>Sobre bactérias alienígenas…

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Tomei conhecimento através do “Gene Repórter” do Roberto Takata sobre o artigo do pesquisador da NASA/Marshall Space Flight Center, Richard B. Hoover publicado on-line e de acesso livre no “Journal of Cosmology”, sobre a descoberta de estruturas nos meteoritos Alais, Ivuna e Orgueil CI1 , que possuem semelhança com uma uma bactéria gigante, a Titanospirillum velox e diversos outros microorganismos “espiralados”.

Comparação entre os supostos microfósseis de Hoover e a bactéria Titanospirillum velox.

Se a descoberta fosse da área da palentologia, seria algo usual, mas a conclusão de Hoover vai muito além, pois ele alega que os microfósseis sao indígenos do meteorito, e não representam uma contaminação de organismos terráqueos atuais ou extintos… Encurtando a história, a conclusão do artigo é que estas estruturas representam entidades biológicas extraterrestres que pegaram carona no meteorito, possivelmente de uma exolua, ou de outros planetas!, Baseado em fotografias por métodos avançados e sensíveis (microscopia eletrônica) e por comparação com organismos como a já citada bacteria sulfurosa, das estruturas para reprodução, fixação de nitrogênio e outras atividades metabólicas de microorganismos conhecidos.

Ilustração belíssima da Titanospirillum velox.

Realmente, nao tenho “expertise” suficiente para julgar, mas a máxima de Carl Sagan, talvez seja a forma mais simples de expressar em poucas palavras como funciona o método científico: “Alegações extraordinárias requerem evidências extraórdinárias”, frase que já virou um “meme” ou um mantra de como os cientistas testam, validam ou refutam suas hipóteses.
Alem das estruturas alienígenas, (e de fato são) varios compostos orgânicos como hidrocarbonetos e aminoácidos foram detectados nos meteoritos, todos apontando uma origem extraterrena (e mais uma vez, penso que ainda é cedo para concluir a respeito dos microfósseis)… Entre os dias 7 e 10 de março comentários a respeito do artigo irão ser postados no site da revista.

Uma das metas da NASA e da ESA (agência espacial européia) é futuramente aterrissar em Europa, uma das luas de Júpiter e coletar amostrar do suposto oceano líquido ou congelado, e averiguar se existem assinaturas biológicas nestes lugares alienígenas. Só assim para confirmar a hipótese de vida fora da Terra, se realmente tivermos acesso a tais organismos hipotéticos…Uma idéia interessante sugerida no artigo é a respeito das colorações na superfície da lua Europa, que poderiam ser em decorrência da atividade biológica alienígena, como alguns microorganismos fazem aqui na Terra, o exemplo da “neve de melancia” causada pelo Protista Chlamydomonas nivalis.

“Neve de melancia”.

Referências:
Gene Reportér

Journal of Cosmology

“Titanospirillum velox: A huge, speedy, sulfur-storing spirillum from Ebro Delta microbial mats.”PNAS.

Imagens:

Journal of Cosmology
Eco-time
Palomar
Nasa.gov

>Eu sou de arsênico. Uma bactéria seduzida por um veneno, no lugar mais solitário do planeta

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Ah… Bactérias. Organismos primordiais do nosso planeta. Ocupam praticamente todos os nichos da Biosfera, até mesmo vivemos em paz com elas (em nosso estômago) ou as vezes elas podem nos matar. Entidades simples, mas que “inventaram” as mais diversificadas e estranhas maneiras de sobreviver. Manipuladoras sexuais, sobreviventes a radiação alta, fazem nuvens, constroem colônias petrificadas em praias antigas, comem enxofre, e agora, em artigo publicado na revista Science, e divulgado em coletiva de imprensa as 17 hs (horário de Brasília) e 2 hs de Washington D.C, Estados Unidos pelo centro de Astrobiologia da NASA, podem utilizar o elemento Arsênico (As) em sua bioquímica, substituindo o Fósforo (P) como estrutura essencial na molécula de DNA, e possívelmente em outras biomoléculas.
O que pensávamos sobre a vida, ou sobre os elementos essenciais da “vida como ela é” era baseado nos “big six“, ou seja, todas as formas de vida, de um grão de bactéria, de um cavalo marinho, uma bromélia solitária, e até a ruiva apetitosa Christina Hendricks, todos são formados de básicamente Carbono (C), Hidrogênio (H), Oxigênio (O), Nitrogênio (N), Fósforo (P) e enxofre (S). A arquitetura molecular desses organismos é estruturada por estes átomos em forma de biomoléculas, nas estruturas celulares, no ATP (trifosfato de adenosina) a “energia que dá força”, e na molécula da vida, o DNA. Para o nosso interesse o fósforo desempenha a função de formar o “esqueleto” do DNA, na forma de fosfato (PO43-) ligando-se ao oxigênio e açúcares, constituindo a estrutura externa dessa molécula.

A pesquisa liderada pela Bioquímica Felisa Wolve-Simon do NASA Astrobiology Institute, demonstrou em seus experimentos com o organismo do Domínio Bacteria, filo das Proteobacteria, da família Halomonadaceae, estirpe “GFAJ-1”, que é possível que esse organismo substitua o fosfato por arsenato (AsO43- ) em funções analógas ao DNA “padrão”, formando o esqueleto do DNA, talvez ATA (Triarsenato de adenosina?) e também nas estruturas celulares que compoem essa estranha amante do arsênico.
O lago onde vivem estas bactérias chama-se “Mono, na califórnia E.U.A, sua paisagem alienígena dá asas a imaginação. É um ambiente hipersalínico e alcalino, sua temperatura fica em torno de -15 C° a 17 C°, a vida nesta faixa sofre uma redução em seu metabolismo (o que o arsênico pode desempenhar papel fundamental neste caso).

Quando fiquei sabendo ontem a noite sobre essa coletiva, esperava algo um pouco mais surpreendente (mas, que de fato é sim, para a biologia), mas imaginava um novo código genético, ou uma nova forma de vida terrestre, que foi batizada hipotéticamente como “Biosfera das Sombras” pelo Astronomo Paul Davies, que seriam formas de “vida”, que evoluíram de forma independente no sentido de não compartilharem estes constituintes básicos, não sendo possível sua inclusão dentro das classificações que conhecemos. Bem, não foi isso que aconteceu. Tão pouco a descoberta de vida extraterrestre como muitos haviam pensado, já que o tema era Astrobiologia. O que provavelmente aconteceu neste estranho e “sedutor” evento evolutivo foi uma adaptação extrema para utilizar o elemento “As” invés de “P”, como constituinte básico em sua biologia.

“I am arsenic, half dead and cold as a stone,
I’ll burn your guts and crush your bone.
If I should venture, corruption would spread.
No one should approach the living dead!
I am a poison – a knife in your guts.
I need to be blameless, disguise my sin,
I need to have a hide for a skin!
I need to be tidy, need to be clean,
need to have my best efforts seen.

Então, não encontramos E.Ts, nem uma nova forma de vida completamente disparate, mas um tipo tomado de estranheza à bioquímica convencional utilizada por todas os outros (até onde sabemos). No contexto cosmólogico, abre possibilidades de encontrar outros organismos em exoluas e exoplanetas, e até mesmo no nosso sistema solar, já que a vida, de certa forma ainda pode nos surpreender cada vez mais,e me surpreendeu. E quanto a você, querido leitor?

Prometo mais detalhes a seguir (e correções), preciso dormir agora e aproveitar que o meu velho computador me permitiu escrever este texto tarde da noite.

Referências:
Sience Magazine: “A Bacterium That Can Grow by Using Arsenic Instead of Phosphorus” DOI: 10.1126/science.1197258

Nature News: “Arsenic-eating microbe may redefine chemistry of life

Poema: “I am arsenic” por Misha Norland
Mark Twain

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