Sagan é pílula de inspiração!

Como uma pessoa consegue escrever um livro inteiro formado por frases de efeito? Esta sem dúvida é, para mim, a característica mais marcante dos textos de nosso querido Carl Sagan. Uma profusão de palavras montadas em um arranjo tão poético e bonito, a ponto que conseguimos ler tal qual embalagem de xampu temas que muitas vezes seriam de difícil compreensão dentro de uma linguagem engessada e “científica” (dentro dos parâmetros considerados normais, para meu desgosto).

Comecei hoje a ler “Broca’s Brain”, publicado no final da década de 70. Recebi este pequeno tesouro como doação da vizinha de SBBr Paula Signorini (de novo, GRAZIE MILLE!), em um formato pequeno, amarelado e maravilhoso. Posso dizer desde já que me sinto uma pessoa privilegiada por ter a chance de ter em mãos tamanha obra de arte. Já fui fisgada nas primeiras páginas, e o decorrer da leitura me fez torcer veementemente para eu caísse em um gap do espaço-tempo, para lê-lo de uma sentada só (infelizmente minha eterna labuta nos trilhos de trem me impediram).

Copio abaixo um trecho que me trouxe arrepios. Volta e meia esses textos do Sagan me confirmam a impressão de que ele foi atemporal, a ponto de escrever, há 33 anos atrás, coisas que hoje nos parecem tão contemporâneas. Por outro lado, também acabamos por ver que algumas discussões continuam exatamente as mesmas…

All inquiries carry with them some element of risk. There is no guarantee that the universe will conform to our predispositions. But we do not see how we can deal with the universe – both the outside and the inside – without studying it. The best way to avoid abuses is for the populace in general to be scientifically literate, to understand the implications of such investigations. In exchange for freedom of inquiry, scientists are obliged to explain their work. If science is considered a closed priesthood, too difficult and arcane for the average person to understand, the dangers of abuse are greater. But if science is a topic of general interest and concern – if both its delights and its social consequences are discussed regularly and competently in the schools, the press, and at the dinner table – we have greatly improved our prospects for learning how the world really is and for improving both it and us. That is an idea, I sometimes fancy, that may be sitting there still, sluggish with formalin, in Broca’s brain.

Espero que isso também traga para vocês, queridos leitores, uma sensação de inspiração profunda para mais esse dia. Science is the poetry of reality 🙂

8 Mitos sobre Cientistas

Não pude deixar de compartilhar com os caríssimos e amigos leitores da Crônica das Moscas estes oito mitos sobre cientistas, que encontrei no Tumblr The Mighty Ribozyme (originalmente publicado na ScienceMag por Adam Rubben). Duvido não perceberem uma identificação tremenda imediatamente! OBS: Adicionei algumas observações pessoais em itálico 😉

Divirtam-se!

Cabelos grisalhos e arrepiados são praticamente mandatórios

Mito #1: Cientistas frequentemente fazem importantes descobertas

Realidade: descobertas científicas são agonizantemente lentas (e não raramente surgem sem planejamentos). “A única vez que eu corri pelado pelas ruas gritando ‘eureka!!’ foi quando eu esqueci de reabastecer meu frasco de medicamentos.”

 

Mito #2: Cientistas trabalham isoladamente

Realidade: Cientistas são mais orgulhosos de estabelecerem colaborações do que de seus resultados. A maioria dos discursos científicos terminam com um slide listando todos os colaboradores, como pequenas medalhas de honra – e quanto menos similar for o campo de estudo do colaborador, mais orgulhoso fica o cientista: “pois é, eu até posso ter descoberto a cura da tuberculose”, um cientista irá dizer, “mas com o que eu fiquei mais animado é esta nova colaboração um poeta islandês!!”.

 

Mito #3: Cientistas possuem habilidades úteis

Realidade: Cientistas possuem habilidades úteis no laboratório (e nem isso é regra! quem nunca teve um colega COF COF que quebrava toda vidraria, estragava as cubas de eletroforese ou deixava cair reagentes no chão?). Porém, você nunca deveria permitir que um físico providencie a fiação da sua casa (ou deixar um decorar seu apartamento… provavelmente vai ser tomado por miniaturas de bonecos de Star Wars e banners de Star Trek, fora umas toalhas aleatórias, para parecer muito inspirado pelo Mochileiro das Galáxias).

 

Mito #4: Cientistas seguem o método científico como ele foi ensinado no ensino médio: Observação, Questionamento, Pesquisa, Hipótese, Experimento, Conclusão.  

Realidade: A forma que os cientistas trabalham se parece mais com isso: Mexericar, Encontrar Algo Estranho, Repetir o Teste, Não Acontece uma Segunda Vez, Se Distrai Tentando Fazer com que Aconteça Novamente, Ir para o Chipotle (substituível por tomar muitos litros de café encarando a parede, ou o Twitter, ou a janela mesmo), Relembrar o Propósito Inicial da sua Pesquisa, Recomeçar, Submeter Pedido de Financiamento para um Melhor Instrumento (faltou dizer que manda os alunos da graduação e pós graduação fazerem isso), Publicar Alguma “Babaquice” Provisória, Perceber que Alguém já Tinha Publicado Babaquice Semelhante Antes, Ter Crise Existencial e Descontar nos Orientados, Levar o seu Laboratório para uma Nova Direção, Submeter Pedido de Financiamento para esta Nova Direção, Colaborar com um Poeta Islandês, Comer Chipotle com um Poeta Islandês (acho que poetas islandeses devem gostar de café também, nada como uma companhia pra encarar a parede!), Co-escrever um Ode Cientificamente Acurado sobre as Morsas, Se Interessar por Algo Não Relacionado, Solicitar Financiamento para Algo Não Relacionado, Perceber que Já se Passaram 20 Anos.

Método científico, oi?

 

Mito #5: Experimentos sempre rendem dados que ensinam ou revelam alguma coisa. 

Realidade: Digamos que você está fazendo um experimento com cinco camundongos. Estes camundongos se tornarão amarelos ou azuis. Então você entra no laboratório, esperando ver cinco camundongos amarelos, o que apontará para uma explicação, ou cinco camundongos azuis, o que apontará para a outra. Ao invés disso, você verá um camundongo amarelo, um verde, um listrado, um xadrez (morto), e outro que, de alguma forma, costurou para si próprio uma jaquetinha azul, apesar de ele não curtir usá-la o tempo todo (provavelmente este camundongo criou a habilidade de fazer risos irônicos também, mas isso fica meio complexo de explicar assim, do nada).

 

Mito #6: Uma tragédia pessoal pode tornar um cientista maldoso.

Realidade: Poucos cientistas são legitimamente maldosos, apesar de este número aumentar se você pedir para alunos de pós-graduação caracterizarem seus orientadores (por “tragédia pessoal”, leia-se a não aprovação de um requerimento de financiamento para projeto, ou um artigo rejeitado). Além disso, é realmente difícil ser verdadeiramente mau quando você não tem nenhuma habilidade prática (se bem que uma pipeta de vidro poderia fazer um bom estrago… fora os perigos de um laboratório de histologia!).

 

Mito #7: Um cientista pode ser proficiente em todos os ramos da ciência. 

Verdade: Qual era exatamente a disciplina em que o professor de “A Ilha dos Birutas” era especializado? Química? Engenharia Mecânica?  Construção de transistor baseada em cocos?  Qualquer fosse o momento que um problema precisasse de solução, o professor sabia exatamente o que fazer. Aquele cara podia fazer qualquer coisa. Exceto um barco. Pessoas não muito familiarizadas com ciência (e mesmo as familiarizadas grrr) acreditam que cientistas podem dominar qualquer assunto. É por isso que volta e meia nos perguntam acerca de nossas opiniões sobre novidades científicas, às quais simplesmente respondemos “humpf, pois é, veja bem, eu sei que sou filogeneticista molecular, e que sua história era sobre filogenia molecular, mas, errrrr, eu sou um tipo diferente de filogeneticista molecular” (situações mais corriqueiras seriam algo como “VOCÊ QUE É BIÓLOGO, o que é essa plantinha que está crescendo na rachadura do meu muro? hein hein?”, ao que o cientista responde “pois é, eu trabalho na verdade com ecologia de peixes bentônicos…eu não sei o que é sua plantinha”. Obviamente a réplica seria “mas você não deveria saber de todas essas coisas biológicas??”).

 

Mito #8: Cientistas não são sexies 

Verdade: Cientistas são, sim, muito sexies! Não apenas nossos jalecos nos fazem parecer mais elegantes e charmosos (se limpos então, fica um chuchu de lindo!), como estes mesmo jalecos ficam ainda melhores posicionados sobre uma lâmpada enquanto te conquisto por completo (clima romântico!).

Alguém duvida do poder de sedução do dr. Tesla?

Só pra esclarecer, este post tem caráter totalmente humorístico 😉

Original do TUMBLR The Mighty Ribozyme

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