Micróbios adquiridos: meio planta e tipo bicho!

Monstruosidades incríveis encontramos no reino das coisas vivas, que rastejam, nadam, perambulam e flutuam por este pálido ponto azul…Veja isso, aqui nós temos um singelo (aparentemente)  Protista nomeado de Hatena arenicola (em japonês=
 estranho).

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Ele fica ali, cuidando dos seus próprios negócios, indo com as marés e fazendo sua refeição de outros menores, até que uma destas refeições ele ingere uma alga verde, então notamos algo destoante, um pequeno ponto esverdeado na parte rostral da Hatena. Bom, esse ponto verde é uma alga sobrevivente da digestão, do gênero Nephroselmis que rouba a luz solar e utiliza a energia dos fótons para quebrar compostos e construir novos como a sua matéria orgânica e outros doces bioquímicos, dividindo tais produtos com o seu captor, a Hatena

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Eis mais um exemplo de endossimbiose em ação, organismos diferentes vivendo juntos, onde seus destinos estão intimamente entrelaçados na indiferente, sedutora e inescapável teia  da vida. Mas a música não pará por aqui. Quando a Hatena se divide, para dar origem a novos indivíduos (sua reprodução) um de seus “herdeiros” permanece com a Nephroselmis fotossíntetizante enquanto o outro fica sem sua fábrica verde de energia, e, vejam só, não somente vive muito bem, como desenvolve um aparato de captura de alimento, voltando ao estado heterótrofo (comendo outros), ao contrario do seu irmão que permanece um autótrofo (comendo a luz).

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Assim cada um segue sua vidinha preciosa, a cuidar dos seus próprios negócios, como se nada tivesse acontecido, até que o demônio nietzschiano do eterno retorno instiga a Hatena heterótrofa a comer mais saladas de Nephroselmis...

Referências:

Okamoto, N. & Inouye, I. A secondary symbiosis in progress? Science310, 287 (2005).

http://blogs.scientificamerican.com/lab-rat/2012/01/22/half-plant-half-predator-all-weird/

>Sobre vermes e homens

>

“E, no esforço de ser homem, o verme
Escala todas as espirais da forma”
(Jun Takami)
Imagem: Mario Ciocca – New Scientist

>Eu sou de arsênico. Uma bactéria seduzida por um veneno, no lugar mais solitário do planeta

>

Ah… Bactérias. Organismos primordiais do nosso planeta. Ocupam praticamente todos os nichos da Biosfera, até mesmo vivemos em paz com elas (em nosso estômago) ou as vezes elas podem nos matar. Entidades simples, mas que “inventaram” as mais diversificadas e estranhas maneiras de sobreviver. Manipuladoras sexuais, sobreviventes a radiação alta, fazem nuvens, constroem colônias petrificadas em praias antigas, comem enxofre, e agora, em artigo publicado na revista Science, e divulgado em coletiva de imprensa as 17 hs (horário de Brasília) e 2 hs de Washington D.C, Estados Unidos pelo centro de Astrobiologia da NASA, podem utilizar o elemento Arsênico (As) em sua bioquímica, substituindo o Fósforo (P) como estrutura essencial na molécula de DNA, e possívelmente em outras biomoléculas.
O que pensávamos sobre a vida, ou sobre os elementos essenciais da “vida como ela é” era baseado nos “big six“, ou seja, todas as formas de vida, de um grão de bactéria, de um cavalo marinho, uma bromélia solitária, e até a ruiva apetitosa Christina Hendricks, todos são formados de básicamente Carbono (C), Hidrogênio (H), Oxigênio (O), Nitrogênio (N), Fósforo (P) e enxofre (S). A arquitetura molecular desses organismos é estruturada por estes átomos em forma de biomoléculas, nas estruturas celulares, no ATP (trifosfato de adenosina) a “energia que dá força”, e na molécula da vida, o DNA. Para o nosso interesse o fósforo desempenha a função de formar o “esqueleto” do DNA, na forma de fosfato (PO43-) ligando-se ao oxigênio e açúcares, constituindo a estrutura externa dessa molécula.

A pesquisa liderada pela Bioquímica Felisa Wolve-Simon do NASA Astrobiology Institute, demonstrou em seus experimentos com o organismo do Domínio Bacteria, filo das Proteobacteria, da família Halomonadaceae, estirpe “GFAJ-1”, que é possível que esse organismo substitua o fosfato por arsenato (AsO43- ) em funções analógas ao DNA “padrão”, formando o esqueleto do DNA, talvez ATA (Triarsenato de adenosina?) e também nas estruturas celulares que compoem essa estranha amante do arsênico.
O lago onde vivem estas bactérias chama-se “Mono, na califórnia E.U.A, sua paisagem alienígena dá asas a imaginação. É um ambiente hipersalínico e alcalino, sua temperatura fica em torno de -15 C° a 17 C°, a vida nesta faixa sofre uma redução em seu metabolismo (o que o arsênico pode desempenhar papel fundamental neste caso).

Quando fiquei sabendo ontem a noite sobre essa coletiva, esperava algo um pouco mais surpreendente (mas, que de fato é sim, para a biologia), mas imaginava um novo código genético, ou uma nova forma de vida terrestre, que foi batizada hipotéticamente como “Biosfera das Sombras” pelo Astronomo Paul Davies, que seriam formas de “vida”, que evoluíram de forma independente no sentido de não compartilharem estes constituintes básicos, não sendo possível sua inclusão dentro das classificações que conhecemos. Bem, não foi isso que aconteceu. Tão pouco a descoberta de vida extraterrestre como muitos haviam pensado, já que o tema era Astrobiologia. O que provavelmente aconteceu neste estranho e “sedutor” evento evolutivo foi uma adaptação extrema para utilizar o elemento “As” invés de “P”, como constituinte básico em sua biologia.

“I am arsenic, half dead and cold as a stone,
I’ll burn your guts and crush your bone.
If I should venture, corruption would spread.
No one should approach the living dead!
I am a poison – a knife in your guts.
I need to be blameless, disguise my sin,
I need to have a hide for a skin!
I need to be tidy, need to be clean,
need to have my best efforts seen.

Então, não encontramos E.Ts, nem uma nova forma de vida completamente disparate, mas um tipo tomado de estranheza à bioquímica convencional utilizada por todas os outros (até onde sabemos). No contexto cosmólogico, abre possibilidades de encontrar outros organismos em exoluas e exoplanetas, e até mesmo no nosso sistema solar, já que a vida, de certa forma ainda pode nos surpreender cada vez mais,e me surpreendeu. E quanto a você, querido leitor?

Prometo mais detalhes a seguir (e correções), preciso dormir agora e aproveitar que o meu velho computador me permitiu escrever este texto tarde da noite.

Referências:
Sience Magazine: “A Bacterium That Can Grow by Using Arsenic Instead of Phosphorus” DOI: 10.1126/science.1197258

Nature News: “Arsenic-eating microbe may redefine chemistry of life

Poema: “I am arsenic” por Misha Norland
Mark Twain

>Amanhã eu não sei…

>Correr e permanecer no mesmo lugar (só que num diferente, sempre) ei? (mas se é o mesmo, como é diferente?) bem, isso é uma citação literária não precisa se preocupar ok?, um pouco de Rainha Vermelha, e a morte de Leigh Van Valen, que observou essa dinâmica entre parasitas e hospedeiros, o que pode ter dado origem ao Sexo…

Neste último mês comecei um novo espaço, dedicado a microtextos e imagens sobre genes, microscopia por tunelamento quântico, extinção, arte? que deriva do mundo natural, do real e imaginário (sim!!!! existe um mundo lá fora, de VERDADE) e através da observação, podemos construir conhecimentos para termos o poder de pensar, e agir sobre essas coisas todas. Eu vejo que tudo se trata de encontrar o seu lugar no mundo. Talvez tenha encontrado agora, amanhã eu não sei
Então, o espaço está aberto com algumas imagens e textos (confesso que estou me divertindo muito) : “A mosca e o Jarro” . Apareçam, comentem, copiem e mandem fotos…

Para encerrar, seguindo o estilo do meu novo “Tumblr” um poema do Richard Feynman que eu gosto bastante.

Contemplo a sós o mar e penso …
Vejo as ondas em agitado movimento …
São montanhas de moléculas,
cada umas indiferente às outras …
triliões as separam
formam, porém um uníssono a branca espuma.

Idades primervas sucessivas …
´inda as ondas não eram por humanos olhos visíveis
ano após ano
ano após ano, tão estrondosamente
como agora, batiam nas praias.


para quem, para quê? …
num planeta ainda sem vida,
um espectáculo sem espectadores.

Jamais em repouso …
torturado era o mar pela energia
prodigiosa do Sol …
desperdiçada sem trégua, derramada no espaço.
Uma migalha apenas faz bramir o mar.

Na profundidade dos oceanos, as moléculas
repetiam-se em padrões codificados
e repetindo-se, repetindo-se sem fim,
moléculas complexas formaram.
Novas e outras iguais a si …
E uma dança original iniciaram.

Crescendo em tamanho, escolheram a via da
complexidade …
Eis, por fim, a vida, multidões de átomos,
ADN, proteínas …
Sempre, sempre embalando-se em estrutura complicada

Saídos já do berço-mar, agora
terrestres …
átomos que ponderam,
matéria observadora.

À beira-mar …
um Eu …
Pergunta e pergunta-se:
um universo de átomos …
um átomo-ilha no universo

>Beleza Marciana

>

Falar sobre a beleza. E eu entendo disso? não sou uma pessoa bonita, e talvez por isso (mas não somente) me interesso por demais sobre essa palavra inventada para descrever algo grandioso, ou pequeníssimo, desconhecido, fulgurante, que remove o ar dos pulmões, que aumenta os batimentos de um coração velho que surgiu provavelmente em “peixes” ou vermes ancestrais… Então, alguém inventa palavras curtas. bonito, beleza, belo e boniteza para descrever essa sensação, por lógica no pensamento.
Já ouvi artistas, poetas e filósofos dizerem que a ciência remove a beleza das coisas. Marte era o Deus Romano da guerra, da força e onipotência, um conquistador.

Os mitos antigos descreviam-o assim, e a Astrologia, um sistema antigo de idéias que sustenta que os movimentos aparentes dos astros influenciam, e nos guiam aqui na terra, milhões de quilômetros e anos de distancia das estrelas, e das imaginárias constelações., mas não somente do destino e nascimento das pessoas, mas sim até de empresas!!! Mas o que sabemos de fato sobre Marte? É um planeta frio, com uma frágil atmosfera, com geografias suspeitas por serem formadas por rios, lagos e oceanos alienígenas, a pelo menos 2 bilhões de anos atrás. Lá existe o maior canion do sistema solar, Valles Marineris ( o vale do marinheiro, com 3.000 km de comp. e 8 km de profund.) e a descomunal montanha (um vulcão na verdade) conhecido como Olympus Mons (monte olimpo, 27 km de altura).

Também há gelo nas calotas polares, formado por dióxido de carbono, e recentes evidências de água (tive uma felicidade imensa em saber, que precisava comemorar com uma pessoa que mantém diálogos com montanhas agora, lindos e cheios de gagueiras)…
Mas daí surge a pergunta, a ciência, que é um meio de descobrir as coisas, um método especial e muito cuidadoso de conhecer e descrever a sutileza do Cosmos, retira a beleza de Marte? Não, meus caros, só adiciona…

O sonhos de um dia ver o por do sol rosado daquele mundo estranho, suas areias tão antigas quanto nós, e imagine a primeira pegada humana nessa areia fria? não posso, e não consigo pensar que isso não é lindo. E que é belo saber isso.
Mas não precisa ter toda essa explicação minuciosa, cartográfica, psicológica, química para ser bonito.
Descartes estudou os arco-íris, por causa do fenômeno da luz atravessando confusa por partículas de água e poeira na atmosfera? ou será que era por que ele os achava terrivelmente belos? Pense nisso…

(Post de despedida de uns dias, e fortemente inspirado nas palavras do “Dick” Feynman)

Referências e Imagens: Porto do céu. Ny Daily News. Nasa. PopSci. Wikipedia. Física.cab.cnea.gov.ar

>Conversar com as moscas

>


“Sabía perfectamente, que los humanos resultan demasiado jactansiosos, que jamás descenderían a conversar com las moscas, a aceptar um terreno neutro em que dialogar de igual a igual, donde pudiera producirse uma desablé transacción de memorya e secretos.”

(Luiz Manuel Ruiz, Él critério de las moscas, Madrid, Suma de Letras, 1998)


Mas penso muito diferente, e carrego as palavras abaixo comigo…

“É muito bom estar entre os que conversam com as moscas e com elas trocam memórias, segredos e assim, descobrem coisas sobre a vida…”

(Prof. Dr. Elgion Loreto da Silva -UFSM)

Imagem: Pop-Ology

>A função da natureza

>

Série de imagens por Nikki Graziano, fotógrafa e matemática, demonstrando as funções nas sombras, arbustos, nuvens e montanhas de areia e gelo.
A estrutura do universo é matemática pura, linda e compreensível. Mas nos deixa com cara de bobo, e não adianta se perguntar “por que é assim?”. É, somente.

>Vou construir um cérebro!

>

>A mosca e o Jarro

>Encerro meus experimentos no “Jarro de moscas”. Não eram poemas e tão pouco poesia… Está na hora das larvas virarem moscas. Acho que era isso, um monte de larvas em forma de palavras, seladas e alimentadas nas horas certas.

Se quiserem conhecer ou se despedir fiquem a vontade. Talvez hoje ou amanhã abrirei a tampa do pote…

Obrigado a todos que leram, comentaram e sentiram alguma coisa, mesmo que seja repulsa ao ler uma hibridização frustrada talvez, de ciência e poesia.
E por último, um suspiro final disso que nao foi uma coisa nem outra, e sim algo no meio e diferente:

O Drosophilista:

“Querida e doce inflamação
escureça um pouco mais o meu pulmão
arranque os pedaços mais vermelhos
transforme minha carne em seu espelho
a sua tinta absorveu-me como papel
vou contar as moscas percorrendo o céu
e só tenho isso a te dizer
te adorei em nível atômico, molecular
um cadeado te prendeu num rio
e só com ele você soube amar…
E no fim, não merece nem um pouco de minha atenção

nem da quarta cavidade do meu coração.”

>Sobre a mecânica de dois ungulados

>

Quando alguém discorre a respeito de um assunto que não domina, corre o risco de ser superficial, simplório e equivocado. Sempre gostei de arte, antes mesmo de pensar nas coisas do universo natural (bem, o que fica de fora?) mas não sei definir se algo é arte ou não, e talvez mesmo os artistas não se preocupam com isto, em ter essa definição, mas não saberia dizer…O que posso dizer é que certas obras me agradam mais que outras, estéticamente. E se um artista diz que isto ou aquilo é arte, assim é. Perceba minha insegurança a falar a respeito…

Meu campo é a ciência. Estou familiarizado com seus métodos e linguagens, assim consigo definir de uma forma satisfatória se um assunto é científico ou não. E o fato de ser científico ou não ser, nao torna algo menos verdadeiro, importante ou interessante. Acho que consigo conviver com isto, com essa incerteza e imprecisão de algumas coisas, mesmo elas tendo sentido ou não…
Incríveis as esculturas do artista Sayaka Kajita Ganz que utilizou materiais reciclados para a confecção dos ungulados que decidi compartilhar aqui no meu espaço…

Via: Chris Tyrell’s Blog

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