O “Big Bang” nosso de cada dia

Uma colega me pergunta sobre uma aplicação do “Big Bang” no nosso dia a dia. Na verdade, uma outra colega que fez a pergunta a ela,  pois  precisava preencher relatórios do seu estágio obrigatório em licenciatura (aquele onde pela primeira vez muitos futuros professores entram numa sala de aula), onde deveria estar descrito um tema a ser trabalhado, nesse caso “A origem do universo”.
Um dos campos de tal documento é: aplicações do conhecimento no dia a dia.

Bom, primeiro, penso cá comigo, qual é a aplicação da teoria do big bang na vida das pessoas?

A origem de todas as coisas

A origem de todas as coisas

Primeiro, enquanto a origem do universo é um fato (estamos aqui, cogitamos e não é um sonho), inferido das observações da sua natureza, a teoria do big bang é o modelo explicativo de tal fato. O termo “Big Bang” foi cunhado por Fred Hoyle, o físico, escritor e cavaleiro da Rainha, em desdém a ideia que tudo se iniciou com uma grande explosão. O que aconteceu não foi uma explosão, mas sim do rápido crescimento cósmico, de um ponto infinitesimal até as proporções atuais, sendo que em seus primeiros segundos, a temperatura era tão quente, que os blocos de matéria (já que matéria não existia) estavam em forma de um gás quente e ionizado, o plasma de quarks primordial. Não podemos falar de um “antes”, já que o tempo surgiu com o big bang, e um “onde”, pois não existiam espaços, onde as coisas estavam distanciadas, assim não existindo “um local” onde se encontrava o tal ponto. Tudo estava uno, e absurdamente quente, e então as dimensões surgiram e as coisas que formariam a matéria (entre eles quarks e átomos leves) foram impelidas, jogadas em todas as direções. Mas existe um “quando”, que aconteceu a ~14 bilhões de anos atrás.
As evidências mais fortes para esse cenário são: as galáxias estão se distanciando. Existe um “rúido” eletromagnético, uma luz muito fraca e bamboleante desse momento hiperquente do universo, conhecida como radiação de fundo ( a estática no rádio e na tv quando se troca de estação) e a abundância de elementos leves como o hidrogênio, que deram origem (e ainda dão) as estrelas e estruturas complexas do cosmo, como os quasares e a mente feminina.
A rede cósmica  que conecta o universo

A rede cósmica que conecta o universo

Agora, voltando a questão que moveu este escriba a voltar a escrever por aqui, qual seria a aplicação desse conhecimento nas nossas vidas?
Penso que (e sei que não estou sozinho) querer saber de onde viemos, de onde tudo surgiu, e para onde vai isso tudo, são alguns dos questionamentos mais importantes e profundos que existem, que ajudam a construir a nossa identidade no mundo, e a ter humildade perante a grandeza das escalas e de tempo da existência. Quando chegamos no mundo não sabemos nada, e ele já está aqui. Existiu  um momento que não existíamos, nossos pais, avós e bisávos não existiam, bom, nada existia, e depois tudo veio a ser, e chegará um momento que nada mais, talvez venha a existir. O que importa é o que fazemos, e o que escolhemos fazer nesse meio tempo, que é a nossa vida. Embora os conhecimentos que a ciência, e a filosofia (afinal, são questões clássicamente filosóficas) não possam nos dizer qual é o nosso papel a ser desempenhado nesse drama cosmogônico, esse conhecimento e forma de raciocinar, nos dá liberdade e poderes para criar um sentido, que é pessoal, mas transferível e que pode ser o de melhorar as nossas vidas, e ser mais legal uns com os outros, já que é efêmero o tempo concedido a nós, e até mesmo chamar para sair aquela pessoa legal que tu ficas curtindo as fotos do facebook, mas não cria coragem para conversar.
Já que estamos fadados a grande expansão cósmica, que tal chamar alguém para sair?

Já que estamos fadados a grande expansão cósmica, que tal chamar alguém para sair?

Coisas que já foram ditas antes, de Buda, Jesus, Lao Tsé e o He-man no final de cada desenho, mas que muita gente esquece. Quiçá, construiremos uma ponte para as estrelas,  pois se o modelo do big bang estiver correto, a matéria existente não seria suficiente para frear a rápida expansão cósmica (sim o universo se expande meus caros amigos, embora o Brooklin não esteja se expandindo) e em um futuro distante,  depois de sermos legais uns com os outros, iremos agregar matéria, utilizando de Engenharia Galáctica para tanto, e diminuir a distância entre nós e as galáxias. Ah sim, isso seria uma aplicação não é mesmo?
Fontes:
http://science.nasa.gov/astrophysics/focus-areas/what-powered-the-big-bang/
http://curious.astro.cornell.edu/question.php?number=71
Imagens:
http://en.wikipedia.org/wiki/Big_Bang
https://blogs.stsci.edu/livio/2012/06/12/from-spider-webs-to-the-cosmic-web/

Quando Woody Allen flertou com a Física

Não sei vocês, mas eu sou muito entusiasta do Woody Allen (aliás, sabiam que o nome verdadeiro dele é Allan Stewart Königsberg? totalmente compreensível a escolha do nome artístico, convenhamos). Não sou muito chegada em filmes de comédia (pastelão então, eu durmo!), mas os dele são simplesmente ótimos. Aquele humor meio auto-depreciativo, super irônico e inteligente te faz reconhecer frases de Woody Allen à distância.

Como não achar Woody Allen um senhorzinho simpático?

Não podem imaginar então minha satisfação ao encontrar esse texto dele, “Zero Gravity”, no site da Sociedade Americana de Física. É um texto “antigo”, de 2003, mas eu me deliciei com o flerte dele com diversos conceitos da física e da astronomia. Abaixo eu traduzi livremente parte desse texto. Acho que quem gosta de Woody Allen, quem gosta de física, e quem não gosta de nenhum desses, mas até acha graça de uma comédia, vai achar que vale a pena a leitura 😉

“Foi neste momento que nossa nova secretária, Srta. Lola Kelly, entrou na sala. Agora, no debate acerca de se tudo é feito de partículas ou ondas, Srta Kelly definitivamente é do time das ondas. Você pode perceber que ela é do time das ondas toda vez que ela vai até o bebedouro. Não que ela não tenha boas partículas, mas são suas ondas que a fazem conseguir aquelas joias da Tiffany.  Minha esposa também é mais ondas que partículas, o único detalhe é que as ondas dela aparentemente começaram a ceder um pouco. Ou talvez o problema seja que minha mulher tem muitos quarks. A verdade é que ultimamente ela parece como que se tivesse passado muito perto de um horizonte de um buraco negro, e uma parte dela (talvez toda ela?) tenha sido sugada por ele. Isso deu a ela uma forma meio engraçada, que eu espero que possa ser concertada por fusão a frio. Meu conselho pra qualquer pessoa sempre foi o de evitar buracos negros porque, uma vez dentro deles, é realmente difícil sair e ainda conservar seu ouvido para música. Porém se você por acaso realmente cair dentro de um buraco negro e emergir do outro lado, você provavelmente vai viver toda sua vida uma e outra vez novamente, mas ficará comprimido demais para sair e encontrar garotas.

Então eu me aproximei do campo gravitacional da Srta. Kelly, e pude sentir minhas cordas vibrando. Tudo que eu queria era enrolar meus bósons ao redor dos glúons dela, deslizar através de um buraco de minhoca, e fazer um pouco de tunelamento quântico. Porém, foi neste momento que eu fui rendido pelo princípio da incerteza de Heisenberg. Como eu poderia agir, sem conseguir determinar a exata posição e velocidade dela? E se eu, do nada, causasse uma singularidade? Isso é, uma ruptura devastadora no espaço-tempo? Elas são tão barulhentas… Todo mundo iria olhar para nós, e eu ficaria muito envergonhado em frente à Srta. Kelly.

Ah, mas aquela mulher tinha uma energia escura tão boa! Energia escura, apesar de hipotética, sempre foi um tesão para mim, principalmente se for em uma mulher com sobremordida. Eu comecei a fantasiar que, se eu pudesse ao menos levar ela para dentro de um acelerador de partículas por 5 minutos com uma garrafa de Chateau Lafite! Eu estaria parado ao lado dela, com nossos quanta se aproximando à velocidade da luz, com o núcleo dela colidindo com o meu. Claro que, justamente nesse momento um pedaço de antimatéria caiu no meu olho, e eu tive que arranjar um cotonete para tirar ele. Eu tinha tudo, mas perdi as esperanças quando ela se virou para mim e disse:

“Desculpe, eu estava indo encomendar um café, mas agora parece que não consigo me lembrar da equação de Schrödinger. Não é uma bobice minha? Simplesmente me fugiu da cabeça!”.

“A evolução de ondas de probabilidade”, eu disse, “e se você está encomendando, eu adoraria um muffin inglês com múons e chá.”

“Será um prazer”, ela disse, sorrindo e se encurvando em uma forma de Calabi-Yau. Eu pude sentir minha constante invadir o campo fraco dela quando eu pressionei meus lábios nos neutrinos dela. Aparentemente eu alcancei algum tipo de fissão, porque a próxima coisa que percebi foi que eu estava me levantando do chão com um camundongo no meu olho, do tamanho de uma supernova.

Claro que qualquer texto fica melhor em sua língua original, mas né… esse cara é realmente genial! Aliás, esse texto me lembrou de outro flerte dele com o mundo da ciência, o filme “Wathever Works” (Tudo Pode Dar Certo), que conta a história de um ex-professor de Mecânica Quântica da Universidade de Columbia, Boris Yellnikoff, que virou o professor de xadrez mais insuportável e hipocondríaco do universo (pelo menos do universo dele, em Nova Iorque), e acaba se vendo envolvido com uma jovem garota, obviamente passando pelas mais bizarras confusões. Eu achei bem satisfatório, recomendo!

O querido e rabugento Boris, de Whatever Works

 

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