Allen, quem gosta de física, e quem não gosta de nenhum desses, mas até acha graça de uma comédia, vai achar que vale a pena a leitura 😉

“Foi neste momento que nossa nova secretária, Srta. Lola Kelly, entrou na sala. Agora, no debate acerca de se tudo é feito de partículas ou ondas, Srta Kelly definitivamente é do time das ondas. Você pode perceber que ela é do time das ondas toda vez que ela vai até o bebedouro. Não que ela não tenha boas partículas, mas são suas ondas que a fazem conseguir aquelas joias da Tiffany.  Minha esposa também é mais ondas que partículas, o único detalhe é que as ondas dela aparentemente começaram a ceder um pouco. Ou talvez o problema seja que minha mulher tem muitos quarks. A verdade é que ultimamente ela parece como que se tivesse passado muito perto de um horizonte de um buraco negro, e uma parte dela (talvez toda ela?) tenha sido sugada por ele. Isso deu a ela uma forma meio engraçada, que eu espero que possa ser concertada por fusão a frio. Meu conselho pra qualquer pessoa sempre foi o de evitar buracos negros porque, uma vez dentro deles, é realmente difícil sair e ainda conservar seu ouvido para música. Porém se você por acaso realmente cair dentro de um buraco negro e emergir do outro lado, você provavelmente vai viver toda sua vida uma e outra vez novamente, mas ficará comprimido demais para sair e encontrar garotas.

Então eu me aproximei do campo gravitacional da Srta. Kelly, e pude sentir minhas cordas vibrando. Tudo que eu queria era enrolar meus bósons ao redor dos glúons dela, deslizar através de um buraco de minhoca, e fazer um pouco de tunelamento quântico. Porém, foi neste momento que eu fui rendido pelo princípio da incerteza de Heisenberg. Como eu poderia agir, sem conseguir determinar a exata posição e velocidade dela? E se eu, do nada, causasse uma singularidade? Isso é, uma ruptura devastadora no espaço-tempo? Elas são tão barulhentas… Todo mundo iria olhar para nós, e eu ficaria muito envergonhado em frente à Srta. Kelly.

Ah, mas aquela mulher tinha uma energia escura tão boa! Energia escura, apesar de hipotética, sempre foi um tesão para mim, principalmente se for em uma mulher com sobremordida. Eu comecei a fantasiar que, se eu pudesse ao menos levar ela para dentro de um acelerador de partículas por 5 minutos com uma garrafa de Chateau Lafite! Eu estaria parado ao lado dela, com nossos quanta se aproximando à velocidade da luz, com o núcleo dela colidindo com o meu. Claro que, justamente nesse momento um pedaço de antimatéria caiu no meu olho, e eu tive que arranjar um cotonete para tirar ele. Eu tinha tudo, mas perdi as esperanças quando ela se virou para mim e disse:

“Desculpe, eu estava indo encomendar um café, mas agora parece que não consigo me lembrar da equação de Schrödinger. Não é uma bobice minha? Simplesmente me fugiu da cabeça!”.

“A evolução de ondas de probabilidade”, eu disse, “e se você está encomendando, eu adoraria um muffin inglês com múons e chá.”

“Será um prazer”, ela disse, sorrindo e se encurvando em uma forma de Calabi-Yau. Eu pude sentir minha constante invadir o campo fraco dela quando eu pressionei meus lábios nos neutrinos dela. Aparentemente eu alcancei algum tipo de fissão, porque a próxima coisa que percebi foi que eu estava me levantando do chão com um camundongo no meu olho, do tamanho de uma supernova.

Claro que qualquer texto fica melhor em sua língua original, mas né… esse cara é realmente genial! Aliás, esse texto me lembrou de outro flerte dele com o mundo da ciência, o filme “Wathever Works” (Tudo Pode Dar Certo), que conta a história de um ex-professor de Mecânica Quântica da Universidade de Columbia, Boris Yellnikoff, que virou o professor de xadrez mais insuportável e hipocondríaco do universo (pelo menos do universo dele, em Nova Iorque), e acaba se vendo envolvido com uma jovem garota, obviamente passando pelas mais bizarras confusões. Eu achei bem satisfatório, recomendo!

O querido e rabugento Boris, de Whatever Works

 

8 Mitos sobre Cientistas

Não pude deixar de compartilhar com os caríssimos e amigos leitores da Crônica das Moscas estes oito mitos sobre cientistas, que encontrei no Tumblr The Mighty Ribozyme (originalmente publicado na ScienceMag por Adam Rubben). Duvido não perceberem uma identificação tremenda imediatamente! OBS: Adicionei algumas observações pessoais em itálico 😉

Divirtam-se!

Cabelos grisalhos e arrepiados são praticamente mandatórios

Mito #1: Cientistas frequentemente fazem importantes descobertas

Realidade: descobertas científicas são agonizantemente lentas (e não raramente surgem sem planejamentos). “A única vez que eu corri pelado pelas ruas gritando ‘eureka!!’ foi quando eu esqueci de reabastecer meu frasco de medicamentos.”

 

Mito #2: Cientistas trabalham isoladamente

Realidade: Cientistas são mais orgulhosos de estabelecerem colaborações do que de seus resultados. A maioria dos discursos científicos terminam com um slide listando todos os colaboradores, como pequenas medalhas de honra – e quanto menos similar for o campo de estudo do colaborador, mais orgulhoso fica o cientista: “pois é, eu até posso ter descoberto a cura da tuberculose”, um cientista irá dizer, “mas com o que eu fiquei mais animado é esta nova colaboração um poeta islandês!!”.

 

Mito #3: Cientistas possuem habilidades úteis

Realidade: Cientistas possuem habilidades úteis no laboratório (e nem isso é regra! quem nunca teve um colega COF COF que quebrava toda vidraria, estragava as cubas de eletroforese ou deixava cair reagentes no chão?). Porém, você nunca deveria permitir que um físico providencie a fiação da sua casa (ou deixar um decorar seu apartamento… provavelmente vai ser tomado por miniaturas de bonecos de Star Wars e banners de Star Trek, fora umas toalhas aleatórias, para parecer muito inspirado pelo Mochileiro das Galáxias).

 

Mito #4: Cientistas seguem o método científico como ele foi ensinado no ensino médio: Observação, Questionamento, Pesquisa, Hipótese, Experimento, Conclusão.  

Realidade: A forma que os cientistas trabalham se parece mais com isso: Mexericar, Encontrar Algo Estranho, Repetir o Teste, Não Acontece uma Segunda Vez, Se Distrai Tentando Fazer com que Aconteça Novamente, Ir para o Chipotle (substituível por tomar muitos litros de café encarando a parede, ou o Twitter, ou a janela mesmo), Relembrar o Propósito Inicial da sua Pesquisa, Recomeçar, Submeter Pedido de Financiamento para um Melhor Instrumento (faltou dizer que manda os alunos da graduação e pós graduação fazerem isso), Publicar Alguma “Babaquice” Provisória, Perceber que Alguém já Tinha Publicado Babaquice Semelhante Antes, Ter Crise Existencial e Descontar nos Orientados, Levar o seu Laboratório para uma Nova Direção, Submeter Pedido de Financiamento para esta Nova Direção, Colaborar com um Poeta Islandês, Comer Chipotle com um Poeta Islandês (acho que poetas islandeses devem gostar de café também, nada como uma companhia pra encarar a parede!), Co-escrever um Ode Cientificamente Acurado sobre as Morsas, Se Interessar por Algo Não Relacionado, Solicitar Financiamento para Algo Não Relacionado, Perceber que Já se Passaram 20 Anos.

Método científico, oi?

 

Mito #5: Experimentos sempre rendem dados que ensinam ou revelam alguma coisa. 

Realidade: Digamos que você está fazendo um experimento com cinco camundongos. Estes camundongos se tornarão amarelos ou azuis. Então você entra no laboratório, esperando ver cinco camundongos amarelos, o que apontará para uma explicação, ou cinco camundongos azuis, o que apontará para a outra. Ao invés disso, você verá um camundongo amarelo, um verde, um listrado, um xadrez (morto), e outro que, de alguma forma, costurou para si próprio uma jaquetinha azul, apesar de ele não curtir usá-la o tempo todo (provavelmente este camundongo criou a habilidade de fazer risos irônicos também, mas isso fica meio complexo de explicar assim, do nada).

 

Mito #6: Uma tragédia pessoal pode tornar um cientista maldoso.

Realidade: Poucos cientistas são legitimamente maldosos, apesar de este número aumentar se você pedir para alunos de pós-graduação caracterizarem seus orientadores (por “tragédia pessoal”, leia-se a não aprovação de um requerimento de financiamento para projeto, ou um artigo rejeitado). Além disso, é realmente difícil ser verdadeiramente mau quando você não tem nenhuma habilidade prática (se bem que uma pipeta de vidro poderia fazer um bom estrago… fora os perigos de um laboratório de histologia!).

 

Mito #7: Um cientista pode ser proficiente em todos os ramos da ciência. 

Verdade: Qual era exatamente a disciplina em que o professor de “A Ilha dos Birutas” era especializado? Química? Engenharia Mecânica?  Construção de transistor baseada em cocos?  Qualquer fosse o momento que um problema precisasse de solução, o professor sabia exatamente o que fazer. Aquele cara podia fazer qualquer coisa. Exceto um barco. Pessoas não muito familiarizadas com ciência (e mesmo as familiarizadas grrr) acreditam que cientistas podem dominar qualquer assunto. É por isso que volta e meia nos perguntam acerca de nossas opiniões sobre novidades científicas, às quais simplesmente respondemos “humpf, pois é, veja bem, eu sei que sou filogeneticista molecular, e que sua história era sobre filogenia molecular, mas, errrrr, eu sou um tipo diferente de filogeneticista molecular” (situações mais corriqueiras seriam algo como “VOCÊ QUE É BIÓLOGO, o que é essa plantinha que está crescendo na rachadura do meu muro? hein hein?”, ao que o cientista responde “pois é, eu trabalho na verdade com ecologia de peixes bentônicos…eu não sei o que é sua plantinha”. Obviamente a réplica seria “mas você não deveria saber de todas essas coisas biológicas??”).

 

Mito #8: Cientistas não são sexies 

Verdade: Cientistas são, sim, muito sexies! Não apenas nossos jalecos nos fazem parecer mais elegantes e charmosos (se limpos então, fica um chuchu de lindo!), como estes mesmo jalecos ficam ainda melhores posicionados sobre uma lâmpada enquanto te conquisto por completo (clima romântico!).

Alguém duvida do poder de sedução do dr. Tesla?

Só pra esclarecer, este post tem caráter totalmente humorístico 😉

Original do TUMBLR The Mighty Ribozyme

A nebulosa “Elmo de Thor”

A nebulosa NGC 2359 conhecida popularmente como “Elmo de Thor”,  teve sua imagem destacada essa semana utilizando o telescópio Isacc Newton, e aproveitando o lançamento do filme “Os Vingadores” dá a sua graça aqui por este blog que também aprecia as coisas bonitas e cósmicas dessa existência. Esta estrutura nebular tem em seu núcleo uma estrela Wolf-Rayet, que são estrelas supermassivas (em torno de 20 massas solares) que perdem sua massa através de violentos ventos solares com velocidades superiores a 2000 km/s. Cercada por uma gigantesca nuvem molecular, se encontra na constelação Canis Major (Cão Maior). Ela recebeu este nome devido a semelhança com o adereço utilizado pelo Deus Nórdico do trovão e já consagrado super-herói Marvel.

Fonte: Isaac Newton Group of Telescopes

No fundo, todo mundo é organizado

É amigo, mesmo que no teu quarto toalhas molhadas tenham tomado o lugar dos tapetes, e papeis velhos estejam cobrindo tua mesa de trabalho, bem no fundo tu não terias como negar tua natureza organizadíssima. Duvidou? Pois faça-me o favor, então, de ficar mais por dentro da trabalheira que teu querido DNA tem para se manter todo bonito e empacotadinho dentro do núcleo de tuas células. Organização é apelido pr’aquela aula de origami de ordem microscópica. 😀

Nada como um ambiente de trabalho saudável e limpinho

Comecemos por partes: se a dupla hélice de todos os 46 cromossomos de uma célula humana pudesse ser esticada de ponta a ponta, ela teria aproximadamente 2 metros de comprimento! Entretanto, o núcleo, onde o DNA é guardado, tem apenas 6 micrômetros de diâmetro. Isto seria o mesmo que tentar meter 40 quilômetros de um fio dentro de uma bola de tênis! Não é mole não! Então tu podes imaginar, com a quantidade de células presentes nos tantos tecidos do corpo, a coisa no mínimo ridícula que seria ter essas fitas de DNA pulando pra fora do teu corpo (não que isso realmente fosse acontecer, mas a ideia é tão divertida… e não pude evitar de pensar logo na imagem do dr. Octopus, do Homem Aranha… se bem que “aquilo” não são fitas de DNA e, mesmo que fossem, não seria assim tão estilo, fala sério).

Só o Dr. Octopus consegue fazer coisas estranhas surgindo do corpo ser uma coisa estilosa

Continuando! Para nosso DNA ser guardado bonitinho dentro do núcleo, ele é organizado no que chamamos de cromatina, que compraz o próprio DNA e diversas proteínas acessórias, que fazem o empacotamento em si. E essas proteínas tem presença, meus amigos! A cromatina é composta praticamente de metade DNA, metade proteínas.

Para ficar no seu grau máximo de empacotamento, o DNA é dobrado em diferentes níveis de organização:

1) O primeiro deles é o chamado nucleossomo: a fita dupla de DNA é enrolada 1,65 vezes ao redor de um núcleo composto por 8 histonas (dois dímeros de H2A e H2B + um tetrâmero de H3 e H4; sendo cada um desses “Hs” um tipo de histona). A porção de DNA que fica entre os núcleos é chamada de “DNA de ligação” e, na verdade, quando falamos “nucleossomo”, estamos nos referindo ao núcleo com a fita enrolada + o DNA de ligação adjacente! E costuma-se chamar esta estrutura formada (núcleos + DNA de ligação) de “colar de contas”, “colar de pérolas”, ou ainda “beads on a string”… porque realmente parece com isso, quando a estrutura está relaxada 😉

2) O colar de contas agora se enrola (provavelmente seguindo um ziguezague) na fibra de 30nm (porque esta é a largura da estrutura formada), já ficando com um aspecto mais “amassado”. A ligação entre os próprios nucleossomos, para deixar a estrutura geral mais apertada, é realizada principalmente por ligações entre as caudas das histonas (sim, elas tem caudas, e estas tem muitas outras funções bem satisfatórias, que explico em outro post), principalmente as da histona H4. Além disso, uma histona adicional, H1, que é bem maior e menos conservada evolutivamente que as outras quatro, auxilia nesse super empacotamento (ainda não se sabe bem como, however).

3) A fibra de 30nm, por sua vez, forma alças contíguas, alcançando a largura de 300nm. Esta estrutura, por sua vez, se enrola ainda mais, formando uma fita super gorda de 700nm, que forma os cromossomos metafásicos que conhecemos (onde o DNA alcança seu estado máximo de empacotamento).

Certamente tudo isso vai ter bem mais sentido depois de ver essa imagem abaixo:

Empacotamento de DNA em diferentes níveis de organização

E isso foi só o início da “bagunça”, meus queridos! Não vou nem começar a falar de todos os padrões epigenéticos e alterações que essas histonas podem sofrer, e que acabarão interferindo diretamente na expressão dos genes presentes nas regiões com diferentes graus de empacotamento. Isso fica para um próximo post 😉

Depois dessa aula de organização e foco empresarial, não duvido que muitos leitores (e, COF COF, blogueiros) se sintam levemente envergonhados por manterem um aspecto exterior tão diferente do interior, né? Eu sugiro procurar umas histonas aí pra ajudar, porque acho que o DNA não deve estar menos envergonhado do que nós por ser tão mal representado exteriormente…

Links da figura de empacotamento de DNA: http://biology200.gsu.edu/houghton/2107%20’12/Figures/Chapter9/figure9.6.jpg

Muitas informações aqui eu peguei do livro “Molecular Biology of the Cell” (Alberts e colaboradores. 5ª edição. New York, 2008). Aliás, a ideia do post veio justamente por eu estar estudando o assunto pra bendita prova de mestrado 😉

 

Lá e de Volta Outra Vez

Não, este não é um post sobre O Hobbit, por mais sugestivo (digo, copiado) que o título possa ser. Esta é uma história bem mais curta e recente, que não fala (por enquanto) de dragões e anões, nem de uma catatau de joias enclausuradas num castelo. Este na verdade é o lançamento de uma nova ideia, que pode falar muito de moscas, crônicas e parasitas, colmeias, galáxias e poeira. E muitas outras coisas também.

É com grande prazer que Felipe Benites e Natália Dörr apresentam o novo integrante do time do Science Blogs Brasil: A Crônica das Moscas. O Felipe já mantinha o blog O Amigo de Wigner, e concorreu pra conseguir uma vaga no SBBr. Quando foi aceito, a satisfação foi tanta (brincadeira!), que resolveu me chamar pra ajudar a escrever essa história, como segunda autora. Aliás, eu mantinha sozinha o blog Tage des Glücks. Os posts desses dois blogs foram migrados para A Crônica das Moscas, vocês podem curtir abaixo na nossa linha do tempo.

Era isso amigos! Esperamos poder contribuir com textos bacanas e receber muito feedback de vocês, para sempre melhorarmos!

Um abraço, sigam-nos os bons!

O Amigo de Wigner, blog anteriormente mantido pelo Felipe Benites

 

Tage des Glücks, blog anteriormente mantido pela Natália Dörr

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