>De bactérias púrpuras até as galáxias.

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Quando um Biólogo (ainda não me graduei, mas enfim…) diz que você é bonita, não pense que é somente um elogio, daqueles que já ouviu de todos os outros e em todas as sextas (ou sábados, ou nos outros dias da semana) pois claro, nossa mente funciona através da comparação, e neste caso a comparação não se dá com as outras mulheres, de outras sextas,
sábados e outros dias da semana, mas sim com todos os outros organismos deste firmamento… E isso, tipo, é bastante coisa sabe… Eu comparo com todas as estruturas do Universo, de bactérias púrpuras do fundo do oceano a galáxias em espiral. De pandas e pessoas. De pulsares a foraminíferos… Então, leve a sério…

>Sobre vermes e homens

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“E, no esforço de ser homem, o verme
Escala todas as espirais da forma”
(Jun Takami)
Imagem: Mario Ciocca – New Scientist

>As chuvas de abril em Titã…

>ResearchBlogging.org

No momento que escrevo este texto, chove na noite de Porto Alegre… Lá em Titã, a segunda maior exolua do nosso sistema solar, um dos satélites naturais do deslumbrante planeta Saturno, aquele exibido com seus anéis, também está chovendo. Uma chuva alienígena, escura e densa, mas que a boniteza deste fenômeno, antes único no nosso sistema solar, o ciclo de chuvas, algo tão vulgar e comum em muitas regiões aqui na Terra, não passe despercebido por nós…

Nuvens equatoriais em Titã.

O clima em Titã é similar ao da Terra, há ventos intensos que ajudam a moldar a sua superfície, formando dunas, lagos, rios, e talvez até oceanos de metano ou etano. Aparentemente há estações definidas em Titã, cada uma durando em torno de 7 anos terrestres.

Comparação de tamanho entre a Terra, Titã e a nossa Lua.

Em artigo publicado ontem na revista Science, E.P Turtle et al. reportam a ocorrência do início de temporada das chuvas e teorizam a respeito do sistema atmosférico de precipitação comparado com o da Terra.

“Padrão simplificado de circulação da atmosfera e os padrões de precipitação em Titã e da Terra. A maior parte da precipitação ocorre na ZCIT (Zona de convergência intertropical), onde o ar sobe como resultado da convergência dos ventos de superfície das direções norte e sul. A ZCIT Titã era anteriormente perto do pólo sul (A), mas está atualmente em seu caminho para o pólo norte (B). A migração sazonal da ZCIT na Terra é muito menor (C e D).
No dia 8 de Julho de 2009, a sonda Cassini observou a reflexão especular do Sol, no espectro do infravermelho de um dos lagos desta Lua, o Jingpo Lacus, que existe na região polar de Titã, logo após esta área emergir de 15 anos da escuridão invernal…
Penso num futuro distante, onde os alienígenas na praia seremos nós, debaixo de nuvens chuvosas, a lembrar de forma saudosa da chuva de início de outono de Porto Alegre (ou qualquer outra cidade) na Terra, e quem sabe navegar em tais lagos e oceanos…

…all I ask is a tall ship and a star to steer her by. John Masefield (1878-1967).

Referências:

LUNINE, J., STEVENSON, D., & YUNG, Y. (1983). Ethane Ocean on Titan Science, 222 (4629), 1229-1230 DOI: 10.1126/science.222.4629.1229

E. P. Turtle et Al. (2011). Rapid and Extensive Surface Changes Near Titan’s Equator: Evidence of April Showers. Science. 18 March 2011: 331 (6023), 14141417. [DOI:10.1126/science.1201063]

Sciencenow

Página da Wikipédia sobre Titã

Poema “Sea fever” de John Masefield

À respeito da ultima postagem sobre as supostas bactérias extraterrestres, uma pequena matéria e entrevista sobre o fechamento do laboratório de Astrobiologia da Universidade de Cardiff na Inglaterra, onde o diretor era o físico Chandra Wickramasinghe, um dos resenhistas do polêmico artigo e editor da revista onde ele foi publicado, mais infos. em breve…

>Amanhã eu não sei…

>Correr e permanecer no mesmo lugar (só que num diferente, sempre) ei? (mas se é o mesmo, como é diferente?) bem, isso é uma citação literária não precisa se preocupar ok?, um pouco de Rainha Vermelha, e a morte de Leigh Van Valen, que observou essa dinâmica entre parasitas e hospedeiros, o que pode ter dado origem ao Sexo…

Neste último mês comecei um novo espaço, dedicado a microtextos e imagens sobre genes, microscopia por tunelamento quântico, extinção, arte? que deriva do mundo natural, do real e imaginário (sim!!!! existe um mundo lá fora, de VERDADE) e através da observação, podemos construir conhecimentos para termos o poder de pensar, e agir sobre essas coisas todas. Eu vejo que tudo se trata de encontrar o seu lugar no mundo. Talvez tenha encontrado agora, amanhã eu não sei
Então, o espaço está aberto com algumas imagens e textos (confesso que estou me divertindo muito) : “A mosca e o Jarro” . Apareçam, comentem, copiem e mandem fotos…

Para encerrar, seguindo o estilo do meu novo “Tumblr” um poema do Richard Feynman que eu gosto bastante.

Contemplo a sós o mar e penso …
Vejo as ondas em agitado movimento …
São montanhas de moléculas,
cada umas indiferente às outras …
triliões as separam
formam, porém um uníssono a branca espuma.

Idades primervas sucessivas …
´inda as ondas não eram por humanos olhos visíveis
ano após ano
ano após ano, tão estrondosamente
como agora, batiam nas praias.


para quem, para quê? …
num planeta ainda sem vida,
um espectáculo sem espectadores.

Jamais em repouso …
torturado era o mar pela energia
prodigiosa do Sol …
desperdiçada sem trégua, derramada no espaço.
Uma migalha apenas faz bramir o mar.

Na profundidade dos oceanos, as moléculas
repetiam-se em padrões codificados
e repetindo-se, repetindo-se sem fim,
moléculas complexas formaram.
Novas e outras iguais a si …
E uma dança original iniciaram.

Crescendo em tamanho, escolheram a via da
complexidade …
Eis, por fim, a vida, multidões de átomos,
ADN, proteínas …
Sempre, sempre embalando-se em estrutura complicada

Saídos já do berço-mar, agora
terrestres …
átomos que ponderam,
matéria observadora.

À beira-mar …
um Eu …
Pergunta e pergunta-se:
um universo de átomos …
um átomo-ilha no universo

>A mosca e o Jarro

>Encerro meus experimentos no “Jarro de moscas”. Não eram poemas e tão pouco poesia… Está na hora das larvas virarem moscas. Acho que era isso, um monte de larvas em forma de palavras, seladas e alimentadas nas horas certas.

Se quiserem conhecer ou se despedir fiquem a vontade. Talvez hoje ou amanhã abrirei a tampa do pote…

Obrigado a todos que leram, comentaram e sentiram alguma coisa, mesmo que seja repulsa ao ler uma hibridização frustrada talvez, de ciência e poesia.
E por último, um suspiro final disso que nao foi uma coisa nem outra, e sim algo no meio e diferente:

O Drosophilista:

“Querida e doce inflamação
escureça um pouco mais o meu pulmão
arranque os pedaços mais vermelhos
transforme minha carne em seu espelho
a sua tinta absorveu-me como papel
vou contar as moscas percorrendo o céu
e só tenho isso a te dizer
te adorei em nível atômico, molecular
um cadeado te prendeu num rio
e só com ele você soube amar…
E no fim, não merece nem um pouco de minha atenção

nem da quarta cavidade do meu coração.”

>Navegar é preciso: A rima do elemento Mariner

>

No ano de 1986, a equipe liderada por J.W Jacobson, isolou um novo elemento transponível , o Mariner, retirado de um mutante de Drosophila mauritiana de olhos brancos, cujo a mutação foi denominada de peach (pêssego). O elemento recebeu esse nome em referência ao antigo poema The Rime of the Ancient Mariner” do poeta inglês Samuel Taylor Coleridge, que fala sobre um velho marinheiro que se perde em suas navegações e que passa por eventos sobrenaturais.
Esse elemento transponível é provavelmente o mais difundido entre os seres vivos, sendo encontrado na maioria dos insetos, crustáceos, aracnídeos e até mesmo no genoma humano, onde é possível encontrar o Hsmar1 fusionado a uma proteína, e em torno de ~1000 cópias do Hsmar2
( Homo sapiens mariner 2), localizado no cromossomo 17. Pesquisas recentes apontam para uma relação com doenças humanas como a Charcot-Marie-Tooth.


A transferência horizontal desse elemento possui fortes evidências de ter ocorrido em diversas espécies, como entre a mosca de chifres Hematobia irritans e o mosquito Anopheles gambiae, que divergiram evolutivamente a 200 milhões de anos atrás e que possuem 90% de identidade similar do elemento. Uma possível transferência horizontal de mariner também foi identificada entre a vespa parasitóide Ascogaster reticulatus e sua larva hospedeira, a Adoxophyes honmai, contendo similarididade de 97.6% e não sendo identificado em espécies próximas a esses grupos.

Um acontecimento importante na nossa evolução, dos primatas, foi a possível fusão entre a histona metiltransferase SET com uma enzima (transposase) de um elemento mariner o Hsmar1, que deu origem a um gene quimérico do grupo dos primatas, o SETMAR, num evento que deve ter ocorrido há 40–58 milhões de anos atrás.
Esses elementos também foram encontrados em planárias, nas hydras e em morcegos, o que torna o transposon Mariner um dos melhores navegadores do “oceano genético” que circunda a todos nós.

Referências:

Cordaux, R., S. Udit, M. A. Batzer, and C. Feschotte. 2006. Birth of a chimeric primate gene by capture of the transposase gene from a mobile element. Proc. Natl. Acad. Sci. USA 103:81018106

Mikio Yoshiyama, Zhijian Tu, Youichi Kainoh, Hiroshi Honda, Toshio Shono, and Kiyoshi Kimura: Possible Horizontal Transfer of a Transposable Element from Host to Parasitoid Mol Biol Evol 2001 18: 1952-1958

Liehr, Thomas: Localization of mariner DNA Transposons in the Human Genome by PRINS Genome Res. September 1, 1999 9: 839843; doi:10.1101/gr.9.9.839

Imagens: Gustave Doré Art Prints . Uma curiosidade sobre Gustave Doré é que ele ilustrou a divina comédia de Dante e o Paradise Lost de John Milton.

>Princípio antrópico

>

“O Universo não é uma idéia minha.”

Alberto Caeiro

Na verdade, nós somos uma idéia do Universo.

Leia todo o poema aqui.

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