Aprendendo a levar baile de mosca: uma Crônica

Pois vejam bem vocês, queridos leitores. O tal ano que prometidamente seria recheado de posts no blog está ficando meio mofado, enhô. Quanta vergonha, peloamor!

Como forma solene de pedir desculpas, coloco públicas certas imagens não tão satisfatórias destes blogueiros.

Como vocês provavelmente sabem (caso não, voilà!), nós dois trabalhamos com o estudo da relação simbiótica estabelecida e desenvolvida entre Wolbachia, a bactéria manipuladora feminista, e Drosophila, a famosa mosca da fruta. A verdade é que mais trabalhamos com o DNA dos ditos cujos, e o manejo das moscas mesmo se resume a manter a criação semanalmente (isso significa ficar colocando as moscas em meios de cultura novos e dar fermento pra elas ficarem felizes). Relação deveras superficial, diria eu.

Na semana passada, however, tivemos um mini curso teórico-prático de identificação de drosofilídeos aqui na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), onde eu (Natália) desenvolvo meu Mestrado em Genética e Biologia Molecular. O meu Lab na real se chama “Lab de Drosophila”, e eu admito que morria de vergonha (até semana passada! hoho) de não saber praticamente nada sobre a taxonomia e identificação morfológica das bichinhas. Meu caro colega de laboratório, o Lucas, que faz doutorado na Biologia Animal, nos ensinou o basicão, e também nos ajudou a nos sentirmos completos idiotas 😛

Explico: para nossa extrema sorte, o grupo de Drosophila que mais trabalhamos (“willistoni”) é composto por 5 espécies crípticas. Isso não é mérito apenas desse grupo, muitos outros drosofilídeos são crípticos. Isso significa que, colocando qualquer mosca do grupo sob uma lupa, vai ser impossível diferenciá-las. Que beleza, hein.

Mas não priemos cânico, meus caros! Basta DISSECAR A MOSCA e verificar a forma do EDEAGO (porção da genitália do macho)!! No caso do grupo willistoni, consegue ser ainda “melhor”: basta ver a forma do HIPÂNDRIO, UMA MINI MEMBRANA LIGADA AO EDEAGO! A resposta para tudo é: senta e chora. Ou melhor, senta e te mata pra dissecar a mosca.

Seguem algumas fotos do sofrimento público pelo qual passamos. Se visualizar a mosca na lupa já é difícil, vocês imaginem ter que decepar a parte final do abdômen da pequena, e ficar catando uma estruturinha minúscula e que tu nem sabe a forma hehehehhe. Uma satisfação!

Uma olha na lupa, o outro fica agourando! :D

Uma olha na lupa, o outro fica agourando! 😀

Felipe usando a força da barba pra virar a mosca de "barriga pra cima"

Felipe usando a força da barba pra virar a mosca de “barriga pra cima”

Natália com olhar de desespero

Natália com olhar de desespero

 

 

Após o dramalhão típico, fica a dica: trabalhar com Drosophila é demais! <3

Contaminações paralelas e horizontais…

Um dos grandes temas unificadores deste blogue é a simbiose e a transferência horizontal de genes. Talvez devido ao fato dos dois autores trabalharem, respirarem e se divertirem com isto, pois vai dizer que vocês também não acham um dos temas mais maneiros da biologia, e um dos fenômenos mais instigantes a ocorrer na vida na terra? Agora, abusando de analogias e metáforas, e roubando o termo da biologia, também, estes dois autores “contaminam” horizontalmente e constroem simbioses em outros projetos ligados a divulgação da ciência, informação e outras coisas não tão relacionadas (mas que consideramos maneiras também), e um dos projetos é o Podcast “Dragões de Garagem”, leia quem são os autores aqui.

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A ideia geral é falar de um modo descontraído sobre ciência e suas lateralizações, mas respeitando o rigor científico. Este que vos escreve já participou do primeiro episódio sobre carreira acadêmica (dando dicas de sobrevivência como onde comer de graça, onde dormir, com quem pegar carona) e do episódio 4, que o tema foi, adivinhem:Simbiose! com a participação mais que “satisfatória” da co-autora deste blog, Natália.

Além de participar do podcast, também mantenho um TUMBLR, o “A mosca e o jarro”, onde compartilho imagens sobre ciência, quadrinhos, filmes e outras estranhezas e bonitezas, como as que ilustram esse post…Das contaminações podem surgir coisas interessantes, e jamais esperadas, ou somente coisas maneiras mesmo…Aproveitem, contaminem e sejam contaminados também.

Ilustração Xenobiológica de Wayne Barlowe

Ilustração Xenobiológica de Wayne Barlowe

Tygra bem elegante para a festa

Tygra bem elegante para a festa

Necator americanus. Hookworm. Verme gancho… te engole por dentro.

Necator americanus. Hookworm. Verme gancho… te engole por dentro.

Hal Jordan, o Lanterna verde do setor 2814.1.

Hal Jordan, o Lanterna verde do setor 2814.1.

Mais informações em:

http://dragoesdegaragem.com/

http://www.facebook.com/dragoesdegaragem

http://amoscaeojarro.tumblr.com/

 

 

O Guia do Mochileiro da Biosfera

Não, agora de uma vez que tu não precisa entrar em pânico!

Por que? Explico: um grupo de amigos e mais os dois blogueiros que vos falam, em um lampejo de inspiração, resolveram tentar dar aquela mãozinha esperta, principalmente para os alunos iniciantes do curso de Ciências Biológicas (e afins). Como assim? Bom, você caro amigo que também trilhou ou trilha esta caminhada por vezes meio pedregosa da Biologia, sabe como teria sido extremamente satisfatório ter chegado no curso com uma bagagem de conhecimento um pouco mais pesada na mochila. Sabe aquilo que o professor fala no primeiro dia de aula: “ah galera, isso vocês lembram lá do ensino médio, né?”. E todo mundo resolve concordar, com vergonha de admitir “não faço ideia do que tu tá falando!!”.

Pois bem, nosso grupo de amigos formandos de Biologia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (São Leopoldo/RS) resolveu montar um Guia do Mochileiro da Biosfera. Um manual mesmo, o caminho das pedras pra chegar no curso (ou continuar nele) com alguns conhecimentos básicos e de extrema importância para o melhor aproveitamento de toda a enxurrada de informação que vai vir pela frente.

Esse Guia vai ser desenvolvido na forma de um curso dado em sextas e sábados, durante duas semanas, onde vamos injetar uma dose considerável de ânimo, dicas e conhecimentos mega legais pra ajudar vocês!

Vai ter de tudo: informações sobre carreira e possibilidades de futuro, conhecimentos teóricos (desde origem da vida, o que torna um organismo vivo, o que é e como a biodiversidade está distribuída na Terra…), passando por atividades práticas a campo e no laboratório, assim como várias dicas para montar Curriculo Lattes, montar resumo e pôster, divulgação científica, e o que tudo mais der na telha do povo na hora!

Curtam aí os cartazes super lindos que montamos pro curso. Totalmente e absolutamente inspirado na série do Douglas Adams, o Guia do Mochileiro das Galáxias 😉

Esperamos vocês das redondezas, ou de outra galáxia também 😀

 

 

Enquanto a PCR roda…

Veja bem amigos, estes blogueiros que vos falam são também colegas de laboratório. Acredito que tal informação já seja um tanto suficiente para imaginar possíveis cenas engraçadas.

Pois bem, a noite extremamente gelada de ontem foi regada a PCRs e manejo das adoráveis Drosophila, porém, para não perdermos a alegria de viver, e já que estávamos totalmente #foreveralone (tipo, Unisinos toda debandada), o jeito foi tirar umas fotos completamente inspiradas em Star Wars, Matrix e o Exterminador do Futuro (enquanto a PCR rodava e as moscas curtiam a night).

Pelo menos era assim que a gente estava se achando 😀

War style (atenção para a cara de maloqueiro do Felipe com a touquinha!)

Parabéns, Natália, por conseguir ficar tão tosca numa fotoNão é pra qualquer um 😛

Luz UV (e uma barreira entre tu e ela) deixam uma foto tão satisfatória!

Ah, e só pra ninguém ficar nos xingando, é claro que a gente não estava batendo as pipetas né galera, pelamor! Foi só uma pose ou outra e nada más 😀

>Ciência que rouba

>Li em algum lugar, talvez no blog do Mauro, que o melhor lugar para se fazer ciência não é sempre no laboratório, e sim muitas vezes em uma mesa de bar.

Alguns dias atrás, num boteco no centro antigo de Curitiba estava eu e meu grande amigo Químico, o Giorgio, conversando sobre o ensino de ciências, ambos já lecionamos, e obviamente já fomos (e ainda somos) estudantes. O tema principal foi a Eletrodinâmica e a Cromodinâmica Quântica, a Epigenética, metaloproteínas, ligações orgânometálicas, transposons e agentes quelantes. MINDFUCK!Mas isso foi só pano de fundo, a ciência, pois a grande questão em meio aos copos de cerveja e o frio estranho a mim, foi o porque dos métodos de lecionar ciência eram tão chatos quando estávamos na escola (e ainda é?), o que nos admira estarmos fazendo uma graduação em licenciatura em ciências e com objetivos de passar esse conhecimento para frente.
E pelas notícias do ministério da educação, falta professores de ciências, e os poucos com formação na área e já lecionam, tornam a matéria dura, enfadonha, e simplesmente chata!!!o que fazer na nossa humilde opinião? Introduzir exatamente estes assuntos complexos, que conversamos no bar, em tom de conversa, com o objetivo de “roubar “a atenção dos estudantes! certo que a primeira vista é paradoxal, ensinar por exemplo, a Relatividade, quando os alunos mal compreendem ou não gostam da física Newtoniana, mas a idéia é exatamente seduzir mesmo! através destes temas considerados “esotéricos”, um roubo no sentido mais belo da palavra. Dai então ficaria mais suave a transição para outros temas mais “prosaicos”, que são aqueles que a gente vê na escola, e claro no dia a dia.

E o mais precioso, o catalisador dessa sedução é o professor, ele que irá mostrar como é esse método especial de descobrir as coisas, que é a ciência. Que nada tira da beleza do mundo, mas só adiciona. Abrir as janelas da mente… Parece utópico eu sei, mas das vezes que toquei em assuntos complexos em aulas, os olhos da gurizada brilhavam, com esse mundo novo, grande e assombroso que se descortina quando estudamos a natureza das coisas através da ciência.
Tem o efeito Mpemba, descoberto por um estudante secundário africano, e que consiste no fato da água morna congelar mais rápido do que agua fria! muitas pessoas duvidam desse fato, mas então faça o seguinte, peça para a pessoa, ou seu aluno ir para casa e tentar reproduzir esse fenômeno, anotar os resultados e comparar com a teoria, agora sim, isso é ciência, e isso que a distingue de outros saberes, é um saber que te dá a possibilidade de confirmação e refutação pessoal de certas teorias.

J. Robert Oppenheimer


Então, dessa forma poderemos começar a falar de uma real educação científica. Que não pode se limitar a transmissão de dados, decoreba, e passar em provas… Certo, ainda há muitos “Muros” para impedir essas ações, essas conversas, mas comece em sua casa, em seu bar favorito, na sua sala de aula, daí sim alguma coisa importante poderá surgir disso.

O termo ciência que rouba foi um problema meu de tradução do espanhol, de uma série sobre ciências “Ciencia que ladra”. Mas eu gostei!

Imagem: aqui.

>Extinção e esquecimento

>

“Todos os meus amigos estão mortos…
Assim como os Brontossauros (apatossauros)
.
A maioria dos meus amigos estão mortos…
Assim como o Dodô.
Todos os meus amigos expiraram na terça…

Assim como o leite.”

Livro de Avery Monsen e Jory John, minha próxima aquisição aqui… Existe um poema lindo de John Griffin: Extinction, leiam…

>Beleza Marciana

>

Falar sobre a beleza. E eu entendo disso? não sou uma pessoa bonita, e talvez por isso (mas não somente) me interesso por demais sobre essa palavra inventada para descrever algo grandioso, ou pequeníssimo, desconhecido, fulgurante, que remove o ar dos pulmões, que aumenta os batimentos de um coração velho que surgiu provavelmente em “peixes” ou vermes ancestrais… Então, alguém inventa palavras curtas. bonito, beleza, belo e boniteza para descrever essa sensação, por lógica no pensamento.
Já ouvi artistas, poetas e filósofos dizerem que a ciência remove a beleza das coisas. Marte era o Deus Romano da guerra, da força e onipotência, um conquistador.

Os mitos antigos descreviam-o assim, e a Astrologia, um sistema antigo de idéias que sustenta que os movimentos aparentes dos astros influenciam, e nos guiam aqui na terra, milhões de quilômetros e anos de distancia das estrelas, e das imaginárias constelações., mas não somente do destino e nascimento das pessoas, mas sim até de empresas!!! Mas o que sabemos de fato sobre Marte? É um planeta frio, com uma frágil atmosfera, com geografias suspeitas por serem formadas por rios, lagos e oceanos alienígenas, a pelo menos 2 bilhões de anos atrás. Lá existe o maior canion do sistema solar, Valles Marineris ( o vale do marinheiro, com 3.000 km de comp. e 8 km de profund.) e a descomunal montanha (um vulcão na verdade) conhecido como Olympus Mons (monte olimpo, 27 km de altura).

Também há gelo nas calotas polares, formado por dióxido de carbono, e recentes evidências de água (tive uma felicidade imensa em saber, que precisava comemorar com uma pessoa que mantém diálogos com montanhas agora, lindos e cheios de gagueiras)…
Mas daí surge a pergunta, a ciência, que é um meio de descobrir as coisas, um método especial e muito cuidadoso de conhecer e descrever a sutileza do Cosmos, retira a beleza de Marte? Não, meus caros, só adiciona…

O sonhos de um dia ver o por do sol rosado daquele mundo estranho, suas areias tão antigas quanto nós, e imagine a primeira pegada humana nessa areia fria? não posso, e não consigo pensar que isso não é lindo. E que é belo saber isso.
Mas não precisa ter toda essa explicação minuciosa, cartográfica, psicológica, química para ser bonito.
Descartes estudou os arco-íris, por causa do fenômeno da luz atravessando confusa por partículas de água e poeira na atmosfera? ou será que era por que ele os achava terrivelmente belos? Pense nisso…

(Post de despedida de uns dias, e fortemente inspirado nas palavras do “Dick” Feynman)

Referências e Imagens: Porto do céu. Ny Daily News. Nasa. PopSci. Wikipedia. Física.cab.cnea.gov.ar

>Conversar com as moscas

>


“Sabía perfectamente, que los humanos resultan demasiado jactansiosos, que jamás descenderían a conversar com las moscas, a aceptar um terreno neutro em que dialogar de igual a igual, donde pudiera producirse uma desablé transacción de memorya e secretos.”

(Luiz Manuel Ruiz, Él critério de las moscas, Madrid, Suma de Letras, 1998)


Mas penso muito diferente, e carrego as palavras abaixo comigo…

“É muito bom estar entre os que conversam com as moscas e com elas trocam memórias, segredos e assim, descobrem coisas sobre a vida…”

(Prof. Dr. Elgion Loreto da Silva -UFSM)

Imagem: Pop-Ology

>As cores de uma sombra

>

Reproduzindo o chamado publicado no Coletivo ácido acético, sobre a paletra “Belas aplicações da Teoria das Cores de Young-Helmholtz: As sombras coloridas e as cores da Lua cheia” a ser realizada dia 18 de maio (terça-feira), às 19h, na Sala Multimeios do Planetário, ministrada pelo Prof. Fernando Lang da Silveira, do Instituto de Física da UFRGS, com entrada franca:

Resumo: A Teoria das Cores de Young-Helmholtz remonta ao início do século XIX e está concretizada, por exemplo, na tela dos nossos televisores e computadores. O preconceito de que as sombras não têm cores é revelado falso quando observamos o interessante efeito das sombras coloridas. Essa é apenas uma das aplicações de um conhecimento cujos fundamentos já possui mais de 200 anos.


Vide uma apresentação sobre as sombras coloridas aqui.

Veja a nota original aqui.

Imagem: as cores da sombra durante um oficina sobre a biofísica da visão e evolução do Olho que ministrei com colegas na Unisinos, ano passado.

>A mosca e o Jarro

>Encerro meus experimentos no “Jarro de moscas”. Não eram poemas e tão pouco poesia… Está na hora das larvas virarem moscas. Acho que era isso, um monte de larvas em forma de palavras, seladas e alimentadas nas horas certas.

Se quiserem conhecer ou se despedir fiquem a vontade. Talvez hoje ou amanhã abrirei a tampa do pote…

Obrigado a todos que leram, comentaram e sentiram alguma coisa, mesmo que seja repulsa ao ler uma hibridização frustrada talvez, de ciência e poesia.
E por último, um suspiro final disso que nao foi uma coisa nem outra, e sim algo no meio e diferente:

O Drosophilista:

“Querida e doce inflamação
escureça um pouco mais o meu pulmão
arranque os pedaços mais vermelhos
transforme minha carne em seu espelho
a sua tinta absorveu-me como papel
vou contar as moscas percorrendo o céu
e só tenho isso a te dizer
te adorei em nível atômico, molecular
um cadeado te prendeu num rio
e só com ele você soube amar…
E no fim, não merece nem um pouco de minha atenção

nem da quarta cavidade do meu coração.”

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