Sobre o #jornaldolab e uma divulgação científica desproposital

Sim meus caros, eu não morri! Minha ausência pode ser apenas explicada pelo atual estado de “fagocitamento por Mestrado” que venho sofrendo 🙂

Mas uma coisa vem acontecendo e eu achei que seria bem interessante compartilhar com os amigos leitores do nosso blog. Já fazem alguns meses, comecei um dia de bobeira a registrar alguns momentos engraçados no laboratório (devo informar que eles não são poucos) e publica-los no Instagram e Facebook, e marquei eles com uma tag que inventei, “#jornaldolab”. Comecei fotografando o Felipe barbudo sentado no chão num dia de calor torrencial aqui na Universidade, em outro dia registrei a galera avacalhando com o gelo seco, e assim foi indo.

Felipe curtindo o frescor do chão

Nada com um refrigerante com gelo seco, né Gui?

A brincadeira acabou envolvendo o pessoal do laboratório. Se já me tinham como a “papparazzi” (sim, eu adoro fotografar todo mundo nas situações mais inusitadas possíveis), o advento do #jornaldolab só veio incentivar meu apelido 🙂

Minhas queridas alunas de IC, Raquel e Lilian, preparando meio de cultura para Drosophila

De situações engraçadas passei também a registrar momentos bem particulares do nosso trabalho pelo lab, mais especificamente o cotidiano com ares de escravatura a que um drosofilista é submetido. Fotos das meninas fazendo meio para as moscas, imagens dos experimentos de fecundidade (que eu estava – e continuo – levando um pau pra fazer dar certo), larvas e pupas bem lindas e sorridentes.

Me disseram que parece capa do CD do RHCP, e eu concordo!

Sobre os benefícios da terapia de catar ovos de mosca!

Enquanto uns tentam preparar a amostra pra extrair DNA, outros se aplicam na arte da sabotagem.

Mas o que quero falar aqui, que achei extremamente satisfatório, foi o efeito que essas fotos tiveram na minha “comunidade” de amigos facebookianos sem qualquer relação com a Biologia, com a Genética, com moscas ou com a vida acadêmica.

Amigos, conhecidos, parentes, a instrutora da academia, todos eventualmente me chamando pra um canto e, depois de me chamar de “moscona” ou algum adjetivo relacionado, me perguntando: “Ô, Nati! Como é que é essa vida de ficar mexendo com essas moscas hein? Por que tu usa elas?”; “Ah! Mas como tu sabe que tem a bactéria dentro da mosca?”; “Mas o que elas comem??”, “mas afinal como funciona a pesquisa no teu laboratório?”. Meu coraçãozinho se aquece de alegria só de lembrar.

Ou seja, o que era para ser um simples e inocente compartilhamento de momentos do nosso cotidiano laboratorial, acabou gerando todo um interesse nas pessoas, e elas foram atrás de uma informação científica através de um canal totalmente inusitado e despropositado.

E o que é isso, senão divulgação científica, né meus caros? Gerar o interesse pela Ciência nas pessoas é certamente uma das coisas mais maravilhosas que pode me acontecer, e eu fico estarrecidamente feliz de ver que o #jornaldolab está levando ao menos um pouco deste mundo curioso para meus amigos! Tenho certeza que, se algum deles ver qualquer dia desses uma notícia que fale em “Drosophila”, eles vão prestar mais atenção do que prestariam há alguns meses atrás 🙂

 

Para quem quiser acompanhar o #jornaldolab, taí meu Instagram: nataliadorr. Vou ficar feliz de compartilhar esses momentos com vocês também 🙂

Aprendendo a levar baile de mosca: uma Crônica

Pois vejam bem vocês, queridos leitores. O tal ano que prometidamente seria recheado de posts no blog está ficando meio mofado, enhô. Quanta vergonha, peloamor!

Como forma solene de pedir desculpas, coloco públicas certas imagens não tão satisfatórias destes blogueiros.

Como vocês provavelmente sabem (caso não, voilà!), nós dois trabalhamos com o estudo da relação simbiótica estabelecida e desenvolvida entre Wolbachia, a bactéria manipuladora feminista, e Drosophila, a famosa mosca da fruta. A verdade é que mais trabalhamos com o DNA dos ditos cujos, e o manejo das moscas mesmo se resume a manter a criação semanalmente (isso significa ficar colocando as moscas em meios de cultura novos e dar fermento pra elas ficarem felizes). Relação deveras superficial, diria eu.

Na semana passada, however, tivemos um mini curso teórico-prático de identificação de drosofilídeos aqui na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), onde eu (Natália) desenvolvo meu Mestrado em Genética e Biologia Molecular. O meu Lab na real se chama “Lab de Drosophila”, e eu admito que morria de vergonha (até semana passada! hoho) de não saber praticamente nada sobre a taxonomia e identificação morfológica das bichinhas. Meu caro colega de laboratório, o Lucas, que faz doutorado na Biologia Animal, nos ensinou o basicão, e também nos ajudou a nos sentirmos completos idiotas 😛

Explico: para nossa extrema sorte, o grupo de Drosophila que mais trabalhamos (“willistoni”) é composto por 5 espécies crípticas. Isso não é mérito apenas desse grupo, muitos outros drosofilídeos são crípticos. Isso significa que, colocando qualquer mosca do grupo sob uma lupa, vai ser impossível diferenciá-las. Que beleza, hein.

Mas não priemos cânico, meus caros! Basta DISSECAR A MOSCA e verificar a forma do EDEAGO (porção da genitália do macho)!! No caso do grupo willistoni, consegue ser ainda “melhor”: basta ver a forma do HIPÂNDRIO, UMA MINI MEMBRANA LIGADA AO EDEAGO! A resposta para tudo é: senta e chora. Ou melhor, senta e te mata pra dissecar a mosca.

Seguem algumas fotos do sofrimento público pelo qual passamos. Se visualizar a mosca na lupa já é difícil, vocês imaginem ter que decepar a parte final do abdômen da pequena, e ficar catando uma estruturinha minúscula e que tu nem sabe a forma hehehehhe. Uma satisfação!

Uma olha na lupa, o outro fica agourando! :D

Uma olha na lupa, o outro fica agourando! 😀

Felipe usando a força da barba pra virar a mosca de "barriga pra cima"

Felipe usando a força da barba pra virar a mosca de “barriga pra cima”

Natália com olhar de desespero

Natália com olhar de desespero

 

 

Após o dramalhão típico, fica a dica: trabalhar com Drosophila é demais! <3

Não entre em pânico: 15 passos na Redação Científica

Pois vejam vocês, meus caros, que comecei minha vida de mestranda-com-aulas na verdade não bem com uma aula, mas sim um curso (essa história de eu agora ser do time dos mestrandos eu conto em outro post!). Para aqueles que acham que mestrando só estuda, só vou dizer uma coisa: vocês não sabem de nada! 😀

Anyway, o que eu tenho pra mostrar pra vocês é extremamente mais satisfatório que minhas semi-lamúrias. Se refere ao fato de meu curso ter sido sobre Redação Científica, com um cara que é simplesmente sensacional, o professor Gilson Volpato, da UNESP. Além de pesquisador, ele já escreveu diversos livros sobre Redação Científica, e mantém este site, que contém um monte de dicas, vídeos… um verdadeiro paraíso para aqueles que, como eu, estão se deparando com a necessidade de escrever um projeto, um artigo, até mesmo uma aula… e não quer cair nas mesmices, quer fazer direito (o que significa fazer exatamente diferente do que aprendemos, na maioria das vezes).

Totalmente impossível conseguir falar sobre tudo que o prof. Gilson nos ensinou mas, para dar uma pitada ÚTIL, aí vai o método dos 15 passos na Redação Científica. A parte em negrito foi copiada da aula do professor. O resto, com o teor mais tosco de sempre, fui eu ¬¬, obviamente inspirada pela aula.

Acredite quando digo que isso aqui vai te ajudar de uma maneira deveras absurda: E não estranhe se a ordem das coisas te parecer meio inversa. Ela é mesmo!

1) Escolha a revista: já começou arrebentando a cabeça do vivente né? Nada mais daquela história de sair inventando coisinha e experimento e depois montar uma colcha de retalhos que não entra nem na Revista Brasileira de Telepatotia.

2) Examine a redação de artigos nessa revista, principalmente os itens de estilo e linguagem. Geralmente as revistas melhores (maior fator de impacto) e menos especializadas (tipo Science e Nature) permitem um linguajar mais despreocupado (e despreocupante), com mais gingado e alegria. Revistas mais especializadas costumam ser mais quadradonas.

3) Junte toda a informação necessária em uma pastinha no computador. Pode parecer que não, mas ter toda a informação já reunida facilita deveras o processo de escrita. Assim se evitam aquelas interrupções típicas (ai caramba deixei esses dados no computador da minha sobrinha, e coisas do tipo). Aliás, falando em interrupções, dar uma isolada da tchurma ajuda bastante também. Foco é a palavra!

4) Siga a sequência lógica. Mas essa é a lógica de verdade minha gente! (inspirado no texto How to write backwords, de Magnusson, 1996). Eu montei o esqueminha abaixo pra simplificar. É uma versão praticamente igual à apresentada no curso. Resumindo: comece pelas conclusões. Melhor ainda se for “a conclusão”. Quanto menos, melhor. Quanto mais sintético, melhor! A conclusão vai servir de guia para escrever o restante da história que tu vai contar, ou seja, ela vai ser a DIREÇÃO. Os resultados, os métodos utilizados e a literatura permeando isso serão as EVIDÊNCIAS apresentadas. A discussão vai ser a parte de ARGUMENTAÇÃO em favor da ideia defendida. Nada de ficar “fofocando resultados” de autores diferentes. Já a introdução vai ser a APRESENTAÇÃO de todo o resto. Ou seja, ficar falando da morte da bezerra, quando não tem nenhuma bezerra na história, é totalmente sem sentido! O resumo? Se não estiver fazendo resumo pra congresso, faça o favor de contar brevemente de que o texto completo trata. Nada de copiar frasesinhas de cada tópico do texto. Por fim, a conclusão também vai ser a melhor amiga do título, ela que vai substanciar o que realmente vale a pena colocar como título de tudo! 🙂

Esquema da lógica

5) Siga a outline de cada tópico. Esta outline é a sequência de ideias que tu pretende apresentar em cada tópico. Uma planta baixa usada de guia para a construção de uma casa, digamos 😀

6) Escreva com suas próprias palavras. Quem montou toda a história foi tu mesmo, né não? (ou ao menos é isso que se espera… isso são outros quinhentos, aliás). Então, o que que custa contar do jeito que te der na telha? Ficar copiando dos outros é totalmente desnecessário e rudimentar. Bota esses neurônios pra funcionar!!

7) Retorne à literatura e substancie o texto. Aqui sim entra a hora de melhorar argumentações, aprofundar as ideias, etc. Afinal, ninguém precisa ter toda uma literatura na cabeça 😉

8) Confira o conteúdo de todo o texto. Hora de checar valores, ver se os dados “batem”, se não trocou vírgula de lugar, se os resultados são aqueles mesmo, se as citações são fidedignas…

9) Cheque todos os aspectos de estilo. Aqui entra um montão de sub-itens. Mas não posso deixar eles de fora… vocês já vão entender

9.1 Lógica Argumentativa:

  • Argumente com base lógica;
  • Apresente conclusões teóricas (generalize);
  • Operacionalize os conceitos investigados;
  • Sustente conclusões com bases empíricas sólidas;
  • Baseie-se no suporte estatístico.

9.2 Estilo científico – redação:

  • Use palavras simples;
  • Seja conciso, sintético (desde que não fira o conteúdo!);
  • Use frases curtas ( o ideal é ter uma ideia em cada frase);
  • Seja claro, não permita dupla interpretação;
  • Não repita informações dentro de cada tópico (Introdução e Discussão são mais livres);
  • Evite digressões, mantenha-se no foco;
  • Não diga… demonstre;
  • Tente não incluir adjetivos não objetivos (“pouco”, “muito”…);
  • Use tempos verbais consistentes;
  • Use palavras exatas;
  • Use voz ativa (um salve pra minha vontade adormecida desde sempre! “não, Natália, tem que escrever na terceira pessoa, MI MI MI”. Eba, nunca mais “conclui-se”, “percebeu-se”!!!);
  • Redija de forma argumentativa, utilizando conjunções;
  • Não use jargões de laboratório (“correr” o gel é a mais comum, fala sério!).

10) Repouse o texto por uma semana, 10 dias… dependendo da possibilidade. Claro que um descanso de 30 minutos pode ter pouco do efeito desejado nesse caso hehe.

11) Reavalie criticamente o texto. Agora tu provavelmente não vai saber exatamente cada linha do texto “de cabeça”, então tua capacidade de ver erros vai estar maior. 😉

12) Peça crítica de colegas, preferencialmente pessoas de fora do grupo do artigo. Ah, e de preferência pessoas inteligentes! (palavras do Gilson! hahahah)

13) Faça os ajustes finais.

14) Coloque nas normas da revistaEssa parte é chata demais e não interfere na escrita. Então, deixa pra agora!

15) Submeta imediatamente. Cientista deve ser empreendedor. E empreendedor não fica olhando pra trás. Sendo assim, manda logo!!!

Não sei vocês, mas eu fiquei muito mais animada pra escrever meu vindouro projeto de mestrado, e o que dele vier depois 🙂

E a melhor coisa de tudo isso é que, melhorando nossa escrita, melhoraremos o nível das nossas publicações, e isso vai ajudar a alavancar a pesquisa no Brasil pra algo mais útil. Não útil no sentido maquineísta, mas no sentido de permitir o debate e a troca de experiências com outras instituições e outros setores da sociedade. Fazer ciência de verdade, after all!

cliches

Não precisa compartimentar tanto, mas né…

EPFL Summer Research Program

Como vão vocês, meus queridos?

Eu estou naquela situação levemente desesperadora de final de graduação hoho (mentira, tá bem bom!). Estudar pra prova de mestrado se tornou aquela atividade pra fazer sempre que “sobra um tempinho” (tipo assim pendurada de pé no trem), tipo um ruído de fundo na vida da pessoa, sabe? Ah, e estamos de vento em popa na finalização da organização pro Guia do Mochileiro da Biosfera, aquele curso super bacana que eu e meus amigos formandos vamos dar no final de novembro e metade de dezembro, e sobre o qual eu falei aqui.

Mesmo com essa cascata de coisas na cabeça, esse assunto aqui eu jamais poderia deixar batido de postar no blog: o Summer Research Program da École Polytechnique Fédérale de Lausanne. Não estou exagerando quando digo que essa foi a experiência da esfera profissional (e turística hehe) que mais me embasbacou durante esta minha por enquanto curta vidinha.

Cartaz de divulgação do EPFL SRP

Esse curso de verão é promovido por essa universidade (que, by the way, é excelente! baita referência em ciência e tecnologia) todos os anos, acho que desde 2008. Em 2010 eu tive o privilégio inimaginável de ter feito parte de um.

Ganhando mais uns quilinhos!

A proposta é a seguinte: 25 alunos de graduação (de cursos como Biologia, Engenharia, Medicina, Farmácia, Genética, Biologia Molecular, Neurociências, Química, Bioquímica e mais uma infinidade…) são selecionados. Aí já entra uma das coisas mais legais do curso: o contato com pessoas de lugares absurdamente diversos (quando eu fui, tinha gente da Sérvia, Turquia, Indonésia, EUA, Nepal, Holanda, Polônia, Bangladesh…). Isso acaba revertendo em uma troca de experiências fantástica, sem contar todas as possibilidades de comidinhas típicas a partilhar em situações festivas (ou não!).

Enfim, cada aluno é alocado em um laboratório (na hora da inscrição, o candidato pode apresentar três laboratórios – dos que terão vagas abertas – que lhe interessem mais, dando uma curta justificativa teórica para isso). Neste laboratório, a criatura vai desenvolver um projeto de verão. O meu, por exemplo, eu desenvolvi neste laboratório aqui (sim, sou eu ali junto na foto de entrada! hehe Não me importo de não terem trocado a foto desde 2010 :P), um dos integrantes do ISREC, o Instituto Suiço de Pesquisa Experimental em Câncer. O meu projeto foi estudar a interação entre duas proteínas da via de sinalização Wnt, sabem? E essas proteínas interagiam utilizando a via de regulação por miRNA, então eu caracterizei esta relação utilizando três técnicas principais: RT-PCR, Western Blot e Ensaio de Luciferase. Fora as técnicas que citei, eu ainda tinha contato semanal com cultivo celular. Sim! Eu tinha que manter minhas células bem lindas e gordinhas para os experimentos, já que nessas células que eu expressava as minhas proteínas de interesse. HOHO

Ó aí o pôster que apresentei com meus resultados do projeto de verão!

Foi demais! Quase morri nas primeiras semanas, obviamente. Uma tonelada de artigos pra ler, ficar falando tudo em inglês (sim, inglês! mesmo que em Lausana se fale francês) com pessoas com sotaques deveras interessantes, aprender todas essas técnicas de uma vez, analisar os resultados, estar preparada pra explicar esses resultados de forma decente para teu chefe, que aparecia meio que do nada te perguntando “hey Natalia, how are your experiments doing?”. Pois é. Mas foi excelente! Aprender a toque de caixa faz um bem absurdo pro intelecto do vivente 🙂

Ademais, semanalmente nós tínhamos palestras (regadas a MUITA COMIDA) com pesquisadores da universidade e de indústrias e editores de periódicos científicos, por exemplo. Eles nos passaram várias “manhas” da vida acadêmica como um todo: postura científica, método, hipóteses, análise de resultados, apresentação em resumo, pôster, paper… Fora todos os quilos que eu ganhei, deu pra assimilar muito conhecimento útil nessas oportunidades.

E, claro, não poderia deixar de comentar sobre as viagens! Gente, a Suiça é linda! As pessoas são educadas e saudáveis (ó eu generalizando… tô nem aí, achei todos lindos!), eu me sentia realmente em casa. Adorei a comida e o preço super acessível dos chocolates e sorvetes :D, adorei o clima, as companhias e, acima de tudo, a experiência acadêmica!

Caminhada matadora em Zermmat, com o Matterhorn, a montanha do Toblerone, ao fundo! <3

Certamente meu passatempo preferido por lá: mergulhos no lago Genebra, o maior da Suiça.

Recomendo que todos vocês que possam ter interesse nas áreas principais dos laboratórios (biologia molecular e celular, bioquímica, genética, bioengenharia, neurociências…  vejam os laboratórios com vagas abertas aqui), e gostariam de passar por uma experiência dessas (observação: TUDO é pago! e MUITO BEM PAGO! sobrou dinheiro!), eu recomendo muito, mas muuuuuito mesmo que vocês apliquem para o SRP da EPFL. É uma experiência única 🙂

Ah, e se vocês tiverem qualquer pergunta sobre o curso, como aplicar, dicas, enfim… qualquer coisa! me deixem um comentário, que eu respondo com todo prazer! 🙂

Dispersei minha chatice

Como vão vocês meus caros, todos bem de saúde?

Hoje vim aqui avisar vocês que, como se já não bastasse eu divulgar minha chatice extrema aqui na Crônica das Moscas, eu resolvi também dispersar ela para os quatro (?) cantos da sociedade internética.

Uma foto de mim fofinha pra vocês assistirem o vídeo com mais amor no coração!

Sim, meus queridos, hoje entrou no ar a entrevista que eu tive a satisfação de dar para o Dispersando, um dos blogs chefes do Science Blogs Brasil que, caso vocês ainda não conheçam, taí uma boa oportunidade de tirar o atraso 🙂

Cliquem aqui para assistir 🙂

Desde o dia 10 de outubro, o Igor Santos, do 42, está postando as entrevistas que ele está realizando com os novos blogueiros do Science Blogs Brasil, para mostrar todo o talento e carisma dos novos participantes desta rede super charmosa 😛

Antes de mim já vieram o André Rabelo, que escreve no SocialMente; o Emanuel Henn, que escreve no Caderno de Laboratório; o Alan Mussoi, vizinho que escreve no Nightfall in Magrathea e por fim meu amigo mineiro Samir Elian, lá do Meio de Cultura.

Além de assistirem meu show de horror público, recomendo fortemente assistir os outros episódios desta segunda temporada do Dispersando. Galera se puxou na queridisse 🙂

O Guia do Mochileiro da Biosfera

Não, agora de uma vez que tu não precisa entrar em pânico!

Por que? Explico: um grupo de amigos e mais os dois blogueiros que vos falam, em um lampejo de inspiração, resolveram tentar dar aquela mãozinha esperta, principalmente para os alunos iniciantes do curso de Ciências Biológicas (e afins). Como assim? Bom, você caro amigo que também trilhou ou trilha esta caminhada por vezes meio pedregosa da Biologia, sabe como teria sido extremamente satisfatório ter chegado no curso com uma bagagem de conhecimento um pouco mais pesada na mochila. Sabe aquilo que o professor fala no primeiro dia de aula: “ah galera, isso vocês lembram lá do ensino médio, né?”. E todo mundo resolve concordar, com vergonha de admitir “não faço ideia do que tu tá falando!!”.

Pois bem, nosso grupo de amigos formandos de Biologia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (São Leopoldo/RS) resolveu montar um Guia do Mochileiro da Biosfera. Um manual mesmo, o caminho das pedras pra chegar no curso (ou continuar nele) com alguns conhecimentos básicos e de extrema importância para o melhor aproveitamento de toda a enxurrada de informação que vai vir pela frente.

Esse Guia vai ser desenvolvido na forma de um curso dado em sextas e sábados, durante duas semanas, onde vamos injetar uma dose considerável de ânimo, dicas e conhecimentos mega legais pra ajudar vocês!

Vai ter de tudo: informações sobre carreira e possibilidades de futuro, conhecimentos teóricos (desde origem da vida, o que torna um organismo vivo, o que é e como a biodiversidade está distribuída na Terra…), passando por atividades práticas a campo e no laboratório, assim como várias dicas para montar Curriculo Lattes, montar resumo e pôster, divulgação científica, e o que tudo mais der na telha do povo na hora!

Curtam aí os cartazes super lindos que montamos pro curso. Totalmente e absolutamente inspirado na série do Douglas Adams, o Guia do Mochileiro das Galáxias 😉

Esperamos vocês das redondezas, ou de outra galáxia também 😀

 

 

Sagan é pílula de inspiração!

Como uma pessoa consegue escrever um livro inteiro formado por frases de efeito? Esta sem dúvida é, para mim, a característica mais marcante dos textos de nosso querido Carl Sagan. Uma profusão de palavras montadas em um arranjo tão poético e bonito, a ponto que conseguimos ler tal qual embalagem de xampu temas que muitas vezes seriam de difícil compreensão dentro de uma linguagem engessada e “científica” (dentro dos parâmetros considerados normais, para meu desgosto).

Comecei hoje a ler “Broca’s Brain”, publicado no final da década de 70. Recebi este pequeno tesouro como doação da vizinha de SBBr Paula Signorini (de novo, GRAZIE MILLE!), em um formato pequeno, amarelado e maravilhoso. Posso dizer desde já que me sinto uma pessoa privilegiada por ter a chance de ter em mãos tamanha obra de arte. Já fui fisgada nas primeiras páginas, e o decorrer da leitura me fez torcer veementemente para eu caísse em um gap do espaço-tempo, para lê-lo de uma sentada só (infelizmente minha eterna labuta nos trilhos de trem me impediram).

Copio abaixo um trecho que me trouxe arrepios. Volta e meia esses textos do Sagan me confirmam a impressão de que ele foi atemporal, a ponto de escrever, há 33 anos atrás, coisas que hoje nos parecem tão contemporâneas. Por outro lado, também acabamos por ver que algumas discussões continuam exatamente as mesmas…

All inquiries carry with them some element of risk. There is no guarantee that the universe will conform to our predispositions. But we do not see how we can deal with the universe – both the outside and the inside – without studying it. The best way to avoid abuses is for the populace in general to be scientifically literate, to understand the implications of such investigations. In exchange for freedom of inquiry, scientists are obliged to explain their work. If science is considered a closed priesthood, too difficult and arcane for the average person to understand, the dangers of abuse are greater. But if science is a topic of general interest and concern – if both its delights and its social consequences are discussed regularly and competently in the schools, the press, and at the dinner table – we have greatly improved our prospects for learning how the world really is and for improving both it and us. That is an idea, I sometimes fancy, that may be sitting there still, sluggish with formalin, in Broca’s brain.

Espero que isso também traga para vocês, queridos leitores, uma sensação de inspiração profunda para mais esse dia. Science is the poetry of reality 🙂

The Dark Side of the… Math: Resenha de “Os número (não) mentem”

O livro “Os números (não) mentem”, de Charles Seife, pousou nas minhas mãos justamente no dia que eu chegava à ultima página de “As Duas Torres”, da trilogia do Senhor dos Aneis de Tolkien. What a move, hã? Se tem coisa que gosto é ficar dando “socos no cérebro”, a.k.a., alternar entre leituras o mais disparates possíveis, só para evitar a fadiga. Acho que esse caso foi um bom exemplo! Tá, eu não rumei pra algum livro de auto-ajuda, isso sim seria uma mudança completa. Mas ei! Eu odeio livros de auto-ajuda! Então ficamos quites 😉

Bom, primeiramente queria dizer que (só pra variar) eu acho o título original bem mais satisfatório= Proofiness: the dark arts of mathematical deception. Com essa deixa já fica fácil de perceber porque eu escolhi esse título de post.

O livro é dividido em oito capítulos: “Falsos fatos, falsas cifras”; “O demônio de Rorschach”; “Negócio arriscado”; “As falácias matemáticas nas pesquisas de opinião”; “Disfunção eleitoral”; “Injustiça eleitoral”; “Realidades paralelas” e “Propaganda baseada em números”. Seife passeia entre temas cotidianos e aos quais estamos acostumados, porém mostrando como a “fachada racional” que os números sempre impuseram sobre nós acabam por muitas vezes nos manipulando e enganando.

Particularmente, eu gostei muito das analogias e metáforas (e palavras satisfatórias e esquisitas) que o autor usou para explicar os temas, para destrinchar de forma simples, porém profunda, situações que antes passavam batidas. Os temas mais recorrentes nos capítulos foram as eleições americanas (e toda sua chatice de brinde), pesquisas de opinião pública e casos da Justiça. O autor possui uma dose generosa de humor, porém me incomodou um pouco o fato de ele (pelo menos ao expressar-se) generaliza muitos estereótipos, como naquelas clássicas de que “advogados são trambiqueiros” e “políticos são sempre corruptos”. But that’s me… odeio generalizações 😉

Acima de tudo, acho que a primeira palavra que vai vir à cabeça quando eu lembrar deste livro em alguns dias, meses ou anos vai ser: “útil”. Não tem como negar o caráter extremamente informativo e esclarecedor do livro, quando Seife discorre acerca da forma como os números podem (e são) amplamente manipulados pela mídia, pelos cientistas, por políticos, pelo vendedor de frutas, pelos juristas e pela sua avó.

Para finalizar, a constatação pra lá de bacana que Seife chegou, em uma de suas histórias: “A eleição presidencial dos EUA em 2000 deveria ter sido decidida por cara ou coroa”.

Recomendo deveras!

 

Referência do livro: Seife, Charles. Os números (não) mentem: como a matemática pode ser usada para enganar você. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.

Enquanto a PCR roda…

Veja bem amigos, estes blogueiros que vos falam são também colegas de laboratório. Acredito que tal informação já seja um tanto suficiente para imaginar possíveis cenas engraçadas.

Pois bem, a noite extremamente gelada de ontem foi regada a PCRs e manejo das adoráveis Drosophila, porém, para não perdermos a alegria de viver, e já que estávamos totalmente #foreveralone (tipo, Unisinos toda debandada), o jeito foi tirar umas fotos completamente inspiradas em Star Wars, Matrix e o Exterminador do Futuro (enquanto a PCR rodava e as moscas curtiam a night).

Pelo menos era assim que a gente estava se achando 😀

War style (atenção para a cara de maloqueiro do Felipe com a touquinha!)

Parabéns, Natália, por conseguir ficar tão tosca numa fotoNão é pra qualquer um 😛

Luz UV (e uma barreira entre tu e ela) deixam uma foto tão satisfatória!

Ah, e só pra ninguém ficar nos xingando, é claro que a gente não estava batendo as pipetas né galera, pelamor! Foi só uma pose ou outra e nada más 😀

Para o infinito, e além!

Meus queridos amigos leitores do Crônica das Moscas, este é um post de caráter urgencial <o>

Não deixem de conferir a entrevista que meu excelentíssimo co-blogueiro dará logo mais na Rádio Unisinos (podem acessar por aqui), às 13h20, acerca de sua satisfatória experiência de uma semana no 2012 Santander Summer School, promovido pela NASA, e que ocorreu em Cantábria, na Espanha.

Não podemos só ficar aqui de blábláblá no blog, né amigos! O jeito é colocar a mão na massa, digo, nas moléculas 🙂

Orgulho de amigo! Curtam comigo 😀

Categorias

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM