“Pando” e as árvores alienígenas

Conheçam “Pando”, o bosque de árvores mais antigo do planeta (1). Na verdade, é um sistema gigante de raízes que deu origem a uma floresta de clones, um “superorganismo” de 80 mil anos de idade, onde os primeiros brotos começaram a comer os pedaços do Sol quando a nossa espécie ainda vivia na África. Pando em latim significa “eu me espalho”, e realmente, essa espécie, a Populus tremuloides se espalhou por 42,9 hectares em forma de 40 mil troncos na região do “Fish Lake” do estado de Utah nos E.U.A, tornando-se também o organismo mais pesado da Terra, com 6.615 toneladas. Alguns autores indicam que o sistema pode até mesmo possuir 1 milhão de anos de idade (2), assim precedendo o próprio alvorecer da humanidade. Sabemos hoje que existem 3 trilhões de árvores no nosso planeta, isso dá em torno de 420 árvores para cada pessoa. O número é maior do que imaginávamos, e mesmo assim é muito pouco, já que são abatidas 15 bilhões de árvores por ano. Estima-se que desde a ultima era glacial (11 mil anos atrás; onde os primeiros indícios de atividade humana em termos globais são visíveis) 46% da cobertura arbórea original da Terra tenha sido destruída (2). Neste dia da árvore, não consigo pensar em uma forma de vida mais instigante do que essa, o superorganismo “Pando”, e queria lembrar da importância e grandeza das árvores. Sem elas, o planeta e o universo inteiro ficaria mais pobre, menos perfumado, com menos frutos, menos sombra e com menos vida. Quem sabe se as árvores só existam por aqui?

O bosque tremulante de clones

O bosque tremulante de clones

Referências:

(1) https://goo.gl/LSfO2I
(2) http://goo.gl/GR61a6
(3) http://goo.gl/o7CaAN

Imagem:http://goo.gl/BTlfk0

O Biólogo não está “de boas”

Ontem foi dia do Biólogo, então elaborei algumas palavras baseado em dados atuais sobre o quadro da vida no planeta e a nossa relação nesse quadro, humanos biólogos ou somente humanos.

Nesse dia do Biólogo eu não estou “de boas”. Talvez a nossa classe profissional não tenha muita coisa a comemorar, ao sair de uma perspectiva individual, imediatista e ir defronte a uma visão de teias complexas e vivas, no grande e antigo quadro cosmológico das coisas. A gente vem só perdendo ultimamente. Para abastecer a demanda de novos produtos para a humanidade (para aqueles que podem comprar) seria preciso de 1,6 planetas Terra atualmente com os mesmos recursos finitos (1). Em 2030 seria necessário existir dois planetas para suprir essa vontade das coisas. Em 2050 estima-se que todo o estoque pesqueiro do oceano irá colapsar (2). Também em 2050 é previsto que 99,8% das espécies de aves marinhas estarão comendo plásticos (3). O plâncton marinho vem se alimentando de plásticos há algum tempo, assim os componentes do plástico (em sua maioria tóxicos) se amplificam nas cadeias alimentares acumulando em grandes mamíferos comedores de plâncton como as baleias (4). Ainda na mãe oceano, a sobrepesca com o uso de dinamites e venenos destrói os recifes de corais de tal forma que 1/3 das espécies coralíneas se encontram em elevado risco de extinção (5). No Caribe prevê-se que nos próximos 20 anos não existirão mais corais nativos (6). Em 2100 se os níveis de dióxido de carbono (CO2) continuarem no mesmo ritmo os recifes de corais irão desaparecer (7). Em terra firme, análises indicam que 41% dos anfíbios, 26% dos mamíferos e 13% das aves estão seriamente ameaçados de extinção, o que irá caracterizar a sexta extinção em massa da história da vida na Terra (8). Os humanos são superpredadores, e ao longo da nossa história caçamos de forma insustentável em uma taxa 14 vezes maior do que os predadores selvagens topo de cadeia (9). O número de árvores diminuiu em 46% desde o início da civilização humana, sendo que 15 bilhões são cortadas a cada ano (10). As primeiras assinaturas humanas do planeta começaram em 1610, dando início a era geológica do Antropoceno, a marca da humanidade na superfície da Terra (11). A causa dessas mudanças na biosfera e no clima possuem evidências robustas das atividades industriais e humanas (12,13,14,15, 16,17). Essa “tragédia dos comuns” (18) constitui um problema ético e não tecnológico neste estado que nos encontramos, já que as mudanças dependem de decisões humanitárias, políticas e ideológicas. Existe uma tendência de diluir a culpa para toda a humanidade, e ao mesmo tempo privatizar o lucro que advém dessa destruição. Esses são os fatos e previsões, e não são nada bonitos. Tu pode querer ignorá-los, pode olhar para o lado, e dizer que “a Biologia não tem nada a ver com isso” ou ainda “que o consumismo e o nosso sistema econômico não tem culpa”, vá em frente. Mas cedo ou tarde os efeitos, que são independentes da crença de cada um, serão e já estão sendo sentidos em maior ou menor intensidade. Nós como Biólogos possuímos esse privilégio de estudar a vida que existe e existiu, e quem sabe, se a gente trabalhar pesado discutindo, brigando mais e influenciando quem realmente toma decisões no mundo, tornaremos possível a sua existência (e a nossa) por Eóns à frente, dando continuidade para a sinfonia orgânica que começou a ser escrita e tocada em uma sopa primordial em alguma esquina do terceiro planeta depois do Sol. Até onde sabemos esse planeta aqui é o único que possui vida. Então, para realmente a gente “ficar de boas” precisamos de muito mais “tretas” para resolver e enfrentar todos esses desafios que se desdobram e desacortinam diante de nossa existência. Biologia é o estudo da vida, e sem vida não existe Biologia.

"Por mais tretas e menos deboísmos"

“Por mais tretas e menos deboísmos”

Referências:

(1) http://migre.me/rpVmn
(2) http://migre.me/rpVo3
(3) http://migre.me/rpVrr
(4) http://migre.me/rpVsQ
(5) http://migre.me/rpVth
(6) http://bit.ly/1pIy2se
(7) http://migre.me/rpVwb
(8) http://migre.me/rpVwu
(9) http://migre.me/rpVDy
(10) http://migre.me/rpVDW
(11) http://migre.me/rpVEj
(12) http://migre.me/rpVEI
(13) http://migre.me/rpVIm
(14) http://migre.me/rpVKr
(15) http://migre.me/rpVN4
(16) http://migre.me/rpVNt
(17) http://migre.me/rpVO1
(18) http://migre.me/rpVOA

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