As algas e o prostíbulo

Existe uma infâme rua em Porto Alegre por onde passo todos os dias para ir ao trabalho, conhecida pelo grande número de casas da luz vermelha, e pela vizinhança não muito amigável. É uma das ruas mais velhas, sujas e esquecidas da Capital. Quando a gente passa por ali se sente no outro lado dos trilhos de uma Porto Alegre que não está nos cartões postais. Mas o que chama mais a minha atenção são as paredes tristes e esverdeadas daquela rua. Devido a um fenômeno periódico, que nessa entrada de outono torna-se pronunciado em suas cores, os microorganismos urbanos que ali perduram, colonizam e trocam de cor as paredes daquela velha rua. Penso nas algas, bactérias, fungos, musgos e líquens que ali chegaram como esporos, nasceram e sem os olhos da cidade perceber, atravessaram gerações tanto dos transeuntes quanto das mulheres que fazem ponto ali, indiferentes uns com os outros no correr dos dias e dos relógios. As mulheres ao me ver passar todos os dias ali, já me cumprimentam com um leve balançar de cabeça e até mesmo um “bom dia”. O que me lembra que elas são apenas mulheres tentando sobreviver, assim como as algas em seu trabalho de eras de fotossíntese, e ali, relacionadas estranhamente na trama da existência, uma não faz a mínima ideia da outra. Daqui a dez anos quando eu passar novamente por ali, as mulheres talvez já tenham mudado o seu ponto, envelhecido e talvez já não existam mais, mas suspeito que as algas por ali vão continuar, comendo as bordas do sol, invisíveis e desconhecidas em sua permanência, para os que se aventuram na rua das algas e dos prostíbulos do lado errado dos trilhos de Porto Alegre.

Ecossistemas secretos e urbanos

Ecossistemas secretos e urbanos

Imagem: m.rgbimg.com

 

E os fungos…

fungo

“E os fungos eram fungos… Não se assemelhavam a mais ninguém da Terra…”
~ Jun Takami

>De bactérias púrpuras até as galáxias.

>

Quando um Biólogo (ainda não me graduei, mas enfim…) diz que você é bonita, não pense que é somente um elogio, daqueles que já ouviu de todos os outros e em todas as sextas (ou sábados, ou nos outros dias da semana) pois claro, nossa mente funciona através da comparação, e neste caso a comparação não se dá com as outras mulheres, de outras sextas,
sábados e outros dias da semana, mas sim com todos os outros organismos deste firmamento… E isso, tipo, é bastante coisa sabe… Eu comparo com todas as estruturas do Universo, de bactérias púrpuras do fundo do oceano a galáxias em espiral. De pandas e pessoas. De pulsares a foraminíferos… Então, leve a sério…

>Sobre vermes e homens

>

“E, no esforço de ser homem, o verme
Escala todas as espirais da forma”
(Jun Takami)
Imagem: Mario Ciocca – New Scientist

>As amantes dos cabelos das preguiças

>Você olha para uma árvore. Lá em cima. Um animal com o olhar tristonho. Um tanto relutante, talvez. Você nota que seus pelos são esverdeados, quase misturando-se com os tons dos líquens que também vivem nestas mesmas árvores. Essa cor verde, confere um bom disfarce para o animal. Embora não seja um primata, lembra muito os membros da nossa familia, possívelmente pela convergência nos ambientes arbóreos. Tão bonito em seu silêncio. Pois, enfim você percebe que esta encantado por esse animal, uma preguiça.


Mas o encantamento não para por ai. Imagine que você está provido de um microscópio e resolve examinar minuciosamente estes cabelos, os seus pêlos esverdeados. daí você encontra milhares de outros organismos menores vivendo por ali. Claro, muitos piolhos, acáros e aranhas, mas também descobre que lá dentro, na superfície e também profundamente, vivem algas verdes! pequenos seres que “comem” as partículas do sol.


As algas da espécie Trichophilus welckeri, receberam este nome pois Trichophilus significa “amante dos pêlos” e foi descoberto que esta espécie existe somente em associação com o animal, numa simbiose mutualista, profunda e duradoura. Os pêlos absorvem água, e acabam tornando-se um local ideal para as algas, e a sobrevivência das algas de certa forma, contribuem na camuflagem da preguiça.
Agora só resta saber quem ama mais. A pequeníssima alga verde ou a esverdeada e sonolenta preguiça…


Nestes links é possível encontrar maiores informações sobre as evidencias moleculares, filogenia das algas e sobre a simbiose entre estes dois organismos:

SUUTARI. M. et al. Molecular evidence for a diverse green algal community growing in the hair of sloths and a specific association with Trichophilus welckeri (Chlorophyta, Ulvophyceae). BMC Evolutionary Biology.

http://www.helsinki.fi/research/news/2010/week15.html

Imagens:
http://cabinetmagazine.org/events/images/sloth
http://view3.picapp.com/pictures.photo/image/9606758/baby-sloth-fed-teresa/baby-sloth-fed-teresa.jpg

>Saturno em Setembro

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Nasce Setembro, e 31 anos atrás, a sonda Pioneer 11 foi passear próxima a Saturno… Tenho um pequeno caso de amor com os planetas gigantes, talvez por eles serem tão pesados e massivos, pelo cinturão de gelo que existe em alguns, e principalmente por suas incríveis luas…Mas o que é mais incrível que direcionar um objeto para as estrelas?
Antes da Pioneer 11, veio a Pioneer 10, aquela que carrega uma placa de ouro e nos descreve e diz aonde estamos a quem se interessar…

“Pioneer 10 will continue to coast silently as a ghost ship through deep space into interstellar space, heading generally for the red star Aldebaran, which forms the eye of the constellation Taurus (The Bull). Aldebaran is about 68 light years away. It will take Pioneer 10 more than 2 million years to reach it.

Its sister ship, Pioneer 11, ended its mission Sept. 30, 1995, when the last transmission from the spacecraft was received.”

Daqui a 2 milhões de anos, Pionner 10 atinge a “constelação” de Touro, mais precisamente a estrela Aldebaran. Pionerr 11 cortou comunicações há 15 anos.

>A mosca e o Jarro

>Encerro meus experimentos no “Jarro de moscas”. Não eram poemas e tão pouco poesia… Está na hora das larvas virarem moscas. Acho que era isso, um monte de larvas em forma de palavras, seladas e alimentadas nas horas certas.

Se quiserem conhecer ou se despedir fiquem a vontade. Talvez hoje ou amanhã abrirei a tampa do pote…

Obrigado a todos que leram, comentaram e sentiram alguma coisa, mesmo que seja repulsa ao ler uma hibridização frustrada talvez, de ciência e poesia.
E por último, um suspiro final disso que nao foi uma coisa nem outra, e sim algo no meio e diferente:

O Drosophilista:

“Querida e doce inflamação
escureça um pouco mais o meu pulmão
arranque os pedaços mais vermelhos
transforme minha carne em seu espelho
a sua tinta absorveu-me como papel
vou contar as moscas percorrendo o céu
e só tenho isso a te dizer
te adorei em nível atômico, molecular
um cadeado te prendeu num rio
e só com ele você soube amar…
E no fim, não merece nem um pouco de minha atenção

nem da quarta cavidade do meu coração.”

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