Noites forever alone no laboratório
É amigos, nada como os dourados anos da juventude, em que tu consegue fazer as horas renderem absurdamente mais (de vez em quando). Devo dizer que minha rotina é deveras agitada, e que praticamente todas as minhas horas são ocupadas (eu gosto de dormir à noite, fica a ressalva).
Independente disso, entretanto, é em minhas noites solitárias de laboratório que eu me sinto bem forever alone, pelo menos no que se refere a presenças humanas (excetuadas as visitas ocasionais na forma de sustos dos amigos). Claro que não posso deixar esquecidas minhas queridas moscas. Afinal, repicar moscas me consome muito, como diria a Clarice, mas elas acabam me fazendo uma fake-companhia quando me olham (?) desesperadas pelas paredes dos vidrinhos onde vivem.
Aliás, o que será que aquelas mosquinhas acham de mim, né? Uma criatura que chega sempre esbaforida e com bochechas vermelhas, coloca o cabelo pra cima do jeito mais tenebroso possível enquanto veste o jaleco, fica com uns fios pretos dentro das orelhas e por causa disso aparentemente faz umas dancinhas aleatórias pela sala. Mas o pior é quando ela (eu) pega os vidrinhos onde as mosquinhas moram e faz TOC TOC TOC numa base com espuma pra NÃO DAR BARULHO (claro que sim!), deixando as pobrezinhas tontas da cuca, e mete dentro de outro vidrinho (limpo uai), joga fermento dentro e diz: “durmam bem, suas lindas”. Deve ser uma vida meio confusa…
De qualquer forma, entre toc toc tocs de repiques de moscas, colegas queridíssimos (como o caro colega de blog) me assustando na calada da noite solitária laboratorial, e músicas embalando essa vida na ciência, só me resta fazer uma ressalva, para o caso de elas tentarem se revoltar contra minha presença, ou tentarem me prender dentro do laboratório:








Discussão - 3 comentários
Esses sustos DEVEM ser gravados, para a posteridade [e pra saciar minha curiosidade hehehe]
Nunca vi uma geneticista com tanta cultura e personalidade! a maioria só quer saber de decorar protocolos, fazer géizinhoas bonitos, vender perfumes na hora do cafézinho e usar a bolsa do CNPq para sair pelas baladas. Parabéns. Se sobreviveres ao doutorado e toda a politicagem nojenta que vem antes-durante- e -depois, não tenho dúvidas de que farás muito pela ciência (nem que seja poder falar de algo mais do que evolução de drosofilídeos nos coffee breaks de congressos, enquanto aquele bando de bitolados(as) fica te olhando com cara de “orifício” evacuador.
Olá “O doutor”, obrigada pelo comentário. Mas eu ainda estou bem longe de geneticista ueheuheuhe Ainda bem no começo dos trilhos!
Mas vamos que vamos!
Um abraço, volte sempre!