Lá pela metade de fevereiro, me formei em Física e me matriculei no Mestrado. Pode parecer que é grande coisa, mas não é. Um aluno finaliza a graduação em Física conhecendo, quando muito, a física até os anos 40 (com exceção de assuntos tratados em iniciação científica e que podem ser bem recentes). Assim, é até difícil alguém pleitear o título de Físico tendo apenas uma graduação. Sem muito exagero, okok com um pouco de exagero, atualmente é necessário pelo menos uns 2 pós-doutorados para-começar-a-pensar-no-caso-de-talvez-cogitar-a-possibilidade de se auto-intitular Físico.
Alguns, entretanto, pensam que podem justificar qualquer coisa que digam através de uma suposta formação em Física, até afirmações completamente desconectadas dessa ciência.
Lembro de ter visto certa vez num programa de qualidade duvidosa, se não me engano daquele Gilberto Barros, um quadro sobre supostos fenômenos paranormais. Uma das convidadas para comentar o caso, e que apoiava o suposto fenômeno, se apresentou como formada em Física. Em determinado momento, o apresentador perguntou pela opinião da convidada, e em seguida, como se confirmando, o apresentador perguntou "essa é sua opinião como espírita/espiritualista/não-lembro-a-palavra-exata?", ao que ela respondeu "É minha opinião como espírita/espiritualista/não-sei-o-que e como Física".
Não preciso nem dizer que caí para trás gargalhando. Nem entro no mérito da existência ou não desses fenômenos, no que pessoalmente não acredito, mas simplesmente NADA na Física justifica qualquer afirmação de fenômeno paranormal!
Outros ainda tentam usar uma versão, bastante, pessoal da Física para justificar sua visão de mundo. E imediatamente me vem à mente o senhor Laércio B. Fonseca, figurinha carimbada no meu blog anterior:
Em seu site, o "professor" se descreve como sendo:
Formado em física pela Unicamp e especializado em astrofísica abandonou sua vida universitária para se dedicar totalmente a área espiritual.
Acho que ele não devia ter abandonado a vida acadêmica já que quase tudo que ele diz no vídeo acima está errado. Talvez ele tivesse aprendido algo mais se tivesse continuado. Ou talvez trouxa seja eu que ainda não aprendi a tirar dinheiro fácil com livrinhos místicos. Leiam os tópicos dos dvds da palestra "Física Quântica e Espiritualidade". É um primor!
Nem a convidada do programa, nem o senhor Laércio, são Físicos, mas parecem, ou pretendem parecer, falar como tal. Falar cheio de jargão de Física e Matemática é fácil. Tão fácil que qualquer filósofo pós-moderno é capaz de fazer isso. E nem é lá preciso um grande cérebro para ser filósofo pós-moderno...
É tão fácil falar como Físico que há até um feriado internético só para isso! Pois é, caros leitores, chegou a hora de comemorar mais um Dia de Falar como Físico.
Dia 14 de março é o Dia de Falar como Físico
(E dia do Pi e aniversário de Einstein...)
No ano passado, eu fiz o cartaz abaixo com minha porca habilidade de edição de imagem (clique para aumentar):
Se algum leitor com mais talento puder fazer um cartaz para este ano, seria fantástico!
Para este ano proponho que quem queria participar da comemoração deixe aqui nos comentários, ou em seus blogs (deixando o link nos comentários, claro), alguma situação engraçada pela qual tenham passado devido ao uso de jargão da Física, seja por um Físico, um "Físico" ou um leigo. Caso não tenha nenhuma história sobre Física, serve também sobre cientistas de outra área. Vamos democratizar a comemoração.
O Talk Like a Physicist é o blog oficial da comemoração, deem uma passadinha lá também!
Bônus: Vi essa tirinha do Calvin na porta de um professor hoje. Achei simplesmente fantástica de tão nonsense!
"Eu não pude lê-lo porque meus pais se esqueceram de pagar a conta da gravidade"



Comments (7)
O mais impressionante, devo dizer, é quando um ser igualmente leigo no assunto abordado, resolve expressar-se como um expert no assunto. Peguemos como exemplo, qualquer um destes pseudo-céticos, decida interpretar um esotérico, médium, vidente, pastor, "farmacêuticos" homeopáticos. O resultado é idêntico: temos os reais especialistas no ramo criticando os novos falsários e sua visão estreita do fabuloso conteúdo ocultista-místico em questão.
Gostaria de enfatizar que o início da atividade geral de formação de atitudes auxilia a preparação e a composição das condições paranormais e extrasensoriais exigidas. Podemos já vislumbrar o modo pelo qual a valorização de fatores subjetivos cumpre um papel essencial na formulação do sistema de formação de quadros que corresponde às necessidades dos seres interplanetários e seus ensinamentos da astrologia esotérica em comparação à horóscopos jornalísticos.
Evidentemente, a contínua expansão de nossa atividade aponta para a melhoria do impacto na agilidade decisória. No entanto, não podemos esquecer que a estrutura astral da organização esotérica nos obriga à análise da gestão inovadora da qual fazemos parte por um mundo melhor.
Do mesmo modo, o novo modelo estrutural aqui preconizado garante a contribuição de um grupo importante na determinação dos métodos pseudo-científicos utilizados na avaliação de resultados. Todas estas questões, devidamente ponderadas, levantam dúvidas sobre se a complexidade dos estudos efetuados promove a alavancagem das novas proposições nas outras dimensões divinas a quem vocês pseudo-céticos tanto se recusam a aceitar, mesmo tendo sido comprovada e apresentada empiricamente aos grãos mestres da fraternidade branca.
Posted by: Carlos Mongo | março 4, 2009 12:12 PM