>Evo-Devo pt 1: Explosão Cambriana (The Beauty gets Freak)

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A “Explosão do Cambriano” ocorreu no período entre 543 e 506 milhões de anos, e é assim chamada porque, nesse piscar de olhos geológico, surgiram praticamente todas as linhagens de filos animais hoje existentes. Observando-se o registro fóssil, antes desse período (por volta de 565-544 milhões de anos atrás), dominavam esponjas, celenterados e ctenóforos. Enfim, animais de tamanho pequeno e morfologia simples (assimetria ou simetria radial), que podem ser observados nos fósseis da Fauna de Ediacara (como os representados na gravura abaixo).


Em contraste a esses registros, a maravilhosa Fauna de Burgess Shale (de pleno Cambriano: 520-515 milhões de anos) é um verdadeiro paraíso de registros de animais com formas complexas, grandes e de simetria bilateral, onde a maioria das linhagens ricas em espécies animais atualmente existentes estão presentes. Dêem uma olhadinha no astrombólico Marella, da figura abaixo, um dos representantes mais comuns de Burguess Shale da metade do Cambriano, para terem uma ideia da complexidade destes senhores.

Assim, embasado nas evidências disponíveis, pode-se dizer que os membros mais antigos de praticamente todas as linhagens animais apareceram de forma relativamente súbita no registro fóssil, ao mesmo tempo, em diferentes partes do globo.
Entretanto, um passo importantíssimo para a derivação de formas animais complexas, a simetria bilateral, hoje sabe-se surgiu no período pré-Cambriano, como pode ser visto nos embriões fossilizados bilaterais da formação Doushantuo (635-551 milhões de anos) e outros organismos semelhantes a artrópodes, como Kimberella (foto abaixo), também do período anterior ao Cambriano.


Este fato gerou uma reviravolta no conceito de Explosão Cambriana, que agora parece ter sido mais uma explosão de diversidade morfológica, e não necessariamente de linhagens, visto que essas ocorriam antes. Sendo sssim, a explosão trouxe uma variedade de planos corporais e morfologia, mas a irradiação destes bilatérios provavelmente foi conduzida pelo modo de vida dos organismos: aumento de oxigênio dissolvido e consequente aumento da taxa metabólica possibilitaram corpos maiores e mais complexos, aptos à exploração de novos nichos ecológicos.


Mas… cá com nossos botões, para haver a tal explosão morfológica, a maquinaria necessária para sua produção deveria estar guardada naqueles vermes bilaterais simplórios, mesmo que não estivesse mostrando todo seu esplendor em seus possuidores.
Essa maquinaria, hoje se sabe, é um arcabouço genético intrincado e complexo, comum a todos os animais, e possibilitou a “invenção” destas infinitas formas de grande beleza.
E esse arcabouço hoje recebe o nome de Caixa de Ferramentas Acidental, ou o Kit de Ferramentas Genético que, me perdoem meus caros leitores, vai ficar para o próximo post, senão vocês vão ficar de mal comigo 🙂
Está combinado então que a Trilogia Evo-Devo a partir de agora será uma Quadrilogia!
O próximo post será sobre o Kit de Ferramentas, aguardem!

Eu usei dados retirados dos livros:
– Análise Evolutiva, de Scott Freeman & Jon Herron (4ª edição, Artmed, 2009)
– Infinitas Formas de Grande Beleza, de Sean Carroll (Jorge Zahar Editor, 2006)

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